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Foto: www.casarealdeportugal.org
D. Maria Pia de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança

Que relação tem esta senhora com a história de Portugal?

Quem foi esta dama? Sua Alteza Real (S.A.R) ou... uma impostora?


D. Maria Pia de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança nasceu numa das épocas mais conturbadas da História de Portugal (n. 13 de Março de 1907 - m. 6 de Maio de 1995) e surgiu, subitamente, no mundo político português, logo após a morte do último rei de Portugal, como sendo filha do rei D. Carlos I de Portugal com D. Maria Amélia Laredó e Murça - como tal, meia-irmã de D. Manuel II e sua herdeira política.

Durante toda a sua vida, a mesma senhora frequentou os mais elevados círculos aristocráticos nacionais e internacionais, viveu amores e desamores, e, no entanto, um só simples relato da sua existência já bastaria para se poder apresentar ao Mundo um apaixonante e heróico romance sobre a sua vida.

Com o seu manifesto desassombro, o seu entusiasmo romântico, o gosto pela escrita e pela ribalta, atravessou meio século da vida portuguesa perturbando a Causa Monárquica, apoiando o general Humberto Delgado, frequentando as cortes reais europeias, e escandalizando e litigando contra D. Duarte Pio de Bragança, o então chamado «senhor de Santar» e pretendente ao trono pelo ramo Miguelista.

Nota 1: No site http://exlibris-ex-libris.blogspot.com/2008/03/casa-das-fidalgas-em-santar.html podemos ler: "A Quinta ou Palácio de Santar, mais conhecida por "Casa das Fidalgas" era propriedade do meu primo Pedro Brum da Silveira Pinto da Fonseca que nasceu a 16 de Novembro de 1902 e faleceu solteiro a 11 de Janeiro de 1978. [...] que deixou depois em testamento ao senhor D. Duarte, Duque de Bragança."

Nota 2: Neste trabalho D. Duarte Pio é referenciado como "de Bragança" já que tal designação não é um título mas denota um elo consaguíneo. Uma coisa é ser "de Bragança, laço familiar", outra coisa é ser, por exemplo, "Conde de Bragança". Não é possível negar a D. Duarte Pio de Bragança ser um membro da numerosa família da Casa de Bragança, por muito que possa ser disputada a sua ascendência, e legitimidade como pretendente ao trono português e ao título de Duque de Bragança.

Para os monárquicos constitucionalistas, esta senhora representou a muito desejada Rainha D. Maria III de Portugal. Para os amantes da literarura, D. Maria Pia de Bragança preferiu dar a conhecer-se sob o pseudónimo literário de Hilda de Toledano.

Faleceu em Verona, a cidade de Romeu e Julieta, e repousa agora no Cemitério Monumental dessa mesma cidade italiana. A todos quantos a conheceram, a senhora apresentou-se como sendo «Sua Alteza Real, Dona Maria Pia de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança, Princesa Real de Portugal e legítima Duquesa de Bragança».

Ficou conhecida como a Princesa Vermelha, a Infanta Encoberta, ou "A menina quase-tudo", mas soube entrar, sem sombra de dúvida, com uma admirável realeza na História de Portugal.


À esquerda, o
n.º 26 da Avenida da Liberdade, onde alegadamente nasceu D. Maria Pia de Bragança (hoje instalações da EPAL) e, à direita, Igreja de San Fermin de los Navarros, em Madrid, onde teria sido baptizada. (Fotos: pt.wikipedia.org)
  

Um fruto proibido

O rei D. Carlos I de Portugal, casado com Dona Amélia de Orleães, e filho de Dona Maria Pia de Sabóia, tinha uns 43 anos quando conheceu e se envolveu com D. Amélia de Laredó e Murça, a filha do Barão D. Armando Maurício Laredó e de D. Maria Amélia Murça e Berhen. Dessa relação resultou uma filha, registada em Portugal, como tendo nascido na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, Lisboa, na casa do seu avô materno, mas sem indicação concreta de paternidade, provavelmente para evitar o escândalo do seu nascimento como fruto de uma relação adúltera do rei vigente.

Note-se a coincidência da amante e da esposa do rei de Portugal terem ambas o mesmo nome, e da filha ilegítima herdar o nome da avó paterna.

Os avós maternos de D. Maria Pia de Bragança eram uma família rica de origem brasileira, e a sua mãe, D. Maria Amélia era muito conhecida por tratar-se de uma bonita ruiva e de esmerada educação.

Transcrição da alegada carta de reconhecimento,
 por  D. Carlos I, da paternidade de D. Maria Pia

«Eu, El-Rei, faço saber aos que que a presente carta virem, que atendendo às circunstâncias e qualidades da mui nobre senhora Dona Amélia de Laredo, e querendo dar-lhe o testemunho autêntico da minha real consideração, reconheço por minha muito amada filha a criança a quem dera à luz a mencionada Senhora na freguesia do Sagrado Coração de Jesus de Lisboa, a treze de Março de mil novecentos e sete.
Sendo bem-visto, considerado e examinado por Mim tudo o que fica acima inscrito, autorizo e peço às autoridades eclesiásticas ponham-me as águas baptismais e os nomes de Maria e Pia, a fim de poder chamar-se com o meu nome d'ora em diante d'este nome com as honras, prerrogativas, proeminências, obrigações e vantagens dos Infantes da Casa de Bragança de Portugal. Em testemunho e firmeza do sobredito fica a presente carta por Mim assinada.
Com selo grande das minhas armas. Dada no Paço das Necessidades, a catorze de Março de 1907. -Carlos Primeiro, El-Rei»


D. Maria Pia de Bragança afirmou toda a vida ter sido «reconhecida» pelo seu pai, D. Carlos I, dado que este lhe outorgou, por carta régia assinada no Paço das Necessidades a 14 de Março de 1907, todas "as honras, prerrogativas, proeminências, obrigações e vantagens" devidos a um filho de um monarca português, e baseando-se também nos certificados de baptismo, reconhecidos e reconstruídos, do Palácio do Bispo, em Alcalá Madrid.

Quanto aos sentimentos que D. Carlos I nutriu pela sua mãe, D. Maria Pia de Bragança recordou: « D. Carlos estava apaixonadíssimo pela minha mãe, quem conheceu na corte, tinha ela 15 anos, uma menina que era, já, uma belíssima mulher. Ele nutria por ela uma paixão avassaladora, aliás, meu pai chegou mesmo a pintar-lhe um retrato... »

Era sabido que D. Carlos I e sua esposa D. Amélia de Orleães, não se davam bem, quer a nível sentimental, devido à tendência para as conquistas amorosas do rei e de que a rainha estava a par, quer por divergências políticas, inclinando-se ele para o Liberalismo, enquanto que ela apoiava o Absolutismo. Sugere-se que, eventualmente, D. Amélia terá tido conhecimento do envolvimento de D. Carlos I com D. Maria Amélia Laredó e Murça e do nascimento de uma filha bastarda, o que ainda veio azedar mais as suas relações.

Temendo represálias, a família Laredó abandonou Portugal, tendo vivido durante os anos seguintes, particularmente, em Espanha e França, sempre no meio de individualidades de alto nível social, e até aristocrático, e sabe-se mesmo que D. Maria Pia de Bragança e sua mãe auxiliaram inúmeras instituições de apoio social, sobretudo durante o período da Grande Guerra.

Além da sua beleza, D. Maria Pia de Bragança era uma pessoa muito viva e tinha um certo dote para a escrita, poesia, pintura, música, tendo mesmo composto várias obras musicais. Tocava piano com um grande à-vontade, e falava com facilidade a língua portuguesa, francesa e espanhola.

O primeiro casamento e o «nascimento» de Hilda de Toledano

Aos 18 anos D. Maria Pia de Bragança casou com um cubano, Francisco Javier Bilbao y Batista, criador de gado, vinte anos mais velho que ela, mas ambos não se davam muito bem, sendo o marido um reconhecido playboy da época, e ela uma importante «socialite» viajando ambos, quase sempre separadamente, por Espanha, França, e Cuba. Por esta altura, escreve uma novela, « Marquês da Independência».
Deste casamento, infeliz, nasceu uma filha, D. Fátima Francisca Xaviera Íris Bilbao de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança, que teve vários problemas de saúde e, por vocação, acabou por se tornar religiosa e se recolher a um convento.

Depois do nascimento desta filha, e de um provável arrefecimento sentimental relativamente ao marido, regressa a Madrid, e substitui o uso do seu nome civil (D. Maria Pia de Bilbao) pelo pseudónimo literário Hilda de Toledano (derivado de Toledo, a cidade espanhola), o qual acabou por usar durante cerca de três décadas, e o qual tanto a protegeu das perseguições como da censura política, na época do franquismo (em Espanha)

Cerca de dois anos antes de conhecer o primeiro marido, a Infanta D. Maria Pia de Bragança tinha-se, enamorado de um advogado espanhol, escrevendo, muito mais tarde (em 1954), o livro «Um beijo e nada mais» sobre esse amor fugaz, ainda rubricado com o pseudónimo Hilda de Toledano, e que foi considerado por muitos como uma autobiografia velada.

Em Novembro de 1935 faleceu-lhe o marido, e então publicou uma obra intitulada « A hora de Alfonso XIII» advogando o retorno da monarquia a Espanha. Foi viver para Roma, apesar de, enquanto jornalista contratada, ter ainda escrito uma série de artigos contra Mussolini.
Nota: D. Maria Pia de Bragança foi protegida do Rei D. Alfonso XIII de Espanha, avô do actual rei D. Juan Carlos I.

A 18 de Julho de 1936 agravou-se a Guerra Civil Espanhola, contando esta com milhares de pessoas assassinadas e inúmeros edifícios destruídos. Também reduzida a cinzas, com os seus registos, ficou a igreja de São Fermino de Los Navarros, onde existiam os registos do nascimento e do baptismo de D. Maria Pia de Bragança. Alguns anos depois, e baseados em testemunhos que se acharam credíveis, as autoridades eclesiásticas espanholas reconstruíram muitos dos arquivos perdidos.

Foi assim que, em 1958, o arquivista de Alcalá certificou que a 15 de Abril de 1907 fora ali baptizada uma criança de seu nome, Maria Pia de Saxe-Coburgo, nascida em 13 de Março de 1907, em Lisboa, filha de D. Carlos de Saxe-Coburgo e Sabóia, da Casa de Bragança, e de D. Maria Amélia Laredó e Murça.

O segundo e terceiro casamentos, a «morte» de Hilda de Toledano, o «renascimento» de D. Maria Pia de Bragança, o terceiro casamento

Em 1939, D. Maria Pia de Bragança casou-se secretamente com o coronel Giusepe Blais, um oficial italiano carabineiro, (na época, era proibido um oficial italiano casar-se com uma estrangeira), de 50 anos de idade, mas só em 1946, depois de terminada a Grande Guerra, com a vitória dos Aliados, é que ambos puderam legitimar esse casamento, feliz, e do qual nasceu uma filha, D. Maria Cristina Blais de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança.


D. Maria Pia de Bragança com a sua filha D. Maria Cristina de Bragança,
«Princesa Real de Portugal», num cartaz em Portugal, década de 1980.
Foto: www.casarealdeportugal.org

Nos primeiros anos da década de 1950, D. Maria Pia de Bragança, enquanto jornalista, foi a Marrocos, um território do norte de África que, então, tentava libertar-se do jugo colonial de Franceses e Espanhóis, para entrevistar um líder local.

Regressando a Madrid, em 1954, publicou, em espanhol, o acima mencionado livro «Um beijo e nada mais», com o subtítulo «Confissões conscientes de uma pecadora inconsciente» e, a partir de então, começou a verificar-se a metamorfose da sua identidade, de Hilda de Toledano, jornalista, para uma D. Maria Pia de Bragança, guerreira, que reclamou continuamente a herança da Casa Real de Bragança embora, desde meados da década de 1930, já se apresentasse como a legítima herdeira ao trono de Portugal.

Em 1957, publicou em francês uma autobiografia, «Memórias de uma Infanta Viva», já assinada com o seu nome civil de D. Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança.

Após a morte do seu segundo marido em 1983, D. Maria Pia de Bragança casou-se, em 1985, uma terceira vez, já com idade avançada, com o português António João da Costa Amado-Noivo, falecido a 29/12/1996.

Uma batalha desgastante

A luta pelo estatuto de membro da realeza levada a cabo por D. Maria Pia de Bragança em várias frentes e em vários países da Europa, incluindo Portugal, nem sempre foi bem sucedida, e chegou um dia no qual decidiu que não tinha mais forças para prosseguir com essa mesma luta e que devia encontrar alguém digno que a substituísse.

Tratou-se de uma escolha dolorosa, pela certa, já que teve de aceitar que não podia contar com as duas filhas, acabando por eleger, como sucessor, D. Rosario Poidimani, um nobre milionário Siciliano, residente em Itália, e empresário de grande sucesso, descendente de um ramo real de raiz francesa comum à realeza portuguesa, e assim considerado por D. Maria Pia de Bragança como ainda sendo seu parente de sangue afastado.
Nesse sentido, a Infanta começou um longo processo para oficialmente estabelecer os laços de consanguinidade entre eles, e o qual culminou com o lavrar do documento intitulado «Acto soberano Nº 4».
 

De seguida, a 3 de Abril de 1987, D. Maria Pia requer a um advogado de Vicenza, em Itália, que formalmente autenticasse um documento original, o «Acto soberano N.º 5», de 6 páginas, manuscrito em italiano sobre papel timbrado com os antigos brasões da Coroa Portuguesa. A tradução, abreviada, que se segue espelha bem o desolado estado de espírito da Infanta D. Maria Pia de Bragança à altura.
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Acto soberano N.º 5

Tendo alcançado uma idade avançada, com total controlo das minhas capacidades mentais, quase cega, desprovida do suporte dos meus descendentes, traída por alguns monarquistas que nem respeitam a tradição da Casa de Bragança nem a Constituição da Monarquia, uma vítima da continuada apatia do governo republicano, de Salazar a Mário Soares,

Eu decidi:

Transmitir pelo presente documento todos os meus direitos, como Chefe da Casa de Bragança, a D. Rosário Poidimani, um príncipe e empresário, que bem o merece, através do amor e dedicação que tem mostrado para com a minha terra materna, Portugal.

Consequentemente:

Eu abdico,

A favor da acima indicada personalidade, com todas as honras e direitos devidos ao novo Chefe da Casa da Bragança. Retenho o direito à posse de 50 por cento de todos os bens, castelos, propriedades, terras, palácios, territórios, assim como de jóias, artigos de arte, tapeçaria, etc, etc, e de qualquer outro património da antiga Casa de Bragança, a que tenho legalmente direito, na sua totalidade.

Mantenho a posição de Grã Mestre da Ordem de Cavaleiros a que, legitimamente pertenço mas, obviamente, aceitarei todas as directivas da Ordem, formuladas por D. Rosário Poidimani, Chefe da Casa Real. Por minha morte, a chefia da Ordem de Cavaleiros deverá passar para D. Rosário.

Mantenho, igualmente, os títulos nobres de:

1. Duque e Duquesa do Porto
2. Duque e Duquesa de Beja
3. Duque e Duquesa de Coimbra
4. Conde e Condessa de Neiva
5. Conde e Condessa de Penafiel
6. Conde e Condessa de Arraiolos

e, até à minha morte, retenho o título de Duquesa, Herdeira, de Bragança

Em toda e boa verdade,

Maria Pia, Duquesa de Bragança.
Fonte: www.realcasaportuguesa.org


É curiosa a referência à «apatia» de Mário Soares que, chegando a actuar como conselheiro de D. Maria Pia em Portugal, no entanto compareceu ao casamento do rival, D. Duarte Pio de Bragança.
Este documento seria, mais tarde, traduzido para português e certificado num notário de Portugal:


Cabeçalho do certificado notarial em Portugal
Fonte: www.casarealdeportugal.org


Nesta sua capitulação é já compreensível que D. Maria Pia de Bragança teria chegado à conclusão que lutava por um projecto quase irrealizável. Atente-se nesta resposta, extraordinária e corajosa, dada a um jornalista em Portugal, quando este lhe perguntou se ela achava possível a restauração da monarquia em Portugal.

«Sinceramente lhe digo, senhor...., que os portugueses são arraigadamente republicanos. E isso determina que não haja nenhuma viabilidade séria para a restauração da monarquia em Portugal. Só visões distanciadas das realidades autênticas do nosso país, e dominantes na política geral do ocidente actual, podem confundir a sensibilidade portuguesa com a espanhola, e, isto admitindo, longinquamente, que a monarquia de hoje em Espanha consiga, de algum modo, reflectir-se em Portugal» ( (Diário Popular, 09/02/1983)

Chegou a ser presa em Portugal. Num famoso jornal americano, o New York Times, datado de 3 de Fevereiro de 1965, pode ler-se: «Acompanhada por uma senhora da nobreza espanhola e por um chauffeur, da mesma nacionalidade, a Princesa D. Maria Pia entrou sem dificuldades em Portugal. Em Lisboa visitou o panteão da Casa Real de Bragança e colocou flores na sepultura de D. Carlos. Depois da cerimónia regressava a Espanha, quando foi detida em Caia, perto da fronteira, e enviada para o Forte de Caxias, tendo mais tarde sido libertada, e repatriada, depois da intervenção das autoridades diplomáticas italianas ... »

A existência de D. Maria Pia de Bragança, como pretendente ao trono de Portugal, e à Casa de Bragança, foi sobejamente documentada em vários jornais, tanto no estrangeiro como em Portugal, sobretudo nas décadas de 1960, 70 e 80, como também na rádio e televisão.

A cerimónia da sua abdicação, em Portugal, em Abril de 1987 a favor de Dom Rosario Poidimani, recebeu ampla cobertura mediática, incluindo a dada pela RTP, e a Duquesa apareceu no programa «Já está», de Joaquim Letria, RTP2 a 3 /12/1987, no qual denunciou a «ilegalidade» das pretensões do «falso» Duque de Bragança, D. Duarte Pio, e às «manobras » do PPM. (Partido Popular Monárquico)

Fotos, respectivamente, de cima para baixo: Abdicação de D. Maria Pia e aceitação por D. Rosario Poidimani, e D. Maria no programa «Já está», da RTP

Fotos: www.casarealdeportugal.org

Como referido, a partir de certa altura, D. Maria Pia de Brgança deixou de acreditar na possibilidade de uma restauração da monarquia, em moldes 100% monárquicos, ou mesmo parlamentar.
Então, qual era a finalidade da sua luta? Pelas suas próprias afirmações, pretendia:

a) Confirmar a «ilegitimidade» da pretensão de D. Duarte Pio de Bragança, ao trono e à Casa de Bragança.
b)  O reconhecimento ao direito de, só ela, poder usar o título de Duquesa de Bragança.
c)  A recuperação dos bens associados à Casa de Bragança. Este foi o ponto fulcral da sua batalha, e frequentemente dizia que o fazia não por uma questão de megalomania ou para se tornar uma senhora milionária, mas para devolver a Casa de Bragança ao seu legítimo dono, prometendo que, se tal sucedesse, distribuiria grande parte da fortuna adquirida, pelos portugueses mais pobres e necessitados.

Provavelmente, a desmoralização de D. Maria Pia de Bragança deveu-se, politicamente:

a) À recusa do Estado Português (ao tempo de Salazar) de deferir o seu pedido de exumação do corpo de Dom Manuel II, para investigação forense, já que, segundo ela, o seu meio-irmão teria tido uma morte misteriosa.
b) À decisão do Secretário Geral do Alto Conselho do Estado da República de Portugal, em 1950, de anular a pena (pela Constituição Monárquica de 1838) de exclusão do Ramo Miguelista à linha sucessória real, e ir mais longe, ao considerar esta linha a única legitima para esse hipotético fim.
c) Ao rude golpe dado pelo Supremo Tribunal de Justiça, de Lisboa, em 14 de Abril de 1983, de indeferir o seu pedido de reconhecimento da paternidade de D. Carlos I, assim como rejeitar a sua pretensão aos bens da Fundação da Casa de Bragança e da Fundação D. Manuel II.
d) Ao fraco apoio que encontrou entre a anónima massa monárquica portuguesa, e à oposição que lhe foi feita por núcleos monárquicos organizados como da Casa de Bragança (por D. Duarte Pio), o PPM (Partido Popular Monárquico) e a JML (Juventude Monárquica de Lisboa).
e) A, pejorativamente, ser frequentemente lembrada que, mesmo sendo considerada filha de D. Carlos I, ela era uma filha «bastarda» o que levantava dúvidas quanto à legalidade das suas pretensões.
 

Notas curiosas sobre «bastardia» real:
29 de Maio de 2003 -  http://noticias.terra.com.br
1) O rei Juan Carlos I da Espanha conta agora oficialmente com um novo tio, depois que a justiça espanhola concedeu a Leandro Ruíz, filho bastardo do rei Alfonso XIII, avô do actual monarca espanhol, o direito de usar o sobrenome Borbón. Leandro Alfonso Luis Ruíz Moragas, de 74 anos de idade, assim já não será o filho bastardo que o rei Alfonso XIII teve com a actriz Carmen Ruíz Moragas em 1929, mas sim o Infante D. Leandro de Borbón Ruíz.

A nova condição de Leandro de Borbón é consequência da sentença judicial pronunciada pelo magistrado do registro civil José María Bento Company, que examinou uma volumosa documentação e ouviu diversos depoimentos sobre o caso.
Esta é a primeira vez no mundo que se reconhece o filho bastardo de um rei com todos os direitos inerentes à sua pessoa.

18 de Maio de 2004 - http://dossiers.publico.pt
2) O ausente
Leandro de Borbón y Ruiz Moragas, 75 anos, é o mais notório Borbón que não está presente hoje no casamento real. Nem foi convidado. Leandro de Borbón, fruto da relação extramatrimonial de Alfonso XIII com a actriz Carmen Ruiz Moragas, é tio de Don Juan Carlos I
 
A pergunta, contudo, mantém-se: Quem foi esta senhora? Uma pessoa comum, mera impostora, ou S. A. R. a Princesa Dona Maria Pia de Saxe-Coburgo-Gotha, a legítima Duquesa de Bragança?

A polémica mantém-se, com apoiantes e oponentes à legitimidade da sua linhagem, sendo geralmente os argumentos usados pelas duas facções bastante subjectivos, irreconciliáveis, e mutuamente depreciativos. Aconselha-se, portantanto, que se dê uma olhadela "aos dois lados da moeda.

Não será surpresa nenhuma se algum dia aparecer um realizador que descreva em película de celulose, ou num outro suporte, esta vida tão rica em acontecimentos extraordinários. Para já, apareceu recentemente um livro sobre a sua vida:


Capa de um recente livro sobre D. Maria Pia de Bragança
(Bertrand Editora)
(Nota: A informação neste site foi posta antes do aparecimento deste livro, que tem mais detalhes sobre este assunto)

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