Gravidez, contracepção, aborto, preservativos   (Página 6 de 12)

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 aborto, preservativos.  
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8) Doenças e disfunções
 sexuais.
9) Sexo oral, coito anal,
  homossexualidade.
10) Menstruação, pensos,
 masturbação, Ponto G.

posições sexuais.
11) Glossário: A a P
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12) Glossário: Q a Z
 Sadismo ... SIDA... vulva

Com que idade se pode ser mãe, ou pai?

Cada caso é um caso, dependendo da maturidade sexual dos órgãos internos que muitas vezes não está reflectida no aspecto exterior do indivíduo.

Teoricamente, uma rapariga pode engravidar a partir da menarca ou seja, a partir do momento em que, pela primeira vez na sua vida, é menstruada («sangra», tem a «visita» ou o período) o que, no ocidente, ocorre geralmente entre as idades de 9 e 16, mais vulgarmente aos 10/13 anos.
(Ver ciclo menstrual na página 10). A capacidade reprodutiva mantém-se até à menopausa, por volta dos 40/55 anos.
Quanto aos rapazes,  eles podem ser pais, em princípio, a partir dos 12/13 anos, mas há casos precoces e a sua capacidade de produzir esperma fecundante só acaba, geralmente, com a morte, embora a sua quantidade e/ou qualidade possa decrescer  com a idade.

Na prática, surgem gravidezes antes da menarca ser visível, ou bastante depois  de uma aparente menopausa. Por exemplo, em Fevereiro de 2003 uma menina Nicaraguense de 9 anos foi sujeita a um aborto terapêutico, por ter engravidado após uma violação.

Em Março de 2004 uma rapariga guineense, de 10 anos, foi detectada grávida de 5 meses.

Em 24 de Novembro de 2007 lia-se que "As autoridades espanholas estão a investigar o caso de uma criança de 11 anos, grávida de 3 meses, que deu entrada num hospital em Léon..."
(Ver http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_youngest_birth_mothers). Do outro lado, há relatos de mulheres com mais de 50 anos que engravidaram naturalmente, mesmo quando acreditavam estarem já na menopausa.

Em Portugal, o número de grávidas adolescentes ( Segundo a definição da Organização Mundial de Saúde a gravidez na adolescência refere-se a raparigas com idades até aos 19 anos) assume percentagens alarmantes. O Instituto de Estatística, em 2001 diz que houve 1055 gravidezes em moças na faixa etária dos 12 aos 16 anos que, nalguns casos não foi detectada por terceiros, até ao parto.

Nas estatísticas oficiais Portuguesas só aparecem referências a gravidezes em raparigas a partir dos 12  anos, quando se sabe que tal tem sucedido antes dessa idade. Estes deslizes (?) de informação podem levar adolescentes, e adultos,  a pensarem que não é possível uma moça engravidar se tiver menos de 12 anos.

Por razões de ordem física e mental, não só da futura mãe como do bebé, a idade mais aconselhável para uma rapariga ser mãe é entre os 18  e os 35 anos. Fora destes limites há  riscos acrescentados de complicações durante a gravidez e parto, e uma maior probabilidade de nascer um bebé com anomalias. A partir dos 35/40 anos aumentam as mutações genéticas, aumentando ligeiramente a hipótese de se dar origem a crianças com problemas.

Puberdade e adolescência:

Puberdade vem do latim pubere que significa cobrir de pêlos. Quando um bebé nasce, só se sabe se é menino ou menina, por observação dos seus órgãos sexuais externos, dificuldade de identificação esta que se mantém ao longo dos primeiros 3 ou 4 anos,  se o modo de vestir, não denunciar quem é quem.

A partir de certa idade (cerca dos 9 anos) um  aumento de secreções cerebrais específicas e de conteúdo hormonal (sobretudo de estrogéneo e progesterona nas meninas e de testosterona nos meninos), inicia a fase da puberdade. Nota: as raparigas também produzem testosterona, mas em menor quantidade.

Pode-se, por comodidade,  considerar a puberdade como o espaço de tempo entre os 9 e os 12 ou 13 anos, sendo difícil definir fronteiras etárias rígidas para o seu aparecimento e duração. A adolescência é o período  de tempo (mais acentuadamente dos 12 aos 16) em que as características do futuro adulto são vinculadas.
As hormonas sexuais despertadas pela puberdade actuam sobre:

a) Caracteres sexuais primários, desenvolvendo os órgãos sexuais internos (ovários, útero, testículos, etc).
b) Caracteres sexuais secundários, alterando os aspectos e as estruturas corporais que mais notoriamente distinguem o homem da mulher.
Mudança no timbre de voz (sobretudo nos rapazes). Aparecimento de acne, de pêlos púbicos e nas axilas, tendência para a masturbação em ambos os sexos. Surge  um avolumar  das ancas  e dos seios nas raparigas e depois, a menstruação. Nos rapazes dá-se um aumento no tamanho dos órgãos genitais, início de produção de esperma, e um maior grau de excitabilidade sexual,  incluindo sonhos com erecção e polução (ejaculação) nocturna. É preciso alertar os rapazes que o aspecto e o tamanho, em repouso, do pénis (ou do escroto) pode variar entre eles sem que isso tenha necessariamente um significado adverso.
c) O «amadurecimento» psíquico com um melhor entendimento dos valores sociais, as preferências sexuais, os gostos por certos tipos de cultura ou lazer, o aparecimento de um certo grau de radicalismo, etc.

As relações sociais entre rapazes e raparigas, entre filhos e pais, ou entre irmãos e irmãs, neste período também pode sofrer alterações em que ambos os «campos» procuram descobrir qual é a sua posição nessas relações e procuram geralmente tirar o maior partido de qualquer vantagem que deslumbrem. Os gostos pelo tipo de música, de vestuário, a interpretação do significado de fumar, beber, tomar drogas, dançar, namorar, etc, também «evolui» com a aparecimento do limiar da adolescência. Em muitas sociedades em África, Ásia e entre Judeus, há rituais de comemoração deste período.
O comportamento, ou amadurecimento, do indivíduo púbere ou adolescente pode no entanto ser fortemente modificado por agentes não naturais como a influência dos média e de comportamento permissivo ou promíscuo que o rodeia.
A definição jurídica e legal de criança, puberdade e adolescência, varia de país para país. Como já se referiu noutra página, a "idade de consentimento" sexual em Portugal é, no mínimo, aos 16 anos.

SINAIS DE GRAVIDEZ - CONSULTAR MÉDICO

O primeiro sinal duma provável gravidez, numa mulher com um período menstrual regular, é a ausência da menstruação no dia previsto. Há outros possíveis indícios tais como:

1. Necessidade frequente de urinar.
2. Náusea, mal estar indefinido.
3. Endurecimento dos seios.
4. Corrimento vaginal não esperado.
5. Um detestar ou uma predilecção por certas comidas.
6. Uma sensação abdominal de "estar cheia".
7. Sensação de cansaço e de sonolência.
8. Irritabilidade

Existem produtos que,  sem receita médica, se podem comprar em qualquer farmácia e que fazem um teste de gravidez à urina, rápido mas não absolutamente garantido.

Pode ser feito um teste de gravidez no sangue (ou na urina) procurando a existência das hormonas gonadotrofinas-cariónicas humanas (HCG) , a partir do 1º dia em que falhou a menstruação. Um médico deve ser consultado tão depressa se suspeitar, ou houver confirmação, duma gravidez.

Sexo sem engravidar?
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O que se pretende é que não haja ovulação, ou que o espermatozóide não encontre o óvulo ou, se o encontrar, que não o fecunde ou, se o fecundar, que a gravidez não progrida. As instruções médicas e as do produto contraceptivo usado devem ser seguidas rigorosamente!

Métodos de barreira física
Nota: Como já se indicou, é falso afirmar-se que se não pode engravidar se se tiver uma relação não protegida, dentro de água (piscina, banheira, praia, etc), ou em pé, ou sem orgasmo feminino ou sem ejaculação de esperma. A lavagem vaginal, com água, após o coito, raramente evita uma gravidez.

Há vários métodos para evitar, fisicamente, que o esperma entre em contacto com o útero. Um dos mais antigos é o de isolar o pénis, ou a vagina e/o útero, usando o que vulgarmente chamamos preservativo ou, mais tecnicamente falando, o «Condom». Este último nome parece derivar do latim «condus», que significa receptáculo, ou do termo persa «Komdu ou Kendo» que significa vaso comprido de armazenamento, que era feito de tripa de um animal, mas  há quem afirme que deriva de Condom, um dos médicos de Carlos II, rei de Inglaterra (século XVII).

O preservativo feminino (introduzido na vagina) foi, de acordo com papiros datados de 1800 a.C., o primeiro a ser usado, sob a forma de um pano ensopado em excremento de crocodilo, mel e outros produtos.
A primeira referência ao preservativo masculino, feito de tripas ou de pele de animais, remonta a 1200 a.C., e  no século XVI há uma referência a um preservativo feito de linho e que era aconselhado para prevenir as doenças sexuais.

Na gíria popular Portuguesa são Preservativos, Camisinhas, Durex, Borrachinhas ou Camisas de Vénus, em homenagem a Vénus, Deusa Romana da beleza e do amor sexual ( Afrodite na mitologia Grega). Os Ingleses chamam-lhe French letters, French disease, Prophylactics, Rubber, Condom, Clear Aspro. Para os Franceses são English Letters, English coats, entre outros nomes.

A figura ilustra um preservativo para homem, ainda enrolado à volta do anel  tendo, numa ponta fechada, uma teta de recolha de esperma e, na outra ponta aberta, um anel não rígido, que permite ao preservativo agarrar-se ao pénis. O corpo do preservativo é muito elástico e resistente.

Preservativos ou Camisinhas, (Condom) para homem.

São usados envolvendo o pénis, não só como meio anticoncepcional mas também para protecção contra doenças sexuais, descritas na página P3.

São fabricados em diferentes tamanhos, sendo  mais popular os que têm entre 16 e 19 cm de comprimento.
Alguns homens não conseguem usar este tipo de preservativo, perdendo a erecção, quer por bloqueio psicológico quer devido à compressão exercida pelo preservativo sobre o pénis.
Há condoms «de fácil inserção», ligeiramente cónicos, com o anel (e parte do preservativo nesta zona) mais largo que o normal.
Existem mini-preservativos, não aconselháveis, que apenas cobrem a glande ou a extremidade do pénis. Não evitam as doenças sexuais e facilmente soltam-se, com um alto risco de provocarem uma gravidez.

Modernamente são feitos de látex  proveniente do suco leitoso extraído da árvore da borracha, originária do Brasil a que os nativos chamavam  Cahuchu ou Cauchu. Sementes foram levadas e plantadas no Ceilão e na Malásia, tendo-se este país tornado no maior produtor mundial de látex.

Há pessoas alérgicas ao látex. Nestes casos devem procurar-se preservativos hipoalérgicos, que são preservativos desproteinizados (retirou-se a proteína que causa a alergia), ou outros como os de poliuretano. Também os há  de borracha, de plástico, e de pele, que não são aconselháveis. Os de pele e outras membranas naturais, geralmente não são efectivos contra DST's.

Os preservativos devem seguir, pelo menos, a Especificação Europeia EN 600/1996.

Como usar o preservativo masculino.

Conservá-lo em sítio fresco e seco, afastado do sol, e respeitar o prazo de validade. Antes de qualquer relação sexual deve ser enfiado no pénis erecto.
1. Abrir a embalagem com  cuidado para não o danificar. Cuidado com anéis e unhas.
2. Expulsar qualquer ar que esteja na bolsa de recolha (teta) de esperma.
3. Puxando o prepúcio do pénis o mais para trás possível enfiar o preservativo na glande, mantendo a teta comprimida para não reter ar. Se o condom estiver " de pernas para o ar ", não será possível desenrolá-lo.

4. Desenrolá-lo completamente. Muitos homens quando usam preservativos não os desenrolam até ao fim, (ou usam preservativos curtos de mais) para evitar um doloroso arrepanhar de pelos púbicos, e deixam-no enrolado no anel, aumentando o volume deste, o que pode proporcionar mais prazer à mulher, mas aumenta o perigo de infecção.
(Desenho adaptado de um pacote de preservativos)

É preciso notar que há infecções que podem ser transmitidas durante as relações sexuais, se o preservativo masculino, não cobre todo o pénis. Mesmo que o cubra, ele não protege o escroto, nem a zona dos pêlos púbicos, nem o ventre. Neste aspecto o preservativo feminino é mais eficaz.  

5. Lubrificantes? Se for necessário adicionar mais lubrificante  ao que vem com ele ( há preservativos que não trazem lubrificante), evitando  produtos à base de derivados de petróleo ou óleos como vaselina, parafina, loções corporais etc, pois podem-no danificar. Preferir  lubrificantes à base de água, por exemplo, Top Gel, Sensilube, Ky-Gel, Viscogel, ou qualquer outro recomendado pelo fabricante do preservativo. Em condoms de poliuretano, pode-se usar lubrificantes à base de óleo.

  6. Depois duma ejaculação, o pénis não deve permanecer na vagina com o condom   porque perde endurecimento e há o perigo do preservativo se perder dentro da vagina. Segurar a parte do condom  que está fora da vagina (pelo anel) e retirar o pénis com cuidado para que o preservativo não se solte.
É contraproducente «reciclar» um preservativo. Há quem assegure que o uso de dois preservativos sobrepostos é pior do que usar apenas um, porque a fricção entre eles os pode romper.

7. Há preservativos com espermicida que matam ou imobilizam os espermatozóides, há-os de diferente espessura,  texturados  para dar mais prazer; há-os perfumados, com sabores, etc.
8. Para pessoas com problemas de ejaculação precoce ou querendo prolongar o acto sexual há preservativos impregnados de um creme retardante de orgasmo, mas que não são 100% eficazes já que a ejaculação pode ocorrer sob puro estímulo mental! 


Preservativos tipo camisinha, para mulher.

Preservativo feminino. Femidom - Reality
Preservativo feminino. Anel A exterior, cobrirá lábios da vulva, e anel B inserido e empurrado na vagina até envolver o útero.
(Nota: estes preservativos são popularmente conhecidos como Femidom e Reality, nome dos seus fabricantes)

 

São feitos de poliuretano, material anti-alérgico mais fino e resistente do que o látex das camisinhas vulgares masculinas, e há quem os prefira por permitirem uma melhor passagem de calor, logo uma maior sensibilidade. Parece-se com uma camisinha masculina mas é bastante mais larga e um pouco mais longa. Em vez da teta de recolha de esperma, tem um anel flexível selado, a introduzir bem fundo na vagina depois de comprimido entre os dedos para entrar como uma cunha, e um outro maior e aberto que, no exterior, deve cobrir os lábios vulvares. Não devem ser reusados mas, sendo mais resistentes que os preservativos para homem, há quem o faça, depois de bem lavados e lubrificados. De início são um bocado difíceis de inserir, requerendo alguma prática, e confirmar que o pénis entra no interior do preservativo e não entre o preservativo e a parede vaginal. São mais caros que o preservativo masculino.
Para o introduzir na vagina há quem não uso o método clássico mas o ponha como se fosse um preservativo masculino e então com o pénis o empurra pela vagina dentro.
Curiosidade: Foram desenvolvidas na Colômbia, por volta de 2000, cuecas femininas tendo à frente uma fenda, guarnecida com uma  destas camisinhas.

AVISO: Os métodos contraceptivos que se seguem não protegem contra doenças sexuais contagiosas.

Outros tipos de preservativos:

O diafragma
:

É um protector feminino, uma cobertura de borracha que deve ter o tamanho apropriado e cobrir por completo o colo do útero e a parte mais profunda da vagina. É usado normalmente com um espermicida e pode ser reusado depois de lavado e seco, se estiver em boas condições, e recoberto de espermicida. Eficácia de  94%, mas pode deslocar-se durante a relação sexual...

A capa cervical:

Outro protector feminino similar ao diafragma,  mais pequeno e menos eficaz, cobrindo apenas o colo do útero e de mais difícil colocação.

A prática, que se está a vulgarizar entre adolescentes, de usarem os tampões (descritos na pág. 10 sobre menstruação) como preservativos de barreira física, é perigosa! Quem brinca com o fogo ...

Dispositivo intra-uterino (DIU) :
Devem ser colocados e removidos por especialista, e por ele verificados regularmente.

São dispositivos, estreitos e flexíveis, de aspecto muito variável,  inseridos no útero com instrumentos parecidos com uma seringa  de ponta longa  que contem o DIU. Ao retirar-se a seringa o Diu é deixado na cavidade uterina, abre-se, e toma, a forma de um grande T (figura ao lado), S, ou de um L invertido.

A cabeça e as pontas arredondadas do DIU reduzem a probabilidade de perfuração do útero, mas por vezes tal desastre sucede. 
Algumas versões incorporam metais como o cobre e/ou hormonas esteróides e progestagénios,  e/ou  inibidores fibrinolíticos.

Cerca de 3 meses depois de ser inserido é conveniente uma visita ao médico para confirmar que tudo está bem.

O DIU evita a concepção provocando uma reacção inflamatória dentro do útero, que atrai os glóbulos brancos, os quais produzem substâncias venenosas para o esperma e não deixa o endométrio (camada interna uterina) desenvolver um óvulo que porventura tenha sido fecundado. Esta inflamação desaparece quando o DIU é retirado. São bastante eficazes como contraceptivos. O DIU  à base de progesterona actua por cerca de um ano, e o que liberta cobre pode actuar por cerca de 10 anos, mas podem provocar infecções, perfurações do útero, corrimento sangrento e gravidez ectópica ou abortos. Devem ser evitados se se pretender, num futuro muito próximo, engravidar. Eficácia de 99,4%.

Esterilização cirúrgica

Tempos atrás era uma opção irreversível mas   novas tecnologias cirúrgicas dão agora  uma certa possibilidade de reversão. Pela Lei Portuguesa, só depois dos 25 anos se pode optar por este método. Antes dessa idade só é permitido por graves razões de saúde física ou mental.
Temos a vasecotomia  no homem em que se cortam e amarram as pontas dos canais deferentes, ou, alternativamente, se injectam nesses canais soluções químicas como hidrocarbonetos que, ao solidificarem, os bloqueiam e impedem que os espermatozóides sejam ejaculados.
Temos a laqueação das trompas (ou "laqueadura" tubária) na mulher, operação esta com várias modalidades em que as trompas são bloqueadas, ou cortadas e amarradas,  prevenindo que um óvulo e o esperma se encontrem. Alternativamente há a histerotomia, uma opção irreversível, em que o útero e/ou os ovários são removidos.

Métodos de barreira química

Espermicidas (ou espermaticidas): Esponja com espermicida, tampões, óvulos, cones, comprimidos, geleias, espumas, cremes e as "unidoses" em tubos de longa ponteira. Devem ser introduzidos  profundamente na vagina, cobrindo o colo do útero, e deixar activar durante uns  minutos em posição deitada de costas, antes de qualquer relação sexual, evitando ultrapassar os 30 minutos.
Duches vaginais não devem ser feitos nas 8 horas seguintes ao acto sexual.
No caso de esponjas de concepção moderna com espermicida, elas podem ser colocadas várias  horas antes do coito e serem removidas 8 horas depois.

É aconselhável que sejam usados conjuntamente com, por exemplo, o diafragma, e não por si sós, já que neste caso a sua eficácia ronda apenas os 82%. 

Métodos de contracepção hormonal

 «Pílula» contraceptiva, tomada regularmente, com estrogénios e  progestagénios (pílula hormonal combinada) ou, na fórmula mais simples, a minipílula, apenas com progesterona e que é mais usada durante a amamentação, ou em mulheres fumadoras com mais de 35 anos.

Esta pílulas não devem ser tomadas sem ordem médica, havendo muitos casos em que são contra-indicada como, por exemplo, havendo doenças de fígado, caroços no peito, diabetes, hipertensão, tuberculose, etc. Fumar aumenta os riscos cardiovasculares da pílula, sobretudo em mulheres com mais de 35 anos.

Os estrogénios, nos contraceptivos, ajudam a controlar a menstruação provocando-a a cada 28 dias. São responsáveis por efeitos secundários como aumento de peso, de tensão, dores de cabeça ou tensão mamaria, entre outros, efeitos agravados em mulheres diabéticas ou fumadoras (a mistura tabaco e estrogéneos pode provocar coagulações ou trombose).

A combinação de estrogénio e progesterona  actua em 3 frentes: Impede a libertação e a fecundação do óvulo, dificulta a entrada do esperma nas trompas e impossibilita a preparação do útero para a implantação do ovo. Para além do seu efeito contraceptivo e de regularizar o ciclo menstrual, também reduz o fluxo menstrual e, podem reduzir a dor e a tensão pré-menstrual se, pelo contrário, não piorarem estas anomalias.

Na pílula monofásica as duas hormonas têm a mesma dose ao longo do ciclo, enquanto que nas trifásicas as doses destas hormonas variam ao longo do ciclo. 

Existem basicamente dois tipos de embalagem: Carteira de 21 comprimidos ( toma-se diariamente até acabar e pára-se durante 7 dias, recomeçando nova carteira ao 8º dia), e carteira de 28 comprimidos (toma-se todos os dias até acabar a carteira e inicia-se uma outra no dia seguinte, sem parar um único dia).

Se por qualquer motivo não se ingerir o comprimido na hora habitual, e se o produto usado não vem com instruções específicas para este percalço, então deve ser tomado assim que possível antes de terem passado 24 horas. Deixando ultrapassar 36 horas deitar fora o comprimido em falta, continuar a tomar a pílula no próximo dia como seria  habitual e, nos 10 dias seguintes usar outro método contraceptivo complementar, por exemplo o preservativo, ou outro, de barreira. De qualquer modo consultar o médico de família, ou centro apropriado.

É a pílula infalível? Em uso normal a pílula tem uma eficácia de quase 100%, mas pode perdê-la  no caso de vómitos ou diarreia nas primeiras 4 ou 5 horas após a toma do comprimido, ou por acção de outros medicamentos, como sejam: alguns antibióticos, antivíricos, antifungicos (rifampicina, rifabutina e griseofulvina) e alguns medicamentos para tratamento de ansiedade, nervosismo, convulsões (epilepsia), mesmo de origem homeopática. A eficácia da minipílula é ligeiramente inferior à da pílula combinada, sendo de cerca de 99,5%.

Efeitos secundários? Se este efeitos se mantiverem, ou forem graves, consultar médico:
Aumento ou perda de peso
Tensão mamaria
Cãibras
Dores de cabeça
Náuseas
Mal-estar de estômago
Menstruação menos abundante
Pequenas hemorragias menstruais
Hemorragia no meio do ciclo, sobretudo com pílulas de baixa dosagem
Nervosismo

Curiosidade:
O cientista Carl Djerassi nasceu a 29/11/1923 em Viena de Áustria, de mãe Australiana e pai Búlgaro, ambos médicos,  mas é residente na América desde o eclodir da Grande Guerra onde se doutorou, sendo considerado um dos pais  da "pílula", apresentada a 15 de Outubro de 1951, (como conclusão de estudos pioneiros de um cientista austríaco, por volta dos anos 20, que suspeitava que a progesterona tinha efeitos contraceptivos). A pílula nasceu como medicamento para desordens menstruais e de infertilidade, e só em 1960 é que foi aprovada pelo FDA Americano como pílula contraceptiva. Além de cientista galardoado com inúmeros prémios, Djerassi também é um novelista de renome, de estilo "ciência na ficção" que não deve ser confundido com ficção científica e " ciência no teatro". É, por exemplo, co-autor do argumento do espectáculo "Ego" baseado em Fernando Pessoa, e o seu trabalho "An Imaculate Misconception" foi apresentado em Maio de 2004 no Teatro da Trindade, em Lisboa, com o título "Esse Espermatozóide é Meu" 

O anel vaginal, com estrógenos e progesterona, parece-se muito com o anel dum preservativo vulgar, mas mais grosso e com cerca de 5,3 cm de diâmetro. É colocado na vagina na zona do colo do útero, durante 3 semanas e retirado por cerca de uma semana, em que ocorre o período menstrual, devendo ser substituído por outro no novo ciclo. Os seus efeitos no homem, por absorção directa pelo pénis das hormonas durante o coito não protegido por camisinha, não está completamente averiguado. Eficácia de 99,7%.

Injecções e implante subcutâneo, com progesterona, de longo (de um mês a vários anos) ou curto prazo de actuação, aplicados por entidade médica habilitada. O implante tem o aspecto  de um fósforo que é inserido por um médico vulgarmente sob a pele do braço, lentamente libertando progesterona, que impede a ovulação e aumenta a viscosidade do muco cervical, dificultando o movimento dos  espermatozóides. Eficácia: Injecção, 99,7% ; implante, 99,9%.

Adesivos transdérmicos, contendo estrogénios e progestagénios, activos cerca de uma semana. São colocados na barriga, no braço ou nas costas, mas nunca no peito. Usam-se 3 adesivos, um por semana, cobrindo 3 semanas consecutivas e, na 4ª semana, não se põe nenhum, repetindo-se assim um ciclo de 28 dias, similar à da toma da «pílula». Têm uma alta eficácia. de cerca de 99,7%.

Métodos naturais ou rítmicos:

(Melhor do que nada mas extremamente falíveis)

Coito interrompido, retirada, "fuga do leão", Onanismo, em que o pénis é retirado da vagina antes da ejaculação.
Muito Perigoso: Durante uma relação sexual e antes de um orgasmo, alguns espermatozóides já circulam nos canais deferentes e nas glândulas de Cowper e seminais. Como se referiu na página 5, as
glândulas bulbouretral  (ou de Cowper) e as seminais, sob excitação sexual, e antes da ejaculação do sémen, emitem secreções que vão lubrificar a cabeça do pénis. Esta lubrificação é libertada sem que seja sentida, e contêm espermatozóides, que podem provocar uma gravidez, mesmo que não haja um orgasmo.  
O método (Ogino-Knauss) do calendário considera perigosamente fértil o período do 9º ao 19º dia, inclusive, de um ciclo menstrual de 28 dias, isto é, o período que vai dos 5 dias antes aos  5 dias depois do dia central do período, possível altura da ovulação mas, com precisão, nunca se sabe quando se dá essa ovulação, já que o período  pode variar de um par de dias, para antes ou para depois do esperado.

O método da temperatura, medindo a temperatura sempre no mesmo sítio (rectal, bocal ou vaginal) ao levantar. Reparar quando é que a temperatura começa a aumentar (décimas de grau centígrados) e se mantém alta por 3 dias. Durante este período não deve haver coito. Difícil de tirar conclusões já que as diferenças de temperatura são mínimas (menos de 1º, entre a menor e a maior das temperaturas medidas) e há factores externos que a influenciam.

Ter em consideração que estes métodos têm um grau elevado de falhanços porque os períodos são muitas vezes irregulares e a temperatura pode variar devido a vários factores.

O método do muco cervical, ou método Billings: Consiste em observar a cor, abundância, consistência e viscosidade do muco  cervical presente na vagina e que é gerado por altura da ovulação para favorecer a mobilidade de eventuais espermatozóides. Os dias férteis são aqueles em que o muco é mais abundante, líquido ou fino, claro, distensível ou seja, não se parte se esticado (muco fértil). Deve-se esperar até que o muco se torne mais reduzido, espesso, pegajoso não distensível e turvo (muco infértil).

É um método difícil de implementar devido à necessidade de se colher o muco bem dentro da vagina, e qualquer infecção vaginal ou do útero pode influenciar as suas características.

Métodos altamente falíveis naturais ou rítmicos:
Muco , Temperatura basal , Calendário
ou Ogino

No gráfico, os dias referenciados com traço a verde, são os mais seguros (?!) para se evitar uma gravidez.
Em ciclo de 28 dias: evitar do nono (9º) ao décimo nono (19º) dia.
Nota: No método Ogino a vermelho (5 dias iniciais) estão representados os dias menstruais, num período clássico de 28 dias.

Chama-se método sintotérmico à conjugação destes últimos 3 métodos.
 
Humor
Uma senhora que engravidava com facilidade foi ao médico pedindo que este lhe indicasse um método anticoncepcional natural, infalível e barato.
O médico recomendou-lhe que comesse uma maçã.
À noite, quando o marido começou a arrastar-lhe a asa, ela lembrou-se do conselho do médico para comer uma maça, mas apercebeu-se que não estava certa quando o devia fazer.
Telefonou ao médico e perguntou-lhe: "Sr Dr., a maçã é para  antes ou depois de..."
Respondeu-lhe o médico: " Nem é para antes, nem para depois de....É  em vez de..."

Menstruação, um método de contracepção?
Em princípio uma mulher menstruada dificilmente engravida, devido ao ambiente muito hostil aos espermatozóides.
Por outro lado, em princípio, uma mulher só produz um óvulo por período menstrual, mas ocasionalmente pode ovular mais do que uma vez, dentro de alguns dias.
Sendo assim o melhor é acatar o aforismo pessimista que diz que « Se a probabilidade de uma coisa má suceder é quase zero, então a probabilidade de ela nos suceder é quase cem por cento».

"Preservativo" roturado? Esquecimento da pílula? Sexo não protegido? O que fazer?
CONSULTAR MÉDICO OU CENTRO APROPRIADO

Contracepção de emergência, pós-coital - «A pílula do dia seguinte»

Uma preparação de hormonas, ou de um simples derivado hormonal (com elevado teor de estrogénios) é tomada em duas doses separadas cerca de 12 horas, sendo recomendado acrescentar um antiemético.

O primeiro comprimido deve ser tomado logo que possível após a relação sexual desprotegida ( ou falha de um método contraceptivo, como por exemplo: rotura do preservativo, expulsão do DIU, deslocamento do diafragma vaginal, esquecimento de toma de pílula contraceptiva, etc), e o segundo comprimido entre no mínimo 12 e no máximo 24 horas após a primeira toma. A eficácia deste método é maior (99%) se o primeiro comprimido for tomado nas 24 horas imediatamente posteriores à relação sexual desprotegida sendo substancialmente reduzida (58% a 70%) se for tomado mais de 48 horas (até tomado se tiverem decorrido mais de 72 horas (3 dias).

Este tipo de produto interfere  com o balanço endócrino e altera o desenvolvimento do endométrio (parede interna do útero onde se dá a nidação do óvulo fecundado). Não é considerado um produto abortivo pois não interrompe uma gravidez que já se tenha iniciado e, por enquanto,  não foi detectado qualquer efeito nocivo sobre o feto se este se continuar a desenvolver até a um parto

Este produto apenas protege  a relação sexual, ou relações sexuais, que se teve, no máximo, nos três dias anteriores. Deixa-se de se ficar protegido com respeito às relações sexuais que se seguem à sua toma.
Se houver relações sexuais após esta tomada de emergência, proteger-se com um método de barreira, por exemplo com condom, até ao reaparecimento da menstruação.

Este produto não é recomendado a pessoas com probabilidade de ocorrência de gravidez ectópica (Ver página P7), e poderá proporcionar os seguintes  efeitos indesejáveis após a sua toma: náuseas e vómitos, tonturas e cefaleia, dores abdominais, tensão mamaria, aparecimento de hemorragia vaginal e fadiga.

Esta opção não deve ser usada como um método normal de contracepção (ou tentativa abortiva) e a sua eficácia é inferior à da " pílula" tomada regularmente. Usa-se ocasionalmente e não mais de uma vez no mesmo ciclo menstrual.

Há outros métodos químicos ou físicos de emergência, tal como a inserção dum dispositivo intra-uterino (DIU) até ao quarto/quinto dia depois do coito, mas ajuda médica deve ser procurada.

ABORTO terapêutico ou «desmanche»
Interrupção voluntária da gravidez ( IVG )

Em Portugal (ano de 2007) o aborto é legal até às 12 semanas em caso de "risco de vida ou de grave lesão permanente para a saúde física ou mental da mulher", é permitido até às 16 semanas em caso de violação ou crime sexual (não sendo necessário que haja queixa policial), e até às 24 semanas em caso de malformação do feto.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, aborto ou abortamento é a terminação de gravidez antes do feto atingir 500gr de peso ou antes de 20-22 semanas de vida intra-uterina.

Não há um consenso na escolha entre o direito relativo da mulher em não querer continuar com a gravidez («Na minha barriga mando eu» é um slogan de muitas mulheres) e o direito à vida que o feto tem e que não está em condições de o exigir.

Em Junho de 1998 realizou-se um referendo sobre a despenalização do aborto. Apenas votaram 31,8% dos eleitores, e destes,  50,5 % votaram não, que assim ganhou por magra margem, de uma maneira não vinculativa.  A 12 de Fevereiro de 2007 realizou-se um segundo referendo sobre a despenalização da IVG, "a pedido da mulher e quando realizada nas primeiras 10 semanas de gravidez, em estabelecimento público ou publicamente reconhecido". Resultado, excluindo votos nulos e em branco:
59,25% votaram sim; 40,75% votaram não e houve 56,39% de abstenção. O aborto, nas condições estipuladas, foi legalizado a 15 (promulgado) e 16 (na prática) de Julho de 2007. 

Curiosidade: Nos E.U.A. um terço dos abortos são feitos em mulheres com 19 anos ou menos, e três quartos são feitos em mulheres não casadas.
Estima-se que se fazem 65 milhões de abortos anualmente a nível mundial.

Se o aborto for feito por pessoal pouco qualificado ou em circunstâncias não adequadas acarreta um elevado risco de mortalidade ou de sérias complicações. Estas aumentam muito se o aborto é feito depois das 20-22 semanas de gestação. O «desmanche» pode ser obtido através de medicamentos ou por intervenção mecânica.

Nota: Não há consenso sobre quando a vida humana (pessoa) começa, dizendo uns que é no momento da fecundação ou concepção (junção do núcleo aplóide do óvulo  com o núcleo aplóide do espermatozóide, porque é a partir daqui que a  informação genética diplóide do futuro adulto está presente: 23+23=46 cromossomas.

Ver página 7), outros dizem que é no momento de nidação do blastocisto no endométrio (mucosa da cavidade uterina, porque é a partir daqui que há uma ancoragem do feto à mãe), que se dá entre 5 a 10 dias depois da fecundação, para outros, a "vida humana" começa entre o 10º e o 14º dia após a fecundação, porque é a partir daqui que começa a germinar um sistema nervoso rudimentar,  mas para outros é só a partir da décima semana da gravidez, em que o sistema nervoso se desenvolve com mais vigor.
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Ao fim da nona semana o feto já tem um coração funcional, reage a certos estímulos, e  tem um aspecto que se assemelha à de um ser humano.

Duas perguntas pertinentes como resultado da aprovação de prática de aborto legal, são:
1- Como justificar poder outorgar-se a um adulto o direito de ele decidir se um feto deve ou não morrer e, no entanto, não se dar a esse mesmo  indivíduo o direito de ele querer terminar a sua própria vida por eutanásia se, por exemplo, sofrer de uma degradante doença terminal?
2- Se é ético acabar com a vida de um ser vivo nos primórdios de ele se tornar um ser humano dentro da barriga da mãe, então como considerar não ético a destruição de óvulos embrionários, em provetas, excedentes de experiências de engenharia genética criados para fins úteis?

Uma outra questão que se levanta é o de se saber o que sucederá aos despojos humanos resultante dos abortos, já que se suspeita haver um mercado negro desses despojos, que são usados quer em investigação genética quer em produtos de cosmética.

(Fim da página 6)

 

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