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Que relação tem esta senhora com a história de Portugal? Quem foi esta dama? Sua Alteza Real (S.A.R) ou... uma impostora? |
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Com o seu manifesto desassombro, o seu entusiasmo romântico, o gosto pela escrita e pela ribalta, atravessou meio século da vida portuguesa perturbando a Causa Monárquica, apoiando o general Humberto Delgado, frequentando as cortes reais europeias, e escandalizando e litigando contra D. Duarte Pio de Bragança, o então chamado «senhor de Santar» e pretendente ao trono pelo ramo Miguelista. Nota 1: No site http://exlibris-ex-libris.blogspot.com/2008/03/casa-das-fidalgas-em-santar.html podemos ler: "A Quinta ou Palácio de Santar, mais conhecida por "Casa das Fidalgas" era propriedade do meu primo Pedro Brum da Silveira Pinto da Fonseca que nasceu a 16 de Novembro de 1902 e faleceu solteiro a 11 de Janeiro de 1978. [...] que deixou depois em testamento ao senhor D. Duarte, Duque de Bragança." Nota 2: Neste trabalho D. Duarte Pio é referenciado como "de Bragança" já que tal designação não é um título mas denota um elo consaguíneo. Uma coisa é ser "de Bragança, laço familiar", outra coisa é ser, por exemplo, "Conde de Bragança". Não é possível negar a D. Duarte Pio de Bragança ser um membro da numerosa família da Casa de Bragança, por muito que possa ser disputada a sua ascendência, e legitimidade como pretendente ao trono português e ao título de Duque de Bragança. Para os monárquicos constitucionalistas, esta senhora representou a muito desejada Rainha D. Maria III de Portugal. Para os amantes da literarura, D. Maria Pia de Bragança preferiu dar a conhecer-se sob o pseudónimo literário de Hilda de Toledano. Faleceu em Verona, a cidade de Romeu e Julieta, e repousa agora no Cemitério Monumental dessa mesma cidade italiana. A todos quantos a conheceram, a senhora apresentou-se como sendo «Sua Alteza Real, Dona Maria Pia de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança, Princesa Real de Portugal e legítima Duquesa de Bragança». Ficou conhecida como a Princesa Vermelha, a Infanta Encoberta, ou "A menina quase-tudo", mas soube entrar, sem sombra de dúvida, com uma admirável realeza na História de Portugal.
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Um fruto proibido O rei D. Carlos I de Portugal, casado com Dona Amélia de Orleães, e filho de Dona Maria Pia de Sabóia, tinha uns 43 anos quando conheceu e se envolveu com D. Amélia de Laredó e Murça, a filha do Barão D. Armando Maurício Laredó e de D. Maria Amélia Murça e Berhen. Dessa relação resultou uma filha, registada em Portugal, como tendo nascido na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, Lisboa, na casa do seu avô materno, mas sem indicação concreta de paternidade, provavelmente para evitar o escândalo do seu nascimento como fruto de uma relação adúltera do rei vigente. Note-se a coincidência da amante e da esposa do rei de Portugal terem ambas o mesmo nome, e da filha ilegítima herdar o nome da avó paterna. Os avós maternos de D. Maria Pia de Bragança eram uma família rica de origem brasileira, e a sua mãe, D. Maria Amélia era muito conhecida por tratar-se de uma bonita ruiva e de esmerada educação. |
Transcrição da
alegada carta de reconhecimento,
«Eu, El-Rei, faço
saber aos que que a presente carta virem, que
atendendo às circunstâncias e qualidades da
mui nobre senhora Dona Amélia de Laredo, e
querendo dar-lhe o testemunho autêntico da
minha real consideração, reconheço por minha
muito amada filha a criança a quem dera à luz
a mencionada Senhora na freguesia do Sagrado
Coração de Jesus de Lisboa, a treze de Março
de mil novecentos e sete. |
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Quanto aos sentimentos que D. Carlos I nutriu pela sua mãe, D. Maria Pia de Bragança recordou: « D. Carlos estava apaixonadíssimo pela minha mãe, quem conheceu na corte, tinha ela 15 anos, uma menina que era, já, uma belíssima mulher. Ele nutria por ela uma paixão avassaladora, aliás, meu pai chegou mesmo a pintar-lhe um retrato... » Era sabido que D. Carlos I e sua esposa D. Amélia de Orleães, não se davam bem, quer a nível sentimental, devido à tendência para as conquistas amorosas do rei e de que a rainha estava a par, quer por divergências políticas, inclinando-se ele para o Liberalismo, enquanto que ela apoiava o Absolutismo. Sugere-se que, eventualmente, D. Amélia terá tido conhecimento do envolvimento de D. Carlos I com D. Maria Amélia Laredó e Murça e do nascimento de uma filha bastarda, o que ainda veio azedar mais as suas relações. Temendo represálias, a família Laredó abandonou Portugal, tendo vivido durante os anos seguintes, particularmente, em Espanha e França, sempre no meio de individualidades de alto nível social, e até aristocrático, e sabe-se mesmo que D. Maria Pia de Bragança e sua mãe auxiliaram inúmeras instituições de apoio social, sobretudo durante o período da Grande Guerra. Além da sua beleza, D. Maria Pia de Bragança era uma pessoa muito viva e tinha um certo dote para a escrita, poesia, pintura, música, tendo mesmo composto várias obras musicais. Tocava piano com um grande à-vontade, e falava com facilidade a língua portuguesa, francesa e espanhola. O primeiro casamento e o «nascimento» de Hilda de Toledano
Aos 18 anos D.
Maria Pia de Bragança casou com um cubano,
Francisco Javier Bilbao y Batista, criador de
gado, vinte anos mais velho que ela, mas ambos
não se davam muito bem, sendo o marido um
reconhecido playboy da época, e ela uma
importante «socialite» viajando ambos, quase
sempre separadamente, por Espanha, França, e
Cuba. Por esta altura, escreve uma novela, «
Marquês da Independência».
Depois do
nascimento desta filha, e de um provável
arrefecimento sentimental relativamente ao
marido, regressa a Madrid, e substitui o uso
do seu nome civil (D. Maria Pia de Bilbao)
pelo pseudónimo literário Hilda de Toledano
(derivado de Toledo, a cidade espanhola), o
qual acabou por usar durante cerca de três
décadas, e o qual tanto a protegeu das
perseguições como da censura política, na
época do franquismo (em Espanha)
Em Novembro de
1935 faleceu-lhe o marido, e então publicou
uma obra intitulada « A hora de Alfonso XIII»
advogando o retorno da monarquia a Espanha.
Foi viver para Roma, apesar de, enquanto
jornalista contratada, ter ainda escrito uma
série de artigos contra Mussolini.
A 18 de Julho de
1936 agravou-se a Guerra Civil Espanhola,
contando esta com milhares de pessoas
assassinadas e inúmeros edifícios destruídos.
Também reduzida a cinzas, com os seus
registos, ficou a igreja de São Fermino de Los
Navarros, onde existiam os registos do
nascimento e do baptismo de D. Maria Pia
de Bragança. Alguns anos depois, e baseados em
testemunhos que se acharam credíveis, as
autoridades eclesiásticas espanholas
reconstruíram muitos dos arquivos
perdidos. O segundo e terceiro casamentos, a «morte» de Hilda de Toledano, o «renascimento» de D. Maria Pia de Bragança, o terceiro casamento Em 1939, D. Maria Pia de Bragança casou-se secretamente com o coronel Giusepe Blais, um oficial italiano carabineiro, (na época, era proibido um oficial italiano casar-se com uma estrangeira), de 50 anos de idade, mas só em 1946, depois de terminada a Grande Guerra, com a vitória dos Aliados, é que ambos puderam legitimar esse casamento, feliz, e do qual nasceu uma filha, D. Maria Cristina Blais de Saxe-Coburgo-Gotha e Bragança.
Nos primeiros anos da década de 1950, D. Maria Pia de Bragança, enquanto jornalista, foi a Marrocos, um território do norte de África que, então, tentava libertar-se do jugo colonial de Franceses e Espanhóis, para entrevistar um líder local.
Regressando a
Madrid, em 1954, publicou, em espanhol, o
acima mencionado livro «Um beijo e nada mais»,
com o subtítulo «Confissões conscientes de uma
pecadora inconsciente» e, a partir de então,
começou a verificar-se a metamorfose da sua
identidade, de Hilda de Toledano, jornalista,
para uma D. Maria Pia de Bragança, guerreira,
que reclamou continuamente a herança da Casa
Real de Bragança embora, desde meados da
década de 1930, já se apresentasse como a
legítima herdeira ao trono de Portugal. Após a morte do seu segundo marido em 1983, D. Maria Pia de Bragança casou-se, em 1985, uma terceira vez, já com idade avançada, com o português António João da Costa Amado-Noivo, falecido a 29/12/1996. Uma batalha desgastante
A luta pelo
estatuto de membro da realeza levada a cabo
por D. Maria Pia de Bragança em várias frentes
e em vários países da Europa, incluindo
Portugal, nem sempre foi bem sucedida, e
chegou um dia no qual decidiu que não tinha
mais forças para prosseguir com essa mesma
luta e que devia encontrar alguém digno que a
substituísse. |
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De seguida, a 3 de
Abril de 1987, D. Maria Pia requer a um
advogado de Vicenza, em Itália, que
formalmente autenticasse um documento
original, o «Acto soberano N.º 5», de 6
páginas, manuscrito em italiano sobre papel
timbrado com os antigos brasões da Coroa
Portuguesa. A tradução, abreviada, que se
segue espelha bem o desolado estado de
espírito da Infanta D. Maria Pia de Bragança à
altura. . |
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Acto soberano N.º 5
Tendo
alcançado uma idade avançada, com total
controlo das minhas capacidades mentais,
quase cega, desprovida do suporte dos meus
descendentes, traída por alguns
monarquistas que nem respeitam a tradição
da Casa de Bragança nem a Constituição da
Monarquia, uma vítima da continuada apatia
do governo republicano, de Salazar a Mário
Soares, Transmitir pelo presente documento todos os meus direitos, como Chefe da Casa de Bragança, a D. Rosário Poidimani, um príncipe e empresário, que bem o merece, através do amor e dedicação que tem mostrado para com a minha terra materna, Portugal. Consequentemente: Eu abdico, A favor da acima indicada personalidade, com todas as honras e direitos devidos ao novo Chefe da Casa da Bragança. Retenho o direito à posse de 50 por cento de todos os bens, castelos, propriedades, terras, palácios, territórios, assim como de jóias, artigos de arte, tapeçaria, etc, etc, e de qualquer outro património da antiga Casa de Bragança, a que tenho legalmente direito, na sua totalidade. Mantenho a posição de Grã Mestre da Ordem de Cavaleiros a que, legitimamente pertenço mas, obviamente, aceitarei todas as directivas da Ordem, formuladas por D. Rosário Poidimani, Chefe da Casa Real. Por minha morte, a chefia da Ordem de Cavaleiros deverá passar para D. Rosário. Mantenho, igualmente, os títulos nobres de:
1. Duque e
Duquesa do Porto e, até à minha morte, retenho o título de Duquesa, Herdeira, de Bragança Em toda e boa verdade,
Maria Pia,
Duquesa de Bragança. |
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É curiosa a referência à «apatia» de Mário Soares que, chegando a actuar como conselheiro de D. Maria Pia em Portugal, no entanto compareceu ao casamento do rival, D. Duarte Pio de Bragança. Este documento seria, mais tarde, traduzido para português e certificado num notário de Portugal:
«Sinceramente lhe digo, senhor...., que os portugueses são arraigadamente republicanos. E isso determina que não haja nenhuma viabilidade séria para a restauração da monarquia em Portugal. Só visões distanciadas das realidades autênticas do nosso país, e dominantes na política geral do ocidente actual, podem confundir a sensibilidade portuguesa com a espanhola, e, isto admitindo, longinquamente, que a monarquia de hoje em Espanha consiga, de algum modo, reflectir-se em Portugal» ( (Diário Popular, 09/02/1983) Chegou a ser presa em Portugal. Num famoso jornal americano, o New York Times, datado de 3 de Fevereiro de 1965, pode ler-se: «Acompanhada por uma senhora da nobreza espanhola e por um chauffeur, da mesma nacionalidade, a Princesa D. Maria Pia entrou sem dificuldades em Portugal. Em Lisboa visitou o panteão da Casa Real de Bragança e colocou flores na sepultura de D. Carlos. Depois da cerimónia regressava a Espanha, quando foi detida em Caia, perto da fronteira, e enviada para o Forte de Caxias, tendo mais tarde sido libertada, e repatriada, depois da intervenção das autoridades diplomáticas italianas ... »
Como referido,
a partir de certa altura, D. Maria Pia de
Brgança deixou de acreditar na
possibilidade de uma restauração da
monarquia, em moldes 100% monárquicos, ou
mesmo parlamentar.
a) Confirmar a
«ilegitimidade» da pretensão de D. Duarte
Pio de Bragança, ao trono e à Casa de
Bragança. Provavelmente, a desmoralização de D. Maria Pia de Bragança deveu-se, politicamente:
a) À recusa do
Estado Português (ao tempo de Salazar) de
deferir o seu pedido de exumação do corpo
de Dom Manuel II, para investigação
forense, já que, segundo ela, o seu
meio-irmão teria tido uma morte
misteriosa. |
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Notas curiosas sobre
«bastardia» real: 29 de Maio de 2003 - http://noticias.terra.com.br 1) O rei Juan Carlos I da Espanha conta agora oficialmente com um novo tio, depois que a justiça espanhola concedeu a Leandro Ruíz, filho bastardo do rei Alfonso XIII, avô do actual monarca espanhol, o direito de usar o sobrenome Borbón. Leandro Alfonso Luis Ruíz Moragas, de 74 anos de idade, assim já não será o filho bastardo que o rei Alfonso XIII teve com a actriz Carmen Ruíz Moragas em 1929, mas sim o Infante D. Leandro de Borbón Ruíz.
A nova condição de
Leandro de Borbón é consequência da sentença
judicial pronunciada pelo magistrado do
registro civil José María Bento Company, que
examinou uma volumosa documentação e ouviu
diversos depoimentos sobre o caso.
18
de Maio de 2004 -
http://dossiers.publico.pt
2) O ausente
Leandro de Borbón
y Ruiz Moragas, 75 anos, é o mais notório
Borbón que não está presente hoje no casamento
real. Nem foi convidado. Leandro de Borbón,
fruto da relação extramatrimonial de Alfonso
XIII com a actriz Carmen Ruiz Moragas, é tio
de Don Juan Carlos I
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A pergunta, contudo, mantém-se: Quem foi esta senhora? Uma pessoa comum, mera impostora, ou S. A. R. a Princesa Dona Maria Pia de Saxe-Coburgo-Gotha, a legítima Duquesa de Bragança?
A polémica mantém-se, com apoiantes e
oponentes à legitimidade da sua linhagem,
sendo geralmente os argumentos usados pelas
duas facções bastante subjectivos,
irreconciliáveis, e mutuamente depreciativos.
Aconselha-se, portantanto, que se dê uma
olhadela "aos dois lados da moeda.
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