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Clonagem animal - Aspecto científico

Para se clonar um Homem é preciso ter-se um Homem que possa ser clonado por outro Homem. Posto isto pode perguntar-se: Quem é o Homem?
Ainda hoje se procura a resposta correcta, que será uma que se enquadra, basicamente, num de três grupos candidatos:

1- Para os criacionistas, o Homem foi criado por Deus, que é uma identidade (ou grupo de identidades) sobrenatural.
2- Para os evolucionistas, como Darwin, o Homem é um produto de evolução natural de um ser vivo original nascido, provavelmente, do acaso.
3- Para outros como, por exemplo os crentes na teoria (não religiosa) de Erich Von Daniken, quando apareceu a vida na terra esta não evoluiu até chegar a um ser humano. Visitantes extraterrestres teriam criado o homem através de engenharia genética aplicada a outro ser vivo, talvez a um símio.
Gravura  «Homem e Mulher» adaptada de um site de endereço perdido!

O que é um clone?

Clone deriva do vocábulo grego Klon que significa «rebento», e é um termo já antigo reinventando
em 1903 pelo botânico Herbert J. Webber que o definiu como sendo «uma colónia de organismos que de modo assexuado deriva de apenas um progenitor», como é o caso das hidras nascidas por gemulação, ou brotamento (processo de reprodução em que se dá a formação no progenitor, de gemas ou gomos, que se desenvolvem, dando origem a novos indivíduos independentes) ou, por exemplo, de plantas provenientes de um mesmo indivíduo por enraizamento de estacas, ou ainda o braço de uma estrela-do-mar que, separado do corpo, se transforma noutro indivíduo adulto. Mais modernamente a genética molecular usa este termo para descrever uma célula (ou colónia de bactérias) que contém um dado fragmento de DNA modificado, na forma de DNA recombinante. Clonar é o processo pelo qual se obtêm várias células derivadas de uma célula única através de mitoses (divisões celulares) repetidas, sendo assim todas elas possuidoras, na melhor das hipóteses, da mesma constituição genética.

A vida, nos tempos que correm, começa com uma clonagem, que se esfuma rapidamente.

Quando um espermatozóide fecunda o óvulo na trompa, a célula resultante (zigoto ou ovo) biparte-se sucessivamente, gerando cópias idênticas de si mesma (clonagem) dentro de um invólucro, formando a mórula, e passadas cerca de 72 horas, já existem cento e tal células agrupadas, que constituem o blastocisto, que se implanta (nidação) no endométrio uterino.(Ver páginas de reprodução e menstruação,
no tópico de Educação Sexual na Escola)  


Quando o embrião tem de 32 a 64 células, elas organizam-se seguindo dois rumos: as mais externas darão origem à placenta com o cordão umbilical (que se agarra ao endométrio) e à bolsa amniótica (que contém o feto flutuante); as da parte interna irão formar os 216 tipos de tecidos do futuro organismo. À medida que as células do ovo, ou óvulo fecundado, continuam a multiplicar-se, chega-se a um ponto em que a capacidade de uma célula formar qualquer tecido é perdida, porque grupos de células começam a especializar-se na criação de um certo tipo de tecido.

Quando o feto se desenvolve não se está a fazer uma clonagem dos progenitores porque por um lado nem há dois óvulos iguais nem dois espermatozóides iguais, e por outro lado ... como se poderia clonar num mesmo indivíduo, dois outros, o pai e a mãe?

Gémeos verdadeiros = clonagem perfeita?
 

O mais próximo que a natureza vai de uma clonagem humana dá-se quando se formam verdadeiros gémeos, isto é, crianças do mesmo sexo, fruto de um mesmo espermatozóide e de um mesmo óvulo (monozigótico) que, por capricho da natureza, se dividiu em dois ou mais blastocistos idênticos (gravidezes gemelares univitelinas), mas mesmo aqui esta clonagem não é perfeita: Dois gémeos verdadeiros podem ser exteriormente muito parecidos mas, interior e mentalmente, são forçosamente diferentes já que não há duas pessoas rigorosamente iguais e, num mesmo indivíduo, parelhas de órgãos que deviam ser cópias exactas de uma mesma matrix (blue print), como os olhos ou os rins ... não são iguais entre si, do que se deduz que a clonagem perfeita é, em princípio, impossível!

Dolly Parton e Dolly «Wilmut»

Dolly Parton e Dolly, a ovelha de Wilmut
O mundo foi colhido de surpresa quando em Fevereiro de 1997 o embriologista escocês, Ian Wilmut, do Instituto Roslin, anunciou que tinha nascido Dolly, uma ovelha clonada usando o óvulo enucleado de uma ovelha, o núcleo de uma célula somática de outra ovelha e, finalmente, terem implantado este óvulo híbrido no útero de uma terceira ovelha.
 
 

De onde veio o nome Dolly? Por vezes, no mundo científico tempera-se a monotonia com um certo humorismo. Segundo o próprio Wilmut tendo em atenção que a célula dadora veio de uma mama, ele deu o nome Dolly, «em homenagem a Dolly Parton, uma actriz e famosa cantora de música country, sobejamente conhecida pelo seu valor artístico e pelos seus volumosos seios»  
(Foto de Dolly Parton: www.shorefire.com/artists/dolly. Foto da ovelha Dolly: www.roslin.ac.uk/public/cloning.html)

Mas foi este trabalho extraordinário um sucesso total?


Dolly nasceu em 5 Julho de 1996, mas os seus criadores esperaram meses (Fevereiro de 1997) até se assegurarem que tudo parecia normal no seu desenvolvimento para anunciarem o seu nascimento. Na sua clonagem não foi usado um núcleo dador de uma célula tronco, mas o núcleo de uma célula somática (diferenciada) que foi tratada por um processo especial que a privou de alimentos e a forçou a entrar numa espécie de hibernação durante a qual «desligou» os genes que a definiam como uma célula adulta com um fim específico (tecido mamário) e a transformou numa  quase célula tronco.

Abreviadamente:
1- Numa primeira fase, colhe-se um óvulo e retira-se o núcleo, que é descartado. Colhe-se um tecido do doador, e retira-se o núcleo de uma célula, depois desta ter sido preparada de modo a transformar-se, tanto quanto possível, numa célula tronco.
2- Numa segunda fase, insere-se o núcleo doado no óvulo enucleado e com uma descarga eléctrica fundem-se os dois, simulando uma fecundação do óvulo. Nesta altura o óvulo passa a ovo.
3- De seguida in vitro permite-se o desenvolvimento de células totipotentes no ovo, e depois ...
4- Implanta-se o ovo num útero, seguindo-se o rumo de uma gravidez normal.

A este método de inserção de material genético da célula somática modificada no óvulo hospedeiro chama-se transferência somática de núcleo.

Foi um «sucesso» que culminou muitas tentativas falhadas e, à primeira vista, parecia assegurar que era possível forçar uma célula diferenciada adulta (célula somática) comportar-se como uma célula tronco, e que era possível gerar um mamífero sem a ajuda de um espermatozóide. Segundo Wilmut, este nascimento surgiu como parte do seu programa para criar ovelhas que produzissem leite (transgénico?) com um composição especial, contendo elementos úteis para utilização médica.

Tudo parecia correr bem, tendo Dolly dado à luz dois filhotes, mas em 1999 apareceram sintomas de envelhecimento precoce, um fenómeno que está comprovado existir em todos os animais clonados e que está ainda por resolver. Por resolver está também o problema de alguns dos órgãos internos de um clonado apresentarem uma má-formação congénita acentuada. A sua saúde deteriorou-se com o surgimento de artrite degenerativa e de uma infecção  pulmonar incurável, tendo Dolly sido abatida a 14 de Fevereiro de 2003, para lhe poupar um sofrimento desnecessário. Uma ovelha normal dura cerca de 12 anos. Dolly morreu com 6 anos, estando o seu corpo empalhado exposto no Royal Museum of Scotland, em Edinburgo.
   

Pequeno historial de clonagem animal, não humana.

Um pouco por todo o mundo laboratórios vão-se aventurando na clonagem, quer por razões de procura de cura de doenças e anomalias genéticas, quer para benefício económico (Em Fevereiro de 2006 uma equipa científica da Universidade texana A&M, nos Estados Unidos, criou cinco clones de um cavalo campeão com provável vista a um negócio avaliado em milhões de dólares), e certamente alguma desta clonagem é mantida no segredo dos Deuses, devido a problemas éticos, de legalidade, ou porque «o segredo é a alma do negócio».
Alguns casos conhecidos de clonagem (houve mais dos que os enumerados na lista que se segue):
1952: Um sapo, nos Estados Unidos.
1963: Uma carpa, na China
1996: A ovelha Dolly.
1997: Rato fêmea Camulina, que morreu em 2000, pensa-se que por causas naturais.
1999: Um touro e Tetra, um macaco Rhesus (Universidade do Texas).
2000: Cinco porcos (Milly, Christa, Alexisa, Carot e Dot-Com) e um bisonte, nativo da Índia, a partir da célula de um animal morto.
2001: Um gato a que chamaram CC (Universidade do Texas).
2002: Um búfalo, na Tailândia.
2003:  1- O primeiro clone de mula nasceu a 4 de Maio; 2 - Cientistas italianos criam o primeiro cavalo clonado; 3 - Ratazana, Ralph, em França.
2004: Moscas e um veado.
2005: Snuppy, um cão, na Coreia de Sul.
2006: Vários cavalos.

Células tronco ou estaminais: Num sentido lato chamam-se células tronco ou estaminais às células não diferenciadas associadas aos embriões, que se podem diferenciar, durante o processo de ontogénese em diversos tipos de tecido celular (músculo, sangue, pele, osso, etc)  tendo também a capacidade de se autorenovar. (No corpo humano há 216 tipos básicos de tecidos). O cordão umbilical e a placenta contêm uma grande quantidade de células com uma estrutura próxima das estaminais. Imediatamente após um parto o sangue destes dois órgãos pode ser colhido, e as (pseudo)células estaminais isoladas, tratadas, e  criopreservadas, com uma estimada sobrevivência de mais de 20 anos. Em Portugal e de momento, para se conservarem estas células para um possível futuro uso no bebé que as originou (que na altura de as necessitar poderá já ser adulto), a mãe terá de ser submetida durante a gravidez a análises de despistagem ao CMV IgM, CMV IgC, Sífilis, Hepatite B, Hepatite C e HIV I e II.  (Ver  www.crioestaminal.pt ) Nota: Foi anunciado em Janeiro de 2007 que se podem extrair células estaminais do líquido amniótico. Se assim é, então muitos  dos problemas éticos à volta da obtenção destas células serão eliminados, porque não será necessário recorrer a embriões.

Há uma certa tendência para classificar as células estaminais em dois tipos: embrionárias e adultas.

As células tronco embrionárias são extraídas a nível embrionário (ou em segunda escolha da placenta e do cordão umbilical) e podem diferenciar-se em diferentes tipos de células e assim serem usadas para restaurar funções perdidas devido a lesões nos tecidos ou para substituir células defeituosas de nascença, mas como vêm de um embrião (logo de «alguém» que não nasceu), é lógico que são aplicadas numa pessoa estranha à célula, pelo que a probabilidade de rejeição é maior e suspeita-se que podem espoletar o aparecimento de tumores. Está a tentar-se uma técnica curiosa: Divide-se um ovo fecundado em dois (como se se estivesse a criar gémeos genuínos). Um dos embriões é implantado e segue uma gestação normal. O outro é conservado como banco de células estaminais para o seu «irmão gémeo».
As células tronco adultas têm maior dificuldade em se transformar em qualquer tecido, comparadas com as embrionárias. Através de elaborada manipulação laboratorial estas células só podem regenerar, ou procriar, alguns tipos de células, e podem ser encontradas em vários tecidos do corpo como na medula óssea. Como são geralmente retiradas do próprio paciente, têm um nível de rejeição muito baixo.

Outros termos que surgem em embriologia quando se definem células tronco são:
1- Totipotentes - podem produzir todas as células embrionárias e extra embrionárias
2 - Pluripotentes - podem produzir todos os tipos celulares do embrião
3 - Multipotentes - podem produzir células de vária linhagens
4 - Oligopotentes - podem produzir células dentro uma única linhagem

Em aplicações animais há três métodos laboratoriais de clonagem:

«» Separação de blastómeros: Consiste no isolamento de células totipotentes de embriões em estádios iniciais do seu desenvolvimento, promovendo-se, depois, a multiplicação progressiva de cada uma delas de modo a obterem-se indivíduos exactamente idênticos.
«» Duplicação embrionária: Consiste na bissecção de embriões já em fase de desenvolvimento avançado (blastocisto), sendo assim obtidos por técnicas de micromanipulação dois embriões idênticos a partir de um único, o que dá origem, artificialmente, a gémeos verdadeiros.
«» Transplantação de núcleos: Consiste em se fazer uma microtransferência de vários núcleos retirados de um mesmo embrião jovem para outros tantos óvulos aos quais se extraíram os respectivos núcleos, (logo ficando desprovidos do seu próprio conteúdo cromossónico), e que se transformam em células hospedeiras que, desenvolvendo-se, criam cópias iguais de um mesmo indivíduo «dador».

Micropipeta penetrando um óvulo para extrair núcleo

Foto mostrando micropipeta penetrando óvulo para remoção (ou injecção) de núcleo.
www.vega.org.uk/video/programme/15

O sonho da clonagem humana. Três técnicas e seus fins:

1 - A clonagem reprodutiva, em que se pretenderia gerar um ser humano, cópia de um progenitor, usando uma técnica similar à do caso da ovelha Dolly, de transferência nuclear (TN), já ilustrado.

A clonagem humana (com todos os seus riscos de malformação) é teoricamente possível, face ao sucesso (?) da clonagem de animais. Já em 2004 havia notícias de clonagem envolvendo embriões humanos, mas parada a certo nível, e tem-se, por exemplo, a organização de índole religiosa Clonaid, que garante ter clonado pelo menos um bebé.

Nota: Segundo Boisselier, 46, presidente do laboratório Clonaid, e química francesa e integrante da seita raeliana, o primeiro clone humano, uma menina chamada Eve teria nascido por cesariana, com 3,1 quilos do dia 26/12/2002, e suas condições são estáveis.

O ginecologista italiano Severino Antinori afirmou hoje que duvida do nascimento do bebé clonado anunciado pelo movimento raeliano."Um anúncio deste tipo que não é corroborado por uma base científica, corre o risco de criar confusão", afirmou o médico, segundo a agência de notícias Ansa. Em Novembro, o próprio Antinori havia dito que, em Janeiro, um clone humano nasceria --apesar de afirmar ter apenas prestado consultoria à equipe responsável.

Antinori considera "estranha" a ideia dos raelianos (Seita religiosa Rael), os quais acreditam que extraterrestres teriam originado a raça humana. "É uma ideia que está longe da minha maneira científica de pensar. Para mim, a clonagem tem um objectivo terapêutico para combater a esterilidade masculina", afirmou.

Boisselier  não apresentou detalhes da experiência, o que impede a comprovação por cientistas independentes ...  France Press 27/12/2002

É evidente que, para além de questões éticas e morais quanto à aceitabilidade das clonagens, há o perigo da tecnologia de reprodução por clonagem com selecção de reforço, de acrescente, ou de supressão, de certas características no indivíduo poder ser catastrófico, se executada com intenções criminosas.
 

2 - A clonagem terapêutica de substituição. Neste caso, o DNA retirado de uma célula adulta do dador, ou doador, também é introduzido num óvulo sem núcleo (enucleado), o qual não é introduzido num útero, e depois de algumas divisões, as células tronco são direccionadas no laboratório para fabricar tecidos idênticos aos do dador, tecidos que não são rejeitados por ele.


 
3 - C
lonagem de um fragmento de DNA.  É a que se refere à cópia de genes ou de DNA, em que se procura isolar e multiplicar um fragmento de DNA inserido num certo vector (suporte orgânico que pode ser um fagócito, um plamídeo, um cosmídeo ou até fungos, isto é, não é usado um óvulo hospedeiro humano como nos casos anteriores), e que foi previamente isolado através da acção de enzimas que cortam a sequência de DNA a copiar em pontos determinados. Depois da inclusão do fragmento de DNA no vector hospedeiro, este é também fragmentado por outros enzimas em locais do seu DNA que são complementares dos do fragmento injectado. Com uma outra enzima - uma ligase - fundem-se as extremidades complementares dos dois DNAs e introduz-se esta combinação na própria estrutura do vector, passando o vector a conter no seu DNA recombinante um gene estranho artificialmente transplantado. Estes vectores geneticamente modificados são depois incorporados noutros agentes apropriados, gerando-se assim uma colónia celular que irá produzir cópias do seleccionado fragmento de DNA.  Esta técnica, ou similar, é usada entre outros fins, para produzir medicamentos como a insulina, sondas moleculares específicas utilizadas no diagnóstico de determinadas características genéticas individuais, produção de alimentos transgénicos, etc. Este acasalamento de DNA é possível ser feito mesmo saltando a barreira das espécies. Por exemplo, o gene responsável pela luminescência do insecto pirilampo já foi incorporado não só noutros animais, mas em plantas.

Nota: Um problema ético à volta desta técnica é que o embrião acaba por ser destruído voluntariamente ou morre naturalmente, e para muitas pessoas um embrião é um ser vivo. Em fins de Agosto de 2006 foi anunciada uma «inovação tecnológica» que consiste em se retirar do zigoto (ovo ou óvulo fecundado) em processo de multiplicação celular inicial, numa fêmea grávida, uma das células que será usada em clonagem mas deixando o ovo prosseguir o seu processo de gravidez normal. Note-se que num zigoto há poucas células pelo que a remoção de uma célula pode ser significativo. Se atendermos às grandes diferenças físicas e mentais entre um chimpanzé e um homem e que se acredita que a diferença genética é menor que 2% será legítimo questionar: A remoção de uma (ou mais que uma) célula ao ovo, não perturbará o feto que está a ser gerado?

Clonagem humana, aspecto ético. Opiniões:

Para alguns críticos a clonagem reprodutiva ou terapêutica é moral e eticamente inaceitável. A igreja cristã geralmente opõe-se à clonagem por motivos de defesa ao direito à vida de um embrião (muitos embriões iriam morrer prematuramente, ou seriam descartados, ou seriam seccionados para se aproveitarem as suas células tronco) e porque o «homem não tem o direito de brincar a Deus». Para outros:

Um ponto de vista:
«A clonagem de plantas e de animais, é aceitável se se observarem normas de segurança que visam evitar os perigos para a saúde, para o ambiente, e abusos, observando-se normas éticas internacionais  parcialmente estabelecidas (ainda não completamente e consensualmente delineadas) para a experimentação animal e se garantam a preservação da biodiversidade. Note-se que a clonagem de animais não humanos é cientificamente justificada e economicamente rentável. Quanto à clonagem reprodutiva de seres humanos, além de não ser cientificamente justificada nem economicamente rentável, é eticamente reprovável. Na realidade, quaisquer que fossem as motivações dessa clonagem, ela implicaria sempre uma grave instrumentalização da pessoa humana que, na sua própria constituição genética, era manipulada como um meio e não considerada como um fim em si mesma» ...
Agostinho Santos em Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira


Outra opinião:
«Independentemente de julgamentos morais, a clonagem reprodutiva deve ser proibida por lei, porque não existe a menor segurança de que bebés gerados por meio dela serão bem formados. Na clonagem terapêutica, no entanto, os tecidos são obtidos em tubos de ensaio, e só há uma gestação parcial.
Imagine-se uma pessoa que  fique paraplégico ou seja afectado por uma doença genética incapacitante, como a distrofia muscular. A clonagem permitirá retirar o DNA de uma célula da pele da pessoa  (ou dos pais, se ele tiver um doença genética), introduzi-lo num óvulo enucleado e produzir no laboratório células tronco, que poderão ser enxertadas na medula espinal, ou no cérebro para repor os neurónios perdidos, ou na musculatura, para recompor músculos enfraquecidos pela distrofia.
A clonagem terapêutica oferece a possibilidade de repor tecidos perdidos por acidente ou pelo passar dos anos e de tratar doenças neuromusculares, enfartes, derrames cerebrais, Alzheimer e outras demências, cegueira, câncer e muitas outras.

Até que essa tecnologia encontre seu lugar na clínica, há problemas técnicos difíceis de resolver. As justificações avançadas pelos oponentes desta técnica são as seguintes:
1) Nos tecidos dos adultos, também existem células capazes de substituir aquelas obtidas através da manipulação de células embrionárias;
2) Os fins terapêuticos não justificam "a eliminação de vidas humanas, mesmo que estas, como é o caso dos embriões, se encontrem no estágio inicial do desenvolvimento";
3) O homem quer "brincar a Deus" ao propor a clonagem, reprodutiva ou terapêutica.

Comecemos pelo primeiro argumento, o único que pode ser discutido com racionalidade. De facto, foram identificadas células pluripotentes em tecidos adultos como na medula óssea, no sistema nervoso e no epitélio. Entretanto, todas as evidências sugerem que sua capacidade de diferenciação seja limitada e que a maioria dos tecidos humanos não pode ser obtida a partir delas.

Quanto ao segundo, é uma razão muito subjectiva, de «consciência». O que é mais importante: A potencial vida existente num agrupamento microscópico de células obtidas em tubo de ensaio ou a vida de uma mãe de família que sofreu um enfarte ou a de um adolescente numa cadeira de rodas?

Finalmente, o terceiro argumento. Dizer que o homem assumiria a função de Deus, só porque é capaz de introduzir o DNA de uma célula adulta no interior de um óvulo, parece ser um exagero. O uso de vacinas que alteram, para melhor, o sistema de imunização natural ou um parto que só é possível levar a bom termo por cesariana (a Natureza não queria que o bebé nascesse!) é, também, brincar a Deus?
Adaptado de um artigo em
www.ghente.org/temas/clonagem/index_txr.htm

Outro possível benefício da clonagem:

Recolheram-se amostras de DNA, e de espermatozóides, de mamutes (um tipo de elefante extinto), de carcaças congeladas, estando a ser estudado o método de poder clonar um destes animais. Em caso de sucesso, outros animais extintos poderão ser recuperados, mas ...como é que esses ressuscitados animais se vão comportar, e sobreviver, num mundo que, agora, lhes é totalmente estranho?

Em resumo, quais são as respostas honestas para:

Os benefícios que se podem obter através da clonagem terapêutica justificam a eliminação de «vidas humanas», mesmo que estas, como é o caso dos embriões, se encontrem no estágio inicial do desenvolvimento?

Quando é que, ao longo de uma gestação, se pode falar de «vida humana»?

Como comparar, moral e eticamente, a morte de embriões laboratoriais contra as mortes provocadas em centenas de milhar de fetos em abortos diários, ou  o extermínio de pessoas nas guerras que deflagram por todo o mundo, a todo o momento? Nas guerras, qual é o valor atribuído à vida (humana) dos soldados e dos civis, homens, mulheres e crianças?

Nota1: Em 2007 estalou outra polémica com a notícia de criação de óvulos  híbridos (chamados cíbridos), resultante da inclusão de material genético humano em óvulos de "animais" convenientemente tratados, do que resultaria um óvulo com cerca de 99,9% de características humanas, e do qual se poderiam retirar células estaminais.

Nota2: Não há consenso sobre quando a vida humana começa, dizendo uns  que é no momento da fecundação ou concepção (junção do óvulo com o núcleo fecundante do espermatozóide), outros dizem que é no momento de nidação do blastocisto no endométrio (mucosa da cavidade uterina), que se dá entre 5 a 10 dias depois da fecundação, para outros, a "vida humana" começa entre o 10º e o 14º dia após a fecundação, porque é a partir daqui que começa a formar-se o sistema nervoso do feto,  mas  outros  asseguram que é só a partir da décima semana da gravidez.

Nota3: Nos  E.U.A., em meados  de Janeiro de 2008, "após 6 anos de estudos  e ensaios",  foi dada autorização para a comercialização de carne de animais  clonados, e de outros produtos  deles  derivados, com o pretexto de ser uma solução para a carência destes alimentos, não só no "mundo civilizado" como nos  países  em desenvolvimento. Há quem não concorde porque, argumentam, não foram feitos suficientes  estudos   que provem que tais  produtos  são seguros  para a saúde humana. Outros  concordam acrescentando que animais  clonados  e plantas  transgénicas serão a resposta mais adequada à escassez de alimentos num futuro próximo.

Nota4: Criação de um coração artificial, biológico, feito em laboratório no Hospital Geral do Massachusetts : «Pegou-se no “esqueleto” de um coração de rato, injectaram-se células cardíacas “bebés” e colocou-se tudo numa incubadora. Dias depois, o novo coração começou a bater, bombeando sangue com uma potência equivalente a dois  por cento de um coração de rato ». (Jornal Público 15/01/2008)

Nota5: Cientistas, da empresa Stemagen, em La Jolla, na Califórnia, utilizaram 29 ovócitos humanos, doados para investigação por mulheres. Começaram por lhes retirar o ADN do núcleo, para colocar depois no seu lugar o ADN das células  da pele de dois dadores. Conseguiram assim obter cinco embriões, que chegaram à fase de blastocisto... Por tudo isto, Samuel Wood, o coordenador da equipa da Stemagen, sublinhava ontem na BBC online: “De facto, fomos  os   primeiros em todo o mundo a recolher células adultas  e a documentar que fomos capazes de clonar embriões  a partir delas.” (Jornal Público 17/01/2008)

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