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As raízes do 25 de Abril - 1ª Página |
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Antecedentes
distantes do 25 de Abril: Em 1873, em plena monarquia, formou-se um novo partido, o Partido Republicano que tenta uma revolta em 31 de Janeiro de 1891, no Porto, como protesto contra a capitulação de D. Carlos I ao Ultimato da Inglaterra relativamente ao famoso Mapa Cor-de-Rosa, em que Portugal propunha a ligação, anexando território africano, de Angola a Moçambique, indo assim contra a ambição Britânica de estabelecer um império africano «do Egipto à África do Sul - da foz do Nilo à cidade do Cabo (Cape Town)», mas que é dominada. A 1 de Fevereiro de 1908 no Terreiro do Paço, em Lisboa, no regresso de uma viagem a Vila Viçosa, a tiros de pistola dá-se o assassínio (regicídio) do Rei D. Carlos I - O Diplomata - e do Príncipe Herdeiro D Luís Filipe, como represália à Ditadura de João Franco, a quem D. Carlos I tinha entregue o governo, após dissolver o parlamento. D. Manuel II - O Patriota ou O Desventurado -, segundo filho de D. Carlos, nascido em Lisboa em 1889, assume o poder tornando-se o 34º (por vezes aparece referenciado como o 35º), e último rei de Portugal (1908 a 1910). D. Manuel II demite João Franco e nomeia um governo de coligação chefiado por Ferreira do Amaral, mas o descontentamento popular continua apesar de F. do Amaral ter concedido muitas liberdades de ordem política. (Declaração da 1ª República e exílio da família real) O Partido Republicano estagia outra revolução, vitoriosa, a 4 de Outubro de 1910, e no dia seguinte foi proclamada a 1ª República por José Relvas e Eusébio Leão, e oficializada pelo Diário do Governo de 6-10-1910. D. Manuel II (e família) é forçado, a 7 de Outubro, a exilar-se para Gibraltar e, mais tarde, para Londres. No exílio casa-se com sua prima a Princesa Augusta Vitória de Sigmaringen, morrendo em 1932 após prolongada doença sem deixar descendentes (A causa da sua morte é suspeita, em certos meios monárquicos). Como consequência, surgiram duas linhas de pretensão ao trono de Portugal (Ver tópico Duelo Real). A 1ª República Parlamentar |
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A República Velha (1910 a 1917)
Inicia-se um período caracterizado por sucessivas mudanças de governo, lutas entre monárquicos e republicanos, tumultos, assaltos, revoluções, greves. |
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![]() Vitória eleitoral do Partido Popular à presidência da Câmara de Lisboa |
Com a implantação da 1ª
República, a Bandeira Republicana Revolucionário
foi alterada e adoptada como nova Bandeira Nacional,
e fez-se uma
adaptação do canto revolucionário
«A PORTUGUESA» como Hino
Nacional. (Letra de Henrique Lopes de Mendonça e
música de Alfredo Keil), |
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Derrotados, não desistiram, e formaram em 1914, dentro de
Portugal, a Causa Monárquica. Por esta
altura também veio à superfície a
ideologia anti-republicana, do Integralismo Lusitano. «Restauração da Monarquia»: Já
antes da era Sidónio Pais, criaram-se Juntas Militares no
Norte e no Sul do país, de tendência
monárquica. Estas, em Janeiro de 1919, proclamaram a
Monarquia no Porto e em Lisboa. Aqui, a rebelião
foi dominada em dias, depois da tomada (Escalada de Monsanto)
do reduto revoltoso na Serra de Monsanto mas, no sul, só foi
sufocada a 13 de Fevereiro do mesmo ano |
| A Nova República Velha
(Restauração da Velha República) (1918
a 1926) Após a malograda tentativa de restauração da monarquia, em Março de 1919 formou-se um novo Ministério, com maioria de Democratas, seguindo ideais da República Velha, que decidiram fortalecer a GNR, aumentando os seus efectivos e equipando-a com artilharia, na intenção de a transformar numa força capaz de manter a ordem. Ao contrário do desejado, a GNR tornou-se num partido político-militar que em muito contribuiu para a instabilidade, pondo e depondo governos, e assim os governos de pouca dura sucedem-se (com 4 Presidentes da República: Canto e Castro, José Almeida, Teixeira Gomes, um escritor, e Bernardino Machado). Só em 1920 houve sete ministérios. A Noite Sangrenta A 19 de Outubro eclodiu uma revolta radical, dirigida pelo coronel Manuel Maria Coelho, Camilo de Oliveira e Cortês dos Santos, oficiais da G. N. R., e o capitão-de-fragata Procópio de Freitas, iniciada com tiros de canhão, disparados pela GNR e pela marinha de guerra. Durante a noite, elementos da marinha e da GNR (Da esquerda? Da direita? Monárquicos? Maçónicos? Criminosos?) mataram vários políticos republicanos como Machado Santos, Carlos da Maia e António Granja, este último sendo chefe do governo formado a 30 de Agosto. Este massacre (A Noite Sangrenta) desacreditou os rebeldes, impedindo-os de se agarrarem ao poder por muito tempo e, posteriormente, enfraqueceu a GNR, que foi despojada do equipamento militar pesado. Os
Integralistas, em 1920 pediram o regresso de
D. Manuel II para assumir o poder como rei, condicional deste adoptar
certas regras de remodelação social. Quando este
se recusou a tal, os Integralistas
reconheceram D. Duarte Nuno (D. Miguel I ---> D. Miguel II
---> D. Duarte Nuno --->
D. Duarte Pio) como pretendente ao trono
português. |
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Um
legado histórico notável desta época
foi a primeira travessia aérea do Atlântico
Sul. O piloto Sacadura Cabral (1881-1924) e o navegador Gago Coutinho (1869-1959)largaram do Tejo a 30 de Março de 1922 no hidroavião Lusitânia, um monomotor de dupla asa, Fairey F III-D de 350cv. (Viagem aérea de Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Gravura adaptada de um postal) |
| O Lusitânia, consumindo mais gasolina que o previsto, forçou-os a amararem de emergência na área dos Penedos de S. Pedro, pequenos rochedos perto da costa brasileira. Perdendo um dos flutuadores, afundou-se. Receberam um Fairey 16, trazido pelo paquete brasileiro «Bagé». Pouco depois de levantarem voou (11 de Maio de 1922) rumo a Fernando de Noronha, caíram ao mar por avaria no motor e, passados 8 dias de andarem à deriva, foram salvos pelo carvoeiro inglês «Paris City». Em F. de Noronha receberam um Fairey 17, baptizado Santa Cruz, trazido pelo cruzador Carvalho Araújo , com o qual completaram a viagem de 4367 milhas náuticas, em 3 etapas, chegando ao Recife a 5 de Junho e à Baía de Guanabara, Rio de Janeiro, a 17 de Junho do mesmo ano. Em voo, propriamente dito, teriam gasto 60 horas e 14 minutos. (Reduzido ao mínimo, de Lisboa ao Rio de Janeiro fizeram 9250 Km e 4293 milhas. No mar escalaram: Canárias, Cabo Verde, Rochedos de S. Pedro e S. Paulo, Fernando Noronha) Gago Coutinho concebeu o primeiro sextante com horizonte artificial que podia ser usado a bordo das aeronaves e que denominou «astrolábio de precisão». Em colaboração com Sacadura Cabral concebeu e construiu outro instrumento, o «Plaqué de abatimento» ou «corrector de rumos», que permitia calcular graficamente o ângulo entre o eixo longitudinal da aeronave e o rumo a seguir, considerando a intensidade e direcção do vento. Mais tarde Gago Coutinho aperfeiçoou o seu astrolábio que veio a ser comercializado com o nome de «System Admiral Gago Coutinho». Em 7/11/1923 a Junta da Saúde proibiu Sacadura Cabral de voar devido à sua falta de vista. Ele não desiste e, no dia 15 de Novembro de 1924, acompanhado pelo mecânico Pinto Correia, levantou voou da Holanda num dos 3 aviões Fokker (adquiridos por subscrição pública) em que pretendia dar a volta ao mundo, rumo a Portugal. Nessa viagem, surpreendido por uma tempestade, morreu ao cair no mar do Norte. Quatro dias depois deram à costa em Dungeness, Inglaterra, destroços da fuselagem e de um flutuador do seu avião. Outro feito notável: A viagem aérea Portugal - Macau «A 7 de Abril de 1924, descolava de Vila
Nova de Mil Fontes um avião Breguet XVI com motor de 300cv,
denominado Pátria, que iria tentar estabelecer a
ligação a Macau. A bordo iam os oficiais da
Aeronáutica Militar, Sarmento de Beires e Brito Pais,
grandes impulsionadores dos raids aéreos portugueses na
década de vinte. O mecânico Manuel Gouveia,
viajaria de barco até Tunes, onde se juntaria à
tripulação. A viagem começou com grave
risco devido a um forte temporal. Indiferentes ao perigo, fazem
descolar o Pátria em direcção a Tunes,
mas o mau tempo obrigou-os a escalar Málaga e depois
Oran..... Durante os 16 anos da Primeira
República (1910 a 1926) houve 45 governos e 8 presidentes da
República. Foi, na realidade, uma República
Anárquica, cuja instabilidade política e o
esforço financeiro resultante da entrada de Portugal na
Primeira Guerra Mundial, em 1916, não permitiu a
recuperação económica do
país. |
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A Ditadura Militar No
entanto, em 9 de Julho de 1926 dá-se um novo golpe de estado
militar, feito pelo general Sinel de Cordes (monárquico) e,
dois dias depois, Gomes da Costa é preso e deportado para os
Açores. Regressa à metrópole em
Setembro de 1927, morrendo «pobre e desiludido». A primeira travessia aérea
nocturna do Atlântico Sul. Até 1928, o duo, Sinel de Cordes e
general Óscar Fragoso Carmona, tomam as rédeas do
poder, seguindo uma linha de Ditadura Militar. A morte de D. Manuel II em 1932, exilado em Inglaterra, dá um rude golpe nas aspirações dos monárquicos. O «Estado Novo» - A 2ª
República (Corporativa) de Salazar e Caetano (1932 a 1974) Em 1933 foi aprovada, fraudulentamente, uma nova Constituição Política e, em 1940, o Estado estabelece um acordo com a Santa Sé, a Concordata, pela qual a Igreja readquiriu todos os bens que lhe tinham sido usurpados nos primeiros tempos da República, e são definidas outras relações entre o Estado e a Igreja do Vaticano. Voo Amadora - Timor - Macau - Índia - Amadora «A 25 de Outubro de 1934, saíram da Amadora com destino a Timor, a bordo de um De Havilland "Leopard Moth", denominado "Dilly", com motor de 130 cv, o capitão-piloto Humberto da Cruz e o primeiro-sargento mecânico António Lobato. No dia do seu regresso, a 21 de Dezembro de 1934, tinham percorrido 42670 km, voando 268h e 25m. Nesta notável viagem pioneira à nossa possessão mais distante, que foi também uma viagem de soberania, foi utilizado um avião relativamente frágil, o que enobrece ainda mais a façanha.» (Info: Museu do Ar) A
Guerra Civil em Espanha - Os Viriatos - Atentado contra Salazar É
curioso notar que mal a guerra civil espanhola terminou,
começou a II Guerra Mundial. A 29 de de Julho de 1940
Salazar e Franco assinaram, em Lisboa, um protocolo adicional ao
já existente Pacto Ibérico. Julgando
o Estado Novo, pela positiva: Algumas das muitas
acções positivas do salazarismo estão
descritas na página 2, na secção de,
«História e estória» mas
entretanto pode adiantar-se:
Nota:
Os trabalhos de construção da Ponte Salazar
começaram a 5 de Novembro de 1962, sendo inaugurada numa
cerimónia que decorreu no dia 6 de Agosto de 1966 (seis
meses antes do prazo previsto), do lado de Almada, na
presença de altas individualidades portuguesas, das quais se
destacam o Presidente da República, Almirante
Américo de Deus Rodrigues Tomás, o Presidente do
Governo, António de Oliveira Salazar e o Cardeal Patriarca
de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, Alguns dados
estatísticos:
Muitos casais, e senhoras viúvas, alugavam «quarto e casa de banho» a estranhos, por cerca de 500 escudos, o que ajudava a equilibrar as finanças, e muita senhora contratava os serviços de moças que faziam a limpeza da casa e ajudavam na cozinha, às quais, à socapa, se chamavam «sopeiras», sendo quase tradição estas «sopeiras» namorarem «magalas» nome dado aos soldados rasos, na época. Havia pobreza, como ainda hoje há, mas, nas cidades, os teatros, os cinemas, os cabaré, as casa de fado, as corridas de toiros, as praias, etc, estava tudo sempre «à cunha», e não era só com pessoas da classe rica! A Mocidade Portuguesa: |
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Esta organização (Havia a Mocidade Portuguesa para rapazes, e a Mocidade Portuguesa Feminina) fundada em 1936 com o seu Hino (Marcha) e farda própria, era acusada de ser um movimento fascista paramilitar copiado das Juventudes Italianas, e criada para propaganda do Governo (A fivela do cinto tinha um enorme S)A verdade é que para além de incutir aos jovens ideias «nacionalistas», valores religiosos cristãos, o culto aos heróis, o respeito à Pátria e à família, também realçava o valor da disciplina e da obediência, dava ensinamentos parecidos com os do Escutismo, preocupava-se com a cultura geral, e não descorava o lazer construtivo como aeromodelismo, vela, fotografia, atletismo, etc. Na M.P. nunca se incutiram ideias racistas ou de inimizade para com outras religiões. |
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O primeiro Português campeão do mundo, de vela, na classe Snipe. Galardoado
com a Medalha Olímpica, por ter sido considerado o melhor
atleta amador em 1953, tendo o seu nome gravado na Taça
Perpétua que imortaliza os campeões do
troféu de vela, recebendo ainda a taça "Prince
Souverain de Monaco" e a "Coupe du Yacht Club de Monaco. Quem foi? A Fundação Calouste Gulbenkian- O Hospital Santa Maria
Embora não fosse uma instituição
criada pelo Estado, foi ao tempo de Salazar que esta
Fundação surgiu, tendo os seus estatutos sido
oficializados a 18 de Julho de 1956. Calouste Sarkis
Bulkenkian (Sacturi, 29/3/1869 - Lisboa 20/7/1955) foi um filantropo e
coleccionador de arte arménio, que se naturalizou
inglês em 1907. Acumulou grande riqueza com
negócios petrolíferos na antiga
Mesopotâmia. Foi Cônsul-geral do Irão em
Paris (1939) e refugiou-se em Portugal em Abril de 1942, onde fixou
residência até à sua morte. Fez em vida
ofertas valiosas ao Museu de Arte Antiga de Lisboa tendo, por
testamento, legado grande parte dos seus bens a uma
instituição que perpetuou o seu nome, a
Fundação Calouste Gulbenkian, apoiando
inúmeras actividades não só culturais
mas também sociais. Parece haver mais tendência
para o público em geral associar a Gulbenkian a
manifestações do tipo dança e arte
plástica, poucos conhecendo que, por exemplo, a
Escola Superior de Enfermagem de Calouste
Gulbenkian de Lisboa é uma instituição
de ensino superior que foi inaugurada em 8 de Dezembro de 1957com o
nome de Escola de Enfermagem do Hospital de Santa Maria (criada
após a abertura do Hospital Escolar de Lisboa, actual
Hospital de Santa Maria). Nota: A autorização para o livre funcionamento desta fundação atesta que o Estado Novo não era o regime ditatorial governando a ferro e fogo propagandeado após o 25 de Abril. Ao comemorar-se o quinquagésimo aniversario desta fundação, o sociólogo António Barreto afirmou « [...] esta fundação com o seu património é o mais extraordinário golpe de sorte da história de Portugal [...] nunca se saberá o principal motivo que levou o milionário de origem arménia Calouste Gulbenkian a deixar a Portugal a sua colecção de arte e a sua fortuna [...] com a Gulbenkian a sociedade (ao tempo de Salazar) não ficou aberta, e a vigilância e a censura não terminaram. Mas entraram o ar e a luz. Mais que isso, ideias. E saíram pessoas, foi possível falar e ver. Sem essa janela teríamos vivido pior [...] o principal factor de sucesso da fundação foi e é a sua independência» Julgando o Estado Novo pela negativa: Para se ter acesso a certos empregos, sobretudo
nos organismos do Estado, era necessária uma
certidão de bom comportamento moral e cívico e a
jura, por escrito, de não pertencer ao Partido Comunista. Sob
Salazar não existiram
eleições livres. Pressões
políticas veladas sobre os eleitores, o medo da PVDE/PIDE e
as fraudes eleitorais, levavam o partido do governo sempre à
vitória. |
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Nota: Humberto
Delgado nasceu em Brogueira, Torres Novas, em 1906. Em 1990 foi
nomeado, a título póstumo, marechal da Força
Aérea. Em 1998 entrou clandestinamente em Portugal e posou
para o semanário Expresso, junto
à Torre de Belém, sendo então
entrevistado. As autoridades nacionais reagiram renovando o mandado de
captura internacional, o que conduziu à sua
detenção em Madrid, em Abril de 1998. Acabou por
ser solto e nunca chegou a cumprir pena. António Rosa Casaco
nasceu em Rossio ao Sul do Tejo, no concelho de Abrantes, a 1 de
Março de 1915. Em 2001, o Supremo Tribunal de
Justiça decretou a extinção do
procedimento criminal e os mandados de captura internacionais foram
cancelados em 2002, o que permitiu ao ex-inspector da Pide voltar a
Portugal, onde morreu em Julho de 2006 (Dia não revelado,
por volta do dia 9).
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O Tarrafal e a sua «frigideira»: Agitação popular, operária e estudantil. Nas décadas de 1940 a 1960 houve muitas greves e reivindicações salariais e de melhoria de trabalho, manifestações, peditórios na rua, distribuição de panfletos, exortação ao voto em branco e à abstenção nas «eleições». Havia organizações declaradamente comunistas e clandestinas, ao sabor de ideologias maioritariamente Russa, Checa e Chinesa, como o PCP (que actuava em células bastante autónomas, com um grande apoio de populações de certas zonas como o Alentejo e Almada), além de organizações, nem todas clandestinas, que foram aparecendo como: MUNAF (Mov. de Unidade Nacional Anti-Fascista - Dezembro de 1943), UDP (União Democrática Portuguesa - 30/5/1944), CEI (Casa Do Estudante do Império - Novembro de 1944), US (União Socialista - Dezembro de 1944), MUD (Mov. de Unidade Democrática - 8/10/1945), MUDJ (Mov. de Unidade Democrática Juvenil - 28/7/1946), MND (Mov. Nacional Democrático - 20/5/1948), etc.
A 3 de
Janeiro de 1960 dá-se a espectacular fuga de
Álvaro Cunhal (mais 9 companheiros)
do Forte de Peniche, após um cuidadoso planeamento,
envolvendo elementos do exterior (Pires Jorge, Dias
Lourenço, Otávio Pato, Rui Perdigão e
Rogério Paulo. Este deu a senha de que tudo estava em ordem,
parando um carro com o porta bagagens aberto em frente do Forte) e
interiormente, (Álvaro Cunhal, Jaime Serra e Joaquim Gomes)
incluindo uma sentinela do Forte, um GNR (José Alves) que
foi aliciado. De seguida Cunhal estabelece-se em
Paris de onde passa a controlar (1961) o PCP como novo
secretário-geral do partido, até ao seu regresso
a Portugal em 30/4/1974, 5 dias após a
Revolução dos Cravos. Na década de 1960 há um recrudescer da agitação popular e estudantil contra o regime, manobrada por células comunistas clandestinas, apadrinhadas pelo comunismo internacional e, entre outros meios, apresentadas no Avante, um jornal «subversivo» comunista com grande penetração popular, e que ousadamente desafiava os esforços da PIDE para o eliminar. É
também nesta década, que estala o
escândalo do Ballet Rose,
onde alegadamente estariam envolvidas figuras destacadas nos meios
político, militar, financeiro e mundano, em
práticas de «vícios contra a
natureza», «corrupção de
menores» e «favorecimento da
prostituição». O processo judicial
decorreu entre 1966 e 1971 (embora as
investigações pela Polícia
Judiciária, tenham sido interrompidas inesperadamente em
1968 e o caso abafado ao mais alto nível). O
então advogado, Dr. Mário Soares, um dos
denunciadores dessas práticas, foi acusado de atentar contra
o «bom nome de Portugal» ao divulgar o caso na
imprensa estrangeira em 1967, sendo preso e deportado para S.
Tomé e Príncipe. |
![]() Carga de cavalaria da GNR. Na imagem sobreposta vê-se um GNR com a espada com que vergastava os manifestantes. |
O 1 de Maio, foi sempre um dia problemático, com
manifestações que acabavam em
confrontos entre manifestantes, polícia com carros equipados
com canhões de água azulada, a GNR a cavalo e
até alguma tropa, nos casos mais recalcitrantes. No dia seguinte, nos jornais apareciam relatos como: «A polícia viu-se forçada a disparar para o ar para dispersar agitadores e perturbadores da ordem ... foram hospitalizados manifestantes com ferimentos de balas nos pés e nas pernas...». Estranhas trajectórias para balas disparadas para o ar! |
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Estima-se que nesta altura metade da população portuguesa fosse anti-salazarista, e aplaudia qualquer movimento de oposição, sem que se apercebesse dos verdadeiros ideais desses opositores. Estando
pobremente instruído em matéria de valores
políticos, não sabendo qual o
significado de democracia, e não sabendo distinguir o
socialismo (à Dr. Mário Soares) do comunismo
(à Alvaro Cunhal e dos maoistas), o povo tornava-se presa
fácil de agitadores habilidosos. Ao contrário dos outros países europeus que se desfizeram das suas colónias em África, Portugal, contrariando a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos do Homem manteve-as após 1960, o que inevitavelmente levou, após a Conferência de Bandung, às Guerras Coloniais em Angola, Guiné, Moçambique, etc. Em todas as colónias a luta armada iniciou-se com alguns ataques a alvos militares e policiais, mas a maioria foi contra civis. Por exemplo, em Angola, nos primeiros dias, foram barbaramente assassinados milhares de civis, homens, mulheres e crianças, de todas as cores, incluindo pretos «colaboradores dos fascistas» e, em Moçambique, a rebelião começou com o assassínio do Padre Daniels, da Missão do Chitolo, (Nangolo), seguido de vários ataques a civis, domicílios e lojas. As cheias de 1967 Devido
às pesadas chuvadas que caíram entre 25 e 26 de
Novembro de 1967, ocorreu uma das maiores cheias na
região de Lisboa em que morreram
centenas de pessoas, milhares ficaram desalojadas, e causou
incalculáveis prejuízos materiais. Um
trágico episódio que denegriu a imagem do governo
que praticamente nada fez para atender à
catástrofe e, através da sua Comissão
de Censura, tentou evitar que a dimensão do desastre fosse
conhecida. Só os estudantes, orientados pelas
Associações de Estudantes e Juventude
Universitária Católica, com a sua pronta e eficaz
actuação incansavelmente minoraram os efeitos
devastadores da cheia. |
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A
guerra colonial causou um pesado desgaste na economia da
Nação (cerca de 40% das receitas eram consumidas
no esforço militar) e psicológico, com as
críticas internacionais e os mortos, feridos e estropiados
numa luta «em terras que não eram
nossas», segundo a propaganda da
oposição, factores estes que
constituíram a desculpa oficial para justificar a
revolução que se avizinhava Militares actuando individualmente ou em grupo, criaram redes de mercado negro nas colónias onde tinham comissão de serviço, em que tudo era negociado e com o qual enriqueciam e, paralelamente, outros militares e políticos de esquerda consertavam com os líderes dos guerrilheiros a entrega das colónias, seguindo as directivas dos mentores da futura revolução do 25 de Abril. |
| Um mistério militar por
decifrar: (Ver
página sobre Maputo) A 26 de Abril de 1971, em
plena guerra colonial, o navio Angoche
é encontrado à deriva na costa de
Moçambique, sem vestígios dos seus 22 tripulantes
e do seu único passageiro. Segundo um relatório preliminar, de um agente da PIDE: "O navio Angoche levava material para a nossa Força Aérea, material sofisticado, essencialmente material explosivo, bombas para os aviões, etc, e creio que ia para Porto Amélia. Soubemos que o Angoche foi abordado em 23 de Abril de 1971 por um submarino da União Soviética e que os seus tripulantes foram levados para a Tanzânia, para a base central da Frelimo, Nachingwea e, mais tarde, executados ... havia manchas de sangue em vários pontos do navio... fala-se que houve oficiais da Marinha Portuguesa, hoje oficiais generais, que estariam envolvidos nisso". Para adensar o mistério, o relatório oficial, detalhado e secreto, conservado na DGS-PIDE, desapareceu logo após o 25 de Abril! |
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