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As raízes do 25 de Abril - 1ª Página


O 25 de Abril de 1974 começou em  5 de Outubro de 1910
Breve história, sem «estórias» de encantar.

Antecedentes distantes do 25 de Abril:
O fim da Monarquia

Em 1873, em plena monarquia, formou-se um novo partido, o Partido Republicano que tenta uma revolta em 31 de Janeiro de 1891, no Porto, como protesto contra a capitulação de D. Carlos I ao Ultimato da Inglaterra relativamente ao famoso Mapa Cor-de-Rosa, em que Portugal propunha a ligação, anexando território africano, de Angola a Moçambique, indo assim contra a ambição Britânica de estabelecer um império africano  «do Egipto à África do Sul - da foz do Nilo à cidade do Cabo (Cape Town)», mas que é dominada.

A 1 de Fevereiro de 1908 no Terreiro do Paço, em Lisboa, no regresso de uma viagem a Vila Viçosa, a tiros de pistola dá-se o assassínio (regicídio) do Rei D. Carlos I - O Diplomata - e do Príncipe Herdeiro D Luís Filipe, como represália à Ditadura de João Franco, a quem D. Carlos I tinha entregue o governo, após dissolver o parlamento.

D. Manuel II - O Patriota ou O Desventurado -, segundo filho de D. Carlos, nascido em Lisboa em 1889, assume o poder tornando-se o 34º (por vezes aparece referenciado como o 35º), e último rei de Portugal (1908 a 1910).

D. Manuel II demite João Franco e nomeia um governo de coligação chefiado por Ferreira do Amaral, mas o descontentamento popular continua apesar de F. do Amaral ter concedido muitas liberdades de ordem política.

(Declaração da  1ª República e exílio da família real)

O Partido Republicano estagia outra revolução, vitoriosa, a 4 de Outubro de 1910, e no dia seguinte foi proclamada a 1ª República por José Relvas e Eusébio Leão, e oficializada pelo Diário do Governo de 6-10-1910.

D. Manuel II (e família) é forçado, a 7 de Outubro, a exilar-se para Gibraltar e, mais tarde, para Londres. No exílio casa-se com sua prima a Princesa Augusta Vitória de Sigmaringen, morrendo em 1932 após prolongada doença sem deixar descendentes (A causa da sua morte é suspeita, em certos meios monárquicos). Como consequência, surgiram duas linhas de pretensão ao  trono de Portugal (Ver tópico Duelo Real).

A 1ª República Parlamentar
(Este período pode ser dividido em 3:  A República Velha, a República Nova, e a Nova República Velha ou Restauração da Velha República).

A República Velha (1910 a 1917)
Foi então instaurado um Governo Provisório da República com o Dr. Manuel de Arriaga, Presidente da República e Dr. Teófilo Braga como chefe do governo (que se irá tornar no 2º Pres. da Rep. em 1915 e que, pouco depois, é substituído pelo Dr. Bernardino Machado). 

Inicia-se um período caracterizado por sucessivas mudanças de governo, lutas entre monárquicos e republicanos, tumultos, assaltos, revoluções, greves.

Implantação da República
Alegoria à Proclamação da República

Vitória eleitoral Republicana
Vitória eleitoral do Partido Popular à  presidência da  Câmara de Lisboa

Com a implantação da 1ª República, a Bandeira Republicana Revolucionário foi alterada e adoptada como nova  Bandeira Nacional, e fez-se uma adaptação do canto revolucionário «A PORTUGUESA» como  Hino Nacional. (Letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil), 
(Ver na página sobre «Símbolos Nacionais»,  a Bandeira e Hino)

Muitos dos simpatizantes monárquicos refugiaram-se na vizinha Espanha, que vira com maus olhos a Implantação da Republica em Portugal, e daí tentaram fomentar (incursões de Trás-os-Montes de 1911 e 1912) a guerra civil e o regresso de D Manuel II ao país, sem sucesso.

Derrotados, não desistiram, e formaram em 1914, dentro de Portugal, a Causa Monárquica. Por esta altura também veio à superfície a ideologia anti-republicana, do Integralismo Lusitano.

Existia um outro partido monárquico, o Partido Legitimista que, à altura de sua criação, apoiava a candidatura de D. Miguel (II) (filho do banido e exilado D. Miguel I) ao trono de Portugal, e ao qual os Integralistas acabaram por se juntar, mais tarde.


Em 1916 Portugal entra na 1ª Grande Guerra e, em 1917, um exército de várias dezenas de milhar de  homens (O Corpo Expedicionário Português - CEP) parte para França, para a província de Flandres, envolvendo-se em combate na batalha de La Lys em 9 de Abril de 1918, com muitas baixas. António Curado, de Vila Nova da Barquinha, foi o primeiro soldado português a tombar nessa batalha. Como represália da entrada de Portugal na guerra, a Alemanha atacou o Sul de Angola e o Norte de Moçambique, embora já, anos antes, tivesse atacado as nossa colónias. 


Entre as acções legislativas tomadas neste período destacam-se: a Lei do Registo Civil, obrigando ao registo de casamentos, nascimentos e óbitos; a Lei da Imprensa; a Lei da Separação da Igreja do Estado com expulsão dos Jesuítas e encerramento de casas religiosas e conventos; a Lei dos Acidentes de Trabalho; a Igualdade dos cidadãos perante a lei, cria-se o ensino infantil, intensifica-se o ensino escolar e a cultural em geral, criaram-se as universidades de Lisboa e do Porto, (até então só existia a de Coimbra), etc.

A República Nova (1918)

Em Dezembro de 1917, o Major Sidónio Pais promove uma revolução, e é eleito presidente em 1918.
Estabelece um governo forte, tenta impor a lei, e termina com as perseguições à igreja.
Em 5 de Dezembro de 1918 escapa a uma tentativa de assassinato, mas dias depois, a 14 Dezembro, é morto na estação do Rossio, em Lisboa, lançando o país em tumulto político, e social, que se estendeu até 1926.

«Restauração da Monarquia»:

Já antes da era Sidónio Pais, criaram-se Juntas Militares no Norte e no Sul do país, de tendência monárquica. Estas, em Janeiro de 1919, proclamaram a Monarquia no Porto e em Lisboa. Aqui, a rebelião  foi dominada em dias, depois da tomada (Escalada de Monsanto) do reduto revoltoso na Serra de Monsanto mas, no sul, só foi sufocada a 13 de Fevereiro do mesmo ano
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A Nova República Velha (Restauração da Velha República) (1918 a 1926)

Após a malograda tentativa de restauração da monarquia, em Março de 1919 formou-se um novo Ministério, com maioria de Democratas, seguindo ideais da República Velha, que decidiram fortalecer a GNR, aumentando os seus efectivos e equipando-a com artilharia, na intenção de a transformar numa força capaz de manter a ordem.

Ao contrário do desejado, a GNR tornou-se num partido político-militar que em muito contribuiu para a instabilidade, pondo e depondo governos, e assim os governos de pouca dura sucedem-se (com 4 Presidentes da República: Canto e Castro, José Almeida, Teixeira Gomes, um escritor, e Bernardino Machado). Só em 1920 houve sete ministérios.

A Noite Sangrenta
Em 1921 o tenente coronel Liberato Pinto, chefe do estado-maior da GNR e presidente do ministério é acusado de corrupção, sendo julgado e condenado. Este episódio e outros factores, como rumores de que a GNR iria ser desarmada, provocaram uma revolta que gerou uma  série de mudanças de ministérios.

A 19 de Outubro eclodiu uma revolta radical, dirigida pelo coronel Manuel Maria Coelho, Camilo de Oliveira e Cortês dos Santos, oficiais da G. N. R., e o capitão-de-fragata Procópio de Freitas, iniciada com tiros de canhão, disparados pela GNR e pela marinha de guerra. Durante a noite, elementos da marinha e da GNR (Da esquerda?  Da direita? Monárquicos? Maçónicos? Criminosos?) mataram vários políticos republicanos como Machado Santos, Carlos da Maia e António Granja, este último sendo chefe do governo formado a 30 de Agosto.

Este massacre (A Noite Sangrenta) desacreditou os rebeldes, impedindo-os de se agarrarem ao poder por muito tempo e, posteriormente, enfraqueceu a GNR, que foi despojada do equipamento militar pesado.

Os Integralistas, em 1920 pediram o regresso de D. Manuel II para assumir o poder como rei, condicional deste adoptar certas regras de remodelação social. Quando este se recusou a tal, os Integralistas  reconheceram D. Duarte Nuno (D. Miguel I ---> D. Miguel II ---> D. Duarte Nuno ---> D. Duarte Pio)  como pretendente ao trono português. 
Existia um outro partido monárquico, o Partido Legitimista que, à altura de sua criação, apoiava a candidatura de D. Miguell (II) ao trono de Portugal, e ao qual os Integralistas se juntaram, mais tarde.

Travessia do Atlantico Sul

Um legado histórico notável desta época foi a primeira travessia aérea do Atlântico Sul. 

O piloto Sacadura Cabral (1881-1924) e o navegador Gago Coutinho (1869-1959)largaram do Tejo a 30 de Março de 1922 no hidroavião Lusitânia, um monomotor de dupla asa, Fairey F III-D de 350cv.

(Viagem aérea de Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
Gravura adaptada de um postal)

O Lusitânia, consumindo mais gasolina que o previsto, forçou-os a amararem de emergência na área dos Penedos de S. Pedro, pequenos rochedos perto da costa brasileira. Perdendo um dos flutuadores, afundou-se. Receberam um Fairey 16, trazido pelo paquete brasileiro «Bagé». Pouco depois de levantarem voou (11 de Maio de 1922) rumo a Fernando de Noronha, caíram ao mar  por avaria no motor e, passados 8 dias de andarem à deriva, foram salvos pelo carvoeiro inglês «Paris City». Em F. de Noronha receberam um Fairey 17, baptizado Santa Cruz, trazido pelo cruzador Carvalho Araújo , com o qual completaram a viagem de 4367 milhas náuticas, em 3 etapas, chegando ao Recife a 5 de Junho e à Baía de Guanabara, Rio de Janeiro, a 17 de Junho do mesmo ano. Em voo, propriamente dito, teriam gasto 60 horas e 14 minutos. (Reduzido ao mínimo, de Lisboa ao Rio de Janeiro fizeram 9250 Km e 4293 milhas. No mar escalaram: Canárias, Cabo Verde, Rochedos de S. Pedro e S. Paulo, Fernando Noronha)

Gago Coutinho concebeu o primeiro sextante com horizonte artificial que podia ser usado a bordo das aeronaves e que denominou «astrolábio de precisão».
Em colaboração com Sacadura Cabral concebeu e construiu outro instrumento, o «Plaqué de abatimento» ou «corrector de rumos», que permitia calcular graficamente o ângulo entre o eixo longitudinal da aeronave e o rumo a seguir, considerando a intensidade e direcção do vento.
Mais tarde Gago Coutinho aperfeiçoou o seu astrolábio que veio a ser comercializado com o nome de «System Admiral Gago Coutinho».

Em 7/11/1923 a Junta da Saúde  proibiu Sacadura Cabral de voar devido à sua falta de vista. Ele não desiste e, no dia 15 de Novembro de 1924, acompanhado pelo mecânico Pinto Correia, levantou voou da Holanda num dos 3 aviões Fokker (adquiridos por subscrição pública) em que pretendia dar a volta ao mundo, rumo a Portugal. Nessa viagem, surpreendido por uma tempestade, morreu ao cair no mar do Norte. Quatro dias depois deram à costa em Dungeness, Inglaterra, destroços da fuselagem e de um flutuador do seu avião.

Outro feito notável: A viagem aérea Portugal - Macau

«A 7 de Abril de 1924, descolava de Vila Nova de Mil Fontes um avião Breguet XVI com motor de 300cv, denominado Pátria, que iria tentar estabelecer a ligação a Macau. A bordo iam os oficiais da Aeronáutica Militar, Sarmento de Beires e Brito Pais, grandes impulsionadores dos raids aéreos portugueses na década de vinte. O mecânico Manuel Gouveia, viajaria de barco até Tunes, onde se juntaria à tripulação. A viagem começou com grave risco devido a um forte temporal. Indiferentes ao perigo, fazem descolar o Pátria em direcção a Tunes, mas o mau tempo obrigou-os a escalar Málaga e depois Oran.....
......  Na última etapa para Macau, o "Pátria II" foi apanhado num violento tufão e acabou por terminar o voo intempestivamente, bem para além de Macau, aterrando num cemitério perto da cidade de Shum-Chum, para os lados de Hong-Kong. No entanto, a proeza tinha sido alcançada nesse mesmo dia 20 de Junho, uma vez que o voo tinha efectivamente sobrevoado Macau, tendo-se os pilotos inteirado perfeitamente do facto. Finalmente, a 24 de Junho, a bordo de um navio de guerra português, Sarmento de Beires e Brito Pais pisam Macau, em apoteótica recepção. Tinha sido estabelecida a primeira ligação por via aérea entre Portugal e uma das suas possessões orientais.»
(Info: Museu do Ar).

Durante os 16 anos da Primeira República (1910 a 1926) houve 45 governos e 8 presidentes da República. Foi, na realidade, uma República Anárquica, cuja instabilidade política e o esforço financeiro resultante da entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial, em 1916, não permitiu a recuperação económica do país. 
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A Ditadura Militar

De Gomes da Costa a  Sidel de Cordes e Carmona.


Para impor ordem à Nação, a 28 de Maio de 1926, o general Gomes da Costa (considerado um herói de Flandres e África) sai de Braga, marcha sobre Lisboa onde entra sem disparar um tiro, forçando  o Presidente a capitular e a incumbir Mendes Cabeçadas de formar um novo ministério. Foi sol de pouca dura pois, em 17 de Junho, Gomes da Costa engendra um golpe de estado, sendo investido de todos os poderes e empossado como Presidente da República a 29/6/1926. 

No entanto, em 9 de Julho de 1926 dá-se um novo golpe de estado militar, feito pelo general Sinel de Cordes (monárquico) e, dois dias depois, Gomes da Costa é preso e deportado para os Açores. Regressa à metrópole em Setembro de 1927, morrendo «pobre e desiludido».

Em (1927) dá-se a Revolta Democrática no Porto e em Lisboa, malograda.

A primeira travessia aérea nocturna do Atlântico Sul.
«A 2 de Março de 1927 descolou de Alverca o hidroavião bimotor (2 x Lorraine de 450cv) Dornier Wal, baptizado «Argos», levando a bordo os pilotos Sarmento de Beires e Duval Portugal, o navegador Jorge Castilho e o mecânico Manuel Gouveia, realizando a primeira travessia aérea nocturna do Atlântico Sul.
Após 18h e 12m de voo, na noite de 16 para 17 de Março e percorridos 2595km, amararam na baía de Santo António, na ilha de Fernando de Noronha. Continuaram a viagem por várias cidades brasileiras, nos meses seguintes, terminando no Rio de Janeiro, a 10 de Novembro de 1927.»
(Info:  Museu do Ar)

Até 1928, o duo, Sinel de Cordes e general Óscar Fragoso Carmona, tomam as rédeas do poder, seguindo uma linha de Ditadura Militar.

A ditadura de Carmona e Salazar (1927- 1932, época «Pré-Estado Novo»)

Em 1928 o General António Óscar Fragoso Carmona, tendo sido eleito Presidente da República, convida para ministro das Finanças o Dr. António de Oliveira Salazar (1889 – 1970) a fim deste dar solução ao grave problema financeiro com que Portugal se debatia.
Em 1931 dá-se uma revolta na Madeira que é dominada.

A morte de D. Manuel II em 1932, exilado em Inglaterra, dá um rude golpe nas aspirações dos monárquicos.

O «Estado Novo» - A 2ª República (Corporativa) de Salazar e Caetano (1932 a 1974)

Em 1932, Carmona dá a Salazar a chefia do Conselho de Ministros, inaugurando a era do Estado Novo.

Em 1933 foi aprovada, fraudulentamente, uma nova Constituição Política e, em 1940, o Estado estabelece um acordo com a Santa Sé, a Concordata, pela qual a Igreja readquiriu todos os bens que lhe tinham sido usurpados nos primeiros tempos da República, e são definidas outras relações entre o Estado e a Igreja do Vaticano.

Voo Amadora - Timor - Macau - Índia - Amadora

«A 25 de Outubro de 1934, saíram da Amadora com destino a Timor, a bordo de um De Havilland "Leopard Moth", denominado "Dilly", com motor de 130 cv, o capitão-piloto Humberto da Cruz e o primeiro-sargento mecânico António Lobato. No dia do seu regresso, a 21 de Dezembro de 1934, tinham percorrido 42670 km, voando 268h e 25m. Nesta notável viagem pioneira à nossa possessão mais distante, que foi também uma viagem de soberania, foi utilizado um avião relativamente frágil, o que enobrece ainda mais a façanha.» (Info:  Museu do Ar)

A Guerra Civil em Espanha - Os Viriatos - Atentado contra Salazar
(Consultar sites sobre esta guerra, por exemplo http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Espanhola)
Foi uma guerra que durou de 17 de Julho de 1936 até (teoricamente) 1 de Abril de 1939, embora se mantivessem acções de guerrilha até meados da década dos 60. De um lado tivemos os Nacionalistas do General Francisco Franco (activamente apoiado pelos regimes de Hitler e Mussolini), mais inclinado para o antigo regime monárquico e do outro lado os Republicanos, activamente apoiados pelo regime comunista da União Soviética. Morreram entre 300000 e um milhão de pessoas, tendo muitas das mortes resultado de bombardeamentos indiscriminados de localidades, de purgas, fuzilamentos sumários e outras atrocidades cometidas por ambas as partes, que igualmente usaram mercenários e «legiões estrangeiras». Salazar apoiou discretamente Franco  havendo portugueses que combateram ao lado das tropas Franquistas quer como soldados regulares quer num agrupamento conhecido pelos Viriatos. Após o término oficial da guerra, alguns Republicanos continuaram uma guerra de guerrilha e usaram o território português como base clandestina. Estes guerrilheiros eram geralmente protegidos pela população rural portuguesa mas eram perseguidos pela GNR, Guarda Fiscal e PIDE, e muitos deles foram mortos (e mataram elementos das forças portuguesas). Diz-se que guerrilheiros capturados em Portugal teriam sido fuzilados directamente pelos portugueses ou entregues às autoridades espanholas onde sofreram igual castigo.

É curioso notar que mal a guerra civil espanhola terminou, começou a II Guerra Mundial. A 29 de de Julho de 1940 Salazar e Franco assinaram, em Lisboa, um protocolo adicional ao já existente Pacto Ibérico.

Durante a guerra civil espanhola, a 4 de Julho de 1937 na Avenida Barbosa de Bocage houve um atentado contra Salazar:
verificou-se a explosão de uma bomba perto do carro em que ele seguia, mas escapa ileso. Um erro de posicionamento da bomba desviou a onda de choque e fez fracassar o atentado.

Julgando o Estado Novo, pela positiva:  Algumas das muitas acções positivas do salazarismo estão descritas na página 2, na secção de, «História e estória» mas entretanto pode adiantar-se: 

O Estado Novo Corporativo, assim chamado por ter criado Corporações destinadas a reunir todos os indivíduos que se dedicavam à mesma actividade profissional, inicia uma fase de relativo progresso, paz e estabilidade, tendo-se realizado várias obras de interesse público em todos os sectores como hospitais, escolas e, por exemplo, a Ponte de Arrábida (com 4 elevadores para pessoas), inaugurada a 22 de Junho de 1963, e a hoje chamada Ponte 25 de Abril (Antiga Ponte Salazar), inaugurada em 1966, entre muitos outros melhoramentos.

Nota: Os trabalhos de construção da Ponte Salazar começaram a 5 de Novembro de 1962, sendo inaugurada numa cerimónia que decorreu no dia 6 de Agosto de 1966 (seis meses antes do prazo previsto), do lado de Almada, na presença de altas individualidades portuguesas, das quais se destacam o Presidente da República, Almirante Américo de Deus Rodrigues Tomás, o Presidente do Governo, António de Oliveira Salazar e o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, Alguns dados estatísticos:
1-  1012,88m de comprimento de vão principal, e 2277,64 m de distância de amarra a amarra.
2 - O vão está a 70 m acima do nível médio da água do Tejo.
3 - Torres principais de suporte com 190,7 m de altura.
4 - Pilar principal com base a 79.3 m de profundidade assente em rocha.

Pela primeira vez, em muitos anos, Portugal reconquistou o prestígio político perante as outras nações, manchado mais tarde pelas guerras ultramarinas (coloniais), e eliminou o deplorável défice financeiro herdado dos prévios governos anárquicos. Viveu-se num ambiente calmo com um muito baixo índice de criminalidade, os meios de transporte eram baratos, a inflação era baixa, havia pouco desemprego, com uma ajudinha dada pelo facto da maioria das mulheres de cidade, e maiores vilas, não laborar fora do âmbito do trabalho caseiro de «dona de casa» e, nas regiões do interior, muitos homens e algumas mulheres ganharem o seu dia a dia dedicando-se  ao artesanato ligeiro, sendo «caixeiros viajantes», ao cultivo de pequenas parcelas e hortas, à apanha da azeitona, da noz, da castanha, etc.

Selos vendedores ambulantes
Vendedora de pão, e vendedor de  louça. Embora os selos se refiram ao 
século XIX, tais vendedores continuavam a existir no século XX.


Nos meios urbanos, o baixo salário, bem gerido, dava para as despesas, porque nesta época não existia um exagerado espírito de consumo de bens não essenciais, nem a mania das grandezas, «show off», peculiar na sociedade portuguesa de hoje.

Muitos casais, e senhoras viúvas, alugavam «quarto e casa de banho»  a estranhos, por cerca de 500 escudos, o que ajudava a equilibrar as finanças, e muita senhora contratava os serviços de moças que  faziam a limpeza da casa e ajudavam na cozinha, às quais, à socapa, se chamavam «sopeiras», sendo quase tradição estas «sopeiras» namorarem «magalas» nome dado aos soldados rasos, na época.

Havia pobreza, como ainda hoje há,  mas, nas cidades, os teatros, os cinemas, os cabaré, as casa de fado, as corridas de toiros, as praias, etc, estava tudo sempre «à cunha», e não era só com pessoas da classe rica!

A Mocidade Portuguesa:

Farda da Mocidade Portuguesa

Esta organização (Havia a Mocidade Portuguesa para rapazes, e a Mocidade Portuguesa Feminina) fundada em 1936 com o seu Hino (Marcha) e farda própria, era acusada de ser um movimento fascista paramilitar copiado das Juventudes Italianas, e criada para propaganda do Governo (A fivela do cinto tinha um enorme S)A verdade é que para além de incutir aos jovens ideias «nacionalistas», valores religiosos cristãos, o culto aos heróis, o respeito à Pátria e à família, também realçava o valor da disciplina e da obediência, dava ensinamentos parecidos com os do Escutismo, preocupava-se com a cultura geral, e não descorava o lazer construtivo como aeromodelismo, vela, fotografia, atletismo, etc. Na M.P. nunca se incutiram ideias racistas ou de inimizade para com outras religiões.

O primeiro Português campeão do mundo, de vela, na classe Snipe.

Galardoado com a Medalha Olímpica, por ter sido considerado o melhor atleta amador em 1953, tendo o seu nome gravado na Taça Perpétua que imortaliza os campeões do troféu de vela, recebendo ainda a taça "Prince Souverain de Monaco" e a "Coupe du Yacht Club de Monaco. Quem foi?

Foi António José Conde Martins que, com apenas 17 anos, a bordo de um Snipe baptizado «Garrancho», coadjuvado pelo Engenheiro Fernando Lima Belo, no campeonato do Mundo da modalidade realizado no Mónaco de 5 a 12 de Setembro de 1953, ganhou o primeiro título mundial para o nosso país nessa importante competição.
José Conde Martins e a embarcação, faziam parte do Centro de Vela da antiga Mocidade Portuguesa.

A Fundação Calouste Gulbenkian- O Hospital Santa Maria

Embora não fosse uma instituição criada pelo Estado, foi ao tempo de Salazar que esta Fundação surgiu, tendo os seus estatutos sido oficializados a 18 de Julho de 1956.  Calouste Sarkis Bulkenkian (Sacturi, 29/3/1869 - Lisboa 20/7/1955) foi um filantropo e coleccionador de arte arménio, que se naturalizou inglês em 1907.  Acumulou grande riqueza com negócios petrolíferos na antiga Mesopotâmia. Foi Cônsul-geral do Irão em Paris (1939) e refugiou-se em Portugal em Abril de 1942, onde fixou residência até à sua morte. Fez em vida ofertas valiosas ao Museu de Arte Antiga de Lisboa tendo, por testamento, legado grande parte dos seus bens a uma instituição que perpetuou o seu nome, a Fundação Calouste Gulbenkian, apoiando inúmeras actividades não só culturais mas também sociais. Parece haver mais tendência para o público em geral associar a Gulbenkian a manifestações do tipo dança e arte plástica, poucos conhecendo que, por exemplo, a Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian de Lisboa é uma instituição de ensino superior que foi inaugurada em 8 de Dezembro de 1957com o nome de Escola de Enfermagem do Hospital de Santa Maria (criada após a abertura do Hospital Escolar de Lisboa, actual Hospital de Santa Maria).
Nos primeiros anos, esta escola funcionou com a formação em enfermagem, e outros cursos de formação de Técnicos Paramédicos como Dietistas, Técnicos de Radiologia, Técnicos de Análises Clínicas e Técnicos de Anatomia Patológica. Estes cursos foram extintos durante a década de 1960 e, desde então, a escola passou a dedicar-se exclusivamente à formação em enfermagem.
Em 1968, a Gulbenkian financiou a construção e o equipamento dos edifícios da Escola de Enfermagem de Calouste Gulbenkian, de Lisboa, e da Residência de Estudantes, que foi inaugurada em 11 de Outubro de 1972.
Com a integração do ensino de enfermagem no Ensino Superior Politécnico, em 1989 (Decreto Lei n.º 480/88, de 23 de Dezembro) passou a designar-se Escola Superior de Enfermagem de Calouste Gulbenkian, de Lisboa (ESEnfCGL), ministrando o Curso Superior de Enfermagem, o qual conferia o grau académico de Bacharel. Em 1999, foi criado o curso de licenciatura em Enfermagem (Decreto-Lei n.º 353/99, de 3 de Setembro), passando a escola a conferir o grau académico de licenciado.

Nota: A autorização para o livre funcionamento desta fundação atesta que o Estado Novo não era o regime ditatorial governando a  ferro e fogo propagandeado após o 25 de Abril. Ao comemorar-se o quinquagésimo aniversario desta fundação, o sociólogo António Barreto afirmou « [...] esta fundação com o seu património é o mais extraordinário golpe de sorte da história de Portugal [...] nunca se saberá o principal motivo que levou o milionário de origem arménia Calouste Gulbenkian a deixar a Portugal a sua colecção de arte e a sua fortuna [...] com a Gulbenkian a sociedade (ao tempo de Salazar) não ficou aberta, e a vigilância e a censura não terminaram. Mas entraram o ar e a luz. Mais que isso, ideias. E saíram pessoas, foi possível falar e ver. Sem essa janela teríamos vivido pior [...] o principal factor de sucesso da fundação foi e é a sua independência»

Julgando o Estado Novo pela negativa:

Para se ter acesso a certos empregos, sobretudo nos organismos do Estado, era necessária uma certidão de bom comportamento moral e cívico e a jura, por escrito, de não pertencer ao Partido Comunista.

Nos meios rurais existia uma grande pobreza e uma enorme falta de infra-estruturas básicas como estradas, electricidade, água canalizada, centros de saúde, rede de esgotos, etc, sendo as necessidades fisionómicas, em casa, feitas com recurso a «fossas sanitárias» que nada mais eram senão pequenas fossas, algures no quintal, com um tampo e um buraco nela, sobre a qual as pessoas se punham de cócoras, e mesmo aquelas casas com uma pequena casa de banho e retrete, utilizavam um sistema de fossa, que tinha de tempos a tempos de ser esvaziada. Foram estas zonas rurais aquelas que maioritariamente alimentaram um êxodo de portugueses para os 4 cantos do mundo.
(Nota: Em pleno 2005 ainda há aldeias em Portugal sem electricidade, e/ou água canalizada, e/ou esgotos municipais, e/ou escola, e/ou  «médico de família», etc).

Organismos como A Legião Portuguesa (uma milícia paramilitar destinada a combater o bolchevismo e reforçar os ideais salazarista), a Comissão de Censura (que controlava a Rádio, a TV, a imprensa, o cinema, o teatro, as artes plásticas, a música, e a escrita, A Polícia dos Costumes  (que controlava a «decência» como as pessoas se vestiam e comportavam em público, não permitindo beijos amorosos em público ou cenas tórridas nos filmes, mas existiam muitas «Casas de Alterne», como são agora pomposamente chamadas, e prostituição de rua, discotecas, cabarés, teatro atrevido e chistoso, com coristas exuberantes, mas sem palavrões ou gestos grosseiros como é vulgar actualmente, etc), A União Nacional / Acção Popular (partido patrocinado pelo governo), a PVDE (Polícia de Vigilância e de Defesa do Estado que depois se chamou PIDE e depois DGS), a Guarda Fiscal (o terror dos contrabandistas, dos camionistas e até dos carroceiros), a GNR, eram todos eles contestados pela oposição como sendo  «fascistas». As Escolas tinham salas de aulas e recreios separados para rapazes e raparigas.

A existência do Livro Único, por disciplina e por tipo de curso, nas escolas, é agora apontado como tendo sido uma má ideia. Pelo contrário, foi uma boa decisão, já que a anarquia que hoje existe do muito por onde escolher (com que critério, e por quem?) torna os livros muito caros devido à baixa tiragem dos mesmos, e pode levar editores à tentação de recorrerem a «luvas» por baixo da mesa, para garantir a adopção de certos manuais numa escola. Quem conheceu esses livros únicos, não pode criticá-los quanto à sua qualidade. Em função do curricular a que se destinavam, eram bons, e devia-se voltar ao livro único (modular nas disciplinas em que a matéria está seccionada em módulos), sendo ele escolhido  por concurso público, e gratuitamente distribuído ou vendido ao preço de custo de produção.
Assim feito, o seu preço seria reduzido para, pelo menos, metade, sem qualquer perda de qualidade didáctica.

Sob Salazar  não existiram eleições livres. Pressões políticas veladas sobre os eleitores, o medo da PVDE/PIDE e as fraudes eleitorais, levavam o partido do governo sempre à vitória.
Não existia o direito de reunião e de livre associação ao que quer que fosse que «cheirasse» a ser contra o governo.  As manifestações e greves eram proibidas. A actividade política era um privilégio da União Nacional / Acção Popular.

O regime salazarista cometeu graves excessos, pela mão da PIDE, GNR, Polícia Militar e A Legião Portuguesa, com prisões arbitrárias de opositores, feitas a horas inusitadas, acusados de serem comunistas, fossem-no ou não, destruindo núcleos familiares, que não raramente perdiam o elemento que providenciava o pão de cada dia. Houve torturas,  presos mantidos em condições inaceitáveis, presos desterrados para penitenciárias nas colónias e verificaram-se casos de mortes acidentais e intencionais, como o assassínio a 13 de Fevereiro de1965, de Humberto Delgado o "General sem medo", (em Villanueva del Fresno, em Espanha, perto de Olivença, por um comando da PIDE liderado por António Rosa Casaco (1915 - 2006), e que foi o epílogo da sua denuncia de fraude nas eleições de 1958, a que concorrera, apesar de em certas freguesias as ter ganho. Oficialmente, Humberto Delgado foi morto a tiro mas, num livro publicado em 2008 por um seu neto, é dito que foi morto por espancamento, quando tentou lutar contra os seus assassinos.

Nota: Humberto Delgado nasceu em Brogueira, Torres Novas, em 1906. Em 1990 foi nomeado, a título póstumo, marechal da Força Aérea.

Rosa Casaco morreu em Cascais com 91 anos, onde residia desde 2002. Entrou para a Pide em 1938 e continuava ao serviço a 25 de Abril de 1974. Fugitivo, viveu 28 anos no exílio em Espanha e no Brasil, tendo sido julgado à revelia na década de 80, quando foi condenado a oito anos de cadeia por crimes de falsificação e destruição de documentos.

Em 1998 entrou clandestinamente em Portugal e posou para o semanário Expresso, junto à Torre de Belém, sendo então entrevistado. As autoridades nacionais reagiram renovando o mandado de captura internacional, o que conduziu à sua detenção em Madrid, em Abril de 1998. Acabou por ser solto e nunca chegou a cumprir pena. António Rosa Casaco nasceu em Rossio ao Sul do Tejo, no concelho de Abrantes, a 1 de Março de 1915. Em 2001, o Supremo Tribunal de Justiça decretou a extinção do procedimento criminal e os mandados de captura internacionais foram cancelados em 2002, o que permitiu ao ex-inspector da Pide voltar a Portugal, onde morreu em Julho de 2006 (Dia não revelado, por volta do dia 9).
 

Humberto Delgado
Humberto Delgado
Praça de Santa Apolónia (16/05/1958),
durante a sua apoteótica campanha eleitoral.
 A foto mostra que, já nesta altura,
a mulher portuguesa
 era, politicamente, bastante activa.

O Tarrafal e a sua «frigideira»:

Em  1936 dá-se A Reforma Prisional que, entre outras directrizes, decide que os «criminosos» políticos fossem mantidos em estabelecimentos específicos e/ou enviados  para «colónias penais no Ultramar». Foi então criada, a 29 de Outubro de 1936, a Colónia Penal de Cabo Verde, no Tarrafal, e entregou-se o Forte de Peniche ao Ministério da Justiça, havendo já alguns presos no forte de Caxias.
O campo do Tarrafal foi encerrado em 26 de Janeiro de 1954, mas foi reaberto nos anos sessenta para os presos dos movimentos da Guerra Colonial, até ao 25 de Abril.
Ali foram encerradas, ao longo de quase 18 anos, 340 pessoas, algumas sem acusação ou julgamento prévio. O Tarrafal era conhecido por ter um regime prisional desumano, com uma miserável alimentação e alojamento, torturas, frequente recurso ao encarceramento solitário como o feita na "frigideira". Neste campo morreram 32 dos detidos, incluindo Bento Gonçalves, que fora o Secretário-Geral do Partido Comunista Português, tendo os seus corpos sido transladados para Lisboa, a 18 de Fevereiro de 1978, para o Mausoléu das Vítimas do Tarrafal, no Alto de São João.

« A 2 de Janeiro 1950 morre, na Penitenciária de Lisboa, Militão Ribeiro, dirigente comunista, em consequência de uma greve da fome que encetara como protesto contra a falta de assistência médica.
A 4 de Junho de 1950,  Alfredo Lima, trabalhador agrícola, é morto a tiro por agentes da GNR, durante uma greve, em Alpiarça.
Em 1954, no decorrer de uma greve em Baleizão, Catarina Eufémia, trabalhadora agrícola, é morta a tiro por um tenente da GNR.»
(Fonte: Boletins do MUDJ)

Do ponto de vista económico o regime favoreceu um punhado de industriais e agricultores amigos do regime ou que tomavam uma atitude apolítica como, por exemplo, para proteger a indústria dos fósforos (amorfos) criou a ridícula «Licença de uso de isqueiro», necessária ter para o poder usar sem ser «debaixo de telha», uma infeliz maneira oficial de significar «dentro de casa privada». Alguns brincalhões levavam à letra a lei e transportavam consigo um pedaço de  telha e, se queriam acender o isqueiro na rua, faziam-no com a telha sobre a cabeça!

O desenvolvimento social e económico foi lento entre 1932 e os primeiros anos de 1960 o que originou uma notável onda de emigração, e só a partir daí se começou a notar uma melhoria global, que posteriormente se viu condicionada pelo esforço económico de alimentar uma guerra colonial em várias frentes.

Agitação popular, operária e estudantil.

Nas décadas de 1940 a 1960 houve muitas greves e reivindicações salariais e de melhoria de trabalho, manifestações, peditórios na rua, distribuição de panfletos, exortação ao voto em branco e à abstenção nas «eleições». Havia organizações declaradamente comunistas e clandestinas, ao sabor de ideologias maioritariamente Russa, Checa e Chinesa, como o PCP (que actuava em células bastante autónomas, com um grande apoio de populações de certas zonas como o Alentejo e Almada), além de organizações, nem todas clandestinas, que foram aparecendo como: MUNAF (Mov. de Unidade Nacional Anti-Fascista - Dezembro de 1943), UDP (União Democrática Portuguesa - 30/5/1944), CEI (Casa Do Estudante do Império - Novembro de 1944), US (União Socialista - Dezembro de 1944), MUD (Mov. de Unidade Democrática - 8/10/1945), MUDJ (Mov. de Unidade Democrática Juvenil - 28/7/1946), MND (Mov. Nacional Democrático - 20/5/1948), etc.

Poster antivoto
Um poster antivoto


Em 24 de Agosto de 1945 dá-se uma intentona abortada, concebida pelo general Norton de Matos e pelo brigadeiro Miguel dos Santos.

A 3 de Janeiro de 1960 dá-se a espectacular fuga de Álvaro Cunhal (mais 9 companheiros) do Forte de Peniche, após um cuidadoso planeamento, envolvendo elementos do exterior (Pires Jorge, Dias Lourenço, Otávio Pato, Rui Perdigão e Rogério Paulo. Este deu a senha de que tudo estava em ordem, parando um carro com o porta bagagens aberto em frente do Forte) e interiormente, (Álvaro Cunhal, Jaime Serra e Joaquim Gomes) incluindo uma sentinela do Forte, um GNR (José Alves) que foi aliciado. De seguida  Cunhal estabelece-se em Paris de onde passa a controlar (1961) o PCP como novo secretário-geral do partido, até ao seu regresso a Portugal em 30/4/1974, 5 dias após a Revolução dos Cravos.

Nota: O PCP tem raízes que penetram ao tempo da fundação do Partido Republicano Popular, na medida em que este partido era uma mescla de indivíduos com um golo comum (destruir o sistema monárquico), sem que no entanto tivessem uma ideologia única e coesa.
Depois da implantação da República, a luta pelo poder veio à tona e nos anos que se desenrolaram até 1926, o PRP foi-se desintegrando numa miríade de partidos, desde a estrema esquerda à direita, passando pelos anárquicos e monárquicos.
De entre estes partidos  surgiu (1919) a Federação Maximalista Portuguesa que, em 6/3/1921 passou a chamar-se, legalmente, PCP, mas que foi tornado ilegal após o golpe de 28 de Maio de 1926.
O primeiro secretário-geral do PCP foi José Carlos Rates (1923) e, o segundo (1929), Bento Gonçalves (um dos fugitivos do Forte de Peniche, com Cunhal). Álvaro Cunhal foi o 3º secretário-geral do PCP (1961), e não o seu primeiro, como muita gente julga. (Na Página 2 há detalhes sobre a formação, da ARA, o braço armado do PCP). 

Na década de 1960 há um recrudescer da agitação popular e estudantil contra o regime, manobrada por células comunistas clandestinas, apadrinhadas pelo comunismo internacional e, entre outros meios, apresentadas no Avante, um jornal «subversivo» comunista com grande penetração popular, e que ousadamente desafiava os esforços da PIDE para o eliminar.

É também nesta década, que estala o escândalo do Ballet Rose, onde alegadamente estariam envolvidas figuras destacadas nos meios político, militar, financeiro e mundano, em práticas de «vícios contra a natureza», «corrupção de menores» e «favorecimento da prostituição». O processo judicial decorreu entre 1966 e 1971 (embora as investigações pela Polícia Judiciária, tenham sido interrompidas inesperadamente em 1968 e o caso abafado ao mais alto nível). O então advogado, Dr. Mário Soares, um dos denunciadores dessas práticas, foi acusado de atentar contra o «bom nome de Portugal» ao divulgar o caso na imprensa estrangeira em 1967, sendo preso e deportado para S. Tomé e Príncipe.
Alguns arguidos foram levados à barra do tribunal mas, por falta de provas, já que a maioria dos intervenientes deram versões (pagas?) de pouca credibilidade dos factos que se teriam passado, foram absolvidos, com excepção de  uma modista, um administrador bancário, um proprietário hoteleiro, e duas prostitutas, e falou-se de um ou dois suicídios. Em 1975, este escândalo foi relatado em crónicas publicadas por Maria Castro Alves.
(Bibliografia  para Ballet Rose: Dicionário de História do Estado Novo, Fernando Rosa e J. M. Brandão.)


Houve acusações de que o julgamento foi uma farsa, e que a PIDE interferira fortemente com as investigações preliminares, dificultando a acção da polícia. (Um ex-elemento da alta hierarquia da então PIDE/DGS,  fez um depoimento em 1999, desmentindo que a PIDE se tenha envolvido no caso).

Baseado num trabalho da jornalista Felícia Cabrita sobre este escândalo, Francisco Moita Flores, em 1997 rodou um filme (série TV) «Ballet Rose - Vidas Proibidas», e ambos produziram um livro sobre o caso.

Carga da GNR
Carga de cavalaria da GNR. Na imagem sobreposta vê-se um GNR com a espada com que vergastava os manifestantes.
O 1 de Maio, foi sempre um dia problemático, com manifestações que acabavam  em confrontos entre manifestantes, polícia com carros equipados com canhões de água azulada, a GNR a cavalo e até alguma tropa, nos casos mais recalcitrantes.

No dia seguinte, nos jornais apareciam relatos como: «A polícia viu-se forçada a disparar para o ar para dispersar agitadores e perturbadores da ordem ... foram hospitalizados manifestantes com ferimentos de balas nos pés e nas pernas...».

Estranhas trajectórias para balas disparadas para o ar!

Estima-se que nesta altura metade da população portuguesa fosse anti-salazarista, e aplaudia qualquer movimento de oposição, sem que se apercebesse dos verdadeiros ideais desses opositores.

Estando pobremente instruído em matéria de valores políticos, não sabendo qual o significado de democracia, e não sabendo distinguir o socialismo (à Dr. Mário Soares) do comunismo (à Alvaro Cunhal e dos maoistas), o povo tornava-se presa fácil de agitadores habilidosos. 

A Guerra Ultramarina, ou Guerra Colonial, ou Guerra de Libertação.

Ao contrário dos outros países europeus que se desfizeram das suas colónias em África, Portugal, contrariando a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos do Homem manteve-as após 1960, o que inevitavelmente levou, após a Conferência de Bandung, às Guerras Coloniais em Angola, Guiné, Moçambique, etc.

Em todas as colónias a luta armada iniciou-se com alguns ataques a alvos militares e policiais, mas a maioria foi contra civis. Por exemplo, em Angola, nos primeiros dias, foram barbaramente assassinados milhares de civis, homens, mulheres e crianças, de todas as cores, incluindo pretos «colaboradores dos fascistas» e, em Moçambique, a rebelião começou com o assassínio do Padre Daniels, da Missão do Chitolo, (Nangolo), seguido de vários ataques a civis, domicílios e lojas.

As cheias de 1967

Devido às pesadas chuvadas que caíram entre 25 e 26 de Novembro de 1967, ocorreu uma das maiores cheias na região de Lisboa em que morreram centenas de pessoas, milhares ficaram desalojadas, e causou incalculáveis prejuízos materiais. Um trágico episódio que denegriu a imagem do governo que praticamente nada fez para atender à catástrofe e, através da sua Comissão de Censura, tentou evitar que a dimensão do desastre fosse conhecida. Só os estudantes, orientados pelas Associações de Estudantes e Juventude Universitária Católica, com a sua pronta e eficaz actuação incansavelmente minoraram os efeitos devastadores da cheia.

Afastamento de Salazar - A Primavera Marcelista

Em 1968, sob o pretexto de incapacidade mental devido a graves lesões cerebrais alegadamente causadas por uma queda de um sofá, na noite de 6 para 7 de Setembro, (falou-se de tentativa de assassinato já que Salazar, cerca de um mês antes, tinha remodelado o seu gabinete), Salazar é afastado do poder por um golpe de estado palaciano, sendo substituído por Marcelo Caetano que dirigiu o país, até ser deposto pela “Revolução dos Cravos” de 25 de Abril de 1974, descrita mais à frente.

A morte de Salazar (1970) nem provocou a derrocada do «fascismo» como era esperada  pela oposição, nem  uma tomada de poder pela extrema direita. Criou um vácuo político que Marcelo Caetano tentou preencher com a chamada Primavera Marcelista, uma linha política mista  de «Continuidade e Renovação» rumo à democracia, mas foi forçado a mudar de direcção por elementos duros salazaristas, revertendo aos métodos repressivos. Faltou a Caetano o pulso para se impor, mas não restam dúvidas que, dado tempo ao tempo, ele teria feito prevalecer as suas ideias iniciais de democratização nacional.
Sob o seu governo, passou-se para um «estado social»  com atribuição de pensões aos trabalhadores rurais e às profissões mais humildes, implementou-se o IV Plano de Fomento com melhoramentos na previdência social e uma melhor gestão dos recursos humanos, etc. Pode-se dizer que a falta de liberdade política e a guerra colonial foram os dois maiores espinhos desta época.  

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Salazar
Salazar
 A raiz do 25 de Abril?

A guerra colonial causou um pesado desgaste na economia da Nação (cerca de 40% das receitas eram consumidas no esforço militar) e psicológico, com as críticas internacionais e os mortos, feridos e estropiados numa luta «em terras que não eram nossas», segundo a propaganda da oposição, factores estes que constituíram a desculpa oficial para justificar a revolução que se avizinhava

Militares actuando individualmente ou em grupo, criaram redes de mercado negro nas colónias onde tinham comissão de serviço, em que tudo era negociado e com o qual enriqueciam e, paralelamente, outros militares e políticos de esquerda consertavam com os líderes dos guerrilheiros a entrega das colónias, seguindo as directivas dos mentores da futura revolução do 25 de Abril.
Um mistério militar por decifrar: (Ver página sobre Maputo) A 26 de Abril de 1971, em plena guerra colonial,  o navio Angoche é encontrado à deriva na costa de Moçambique, sem vestígios dos seus 22 tripulantes e do seu único passageiro.
Segundo um relatório preliminar, de um agente da PIDE:

"O navio Angoche levava material para a nossa Força Aérea, material sofisticado, essencialmente material explosivo, bombas para os aviões, etc, e creio que ia para Porto Amélia. Soubemos que o Angoche foi abordado em 23 de Abril de 1971 por um submarino da União Soviética e que os seus tripulantes foram levados para a Tanzânia, para a base central da Frelimo, Nachingwea  e, mais tarde, executados ... havia manchas de sangue em vários pontos do navio...  fala-se que houve oficiais da Marinha Portuguesa, hoje oficiais generais, que estariam envolvidos nisso".


Para adensar o mistério, o relatório oficial, detalhado e secreto, conservado na DGS-PIDE, desapareceu logo após o  25 de Abril!

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Créditos:
Texto: Testemunhos de quem viveu a época Salazarista-Marcelista e a do 25 de Abril, de ambos os lados da barreira, e vários livros de história idóneos e da série «O 25 de abril».
Info viagens aéreas: www.emfa.pt/museu/viagens.htm
Fotos e gravuras, com zonas seleccionadas e reduzidas em tamanho.

Alegoria à Proclamação da República: Quadro em domínio público
Vitória eleitoral do P. Republicano: "Capa de livro de história, de A.H.O. Marques
Viagem de G. Coutinho e S. Cabral: www.brasilcult.pro.br/
Carga de GNR: Panfleto do MUD
Farda M. P.: Gravura de livro escolar da ASA.
Humberto Delgado: www.humbertodelgado.pt
Act 0505080051