Sexo e Escola    (Página 2 de 12)

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1) Sexo e Sociedade
2) Sexualidade e Escola  «---
3) Quando começar
 Virgindade real e falsa.
 Cancro  uterino.
4) Genitais femininos.
 Cancro genital e das mamas
5) Genitais masculinos
 Cancro da próstata
6) Gravidez, contracepção,
 aborto, preservativos.
7) A Reprodução, causas de infertilidade
8) Doenças e disfunções
 sexuais.
9) Sexo oral, coito anal,
  homossexualidade.
10) Menstruação, pensos
 masturbação, Ponto G.

posições sexuais.
11) Glossário: A a P
  Afrodisíacos.... Pedofilia
12) Glossário: Q a Z
 Sadismo ... SIDA... vulva

O que pretende o estudante, quando se refere a educação sexual?

Bombardeados por todos os lados com uma visão do comportamento da sociedade adulta, muitos adolescentes naturalmente passaram a considerar sexo como um dos aperitivos a um estilo de vida a que consideram ter pleno direito, mas o que querem eles mais, se já  têm ao seu dispor vários organismos governamentais (e não governamentais) que lhes dão total apoio em matéria de vida sexual, e em que são gastos rios de dinheiro?

De entre as inúmeras instituições, a começar pelos Centros de Saúde, que podem aconselhar jovens temos:
SOS Grávida : Tel.. 21 395 21 43

SOS Criança : Tel. 21 793 16 17
Sexualidade em linha : Tel. 808-222 003: De Segunda à Sexta das 12H00 às 19H00 e aos Sábados das 10H00 às 17H00.
Sexualidade Segura:  Tel. 800-202-120
SOS Dificuldades Sexuais: Tel. 808 206 206
LAISH , Apoio e Informação Sobre Homossexualidade:  Tel.  21 887 61 16

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O que o estudante quer, quando vem para as ruas em ruidosas manifestações clamando, entre outras coisas, por «educação sexual na escola»,  é que lhe seja dada inteira liberdade de actuação sexual  num pacote que inclua  esclarecimentos de uma ou outra dúvida, soluções para casos de doença venérea ou gravidez, e acesso gratuito a contraceptivos.

Nem todos os jovens se modernizaram da mesma maneira, havendo ainda muitos que se regem por  princípios considerados, por outros, antiquados e ultrapassados.
Para os estudantes que abraçaram as novas ideias de comportamento social (ou que evoluíram para o que «está a dar» , como dizem) os sentimentos associados ao amor estão a ser  redefinidos:

Ciúme: Um dicionário caseiro define ciúme como «emulação, inveja, zelos amorosos» e ciumento como «ter ciúme, invejoso, despeitado». Segundo etimologistas, ciúme vem de cio (ser ciumento = ser cioso?) que, por sua vez, tem raiz no grego zêlos (e do latim zelumen) que, literalmente, significa inveja, fervor e ardor. Combinando estas definições, podemos  simploriamente definir ciúme como sendo um zelo e fervor, que pode envolver não só amor, no mais belo sentido que essa palavra evoca, mas desconfiança, inveja, e despeito.

Para não complicar a análise do que é ciúme aceitemos que há o ciúme justificável e o doentio. No justificável, ou pode ser  um ciúme normal que é parte integrante de se amar e que nada tem a ver com o não se confiar na fidelidade do(a) companheiro(a) ou, pelo contrário, pode ser espoletado por um comportamento frívolo, ou tendência ao flirt, do(a) companheiro(a). No doentio há o baseado em desconfianças sem razões específicas para tal, e que pode atingir uma proporção de paranóia, por ser morbidamente possessivo, e pode levar a comportamentos violentos.

Devido à facilidade com que hoje se arranjam e desarranjam namoros, como quem muda de camisa, o ciúme  passou a ter mais a ver com  um sentimento de despeito e com a vergonha de sofrer uma afronta à vaidade egocêntrica de ser substituído por outra pessoa.
Hoje em dia um namorado não tem ciúmes da namorada  expor ostensivamente os dotes físicos com que a natureza a possa ter brindado. Pelo contrário, sente-se lisonjeado por possuir, e poder pavonear, tão prendada namorada e sente-se um ser superior por causar inveja a outros e outras. O ciúme moderno nada tem a ver com o antigo sentimento de coração destroçado por uma traição afectiva, efectiva ou imaginada.
Nota: Ter-se «bons» ciúmes pode significar ser-se um nadinha egoísta e, como tal,  não se querer partilhar com outros, as atenções, por mais inocentes que sejam, da pessoa amada.

O ciúme é um sentimento ou, melhor dito, um conjunto muito complexo de sentimentos naturais, difíceis de distinguir uns dos outros. Grande parte de psicólogos, psiquiatras, sociólogos, e pessoas com interesses obscuros, por serem demasiado subjectivos tentam impor o seu modelo (interesseiro) de ciúme à sociedade, geralmente considerando-o uma aberração, e cientistas entram na refrega adicionando-lhe outra dimensão, dizendo que o "mau" ciúme é uma doença associada à falta da serotonina, uma hormona supostamente ligada à auto-estima.

As directrizes modernas de convivência amorosa, ditadas por quem muitas vezes tem razões escondidas, consideram inadmissível a existência do ciúme, porque este mostraria, apenas, uma falta de confiança no(a) amante e/ou num complexo de insegurança, da pessoa ciumenta, mas é curioso que grande parte dos que aconselham que se deite o ciúme para o caixote do lixo navega uma vida promíscua.
Será a desconfiança moderada uma anomalia, e será que não há quem se aproveite do facto de haver quem acredite cegamente nela? Não se diz que o atraiçoado é sempre o último a saber o que se passa, ou seja, a traição foi a paga recebida por uma recomendada confiança cega nos outros?

O ciúme é uma reacção que pode ser encontrada fora do circuito humano, como há tantos exemplos de animais que são ciumentos de outros  indivíduos da mesma espécie, e de animais domesticados que são ciumentos relativamente aos seus donos mais chegados.
Está patente em crianças quando mostram ter ciúmes da atenção ou dos carinhos que as mães dedicam aos seus irmãos!

Ter ciúme não significa que se tem amor, mas amor sem uma pontinha de ciúme, não será, digamos, como uma fatia de pão feito sem uma pitada de sal?

  Algumas citações da Grande Enciclopédia Luso-Brasileira, sobre ciúme:
«Sentimento que leva uma pessoa a recear que a pessoa que ela ama prefira outrem ou lhe seja infiel»
«Recorreu ao grande expediente de todas as mulheres... atormentar de ciumeira o coração de António Lobo». No livro, O Lobo da Madragoa, de Alberto Pimentel
Adágio: «O ciúme sentido às vezes acorda o cão adormecido»
«Pode-se ter ciúmes (amargura ou raiva) por se não obter o que os outros têm, como riqueza, glória, felicidade»
«Pode significar ter cuidado em conservar certos objectos, com o receio que outros os tomem ou deteriorem: ... olhava com ciúmes pela sua biblioteca...».

Curiosidade: Ciúme é também uma variedade de planta do género Calotroposis, que inclui uma conhecida por Bombardeira, e que tem por fruto a maçã-de-sodoma, e que se diz ser a referida no Génesis da Bíblia. Neste contexto esta maçã foi uma tentação do diabo. Será que ... ciúme é uma tentação diabólica?

O romantismo
  pouco tem de comum com um romance estilo Romeu e Julieta, sendo facilmente confundido com uma obrigatoriedade  social de namorar ou com a tendência humana de ser pinga amor, estando as raparigas mais inclinadas para o ciúme e o romantismo no sentido mais clássico dessas palavras.

A conquista amorosa é um jogo de sedução e «engate» com intenções sexuais. A escolha do alvo é mais frequentemente guiada por uma atracção pelo aspecto físico, ou pelo radicalismo de comportamento, ou por determinada actividade (como ser-se desportista ou músico famoso) do que por um chamamento sentimental. Muitos jovens literalmente arranjam namoros porque não querem ser apupados de indesejados ou antiquados, ou para causarem pirraça ou ainda para provarem que são bons no engate, e para tal deitam mão à subtileza na linguagem, a gestos, a prendas, a promessas e juras de amor sincero, (nos velhos tempos denominada de «a canção do bandido» e «pomada amor»), ou ainda a tácticas exibicionistas ou agressivas, por vezes sob a influência de álcool ou drogas. O namorar tornou-se uma caça a um troféu: quanto mais namoros se engatarem, mais superior se é.

Para salvar as aparências tanto quanto possível ainda se tenta manter o velho ritual do rapaz representar o papel de caçador e a rapariga o de presa, mas já antigamente se parodiava que «os rapazes correm atrás das raparigas até que.. são apanhados por elas», ou seja, os predadores passam a ser as presas!

Fidelidade: Cada um dos elementos de um par de namorados  entende que pode dar umas escorregadelas às escondidas, enquanto que não gosta que o outro elemento o faça.
De um inquérito feito em Buenos Aires (Argentina) em Outubro de 2003, concluiu-se que cerca de um terço das mulheres entrevistadas admitiram terem sido infiéis aos seus parceiros.

Entrega sexual: Nos velhos tempos, um namoro complementado com sexo era entendido como um compromisso para um casamento. Hoje em dia, para grande parte da juventude, sexo é sexo, sem compromissos automáticos, mas ainda há a tendência de ser o rapaz a convencer a companheira a embarcar nessa actividade, e o método usado pode esclarecer se é uma relação «saudável» de comum acordo e desejo, ou tem contornos de abuso físico ou de confiança.

Pudor: No dicionário, e no contexto deste trabalho, o pudor aparece definido como «sentimento de vergonha ou  timidez, resultante do que pode ferir a decência... »

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Alta Costura Portugal 1999

Na prática, o pudor verbal desapareceu, com  rapazes e raparigas falando livremente de sexo, em linguagem corrente e calão, e o pudor físico está a ir pelo mesmo caminho.

O sentimento de vergonha ou  timidez deixou de chocar a juventude, assim como a  nudez total, a exposição dos seios (e até dos órgãos genitais em manifestações, em público, de activistas), os campos de nudismo, o topless nas praias, as peças de teatro com um fortíssimo conteúdo de sexo explícito activo ou simulado, mesmo em círculos ditos culturais, a moda feminina, etc.

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Alta Costura
Portugal
1999
 


Beleza e pudor
(Foto domínio público) (Ano:1970)
 


Beleza e pudor?
(Foto J.Gil) (Ano: 2000)

Casamento e as «uniões de facto»: Enquanto que o casamento convencional entre indivíduos de sexo oposto está a diminuir, o casamento entre homossexuais está em ascensão. A tendência «normal» moderna é para considerar o casamento uma decisão errada, e o «viver-se junto» a melhor solução de convívio afectivo, pelo que se levanta a questão: porque se querem casar os homossexuais?
De qualquer modo, o casamento como uma das instituições básicas da sociedade acabará por se extinguir (ultrapassada a moda militante dos casamentos gays), e só esporadicamente se realizarão se tal trouxer benefícios de ordem económica.
As velhas razões para o casamento de «Sexo legal, roupa lavada, comida à mesa, estabilidade económica e filhos», deixaram de existir, quer para o homem, quer para a mulher, já que esta deixou de ser economicamente dependente do homem. Sexo livre,  lavandarias e  restaurantes fast-food, vão anulando as vantagens do casamento e conduzirão a uma sociedade de solteirões e solteironas.

Solteirona
ou "ficou para tia": Chamava-se solteirona  à mulher de meia idade que nunca se tinha casado. Para a maldosa sociedade, só havia duas razões depreciativas, para «tal desgraça»: As solteironas ou eram lésbicas ou não tinham conseguido arranjar quem as quisesse, por terem má reputação, ou serem fisicamente não atraentes ou por serem pobres de mais.
O famoso escritor italiano de estilo sarcástico, Pittigrilli, dizia: «Há dois tipos de mulheres solteironas: As úteis, que são sexualmente activas, e as inúteis ou virgens rançosas, que se mantêm virgens por serem lésbicas ou indesejadas».
Hoje em dia, este termo socialmente abrasivo, praticamente caiu em desuso.
Curiosamente o termo solteirão não era depreciativo, pois era geralmente ligado a um homem com dinheiro,  com grande  habilidade para conquistar mulheres, e espertalhão, que não precisava de se casar para ter uma vida confortável (incluindo a sexual), e só muito raramente era associado a  homossexualidade.

Filhos: Sexo como um chamamento natural para a reprodução, que é uma característica fundamental de qualquer ser vivo, deixou de o ser  para o homem, mas temos casos de casais homossexuais a quererem adoptar crianças ou de lésbicas que se deixam inseminar artificialmente, clamando que  crianças assim obtidas estão em tão boas mãos, como se estivessem sob o cuidado de pais biológicos heterossexuais.

Muitos anos atrás os casais tinham  muitos filhos pois eles asseguravam o amparo na velhice e mais mãos a agarrarem a enxada ganha-pão, na horta. Depois, com a melhoria na situação económica em geral, um casal tinha  2 ou 3 filhos  por sentimentalismo, e para provar que não havia nada de errado com a sexualidade do marido. Nos tempos que correm, 1 ou 2 filhos é a moda, porque estes deixaram de ser encarados como um investimento e passaram a ser sinónimo de um pesado encargo financeiro, de uma quase certa  fonte de dissabores e, nos primeiros anos, são considerados um empecilho na liberdade de movimentos e de lazer do casal.
O problema é que uma nação não se pode dar ao luxo de aceitar uma quebra de natalidade, como sucede em Portugal, por muito tempo. Para contrariar esta tendência torna-se necessário que o governo dê apoios financeiros e sociais apropriados, aos pais que pretendam ter famílias numerosas.

Não há dúvida  que o mundo está a mudar  para uma interpretação radical do que é o casamento, a família e a sexualidade.  Porque é que na generalidade dos filmes, sobretudo americanos, a maioria dos intervenientes fazem o papel de divorciados, ou de separados, ou no processo de se divorciarem ou, se casados, o de andarem sempre às turras? Não se pretende  dar a ideia que o casamento é uma prisão maquiavélica, da qual se deve fugir?

Curiosidades:
Em Portugal, é extremamente raro um namoro nascido nos bancos da escola acabar em casamento, e perto de 50% dos casamentos entre jovens acabam desfeitos em pouco tempo, por incompatibilidades que só aparecem após um casamento, e infidelidade.

Em  pares que se mantêm casados  há vários anos,  há  um aumento no número  de swingers (adultério mútuo consentido) a todos os níveis etários, com as propostas de troca de parceiros vindo mais um pouco da parte dos homens, e do adultério «não te rales», ou seja, há adultério mas finge-se que se não sabe.

Os swingers, e os pares de actores de filmes pornográficos casados entre si, quando confrontados com perguntas embaraçosas, defendem-se: «Nós, a sós, fazemos amor e quando estamos com terceiros apenas fazemos sexo. O adultério consentido é mais honesto que o adultério às escondidas».
Para os estudiosos destas coisas aqui fica anotada esta curiosa maneira de interpretar casamento, amor, sexo e adultério.

Para já, na sociedade Portuguesa, deixou de haver qualquer actividade cultural em que sensualidade não tenha posição predominante e fulcral, justificando a afirmação de Júlio César (in DN):
«A vida moderna transformou-se numa busca de uma miragem de felicidade sexual» 
 
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É necessário criar uma disciplina e aulas só para educação sexual?

Não!
A educação sexual 
deve ser integrada noutras disciplinas tais como em Educação Física, Ciências Naturais, de Cidadania, Moral e Religiosa, cultura geral e cívica, e assim por diante,  muito embora ocasionalmente seja aconselhável recorrer a simpósios de esclarecimento organizados por entidades externas à escola, ou pelos próprios docentes e alunos, com distribuição de manuais sobre sexualidade.
O maior problema da educação sexual na escola está em se definir o tipo de informação que se dá: ou é séria, da qual não é possível desassociar conceitos de ética e a indicação dos riscos físicos e psicológicos que advêm de um iniciar prematuro de uma vida íntima (antes dos 18 anos), ou se envereda pelo caminho da vulgaridade irresponsável, que é o que está maioritariamente a ser feito.

Por muito complexa que seja a vida sexual humana, será assim tão complicada a nível físico (o ético não conta!), que leve uns quantos anos lectivos a ser explicada a crianças, em disciplina dedicada e por profissionais? Que tipo de profissionais? Não pode a educação sexual juvenil ser obtida recorrendo a uma melhor planificação dos inúmeros  meios já existentes? Não se deverá canalizar tempo, recursos humanos e financeiros para outros fins mais importantes, no enriquecimento do civismo e da cultura juvenil?
Afinal, qual é a finalidades das escolas? É a de serem centros de educação cultural, cívica  e académica em geral, ou apenas a de serem centros de convívio juvenil e de  informação sexual  promovendo a promiscuidade?

Está na altura dos adultos abrirem os olhos e perceberem que:

A adolescência é uma nova era na vida da criança, varrendo um espaço de tempo desde a puberdade (10 anitos) à condição de  adulto com alguma maturidade mental (18/20 anos). Um período crítico e instável moldado por notáveis mudanças quer físicas quer psicológicas, em que o jovens começam a olhar para eles mesmo e para o mundo dos adultos, e dos outros adolescentes, que o rodeiam, e a procurar o  lugar nele, sendo facilmente induzidos em erro por culpa própria ou por manipulação de terceiros que  os empurram, entre outras coisas,  para a descoberta precoce da sua sexualidade. Mas não se deve deixar que esta imaturidade em avaliar valores sociais, seja uma desculpa para não serem responsabilizados pelos desacatos que praticam. Se por um lado são imaturos, por outro lado sabem muitíssimo bem quando não se estão a portar decentemente! Nota: Para os ingleses e americanos, o adolescente é um «teenager», ou seja , está na idade «teen» que vai dos 13 (thirteen) aos 19 (nineteen).
 

1º) Por muito incómodo que seja, não se tenha a menor dúvida que: A maioria dos estudantes adolescentes conhece, através do seu dia a dia dentro e fora da escola, que há sexo oral, anal e homossexualidade (Pág. 9) e,  frente à atitude da sociedade em geral, as encara como formas normais de actuação.
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Curiosidade:
Num subúrbio de Nova Iorque, nos EU, funciona uma escola  só para estudantes gays, lésbicas, bissexuais e transsexuais. 

2º) Não se duvide que: Para a maioria dos estudantes adolescentes sexo deixou de ser um tabu e uma palavra misteriosa. Pequenas fantasias à parte e este ou aquele erro, os estudantes sabem que há e o que é SIDA, o que é fazer amor, como se engravida  e como evitá-lo.

Só que tendem a ser imprudentes e a acreditar na boa sorte quando passam da teoria à prática e depois, confrontados com maus resultados, atiram as culpas para a sociedade por «não os ter educado sexualmente». Há muita mocinha que, ao longo da sua adolescência, engravida mais do que uma vez. Será por falta de informação?

3º) Idealmente, o acto sexual   é um complemento ao amor existente entre duas pessoas maduras, amor este selado por um compromisso de respeito e fidelidade mútua, de carinho e de apoio em tudo o mais que compõe uma vida compartilhada a dois.

Como esperar que os jovens de agora liguem a mínima importância a esta utopia, quando os sociólogos modernos  lhes dizem que sexo é um jogo de prazer sem regras éticas e um direito sagrado sem restrições à idade ou ao que se faz, desde que se...use preservativo?

Estes mesmos sociólogos insurgem-se contra a violência nos filmes, apontando-a como um factor contribuindo para a delinquência juvenil.

Quantos desses bons samaritanos verteram uma palavra que fosse contra o sexo por sexo explícito nesses mesmos filmes familiares, não catalogados de pornográficos? Não irão esses filmes  contribuir para um início prematuro de sexo activo e actuar como catalisador de crimes sexuais, como pedofilia, incesto e outros abusos?

Eles insurgem-se  contra o trabalho infantil, mas quantos deles lamentam a maneira de  meninas, que constituem certas bandas musicais juvenis, se vestirem e se movimentarem em palco?
 
4º) Deixou de ser tabu falar descaradamente de sexo. Passou a ser tabu falar-se de  ética, em sexualidade: Porque é que  nas campanhas de educação  sexual, através da TV ou cartazes, só se diz aos jovens que devem usar preservativo para evitar uma  gravidez, não desejada, ou a SIDA, e não se fazem referências a danos psíquicos e físicos duma sexualidade precoce? (Ver pág. 8)

Um célebre cartaz com dois jovens nus, costas com costas, gritava:  «O único obstáculo entre ti e a realização dos teus sonhos é o preservativo», o que leva a concluir que não há outros condicionamentos à actividade sexual dos adolescentes, e apenas num outro cartaz se lia: «Se tens idade para isso..». Aqui a   intenção é louvável, embora  possa ser perigoso insinuar barreiras etárias a adolescentes, já que eles não as toleram de modo algum, por se  acharem com os mesmos direitos dos adultos.
Estaremos numa espécie de beco, informativo, sem saída?

5º) Pedofilia  (Muito mais na pág. 11): Será que a  preocupação que se apregoa ter com este flagelo, não é apenas uma nuvem de fumo, pretendendo dar uma utópica dignidade à sexualidade moderna?  Mesmo com toda a máquina da justiça e policial a querer (aparentemente) controlar a pedofilia, a sociedade terá de se preparar para o choque de verificar que, sem sombra de dúvida, a pedofilia (incluindo a incestuosa) irá aumentar, e as redes pedófilas (como a da Casa Pia iniciada em meados dos anos 1970 e denunciada em Novembro de 2002, ou a rede do Farfalha dos Açores denunciada em 13 Novembro de 2003), assim como núcleos de prostituição infantil, irão reaparecer de tempos a tempos.

Empurrada pela nova era de liberdade sexual, a criança deixou de ser vista como um «anjo assexuado», ao ser-lhe autorizada  uma vida sexual activa, em tudo semelhante à de um adulto. Esta realidade não pode passar despercebida a muitos adultos, os quais irão olhar para elas como parceiros de lascívia.
É impossível dizer-se, ao mesmo tempo, ao adulto e à criança: «És dono do teu corpo, faz dele o que queres, não permitas que outros controlem, como empecilhos, a tua vida sexual», consolidando este conselho num ambiente de constante exposição a sensualidade, e depois  esperar que ética, moralidade e bom senso prevaleçam...
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6º) Para o adolescente, a desastrada mensagem oficial educativa que recebe só pode ser entendida como: «Se tens capacidade física para o fazer e a oportunidade, não hesites: atira-te de cabeça, mas usa preservativo».
Não se ouve na TV e na rádio, pela voz alegre de R.M., a popular música de mote «A malta agora anda toda maluca... só pensa no truca- truca...» ? 

Para o adolescente, a realidade do sexo  é a imagem  duma fome sexual a ser saciada através duma explosiva e sonora actividade carnal de prazer insuperável, em que  promiscuidade  e  permissividade fazem parte do jogo, e que lhe é dada pelo cinema (até os filmes portugueses mais recentes enveredaram pela via sexual explícita em doses altas na mira de um lucro fácil) e por alguns programas da TV em geral e, em  particular, do tipo Big Brother, a que alguns críticos preferem chamar «Big Brothel» (Grande Bordel) ou «Pig Brother» (Irmão Porco).

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Podemos mudar essa imagem?
É tarde demais!

É fácil  não se dar um privilégio, é praticamente impossível retirá-lo depois de dado. Social e oficialmente, a liberdade sexual juvenil foi dada, e assim está aqui para ficar.

Que fazer?
Podemos apenas tentar moderar os efeitos mais nefastos dessa dádiva optando pela estratégia: «Se não podes vencer o teu inimigo, junta-te a ele».

Como?
Sendo quase certo que um estudante de  13 anos, e até menos, já viu e leu o bastante sobre sexo pelas piores vias não há nada (de construtivo!) que, por melhores vias, se lhes não possa comunicar.

O calcanhar de Aquiles:
Dizer toda a verdade... não dizer a verdade... dizer meia verdade...

Posta uma questão sobre sexualidade, por uma criança, é necessário avaliar o grau de inocência genuína desta. A resposta terá de ser  cuidadosa, atendendo à idade e à  maturação física e psíquica do jovem, quer seja com um fugir astuto que não cause estranheza, ou  optar-se por uma meia verdade aceitável ou, ainda, dizendo toda a verdade. Dar uma repreensão ou não dar um conselho amigo, não é recomendável.

Uma vez escalada a zero a costela ética da sexualidade e equacionada esta apenas como um prazer que é um direito físico que prestigia (que é a ideia que o adolescente tem de sexo) como, sem o ferir no seu orgulho próprio e sem que nos chame  de moralistas, se poderá comunicar-lhe que é possível  evitar cair em tentações e que ao tomar tal decisão em nada ficará diminuído aos olhos dos amigos e colegas?

Só resta:

1º) Dizer aos nossos jovens  que cada indivíduo humano (com  uma certa compreensão da vida) tem direito a ter a sua vida sexual, desde que não prejudique terceiros, que sexo nem é um pecado nem deve ser encarado como uma pura brincadeira promíscua e que, não sendo uma necessidade fisiológica premente a ser satisfeita como quando se tem uma terrível dor de barriga e se tem de ir a correr à casa de banho, na maior parte das vezes a iniciação sexual pode ser controlada, bastando, às vezes, evitar situações que convidem ao sexo. Fome, por comida, pode ser espoletada por estímulos externos ou pelo relógio biológico imperdoável que soa o alarme de tantas em tantas horas, enquanto que o desejo sexual é,  mais vulgarmente, activado por estímulos externos ou fantasias do pensamento, sob nosso controlo.

2º) Lembrar-lhes que nestes tempos modernos a fogueira tórrida sentida hoje pelo namorado(a) muito provavelmente se transformará numa fagulha moribunda levada pelo vento, e que nem todas as razões para começar uma vida sexual são razoáveis.

3º) Lembrar-lhes que, para se  evitar uma  gravidez indesejável, a SIDA e outras doenças venéreas, se devem usar preservativos, tipo camisinhas, e não se deve levar uma vida sexual promíscua.

4º) Dizer que o «beijo à francesa», vulgo «linguado»  pode transmitir doenças incómodas como a mononucleose infecciosa ("doença do beijo") e outras graves como  tuberculose, herpes, sífilis, hepatite C, etc.
Curiosidade: Pode-se ler num jornal de 28/02/04 sobre uma famosa atleta portuguesa: "A atleta regressa à competição depois de uma paragem forçada, devido a uma mononucleose, também conhecida como a doença do beijo...."

5º) Dizer  que sexo oro-genital não está isento de grandes riscos. (Página 9)

6º) Dizer que o coito anal, do ponto de vista anatómico,  não é uma forma  natural de sexo, apesar de ser uma prática enraizada na sociedade desde tempos imemoriais e ser comum entre adultos e estudantes. Embora a nova ordem de educação sexual imponha que se diga que ninguém tem o direito moral de criticar quem opte por esta actividade, a sociedade tem o dever, de referir-se aos sérios riscos de ordem física que acarreta. (Página 9)

Porque não o fazem os sociólogos?  Será por recearem criar complexos de culpa em alguns jovens mais sensíveis, que se envolveram nestas experiências, e que possam gerar neles traumas psicológicos? Não é essa a razão, porque os sociólogos sabem muito bem que um adolescente que tenha, espontânea e voluntariamente, embarcado nessas fantasias pode-se arrepender de o ter feito mas, na esmagadora maioria dos casos, não fica traumatizado pela simples razão de ter estado sinceramente convencido que eram actos inócuos e normais.

7º) Não devemos aceitar cegamente o que alguns (nem todos!) ultra modernos  políticos e sociólogos advogam para educação da criança: liberdade total em todas as vertentes, recheada de direitos, vazia de deveres e uma educação sexual  que, reduzindo a sexualidade apenas a um dom sensorial, estimula a criança prematuramente.

A educação e a dignidade das crianças devem ser construídas como um todo, com  o amor, compreensão e tolerância dos adultos, mas ensinando-lhes que devem respeitar o seu corpo como um dos componentes do seu EU, as  «boas» tradições do seu habitat cultural, a ordem social, as outras crianças, os adultos, os animais e a Natureza.

Informação sexual só é educativa se contribuir para uma  qualidade de vida baseada em "Mente sã em corpo são", não devendo levar a uma sexomania ou à degradação ética do indivíduo.

Separado o trigo do joio,

Pode acontecer que esta nova ordem social desperte em alguns jovens o interesse sincero pelos muitos problemas da sexualidade juvenil e dos adultos, e que os enveredem para uma carreira em sexologia que a todos possa ajudar no futuro próximo

Não se pode fazer futurologia a muito longo prazo... mas ...

Sabe-se que o número de pessoas com gostos sexuais transmudados está a aumentar e que, na natureza, há animais e plantas hermafroditas e seres humanos pseudo-hermafroditas. (Pág. 11)

Assiste-se hoje a uma batalha  entre os dois sexos que, delicadamente, dizemos ser uma procura de igualdade de direitos (o que não é inteiramente possível, atendendo às diferenças naturais físicas e psíquicas entre os dois sexos), e é difícil acreditar que se venha a inventar uma actividade que dê um prazer capaz de suplantar e fazer esquecer sexo.
A solução para um desfecho pacífico desta batalha, da qual não pode haver um claro vencedor, senão a guerra reacende-se, só pode ser:

a) Num primeiro estágio, daqui a uns 50 a 100 anos, já não existirá o conceito de família (como ainda hoje as entendemos), ou de moralidade sexual, e os filhos só por grande acidente serão fruto de uma cópula sexual. Eles virão, sobretudo, por dois possíveis meios:

1º) Talvez por clonagem, se forem encontradas soluções para os graves problemas de que presentemente esta técnica sofre.
O futuro irá provar que células colhidas a nível do cordão umbilical, ou outros tecidos fetais ou, por exemplo, na medula dos ossos ou pele de um indivíduo, estão longe de serem
estaminais (somáticas, ou germinais, ou células-tronco), e por isso não podem gerar órgãos complexos que sejam sadios e, muito menos, indivíduos «inteiros» normais. Quase todos os animais clonados, falecidos até hoje, morreram prematuramente devido a anomalias genéticas, muitas vezes não visíveis exteriormente.
Estas células mesmo após tratamento para serem levadas o mais próximo possível ao status da célula estaminal,
não são tão polivalentes como sensacionalmente se diz, e apenas podem criar pequenas áreas de tecido saudável, e reparar zonas danificadas de órgãos, havendo necessidade de se encontrar outro alicerce para a verdadeira clonagem. (Ver tópico sobre Clonagem Humana)

Irmãos verdadeiramente gémeos (monozigóticos, uniovulares ou monovitelinos), derivados de um só óvulo, fecundado por um só espermatozóide, que se bipartiu, é o mais próximo que a natureza vai de uma clonagem que, nem assim, é perfeita. Por muito parecidos, exteriormente, que os gémeos sejam, há sempre grandes diferenças internas e de personalidade e, aqui, a natureza usou células polivalentes embrionárias, clones de si mesmas, de qualidade insuperável!

2º) Óvulos e espermatozóides (ou seus substitutos) serão recolhidos de dadores, limpos de maus genes, sujeitos a engenharia genética, para alterar determinadas características, e combinados.

Em qualquer dos casos, serão usadas máquinas incubadoras (chocadeiras) em substituição do útero materno e, depois de nascidos, os novos seres serão cuidados e alimentados por amas cientistas e robôs. Haverá uma base de dados com referência aos pais biológicos (?!) apenas para permitir relacionar e eliminar qualquer herança de "defeitos genéticos de fabrico", nas futuras gerações.
O genoma humano tem cerca de 80.000 genes estando os cientistas empenhados em descobrir a responsabilidade de cada gene (genótipo) no aparecimento de determinada característica (fenótipo) humana, boa ou má.
A educação desta nova geração será obtida, por meios electrónicos, em escolas estatais tipo fábrica de conhecimentos. No entanto, a guerra dos sexos não terá ainda sido resolvida.
Para tal é preciso acabar com a causa fundamental dessa guerra: a diferenciação física sexual. Assim...

b) Num segundo estágio, dentro de 500 anos, a mentalidade social e a engenharia genética terão evoluído ao ponto de se poder criar, legalmente, uma nova raça humana, física e mentalmente perfeita, que substituirá a dicotomia homem/mulher, acabando definitivamente com a guerra dos sexos.
Será a era do ser humano em que a mulher foi modificada  pela  manipulação genética do embrião, eliminando a menstruação (muitas  fêmeas de mamíferos não são menstruadas, e há répteis em que só há fêmeas, com capacidade de auto fecundação), transformando o clítoris num pénis funcional, e criando ovários que produzam óvulos com capacidade de auto fecundação, se desejado, e que seriam incubados exteriormente. A existência de um pénis estéril, mas com capacidade de erecção, neste novo ser, será para facilitar o urinar por desvio da uretra feminina da vulva para o pénis e, acessoriamente,
para poder proporcionar um prazer sexual acrescido, embora por esta altura o individualismo seja de tal ordem elevado, que o prazer sexual será, de preferência, encontrado por recurso ao sexo artificial em ambiente virtual, por computador ou robótica.

O aspecto físico desta nova raça mono sexual será o de padrões de beleza à altura considerados ideais.
O homem, tal qual o conhecemos hoje,  passará a ser um fóssil a ser admirado nos nossos museus. 

A disputa final estará no nome a dar a esse novo Homo Sapiens: Se Holher  (Homem + mulher), se Mumem (Mulher + homem). Provavelmente, para se evitar uma guerra de palavras, será necessário inventar-se uma outra qualquer designação.

Estas páginas, e as seguintes, são o fruto de décadas de pesquisa conscienciosa e objectiva. O seu autor está grato a todos aqueles,  das mais variadas camadas sociais, profissionais e etárias, que lhe facultaram valiosa  informação  ao longo de muitos anos.
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Act 0404070731

Bibliografia: Foram consultados centenas de livros e revistas, sendo impossível enumerá-los todos. Algumas referências:

Harrison's Principles of  Internal Medicine, 1999
Illustrared testbook of Gynaecology,
W. Saunder, 1988
Atlas of Human Anatomy,
Wane State University, College of Medicine,1960
Human Anatomy, Van de Graaff. 1998
The developing Human, Dr Moore, Dr Persaude 1993
The Concise Encyclopedia of the Human Body, Burnie
Stedman's Medical Dictionary,
1996
Dicionário Médico, L.Manuila etc , 1999
Manual Merck, Merck Sharp & Dome

The Magic of Sex,
Dr Miriam Stoppard, 1991
O Corpo da Mulher, Dr Miriam Stoppard, 1999
Enciclopédia da vida sexual, 4 vol.,  Dr. J.Cohen e outros, 1999
Sex Bluffing T.Webb / S Brewer
Compreender as mulheres e a sua psicologia profunda, Pierre Daco

The Lancet * British Journal of Surgery * Oxford Medical School Gazette
New Zealand Medical Journal, magazines familiares e eróticos, etc.

Livros  de filosofia, sociologia, psicologia, história universal, teológicos, etc.
Programas de educação sexual juvenis adoptados noutros países.
Manuais escolares de " Ciências da Natureza " e Biologia  (6º ao 12º ano)

(Fim da página 2)

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