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1º) Os Monárquicos na era Republicana.
2º) As Invasões Francesas
3º) Abolição da pena de morte

Os Monárquicos na era Republicana.
(Na página do  25 de Abril  há mais detalhes sobre a Instauração da República)


A Velha República:

Depois da supressão da monarquia, muitos dos simpatizantes monárquicos fugiram para a vizinha Espanha, que vira com maus olhos a Implantação da Republica em Portugal e, daí, tentaram fomentar  a guerra civil e o regresso de D Manuel II ao país, com as incursões de Trás-os-Montes de 1911 e 1912, sem sucesso.

Derrotados, não desistiram, e formaram em 1914, dentro de Portugal, a Causa Monárquica. Por esta altura também veio à tona a ideologia, anti-republicana, do Integralismo Lusitano.

Nas eleições legislativas de Abril 1918, facções monárquicas e católicas concorreram, ganhando vários lugares, chegando-se ao paradoxo de se ter um Congresso maioritariamente constituído por duas forças antagónicas: o novo Partido Nacional Republicano e uma forte presença de monárquicos e católicos.

Sidónio Pais tornou-se o símbolo duma rejuvenescida república, conhecida por República Nova, mas, em Dezembro de 1918, foi assassinado.

«Restauração da Monarquia»:

Pouco antes da era de Sidónio Pais criaram-se Juntas Militares no Norte e no Sul do país, de tendência monárquica. Estas, em Janeiro de 1919, proclamaram a Monarquia no Porto e em Lisboa.

Aqui, a rebelião  foi dominada em dias, depois da tomada (Escalada de Monsanto) do reduto revoltoso na Serra de Monsanto mas, no sul, só foi sufocada a 13 de Fevereiro do mesmo ano e, em Março de 1919, formou-se um novo Ministério, com maioria de Democratas, seguindo ideais da República Velha, iniciando o período conhecido como Instauração da Nova República Velha.

Os Integralistas, em 1920 pediram o regresso de D.Manuel II, condicional deste adoptar certas regras de remodelação social, mas este recusou e, os Integralistas passaram então a reconhecer D. Duarte Nuno (do ramo Miguelista) como pretendente ao trono português.

Existia um outro partido monárquico, o Partido Legitimista que, à altura de sua criação, apoiava a candidatura de D. Miguel II ao trono de Portugal, e ao qual os Integralistas se juntaram.

Em 9 de Julho de 1926, dá-se o golpe de estado militar dirigido pelo general, monárquico, Sinel de Cordes e que, anos depois,  levaria Salazar ao poder.

A morte de D. Manuel II em 1932, exilado em Inglaterra, dá um rude golpe nas aspirações dos monárquicos.

Em Maio de 1950  a Assembleia Nacional  anula as  Leis de Banimento de 1834 e de 1938 (Reais), e as de 1910 (Republicanas) permitindo o regresso a Portugal de D. Duarte Nuno e família (exilada), descendentes de D. Miguel I, ao mesmo tempo que decide que  a representação da Casa de Bragança fosse assumida por D. Duarte Nuno, em detrimento dos descendentes de D. Maria.

As invasões Francesas 
(Um episódio das
Guerras Napoleónicas)

 

Alguns antecedentes:

Após a Revolução Liberal Francesa, tendo como marco simbólico a tomada da prisão fortificada de Bastilha em 1789, em que sob a bandeira de "Liberdade, Fraternidade e Igualdade" o rei Luís XVI e a rainha  foram executados, assim como toda uma gama de "indesejados", desde o simples homem da rua a políticos, a religiosos, a artistas, a intelectuais e a cientistas, a Inglaterra e outros países declararam guerra à França, levando o general Napoleão Bonaparte, já aclamado Imperador de França, a continuar ou a iniciar operações militares (ou Guerras Napoleónicas) em várias partes do mundo, umas vitoriosas e outras desastrosas, como o desaire de Trafalgar em 1805, o fracasso da campanha da Rússia iniciada em 1812, ou a batalha de Waterloo em 1815, guerras estas pautadas por muita carnificina em que mais de 4 milhões de pessoas perderam a vida. Como parte do plano megalómano de expansão territorial, Napoleão pretendia anexar ao seu império não só Portugal, mas a Espanha e a Inglaterra.

Nota: De descendência italiana, Napoleão nasceu a 15 de Agosto de 1769 na cidade de Ajácio, na ilha de Córsega, à altura sob protecção militar francesa como reacção às tentativas de anexação por parte de Génova, e morreu exilado na ilha de St. Helena (consequência da batalha perdida em  Waterloo) em 5 de Maio de 1821,  tendo sofrido um anterior exílio na ilha mediterrânea de Elba como resultado da derrota sofrida em Leipzig (Fim da campanha da Rússia, 1813).  Em Córsega foi um corajoso nacionalista militante contra genoveses e franceses. Mais tarde emigra para França, envolve-se na Revolução Francesa, e como militar integrado nas forças francesas, alcança  grande prestígio. Começa a sua carreira política em 1799 como Primeiro Cônsul, tendo-se  em 1804 auto-proclamado Imperador Vitalício, coroando-se a si mesmo e assim vexando o Papa. A sua vida amorosa também não foi pacífica: Não conseguindo desposar a sua cunhada Eugenie Désirée Clary, casou-se em 1796 com Josefina de Beauharnais, uma viúva mãe de um filho, famosa pela sua beleza e por lhe ser infiel e de quem se divorciou por esta não lhe gerar descendência, teve várias amantes, e volta a casar-se em 1810 com Maria Luísa de Áustria uma aristocrata de 18 anos, que lhe deu um filho.
Teve uma carreira vertiginosa de cerca de 20 anos, durante a qual Napoleão mostrou ser um grande estratega  (apesar das suas derrotas), um homem politicamente ambicioso, sem escrúpulos, e desapiedado para com os seus adversários ou prisioneiros de guerra. Segundo um historiador "Napoleão lutou em mais batalhas, alcançou mais vitórias, percorreu e conquistou mais quilómetros quadrados, matou mais gente, provocou mais reformas e perturbou a Europa como nenhum outro o conseguiu fazer, incluindo Alexandre o Grande e Gengis Cão."

Quando em Portugal se fala das Invasões Francesas está-se a referir às invasões de Portugal, por tropas franco-espanholas, ordenadas por Napoleão.

Anos antes destas invasões, em 1973, corsários franceses começam a atacar navios portugueses. A Espanha alia-se a Portugal e invadem França. Em 1975 acaba a guerra sem vencedores e, traiçoeira e secretamente, a Espanha alia-se aos franceses negociando uma invasão conjunta de Portugal com vista a uma sua partilha. (Tratado de Santo Ildefonso em 19/8/1796 - Atenção! Houve 3 tratados com este mesmo nome. O de 1976 foi o segundo).

A Espanha, agora aliada da França, declara guerra a Portugal em 27 de Fevereiro de 1801. Maio seguinte, cerca de 40000 espanhóis comandados or Manuel Godoy, favorito da rainha de Espanha, ajudados por cerca de 15000  francesas (sob o comando de Leclerc) invadem Portugal iniciando a "Guerra das Laranjas".  Não tendo o sucesso militar sido tão estrondoso como o desejado apesar de terem vencido todos os recontros com um desmoralizado exército português, e conquistado parte do Alto Alentejo incluindo Olivença, as tropas espanholas retiram de Portugal depois de elaborarem um tratado de paz em 6 de Junho (Tratado de Badajoz), obrigando Portugal a pagar uma elevada indemnização de guerra, e a entregar Olivença à Espanha. Nota: A Guerra das Laranjas ficou assim conhecida porque Manuel Godoy teria enviado à rainha Maria Luíza de Parma (esposa do rei Carlos IV de Espanha) dois ramos de laranjeira com fruto, colhidos em Elvas, como um acto de galantaria (?!).

Por volta de 1806 Napoleão institui o bloqueio continental, exigindo que nenhum país da Europa mantivesse quaisquer contactos com a Inglaterra. Portugal recusou-se a cumprir esta exigência, mesmo depois de receber mais dois ultimatos (Julho e Agosto de 1807).

Entretanto a Espanha faz outro pacto secreto com a França em 27 de Outubro de 1807 (Tratado de Fontainebleau), em que chegam a um acordo quanto ao modo como se procederia à invasão, e à divisão de Portugal em três zonas (a Província Entre-Douro-e-Minho, com capital no Porto, era dada ao rei da Etrúria com o título de reino da Lusitânia Setentrional; o Alentejo e o Algarve ficavam a pertencer a Manuel Godoy (recordar Guerra das Laranjas), que a certa altura fora primeiro-ministro espanhol, formando o principado dos Algarves; e o futuro da parte restante de Portugal seria decidido mais tarde). Nota: A Etrúria (associada  à história dos Etruscos) foi uma nação que existiu centenas de anos antes de Cristo,  na zona central da actual Itália. Foi conquistada pelos romanos cerca do ano 264 A.C e, como nação, desapareceu. Napoleão I (Napoleão Bonaparte) reinventou o nome para a região que hoje corresponde aproximadamente à zona da Toscânia.

As invasões:

Em Novembro de 1807 dá-se a  primeira invasão francesa, por um exército Francês comandado por Junot que, incluindo soldados espanhóis, entra em Portugal pela Beira Baixa, caminhando por terras da margem norte do rio Tejo. O exército português muito enfraquecido, não estava em condições de se opor a um adversário com a fama de invencível, pelo que o regente D. João decidiu transferir a corte para o Brasil, aconselhando que não se resistisse aos invasores. Em Portugal deixa uma junta, ou regência, de cinco membros e dois secretários, presidida pelo marquês de Abrantes. Os invasores ocupam Lisboa e Junot, exonerando a junta, proclama-se governador de Portugal e dissolve parte do exército português transformando-o na Legião Portuguesa que seria usada em Espanha, França e noutras zonas da Europa lutando por Napoleão.

No entanto em Junho de 1808, no Norte, estabelece-se uma Junta Provisória, que inicia uma luta de guerrilha e recruta soldados. A rebelião alastra-se, surgem outras juntas de administração local e grupos armados, formando o núcleo de um renovado exército português. Com o auxílio de tropas inglesas, que tinham entrado em Portugal pelo Mondego, em Julho de 1808,  os exércitos luso-ingleses sob o comando de Arthur Wellesley (Lord Wellington), explorando desentendimentos entre espanhóis e franceses, derrota-os nas batalhas de Roliça e Vimeiro, obriga-os a assinar o Acordo de Sintra e a retirarem em Setembro, mas permitindo que levem consigo a pilhagem que tinham feito!
Uma nova  regência portuguesa, encabeçada pelo marquês das Minas toma posse, dando o comando militar das defesas portuguesas ao general britânico William Beresford.

Em Fevereiro de 1809 dá-se a segunda invasão sob o comando do marechal Soult. Os Franceses entram em Portugal por Chaves, Trás-os-Montes, avançando até ao Douro. Os habitantes do Porto fogem utilizando uma ponte de barcas, que ligava o Porto à actual Vila Nova de Gaia. A ponte cede e centenas de populares morrem afogados (Tragédia da Ponte das Barcas) mas, mais uma vez, as tropas anglo-lusas vencem os Franceses, obrigando-os a retirar em Maio de 1809.

Em Julho de 1810, dá-se a terceira invasão, com o "invencível ou filho querido da vitória" marechal francês Masséna comandando um exército que entra pela Beira Alta, ocupando Almeida, Mangualde e Vizeu, mas são parados pelas forças anglo-lusas  em Buçaco. Em vez de se retirar, Masséna decide mudar de trajecto  e invadir Lisboa via Coimbra, mas é novamente parado  nas linhas fortificadas de Torres Vedras, a mais exterior das três linhas fortificadas que protegiam Lisboa. Bate em retirada, sempre perseguido pelas nossas tropas. Em Espanha, o exército Espanhol muda de ideias e junta-se aos Portugueses e Ingleses escorraçando os Franceses para o interior de França onde se travaram as batalhas de Tolosa e Bordéus. Os Franceses desistem de Portugal, de vez, assinando um acordo de paz, o tratado de Paris.
Esta campanha Francesa, que terminou apenas em 1814, ficou conhecida como a Guerra Peninsular, por ter unido a Península Ibérica contra os Franceses. Em 1814-1815, realiza-se o congresso de Viena no qual Olivença, que tinha sido ocupada pelos Espanhóis, é restituído aos Portugueses, facto que a Espanha não aceitou, nem consumou, até hoje.

Beresford, que tinha sido incumbido de organizar a defesa de Portugal (desde a primeira invasão), continuou no país após esta terceira  invasão ingerindo-se fortemente no governo de Portugal, contra a vontade dos portugueses.

As invasões Francesas causaram enormes prejuízos a Portugal, em todos os quadrantes da sua vida, incluindo o roubo de valiosos tesouros e de obras de arte, destruição de monumentos, assassinatos, etc, e contribuíram para a difusão de ideias liberais, que iriam alterar profundamente o pensamento social e político dos portugueses.
Em 1817 há uma tentativa de revolta liberal que é dominada e em que o general Gomes Freire de Andrade, acusado de ser o cabecilha da revolta, é executado junto à Fortaleza de S. Julião da Barra. Em 24 de Agosto de 1820, aproveitando a ausência de Beresford no Brasil, dá-se outra revolução no Porto que, saindo vitoriosa, acaba com a interferência política inglesa, põe termo à monarquia absoluta, e reclama o regresso de D. João VI.

Nota: Durante estas invasões surgiram portugueses em vária localidades que, por iniciativa própria, as combatiam. Um caso notável foi o Madrugo, um guerrilheiro da Moita do Norte , freguesia do actual Concelho de Vila Nova da Barquinha. Tudo teria começado quando alguns oficiais das tropas francesas estacionadas, e activas, nas áreas circunvizinhas da Moita do Norte, forçaram  moças da zona a irem a um baile por eles organizado na capela da Moita. O povo revoltou-se, e os franceses retaliaram matando muitos populares. O Madrugo, que não era militar de carreira, organizou então um pequeno bando armado que durante muito tempo passou a emboscar e a flagelar as patrulhas francesas, sobretudo na estrada ligando a Moita e a Atalaia a Tomar, causando-lhes muitas baixas até que, sem munições, foi finalmente capturado e executado.

Abolição da pena de morte em Portugal:
(Info: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pena_capital)

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 Act: 1901070646