Reprodução    (Página 7 de 12)

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1) Sexo e Sociedade 
2) Sexualidade e Escola
3) Quando começar.
 Virgindade real e falsa.
 Cancro  uterino.
4) Genitais femininos.
 Cancro genital e das mamas
5) Genitais masculinos.
 Cancro da próstata.
6) Gravidez, contracepção,
 aborto, preservativos.
7) A Reprodução, causas de infertilidade     «---
8) Doenças e disfunções
 sexuais.
9) Sexo oral, coito anal,
  homossexualidade.
10) Menstruação, pensos,
 masturbação, Ponto G.

posições sexuais.
11) Glossário: A a P
  Afrodisíacos.... Pedofilia
12) Glossário: Q a Z
 Sadismo ... SIDA... vulva

A ANATOMIA DA REPRODUÇÂO  

A gravidez evolui ao longo de 9 meses, durante o qual uma célula fecundada divide-se sucessivamente para acabar num ser humano com cerca de dez mil biliões de células.

Os sistemas de reprodução masculino e feminino complementam-se  para criarem filhos, por reprodução sexual envolvendo gónadas, gâmetas e cópula.

Gónadas são órgãos sexuais que produzem gâmetas:
1. No homem, diariamente os testículos produzem  centenas de milhões de espermatozóides, que aparecem ejaculados como um líquido translúcido, ao mesmo tempo escorregadio e meio viscoso, sob o nome vulgar de esperma ou sémen, ou que são absorvidos pelo organismo. (Pág. 4)
2. Na mulher, os ovários produzem cada mês, e geralmente alternadamente, um único oócito II (também conhecido por óvulo) que, ou é fecundado pelo espermatozóide gerando um feto ou, caso contrário, é expelido no sangue menstrual. (Pág. 5)

Gametogénese é o processo usado na formação e desenvolvimento das células sexuais primordiais, ou gâmetas, que implica um tipo especial de divisão celular, a meiose.

Na divisão  por mitose, há várias fases de divisão e fenómenos citoplásmicos e nucleares da célula mãe, dividindo-a em células gémeas, com  46 cromossomas cada. É a divisão celular mais vulgar no nosso corpo. Numa divisão por mitose, as células filhas são gémeas entre si e iguais à célula mãe que se dividiu nelas duas. Se tivermos uma gota de um líquido homogéneo e a dividirmos ao meio obtemos duas gotas quimicamente iguais à gota mãe: é uma imagem, simplicista, de mitose

Na divisão por meiose a célula mãe é dividida em duas células sexuais haplóides, isto é, células com 23 cromossomas em vez dos 46 encontrados originais, o que assegura que, durante a fecundação o número de cromossomas da espécie permaneça constante de geração para geração. Quando se dá uma meiose as duas células filhas são irmãs gémeas entre si mas não são idênticas à célula mãe que se dividiu nelas duas porque apenas têm metade dos seus cromossomas.

Curiosidade:

Em 1677 Leewenhoek e Hamm usando um microscópio melhorado observaram pela primeira vez um espermatozóide e pensaram que ele continha um ser humano em miniatura (homúnculo ou animálculo) que se desenvolvia quando depositado nos órgãos sexuais femininos: o espermatozóide era a semente, o óvulo (feminino) era  o terreno de plantação. 

Outros investigadores diziam que o  homúnculo existia nos óvulos.

Só por volta de 1775 é que Spallanzani demonstrou que eram necessários  um espermatozóide e um óvulo para haver reprodução humana (na natureza) na qual o esperma era o factor fecundante, deitando por terra as teorias dos animalculistas.

O espermatozóide foi, a certa altura no passado, considerado um parasita. É um organismo microscópico com cerca de 0,05mm de comprimento. Tem uma cabeça oval achatada e uma cauda longa (cerca de 10 vezes o tamanho da cabeça) ou flagelo. A zona unindo a cabeça à cauda é o pescoço que contém os centríolos. A cabeça é composta de um núcleo haplóide (23 cromossomas do tipo X ou do tipo Y). Dois terços da parte anterior da cabeça estão cobertos pelo acrossoma, ou capuz acrossómico ou capuz cefálico, contendo mais de 10 enzimas que o ajudam a penetrar a coroa (células foliculares) e a zona pelúcida no óvulo. O flagelo, fibroso, contem mitocôndrias em espirais que fornecem a energia necessária para um lento movimento obtido por ondulação da cauda.

Diariamente são produzidos mais de 200 milhões de espermatozóides mas leva ao testículo  8 a 10 semanas para gerar o espermatozóide maduro. No tracto genital os espermatozóides  conservam-se activos por vários meses mas se não forem ejaculados degeneram e são absorvidos pelo organismo.

Viagem ao futuro?

Se forem diluídos numa solução adequada e congelados eles podem ser mantidos activos por muitos anos. (Bancos de esperma). Contudo por razões desconhecidas nem todo o esperma humana aceita congelação.

Cientistas japoneses já conseguiram criar espermatozóides de proveta implantando células estaminais embrionárias em testículos, o que as converteu em espermatozóides, aparentemente normais.

 

A cabeça do espermatozóide é ovalada e achatada:
H1= Cabeça, vista por cima.
H2= Cabeça, vista lateral
1= Membrana celular
2= Capuz acrossónico
3= Núcleo
4= Pescoço e centríolos
5= Secção média 
6= Mitocôndrias 
7= Secção principal da cauda 
8= Secção final da cauda 

Que desperdício!

1- 20% dos espermatozóides são defectivos, por várias razões, mortos, ou incapazes de se movimentarem.
2-  25% morrem tão depressa entram em contacto com o ambiente ácido vaginal.
3- Muitos são mortos pelo sistema de protecção feminino.
4- Muitos ficam encravados à volta do colo do útero e no canal cervical.
5- À medida que o esperma entra no útero cria uma substância coagulante que tende a tapar o orifício do colo do útero para evitar o retorno do esperma à vagina, pelo que espermatozóides retardatários serão impedidos de entrar.
6- Um volume considerável pode perde-se por refluxo para a vulva e daí para o exterior.
7- Como resultado destes percalços menos de 1%, provavelmente apenas umas centenas de  espermatozóides,  conseguem ir procurar o óvulo nas trompas de Falópio!
8- Se a mulher atingiu o orgasmo então o útero é estimulado e tenta dar uma ajuda "sugando" o esperma para o seu interior.

O sistema reprodutivo masculino produz os espermatozóides e faz a sua transferência para a mulher através do coito ou cópula.

O sistema reprodutivo feminino não só produz os óvulos e recebe os espermatozóides mas tem que cuidar da fertilização do óvulo, da sua metamorfose de zigoto a blastocisto, da sua implantação no útero, da sua alimentação e protecção ao longo do seu desenvolvimento de embrião a feto durante os 9 meses de gestação e por fim entregar o bebé e amamentá-lo. É um processo traumático e extremamente complexo!

Capacitação e maturação

Esperma fresco acabado de ser ejaculado é infértil e tem que estar cerca de 7 horas (maturação) no aparelho sexual feminino antes que possa fertilizar um óvulo. Neste período e sob acção de agentes químicos no tracto uterino a membrana cobrindo a cabeça do espermatozóide é muito enfraquecida por um processo chamado capacitação que remove dela glico-proteínas e proteínas seminais,  e o espermatozóide fica mais activo. Quando ele entra em contacto com o óvulo aparecem buracos na membrana fragilizada do seu capuz acrossómico  que liberta enzimas incluindo a hialuronidase e acrosina, enzimas  que dissolvem e removem a camada de células que envolve o óvulo.
 

O óvulo também chamado ovócito II (ou oócito II), ou ovócito secundário, é uma célula arredondada com cerca de 0,15 a 0,2mm de diâmetro, grande quando comparada com o espermatozóide, sem  meios próprios de locomoção, e deriva de um ovócito I, ou ovócito primário que amadurece no ovário. Tem muita citoplasma que alimenta o zigoto (óvulo fecundado, também chamado ovo) na primeira semana de vida. Como já foi indicado há dois tipos de espermatozóides, o (23,X) e o (23,Y) enquanto que há um só tipo de óvulo, também haplóide, o (23,X). Por exemplo, (23,X) indica que há 23 cromossomas no total, feito de 22 autossomas e de 1 cromossoma sexual  tipo X.

O acto sexual ou coito: Durante o coito o pénis ejacula uma média de 3,5ml de esperma  no fundo da vagina, com uns 100 a 500 milhões de espermatozóides, começando estes a movimentarem-se para os tubos uterinos à procura do óvulo, através do útero.
 

1. Espermatozóide
A. Membrana ainda  intacta
B. Núcleo  do espermatozóide
C.Capuz acrossómico, com enzimas
2. Espermatozóides com membrana 
perfurada libertando enzima
3.Núcleo (apenas) do espermatozóide,
entrando no citoplasma
4. Núcleo do óvulo
5. Corpo polar 
6. Citoplasma 
7. Membrana do óvulo 
8. Zona pelúcida 
9. Coroa radiada 
A fecundação do óvulo  resulta da união do núcleo do óvulo (pronúcleo feminino, haplóide) com o núcleo de um espermatozóide (pronúcleo masculino, haplóide) quando este rompe através da barreira de células da coroa radiada e da zona pelúcida.   Idealmente deve dar-se na ampola do tubo uterino, e deve ocorrer dentro de poucas horas depois da ovulação porque o óvulo degenera e torna-se estéril em menos de 24 horas. Vários espermatozóides contribuem para o assalto enzimático ao óvulo, mas em circunstâncias normais apenas um deles penetra e, ironia do destino, o espermatozóide que chega mais tarde e que deu a menor contribuição é o que tem mais probabilidades de ser o que penetra no óvulo, por ser aquele que encontra o caminho mais livre de células protectoras. Os que o antecederam no assalto, ou morreram, ou estão demasiado enfraquecidos para prosseguirem caminho! Depois de fertilizado, o óvulo (célula diplóide por agora conter 23+23= 46 cromossomas) sofre rápidas modificações químicas que o tornam impenetrável a outros espermatozóides. (Nota: ver gémeos e dispermia, mais abaixo.).

Clivagem e compactação 

Clivagem consiste na divisão mitótica sucessiva do óvulo fertilizado -ou zigoto- resultando num aumento rápido do número de células. Primeiro o zigoto divide-se em duas células, os blastómeros, estes em 4 blastómeros, depois oito blastómeros, e sucessivamente, até que uma bola de células chamada mórula, por se parecer com uma amora, é formada. Como o zigoto original mantém sensivelmente o mesmo tamanho, os blastómeros tornam-se mais pequenas à medida que se dividem, e comprimem-se uns contra as outros num  fenómeno de compactação.
Cerca de 5 dias depois as células dentro da mórula dispersam-se para criar  cavidades progressivamente maiores contendo líquido.
Este novo aglomerado é o blastocisto ou blástula.
Quando o embrião tem de 32 a 64 células, elas organizam-se seguindo dois rumos: as mais externas criam um anel  exterior (trofoblasto) limitando uma simples cavidade alargada (blastocélio), dando origem à placenta com o cordão umbilical (que se agarra ao endométrio uterino) e à bolsa amniótica ou âmnio ou ainda bolsa das águas, (que irá conter o embrião  flutuante); as mais interiores juntam-se e formam um bloco na parede interior do blastocélio, e irão formar os 216 tipos de tecidos diferentes do futuro feto.

Nidação ou implantação

O blastocisto uma vez  no útero, a zona pelúcida desintegra-se e ele implanta-se (nidação) geralmente no endométrio, a parede interna da cavidade uterina, ou triângulo uterino, cerca de 5-10 dias depois da fertilização.

Esquemático,  da Ovulação à Concepção

Fecundação:
1) Óvulo apanhado pelos fímbrias
2) Fecundação começa
3) Pronúcleo do espermatozóide aproxima-se do pronúcleo do óvulo.
4) Pronúcleos fundem-se = Fecundação completa = ZIGOTO
Clivagem:
 
5);6);7) Divisão mitótica de 2 a  8 células ou blastómeros.

8) 16 blastómeros ou mais = MÓRULA
9) BLASTOCISTO = Mórula com cavidade cheia de líquido
Nidação:
10) Blastocisto implantado 

Gravidez ectópica Ocasionalmente o óvulo fertilizado (blastocisto) agarra-se ao tubo uterino originando uma perigosa gravidez tubária que romperá o tubo causando uma severa  hemorragia  interna na mãe e a morte do embrião.
Qualquer tipo de gravidez  ocorrendo fora da cavidade uterina é dita gravidez ectópica e se não for atendida  poderá pôr em sério risco a vida da mãe. Em cerca de 95% dos casos a gravidez ectópica ocorre no tubo uterino (gravidez tubária), mas pode ocorrer em qualquer secção do ventre, com o feto "agarrado" a qualquer órgão, provando que o útero, sendo um berço ideal, não é a única fonte de vida fetal.  Conhecem-se, por exemplo, uns 45 casos de gravidez ectópica no fígado,  que tiveram sucesso. Um dos últimos casos referenciados foi o de uma mulher na República da África do Sul em 2003. É  raro uma gravidez ectópica chegar a um bom termo.

Saco vitelino, alantóide, âmnio, placenta, córion, cordão umbilical.

Depois do ovo se ter implantado na posição correcta no útero (nidação), continua a desenvolver-se dando lugar a: embrião, saco vitelino (vitelo ou saco gema), âmnio, córion, e alantóide.

O saco vitelino (vitelo ou saco gema) não contém produtos nutritivos. Inicialmente é um órgão fora da placenta e gera sangue para o embrião e contribui para a formação do tracto intestinal no feto. A partir da 4ª semana de gestação as células sexuais primordiais que nele se formaram emigram para as gónadas, em formação, e tornam-se  gâmetas primitivos. Entre a 10ª e a 20ª semana de gestação atrofia-se, torna-se muito pequeno, e fica aninhado na placenta. 

O alantóide. O nome deriva do Grego allas ( em Inglês é Allantois) significando salsicha e forma-se no 16º dia, parecendo uma pequena salsicha saindo do saco vitelino. Gera sangue, as suas veias tornam-se nas artérias e veia do cordão umbilical e contribui para o desenvolvimento da bexiga urinária. Acaba por se atrofiar e, no adulto, permanece como um ligamento.

O âmnio: Uma parte transforma-se num saco, ou cavidade, contendo o líquido amniónico ou «águas», como é popularmente conhecido, em que o embrião/feto se desenvolve, e outra parte formará o tecido envolvente do cordão umbilical e do saco vitelino, atraindo este último para a placenta.

Curiosidade: à medida que o feto cresce, a quantidade de líquido amniónico aumenta, é absorvido pelo feto e "despejado" pelo cordão umbilical na placenta. Perto do parto cerca de 8 litros de líquido são reciclados diariamente!

O córion altera-se profundamente ao longo da gestação, funde-se com o âmnio, formando a membrana amniocoriónica que envolve o saco amniónico e é parte da placenta. A parede interna da cavidade uterina (endométrio)  também contribui para a formação da placenta.

A placenta  actua como "âncora" do embrião ao útero através do cordão umbilical, ligando-se ao embrião na zona a que posteriormente dará o umbigo. Produz hormonas que não deixam o corpo lúteo definhar antes de meio período da gestação, suprimindo o aparecimento de novo ciclo menstrual e da ovulação, estimula o crescimento dos seios em preparação para a produção de leite, mantém a gestação em bom ritmo fazendo o trabalho dos pulmões, do sistema digestivo e dos rins que começarão a trabalhar depois do nascimento e actua como uma  pobre barreira de protecção entre a mãe e o feto.
Antibióticos e a maioria de medicamentos (e "drogas" como heroína, álcool, nicotina, etc), certos vírus e agentes infecciosos podem atravessar essa barreira. (p.e., sífilis, varíola, varicela, sarampo, poliomielite, etc). Estes agentes entram no sangue fetal causando muitas vezes anomalias ou a morte do feto. Há placentas que se apresentam com anomalias diversas.

Útero na fase final da gravidez
(Esboço não está à escala!)

1. Canal cervical, bloqueado
2.Líquido amniónico ("águas")
 e saco amniónico.
3. Feto 
4.Útero 
5. Membrana amniocoriónica (âmnio)
6+7= Placenta ancorada no endométrio uterino
8. Fundo do útero.
9. Saco vitelino degenerado 
10. Cordão umbilical, contendo duas artérias,
uma veia e outros tecidos

O cordão umbilical: Tem  uma veia que conduz sangue oxigenado da placenta para o coração do feto, (que é  parcialmente misturado com sangue de outras partes do feto), e 2 artérias que devolvem sangue não oxigenado à placenta, vindo das duas artérias ilíacas internas do feto. Os vasos sanguíneos do cordão (herança do alantóide) são envolvidos e protegidos por uma mucosa resultante de parte do âmnio, e o seu interior é preenchido por um tecido gelatinoso, a geleia Wharton. Durante os estágios iniciais da vida fetal este cordão também inclui o canal vitelino, que se atrofia quando o saco vitelino definha.

O cordão umbilical tem à volta de 1 a 2cm de diâmetro e, em média, um comprimento de 55 cm, sendo nos fetos masculinos cerca de 5 cm mais longo do que nos fetos femininos. Cordões não existentes ou com comprimento inferior a 30 cm ou, pelo contrário, excedendo os 90 cm são considerados anormais, e causas e efeitos devem ser investigados. Tem um andamento helicoidal porque a sua veia cresce mais depressa, e é mais comprida, do que as suas duas artérias, sendo meio elástico permitindo ser esticado perto de 12,5% do seu comprimento inicial. Em cerca de 20% dos casos a  criança ao nascer tem o cordão enrolado ao pescoço e se, durante o parto, for puxado com força pode estrangulá-la,  causando-lhe a morte, ou futuros  problemas. Nas suas reviravoltas um feto pode provocar, igualmente, um nó no cordão. Se este for bastante frouxo (nó falso), não há problemas de maior, mas se estiver apertado demais (nó verdadeiro ) pode parar a circulação de sangue entre a placenta e o feto e provocar a morte deste.

Em cada 1000 partos aparecem cerca de 4 com um cordão umbilical  com  uma só artéria em vez de duas. Estas anomalias são acompanhadas por  problemas cardiovasculares em cerca de 15% das vezes. É mais raro um cordão ter, por exemplo, uma veia e 3 artérias, havendo referências a 3, 4 e 5 artérias. Estes casos devem ser investigados não só quanto à sua causa como a possíveis efeitos no desenvolvimento da criança. Por exemplo uma terceira artéria pode ser uma reminiscência de vasos do saco vitelino.


Após o parto, os vasos sanguíneos (do cordão umbilical cortado) dentro do corpo da criança "definham" e transformam-se em ligamentos.

Actualmente, sangue e células tronco, (estaminais, ou embrionárias, ou germinais), e outras, são recuperadas do cordão, de recém nascidos e abortos, para tratamentos e regeneração de células no corpo humano, produtos de beleza, clonagem, etc, havendo bancos, legais e clandestinos, de recolha de placentas e cordões umbilicais. 

A partir da 9ª semana de gestação o embrião passa a ser referido como um feto.

Uma das polémicas à volta do aborto está ligada à identificação da fronteira entre fecundação --» embrião --» diferenciação --» feto --» ser humano. Por volta da décima semana o feto já se parece com um bebé, podendo ouvir-se o bater do seu coração, a partir da décima semana desenvolve-se o seu sistema nervoso, e ao sétimo mês de gestação o «feto bebé» geralmente volta-se de cabeça para baixo. Ao longo da sua gestação o feto movimenta-se no saco das águas, com perigo de se enrolar no cordão umbilical, chucha nos dedos e dá pontapés.

Parto e nascimento

O parto  (ou "Dar à luz") pode ser dividido em três estágios:

No primeiro, contracções uterinas e abdominais empurram o bebé através do canal uterino que tem de alargar de uma maneira drástica a uns 10cm de diâmetro. O saco amniótico ("saco das águas") geralmente rompe-se por si mesmo ou terá que ser rasgado cirurgicamente. Este período pode levar algumas horas.

No segundo estágio, mais curto que o primeiro, o bebé deixa o útero e atravessa a vagina e a vulva, também bastante alargadas, em que a cabeça, assim se espera, aparece primeiro.

Em cerca de 5% dos nascimentos o bebé aparece de nádegas (apresentação pélvica em vez de cefálica). Se o parto não pode ser feito assim, nem o bebé pode ser rodado  usando fórceps (ferros) ou uma ventosa, então é feita uma  uma operação cirúrgica (cesariana) para extrair o feto do ventre da mãe por incisão (corte) do abdómen e do útero. Se há uma certa dificuldade em se fazer a cabeça do bebé sair da vagina pode-se fazer uma episiotomia ou seja, uma incisão (corte),  no períneo e na parede vaginal, como sugere a gravura seguinte:

No terceiro estágio, que ocorre geralmente dentro de 10 a 20 minutos depois do parto, o útero entra em contracções e expulsa a placenta e tecidos associados. Há casos melindrosos em que a placenta se solta do útero durante a gravidez, ou em que a placenta não se solta espontaneamente após o parto.

A passagem que o bebé percorre até emergir é muito curvo porque os eixos da vagina e do útero formam um ângulo pronunciado.

Parto epidural: O parto é, geralmente doloroso, mas há métodos de parto sem dor, parto debaixo de água, etc. Um método de parto sem dor é o de analgesia epidural, em que um anestesista especializado introduz um cateter (tubo plástico fino) no espaço epidural, entre duas vértebras lombares, e por ele injecta doses controladas de analgésico durante o parto, o que suprime as dores, mas não altera a capacidade motora da parturiente. A epidural pode ser administrada em qualquer altura mas é mais vulgar sê-lo quando a dilatação do útero e da vagina atinge 3 a 4 cm. Tem vantagens e desvantagens relativamente ao parto normal, e a sua opção deve ser tomada com consulta a um obstetra.

Curiosidade: Para acomodar o feto o útero aumenta de volume cerca de 500 vezes passando de 10cm3 a 5000cm3. Seis meses depois do parto já regressou  ao tamanho que tinha antes da gravidez embora nunca ao tamanho original. Após o primeiro parto, o orifício arredondado do colo uterino passa a ficar como uma fenda devido à sua rotura para deixar passar a criança.

Umbigo A seguir ao parto o cordão umbilical é cortado e atado. A ponta que resta, no bebé,  acaba por secar e cai dentro de uma semana deixando como cicatriz o umbigo, não sendo necessário, nem aconselhado, tentar apressar este processo natural.

Colostro
Nos 2 ou 3 dias que se seguem ao parto os peitos da mãe segregam um líquido amarelado chamado colostro, rico em anticorpos e linfócitos que ajudam o bebé a proteger-se de infecções. O leite verdadeiro começa a aparecer cerca de 3 ou 4 dias depois do parto.

Curiosidade: Por vezes os seios de um recém nascido, independentemente do seu sexo, segregam um líquido a que os ingleses chamam "leite das bruxas".

Gémeos (Twins, em inglês) Usualmente só um óvulo maduro é libertado pelo ovário ( ovulação) por período menstrual e assim na maior parte dos casos só existe um embrião a desenvolver-se no útero. No caso de múltipla gravidez, p.e., gémeos, poderá haver mais do que um embrião.
Se os gémeos são «verdadeiros», (idênticos ou uniovulares ou monozigóticos) terão o mesmo sexo, e resultaram de um mesmo ovo fecundado (zigoto) que se dividiu em dois zigotos, criando dois embriões.
Se são «falsos», (fraternos ou biovulares) poderão ou não ter o mesmo sexo, e resultaram  de dois óvulos fecundados, cada um pelo seu espermatozóide.

Os gémeos podem estar separados (separate twins), ligados (conjoined twins) ou siameses, e parasitas (parasitic twins). neste último caso, um gémeo é gerado total ou parcialmente dentro do outro, e  geralmente acabam ambos por morrer, mas por vezes um deles, rudimentar, morre muito cedo e os seus tecidos são absorvidos (canibalismo fetal) pelo gémeo sobrevivente o que poderá causar problemas sérios.

Dispermia Há a possibilidade de 2 espermatozóides contribuírem para a fecundação de um óvulo num processo anormal chamado dispermia. O embrião triplóide resultante (69 cromossomas em vez de 46) quase sempre aborta. Se tal não suceder a criança gerada morre após nascer.

Menino? Menina? É o pai e não a mãe quem determina o sexo do embrião. O tipo de espermatozóide (X ou Y) que fecunda o óvulo determina o sexo do embrião. Como um óvulo normal é do tipo X, a fecundação por um espermatozóide tipo X produz um zigoto 46,XX ou (44+XX) que normalmente origina  uma menina, enquanto que a fecundação por um espermatozóide tipo Y produz um zigoto tipo 46,XY ou (44+XY) que normalmente origina um menino. É o Y (um cromossoma muito mais pequeno que o X) que força a mudança, por defeito, de menina para rapaz através da acção da, em certa altura da gestação, abundante testosterona. Se na altura certa o feto não responder correctamente à acção desta hormona pode suceder  acabar-se com uma menina do tipo XY (em vez do normal XX) e  que quase sempre terá algumas características masculinas como um corpo mais desenvolvido e uma voz masculinizada.
Como em geral são produzidos tantos espermatozóides de um tipo X  como Y espera-se que a proporção de meninas para meninos seja "ela por ela" mas nascem  mais  rapazes do que raparigas em muitos países.

A mulher tem dois cromossomas X mas um deles, pensa-se, desactiva-se  dando o corpo de Barr. Na mulher com três cromossomas X (síndroma do triplo X) é raro ter anomalias. Pelo contrário, se houver um excesso de cromossomas  autossónicos (trissomia), ou seja, de cromossomas não sexuais, tal situação pode levar à morte do feto ou, se nascer, dar lugar a graves perturbações físicas e mentais da criança. A trissomia mais vulgar é a trissomia 21 (Síndroma de Down ou Mongolismo) que provoca atrasos mentais  e anomalias físicas bem visíveis, sobretudo na expressão facial do afectado.

A falta de um cromossoma X geralmente causa menos danos que a falta de um cromossoma autosónico, o que parece levar a concluir que uma anomalia no número de cromossomas não sexuais, causa mais danos que uma anomalia no número correcto de cromossomas sexuais.

Estão-se a desenvolver várias técnicas de separação dos espermatozóides de modo a permitir a selecção do tipo de sémen que permita uma inseminação artificial que origine um embrião de sexo preferido.

Há métodos que permitem determinar o sexo de um feto já em gestação, e mais recentemente descobriu-se uma via precoce «recorrendo a uma amostra de sangue da grávida e a técnicas de biologia molecular que permitem detectar material genético do bebé que circula no sangue materno a partir da oitava semana de gestação».

Enquanto que um óvulo em média sobrevive cerca de um dia, os espermatozóides mantêm o seu poder fertilizante entre 3 a 5 dias, à temperatura do corpo humano, por isso o período de tempo propício a uma fecundação é relativamente longo dependendo quão perto da ovulação se deu o acto sexual. 
Tem-se deteriorado a qualidade do sémen e, com tal, a fertilidade masculina. Parte das causas parece estar na poluição da água e dos alimentos por resíduos  hormonais das pílulas de contracepção femininas e produtos químicos que têm uma acção parecida com o de hormonas. 

A lavagem laboratorial do sémen permite a um homem, atacado pela Sida, gerar filhos não  contagiados.

Marcas de nascença
Uma marca de nascença é uma mancha colorida da pele ou uma sua despigmentação. Algumas  permanecem, outras desaparecem com o tempo.

INFERTILIDADE

Aproximadamente 10 por cento dos casais têm dificuldade em engravidar e, basicamente, considera-se que este problema existe se um casal não consegue gerar filhos após um ano de tentativas, sobretudo insistindo no «período mais fértil», entre o nono e o décimo nono dia, do período menstrual.
 

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Act2908070523

Deve de ser consultado um ginecologista que procurará causas congénitas ou de influência externa (excesso de gordura ou magreza, maus hábitos alimentares, de repouso, ou de estilo social de vida, idade, etc).

De acordo com estatísticas, a infertilidade tem raízes em:
30 % de factores femininos,
30 % de factores masculinos,
30% de incompatibilidade dos parceiros e 10% de factores como consequências de doenças sexuais (DST), e outros não identificados.

De acordo com as causas detectadas há, na maioria dos casos, tratamento adequado para uma «concepção assistida», como seja:

Micromanipulação de um óvuloPor intervenção cirúrgica, por intervenção medicamentosa, por mudança de estilos de vida, por inseminação artificial, de que há várias modalidades como, por exemplo, a indução de ovulação, a indução de produção de melhor esperma, inseminação intra-uterina, fertilização in vitro, ICGS (injecção de um espermatozóide num óvulo usando micropipetas ou outras técnicas de micromanipulação).
Ver http://www.spmr.pt/clinicasInfertilidade.htm