Kasher significa correcto, justo, bom. Aplicado à
comida, significa que é apropriada ao consumo, isto é, que preenche todos os
requisitos da dieta judaica. É importante alertar-se ao facto de que a kashrut
não é um estilo de culinária. Comida chinesa, francesa, italiana, indiana, árabe
ou qualquer outra podem ser kasher desde que preparadas de acordo com as leis
judaicas. A comida tradicional judaica, pode ou não ser kasher, dependendo como
foi preparada.
A Kashrut se desenvolve baseada em duas regras básicas. A primeira delas
especifica o tipo de carne que pode ou não ser consumida. A proibição é muito
clara no capitulo 11 do Levítico: "Entre todos os animais da terra, os que
podereis comer: aqueles que têm os cascos fendidos e que ruminam." Ou seja,
incluem-se aí vaca, carneiro, bode e cervo. As aves permitidas são o frango, o
peru, o ganso, o faisão e o pato. Já o Deuterônimo, no capítulo 14 explica que
nenhum crustáceo é kasher: "Comereis de tudo que há nas águas: tudo que tem
barbatanas e escamas comereis; e tudo o que não tem barbatanas e escamas não
comereis; é impuro para vós."
A outra grande regra consiste em não misturar carne com leite e derivados, seja
na preparação, armazenamento ou consumo. A origem bíblica desta norma é
encontrada no livro Êxodos, capítulo 19 que diz: "Não cozerás o cabrito no leite
de sua mãe." Foi a partir desta regra que se classificou a comida kasher em 3
categorias: carne, leite e parve.
Carne Kasher
A carne kasher é singular em todos os aspectos, desde o tipo de animais que são
permitidos até a maneira como são abatidos e preparados para o consumo. Os
alimentos à base de carne são cozidos, manuseados e ingeridos separadamente dos
alimentos à base de lacticínios. Além disso, é exigido um período de espera de
seis horas após comer todos os tipos de carnes e aves antes que qualquer
lacticínio possa ser ingerido. A categoria "carne" inclui a própria carne, as
aves e os subprodutos, tais como ossos, sopas e molhos. Qualquer alimento feito
de carne ou aves ou de produtos de carne e aves, é considerado como sendo de
carne (fleishig ou Bassarí). Até mesmo uma pequena quantidade de carne em um
alimento torna-o Bassarí.
Existe um ritual para o abate dos animais; baseado no facto de que o sangue não
deve ser consumido porque simboliza a própria essência e característica do ser
humano, os rabinos concluíram que um animal que é morto para virar alimento deve
ter seu sangue totalmente drenado. Para evitar que a proibição de comer sangue
seja violada, é preciso que o sangue da carne seja extraído por um destes dois
métodos, depois de abatido o animal. Primeiro: "deixar de molho e salgar"
(chamado de kasherizar). Segundo: assar sobre ou sob uma chama ou num forno
elétrico ou assadeira elétrica. Assim, todo o sangue é extraído.
Leite
Todos os alimentos que contém leite, ou que são dele derivados, são considerados
Chalavi ou milchig. Isto inclui leite, manteiga, iogurte, quefir, coalhada e
todos os queijos (variáveis segundo sua consistência) - duros, macios e
cremosos. Mesmo uma pequena quantidade de lacticínio em um alimento faz com que
este alimento seja considerado Chalavi. Todos os derivados de leite requerem um
certificado de Kashrut. Os alimentos de leite e de carne não devem ser
preparados, servidos ou consumidos ao mesmo tempo. Utensílios separados são
usados exclusivamente para lacticínios. Recomenda-se um forno separado para
assar ou tostar alimentos de leite.
Parve
As frutas, vegetais, cereais e todos os outros alimentos que constituem uma
dieta e que crescem na terra, são parve e podem ser utilizados sem restrição. Os
peixes também estão inclusos. "Podereis comer de tudo o que vive nas águas, seja
nos mares ou nos rios, desde que tenha nadadeiras e escamas" (Vayicra' XI:9). Os
ovos também podem ser utilizados tanto com carne como com leite. Entretanto,
qualquer gema de ovo que contenha uma gota de sangue não pode ser usada.
Vinhos
O vinho e o suco de uva, mais do que qualquer outra bebida, representam a
santidade do povo judeu. São usados para a santificação do Shabat e Festas
Judaicas. Qualquer subproduto que contenha vinho ou suco de uva, como vinagre de
vinho, bala, geleia ou refrigerante de uva, conhaque e outras bebidas que possam
ser destiladas ou misturadas com vinho, só poderão ser ingeridos quando
possuírem supervisão rabínica de confiança. Vinho feito por um judeu, que após
seu preparo tenha sido fervido, não apresenta mais problemas de kashrut. Um suco
de uva ou vinho de passas cujas uvas ou passas foram cozidas antes de extrair o
suco é considerado vinho cozido.
Produtos industrializados
Seguem a mesma regra básica: é imprescindível terem uma Supervisão Rabínica.
Todos os alimentos processados requerem supervisão rabínica de confiança que
atestem que podem ser consumidos em acordo a lei judaica. Isto aplica-se a todo
produto que passa por processo de fabricação: legumes congelados, bebidas,
balas, biscoitos, etc.
Restaurantes, hotéis e afins
Todo restaurante, hotel, etc, para ser kasher necessita de supervisão rabínica
em sua cozinha, o que inclui a presença de pessoas shomrei Shabat, observantes
do Shabat, que irão acender o fogo, orientar e fiscalizar a confecção de todos
os ingredientes e sua preparação, até o consumo final.
Kashrut e a Saúde
A discussão em torno da validade racional das leis dietéticas também chegou ao
âmbito da ciência médica. Algumas eminentes autoridades recomendam a kashrut por
motivos higiénicos. Inúmeros técnicos sanitaristas consideram, hoje em dia,
altamente meritória a exigência severa feita ao indivíduo responsável pelo abate
de que examine a carcaça de todo animal que houver matado, a fim de verificar se
há qualquer sinal de doença outra condição patológica. Consideram também
importante o facto de que a carne deve ser consumida até poucos dias após o
abate, evitando-se assim, os prejuízos à saúde que podem advir da carne
estragada.
Kashrut e Higiene
A lavagem das mãos seguida de oração é um item obrigatório antes de preparar,
cozinhar ou comer qualquer alimento. Escolher bem folhas de verduras, lavar
adequadamente as frutas, e averiguar a existência de qualquer tipo de larva ou
verme tem sido tema de cursos e orientações a respeitadores das leis da kashrut.
Estas normas, que há muitos anos são discutidas por sábios judeus, têm garantido
com sucesso, a higiene e qualidade dos alimentos judaicos.
Nota:
Receitas de culinária judaica? Ver www.chabad.org.br/receitas/index.htm