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Breve história dos Judeus, «O Povo Eleito», escolhido por Javé, ou Jeová,
 cuja religião é a fonte de onde brotou o Cristianismo e o Islão.
De Adão, às alheiras dos «Marranos», ao Israel do século XXI

Resumo da criação do mundo (Génese 1: ... no Antigo Testamento):
Nota: Na página 3 do  tópico «A Criança Taung» este tema também está debatido, assim como as
divergências de opiniões entre criacionistas e evolucionistas.

Dia zero: " No princípio Deus criou o céu e a terra. A terra estava deserta e vazia...." Depois...
Dia 1: " Criou a luz e separou a luz (dia) das trevas (noite), criando o 1º dia.
Dia 2: " Criou um firmamento  para separar as águas em cima (no céu) das águas em baixo (na terra). Deus juntou as águas debaixo do céu num só lugar (mar ou oceano) e fez aparecer o solo firme (terra firme)..."
Dia 3: " Criou as plantas e árvores... "
Dia 4: " Criou duas luzes no firmamento: o Sol para presidir ao dia e a Lua para presidir à noite..."
Dia 5: " Criou os seres marinhos e os pássaros..."
Dia 6: " Criou animais domésticos, feras... e criou o Homem (Adão) e a Mulher (Eva), à sua imagem... " (Génese 1:26)
Dia 7:  "Deus descansou..."

Nota: No entanto, em Génese 2:19 afirma-se algo diferente (do ponto de vista do aparecimento da vida): que Deus primeiro criou Adão, depois os animais e depois Eva, e já antes, em Génese 2:7 lemos: "Deus formou o homem do pó da terra ou barro, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem se tornou ser vivo". Depois, não encontrando entre os animais existentes "uma auxiliar" para ele, fê-lo cair num sono profundo, tirou-lhe uma costela e dela fez a mulher".
Ver o interessante vídeo no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=E6uR5TCA6GU

O Mundo, segundo a Bíblia

" A morada celeste de Deus fica acima das águas superiores. Abaixo destas águas está o firmamento ou céu onde se encontram os astros, que se assemelha a uma tigela embarcada, sustentada por colunas. Através das aberturas (comportas) na abobado as águas superiores caem sobre a terra como chuva ou neve.


A terra é uma plataforma sustentada por colunas e rodeada de água, os mares. Por baixo e ao redor das colunas, estão as águas inferiores. Nas profundezas da terra está o Xeol ou Sheol (Inferno), a «morada dos mortos».

Esta antiga concepção, em que a Terra era o centro do universo e o Sol, a Lua e todos os astros giravam à sua volta, existia também entre os povos pagãos da época, vizinhos dos Hebreus. Em alguns relatos a Terra é dada como parecendo um anel de terra envolvendo o oceano e, noutros, como sendo quadrada, daí a expressão, "Os quatro cantos do mundo"

Este conceito geocêntrico, durou vários séculos, sendo aceite inclusivamente por "sábios" como Aristóteles e Ptolomeu, até ser substituído pela ideia heliocêntrica proposta por  Copérnico e Galileu, mas ainda hoje falamos do "nascer e pôr do Sol", e que "as sombras seguem o movimento do Sol", etc.

 
As escrituras sagradas judaicas ,ou
Tanakh, compõem-se de 3 livros:
1-
Tora ou Torah (A Lei): Os 5 livros de Moisés ou Pentateuco.
2-  Neviim (Os Profetas): Abrange a vida dos profetas «anteriores» de Josué a Reis 2, e «posteriores de Isaías a Malaquias.
3- Kethuvim) (Os Escritos),: As obras poéticas, Salmos, Provérbios, O Cântico dos Cânticos, Lamentações, Ruth ... Crónicas.
Um outro livro venerado é o Talmude, escrito durante a segunda Diáspora e que se divide em duas secções principais: Mixema (escritpo entre o segundo e início do terceiro século d.C.) e Guemara (escrito entre o terceiro e o sexto século d.C.), e que são comentários suplementares ao Tanakh. Tanakh é uma «sigla» derivada das duas primeiras letras dos 3 livros que o compõem.
Os Judeus nunca pronunciam o nome de Deus, embora ele apareça escrito sob a forma deste Tetragrama

Torah             
Tora, em rolo, mais usado em sinagogas.
 Para uso particular, tem aspecto de livro convencional.
Cortesia www.ebibleteacher.com/imagehtml/otthings.html


Segundo essa escrituras, (ler o Antigo Testamento) podemos, arbitrariamente, dividir a história do homem, em vários períodos:

A criação do Homem (ver página de imagens)

 "Deus formou o homem (à sua imagem - Génese 1:26), do pó da terra (entende-se, do barro), soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem se tornou ser vivo". Depois, não encontrando entre os animais existentes "uma auxiliar" para ele, fê-lo cair num sono profundo, tirou-lhe uma costela e dela fez a mulher ".

Nota: Na Génesis Bíblica há uma divergência, na sequência de acontecimentos que teriam dado origem ao aparecimento dos animais e do homem. Em 1: 25,26, os animais apareceram primeiro que o homem, enquanto que em 2: 15 ...19, o homem foi criado antes dos outros animais.

A história dos judeus e do judaísmo é uma longa e atribulada saga:
 

 
De Adão a Noé

Abarca um espaço de tempo que vai do princípio da criação do homem «criado por Deus, à sua semelhança», à sua quase total aniquilação pelo Dilúvio, salvando-se apenas Noé, filhos, e respectivas mulheres.

Quando se lê a Bíblia esbarra-se de imediato com um dilema: Segundo a Génese, um homem (Adão) foi feito do pó da terra (ou barro) e dele uma mulher (Eva), que tiveram, inicialmente, dois filhos, Cain e Abel. Tal interpretação gera problemas de como justificar a proliferação humana, sem ter de se aceitar que houve relações incestuosas, assim como entender outras passagens bíblicas em que de súbito aparecem outros povos. Por exemplo, depois de matar Abel, Cain foi «habitar na região de Nod, ao oriente do Eden ... conheceu sua mulher ... teve filhos... um deles era Lamet que casou com duas mulheres, Ada e Sela ...». Génese 4: 16...19.
De onde vieram estas mulheres?
Nota: Segundo a Bíblia  (Génesis 5: 3) « Adão viveu 930 anos e depois de Abel e Cain gerou filhos e filhas»

De Noé a Abraão.
Com a descendência de Noé houve o renascimento da saga humana. Com ele teria Deus Javé ou Jeová, feito uma Aliança, pedindo «Quanto a vós, sede fecundos e multiplicai-vos, propagai-vos pela terra e dominai-la» e prometendo:
«... nenhuma vida animal será novamente exterminada pelas aguas de um dilúvio e já não haverá dilúvio para devastar a terra ... ponho meu arco (íris) nas nuvens como sinal da minha aliança com a terra» (Génese 9:7,12)
É neste período que surge o episódio da Torre de Babel que marcaria o aparecimento das várias línguas faladas e a dispersão acentuada do homem pelo mundo.

De Abraão a Moisés.

No período entre 2000 e 1200 a.C. a maior parte de um povo semítico de pastores, referidos como hebreus nos livros sagrados ,  partiu de Ur, na foz do rio Eufrates, sob o comando de Abraão, e foi-se deslocando através da Babilónia em direcção às pastagens verdejantes do rio Nilo, no Egipto.


Com Abraão, teria Deus feito uma nova Aliança, com o pedido da «circuncisão do prepúcio» aos meninos, ao oitavo dia de vida, e com ele introduz-se a história dos patriarcas ou antepassados de Israel, sendo ele considerado, por muitos teólogos, o primeiro patriarca e o percursor da história Judaica.
Daí a razão do Judaísmo ser chamado, assim como o Cristianismo e o Islão, uma religião Abraãmica.

Nota: Abraão é um profeta chave tanto na cultura judaica-cristã como na islâmica, apesar de ter sido um homem que casou com uma meia irmã, permitiu que esta se tornasse concubina do faraó egípcio, cometeu adultério com uma escrava que depois desterra com o filho Ismael, nascido dessa relação, para o deserto de Bersabéia (Génese 20:21), e não hesitou em sacrificar um outro filho, Isaac, ao culto de Deus, o que só não sucede no último instante por interposição de um anjo. (Ver página de imagens).

De acordo com a Bíblia:
Abraão, casou-se com uma meia-irmã, Sarai. Devido a um surto de falta de alimentos na área em que tinham acampado Abraão adiantou-se aos seus companheiros e emigrou para o Egipto, onde viveu por certo tempo mas, com receio que aqui o matassem para se apoderarem da sua belíssima mulher, apresentou-a como se ela fosse, apenas,  sua irmã e assim esta acabou no harém do rei egípcio, sendo Abraão recompensado, tornando-se muito rico.
Saídos do Egipto, e não conseguindo que sua mulher lhe concebesse um filho, que ambos desejavam, segue o conselho dela e amantizou-se aos 86 anos com Agar, uma escrava egípcia que os acompanhara, de quem teve um filho, Ismael. Tinha 100 anos quando, após interferência de Deus, Sarai, com 90 anos, deixou de ser estéril e deu-lhe um filho, Isaac. Nesta altura Sarai passou a chamar-se Sara. Esta morreu com 127 anos, e Abraão casa-se com Cetura, de quem teve 6 filhos.

Neste período tivemos a destruição de Sodoma e Gomorra

Vários patriarcas sucedem-se a Abraão até que, já sob a direcção de José, alcançam e estabelecem-se no Egipto onde acabam por ser escravizados por 430 anos.

Moisés, o libertador. As pragas e o «êxodo». Um Javé indeciso.

Outra figura central da cultura judaica é Moisés, casado com Séfora, uma madianita ou etíope, não só porque é a ele que se atribui a autoria de grande parte do Antigo Testamento, mas por ter sido ele quem dirigiu a fuga dos Judeus do Egipto.
Relata a Bíblia que os pais de Moisés, para o salvar da morte certa ditada pela ordem faraónica de matar à nascença  todos os filhos varões dos hebreus, o colocaram num cesto no rio, acabando este por ser encontrado e adoptado por uma filha do Faraó.
Embora fosse criado na corte do Faraó, Moisés não esqueceu as suas origens, que conhecia, e protegeu os hebreus escravizados. A Bíblia relata (Exodo 2) que Moisés esteve fugido da corte por uns anos, por ter morto um egípcio que tinha morto um escravo hebreu.

Instigado por Javé, Moisés comanda o êxodo do Egipto, depois do falhanço das 9 primeiras pragas  (água sangrenta, rãs, mosquitos, moscas-varejeiras, peste dos animais, tumores, granizo, gafanhotos, a escuridão de 3 dias - Êxodo 7-10) lançadas contra o Egipto, e que só se realiza depois de Javé ter aplicado a décima praga, o castigo da morte dos primogénitos egípcios, com a qual aparentemente convence o Faraó a deixar partir os hebreus.
Nota: Estes episódios das pragas suscitam críticas  já que a Bíblia relata que, assim que Javé lançava uma praga para convencer o Faraó a libertar os hebreus, logo a seguir «O Senhor tornou inflexível o coração do Faraó, de modo que este não deixou os israelitas partirem» Exodo 10: 20
Igualmente após matar os primogénitos egípcios para obter a liberdade dos hebreus, e já quando estes iam em fuga «O Senhor endureceu o coração do Faraó, rei do Egipto, e este perseguiu os israelitas...»
Exodo 13:8


Palestina, ou Canaã, a terra dos Filisteus, a terra prometida onde corre o mel  e o leite.
Nesta fuga são
ajudados pelas «águas do mar Vermelho que se afastaram para lhes permitir a passagem e que depois se juntaram afogando os soldados egípcios que os perseguiam, e chegam ao Monte Sinai em cujo topo Moisés se teria encontrado com Javé que lhe deu as duas placas com os 10 Mandamentos. É a partir deste momento que «Javé» é reconhecido, por todo o povo judeu, como o único Deus a adorar, em detrimento dos deuses pagãos idolatrados até então, por muitos deles.
De Javé receberam igualmente a promessa da «terra onde corria o mel e o leite». Esta terra, Palestina, que significa país dos Filisteus, já tinha, infelizmente, dono, sendo também conhecida por Canaã.
Nota: O termo Palestina, oficializado desde a dominação romana, deriva dos Filisteus, ou «Povos do Mar», habitantes de «Pelistim, ou Filisteia» (Êxodo 15:14), que os hebreus empurraram para a planície costeira, durante as suas conquistas. A Palestina também é, na Bíblia, chamada de Terra Santa, Israel, Judeia e Canaã.

Moisés, o impiedoso, e a sua morte.
Em Números 31..., pode ler-se que antes de entrarem em Canaã, 12000 israelitas combateram 5 reis de Madiã, esmagando-os por completo. «Incendiaram todas as cidades e acampamentos habitados e levaram todos os despojos e tudo que era presa humana ou animal» A narração acrescenta que ao chegarem junto a Moisés (Números 31:14) «Moisés enfureceu-se» e disse « Porque deixastes vivas todas as mulheres (nalgumas Bíblias vem «fêmeas») ? ....  Matai, todos os meninos, bem como todas as mulheres que já tiveram relações com algum homem. As meninas, porém, que não tiveram relações com homens, conservai-as vivas para vós».
N
ota: Outro episódio bíblico que é aproveitado para acusarem o povo judaico de pedofilia, já que em várias Bíblias o termo usado para «meninas», é «crianças», e «criancinhas = the litle ones», em vez de «mulheres» o que, neste caso, denotaria um estado adulto.
Por ter desobedecido a Javé não lhe é permitida a entrada em Canaã ( Deuteronómio 32:48), e Moisés morre no monte Nebo, após uma travessia do deserto que durou 40 anos, contemplando de longe a terra prometida. Durante esta travessia Javé alimentou os Hebreus, uma vez com codornizes e depois com maná, um alimento «branco como as sementes de coentro e sabendo a bolo de mel» - Êxodo 16:16... 31.

A carnificina da conquista da Terra Prometida. Javé implacável.
É com Josué que prosseguem a caminhada e conquistam essa terra, que depois é repartida pelas 12 tribos de Israel.
Foi uma feroz odisseia com inteiras populações frequentemente chacinadas ou tornadas escravas, seguindo instruções detalhadas de Javé.

Pode ler-se na Bíblia um relato de uma dessas campanhas
Deuterónio, 3:4...: «Foram sessenta as cidades, todas na região de Argob, o reino de Og, em Basã ... Exterminando todos os seus homens, mulheres e crianças, conservámos apenas o gado e o saque das cidades...», e Deus não ficava satisfeito quando lhe desobedeciam: Deus instruiu Saul
(1Samuel,15:3) para atacar Amalec: «Volta ao extermínio ... matarás tanto homens como mulheres, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos». Saul não cumpriu integralmente com esta ordem (apoderando-se de algum gado dos Amelecitas, ou Amelitas) e por isso Deus retirou-lhe a sua benção. 1Samuel,15:11.
.

Nota: Estamos perante citações que parecem mostrar
o «aspecto sanguinário» de Deus, na medida em que as atrocidades eram cometidas sob seu comando. No entanto, aquele bárbaro procedimento era vulgar nesses tempos, sendo praticado por todos os povos durante uma guerra. Não esquecer que o mesmo se passou recentemente como, por exemplo, no selvático extermínio de milhões de Judeus às mãos dos Nazis, nos genocídios na Arménia (pelos turcos), em Ruanda, no Uganda, no Kosovo, no Sudão, etc.

Um aspecto deplorável do ensino da história nas escolas é que estes massacres geralmente não são mencionados, ou só são indicados aqueles que favorecem a corrente política ou religiosa do momento, parecendo que há uma conspiração para que não se dê a imagem que o homem pode ser um feroz predador da sua própria espécie, sem um mínimo de escrúpulos, misericórdia ou remorsos.

Por volta do ano 1010 (data incerta) a.C. o rei David derrotou os Jebusitas em Jerusalém (uma cidade-Estado cananeia) e decidiu convertê-la em cidade administrativa, cerca-a de muralhas, traz para ela a Arca da Aliança e passa a chamar-lhe a Cidade de David e fundou o Estado Davídico, com 12 tribos hebraicas.

Seguiram-se centenas de anos de guerras territoriais e religiosas contra os pagãos, cujas religiões eram frequentemente amalgamadas com o culto de Javé

Salomão, «o génio tonto», ou «The wise fool», à inglesa. O homem das 700 mulheres e das 300 concubinas.

Salomão sucedeu a David. Por volta de 967a.C ergue em Jerusalém o majestoso Templo de Salomão, destinado a abrigar a Arca da Aliança contendo as duas tábuas de pedra com os 10 Mandamentos, ergue igualmente tempos aos deuses pagãos das suas mulheres e das concubinas (teve 700 mulheres e 300 concubinas), e um grandioso palácio para si. Para angariar fundos para estas megalómanas construções impõe impostos pesados ao seu povo e recorre ao uso de trabalhos forçados.

Um povo desunido. O mistério das 10 tribos perdidas.
Em 931 a.C. ao tempo de Rehoboam, sucessor de Salomão, o Estado Davídico dividiu-se em dois reinos : Israel no norte compreendendo 10 tribos com capital em Samaria e Judá no sul, compreendendo 2 tribos, com capital em Jerusalém, ensombradas com o decorrer do tempo por muitas querelas internas e corrupção, o que os enfraqueceu.

Em 722 a.C. o reino de Israel é atacado e eliminado pelos assírios que deportam todos os sobreviventes para a Assíria, e nunca mais se ouve falar deles, e por isso são chamados «as 10 tribos perdidas de Israel». A Assíria é, por sua vez, vencida pela Babilónia em 612 a.C.

O reino de Judá sofreu igualmente vários ataques. Um deles em 604 a.C, outro em 597 a.C. e outro em 586 a.C. em que Jerusalém e o seu Templo, foram destruídos pelos exércitos babilónicos de Nabocodonosor II, após várias refregas e um cerco em que as mães judias para se alimentarem «cozinhavam os próprios filhos, que tinham morrido à fome», tendo o seu rei Zedelkian e os habitantes sido deportados para a Babilónia numa Diáspora que durou 70 anos, altura em que são libertados pelo rei persa Ciro, o Grande, em 539 a.C. e enviados para a província que correspondia, grosso modo, ao antigo reino de Judá. Regressados à sua terra, reconstruíram cidades e o templo, ficando a região sob domínio medo-persa até 333 a.C, data em que Alexandre Magno vence a batalha de Isso.
Deve notar-se que por esta altura a Palestina era uma mescla de povos de várias origens  (autóctones, invasores e mestiçagem)  onde os judeus abundavam, mas não eram os senhores absolutos como antigamente.

No Salmo 137 (Bíblia) encontramos esta estrofe, «Cântico dos exilados da Babilónia», em que os últimos versos levantam grande controvérsia pela violência contra crianças (ver frases sublinhadas):

« Junto aos rios da Babilónia  /  sentamo-nos a chorar  /  lembrados de Sião (Jerusalém)  /  Nos álamos, ali perto,  /  suspendemos as nossas harpas  /........ / Se me esquecer de ti, Jerusalém,  /  que se paralise minha mão direita!  /  Pegue-se minha língua ao paladar, /  se me esquecer de ti,  / ....... /  Filha da Babilónia, que serás devastada,  /  ditoso quem te der  /  a paga do mal que nos causaste!  /  Ditoso quem agarrar teus filhinhos  /  e os esmagar contra o rochedo! »

A partir daqui vários outros povos como os Lágidas, Selêucidas, e Asmoneus, depois da famosa revolta dos Macabeus, dominaram a região até à vinda das legiões romanas.

Os Romanos

Conquistaram a zona palestiniana em 63 a.C. Dominaram-na por alguns séculos, e foi durante este período que Jesus foi aprisionado e sentenciado à morte: acabaria morto pelos romanos, segundo alguns judeus, morto pelos judeus segundo alguns romanos ou, alvitram outros, fisicamente morto pelos romanos e moralmente pelos judeus. 

O (segundo) Templo de Jerusalém foi destruído por ordem de Tito Flávio à roda 70 d.C, como represália pela primeira revolta armada dos judeus, e dele só resta actualmente um muro do terraço, o muro ocidental ou Muro das Lamentações. A destruição de Jerusalém dá-se entre 132-135 d.C. após os romanos sufocarem a segunda revolta dos judeus, obrigando-os a dispersarem-se, numa outra Diáspora, pelo vasto Império Romano. Entre 200 e 300 d.C os judeus tornam-se cidadãos de Roma e são permitidos a restabelecerem-se na Palestina. É na sequência destes acontecimentos que, por volta dos séculos III - V, surge oTalmude.

Os Bárbaros, etc.
Por fim vieram os "bárbaros", que dominaram o que restava do império romano, os bizantinos, os «maometanos» e outros povos que tinham sucessivamente conquistado a Palestina mas, no fim, acabaram islamizados.

Apanhados no meio desta barafunda toda, os judeus foram forçados a viverem dispersos por todo o mundo, sem pátria, perseguidos e assassinados em várias nações, debaixo dos mais falsos e torpes pretextos, por cristãos, muçulmanos, e ateus.
Ao longo deste percurso Deus teria dado «ao seu povo escolhido» regras de conduta física, moral e espiritual, no sentido de encontrarem a «vida e salvação eterna», após a morte. Estas regras, e as atribulações de percurso, podem ser lidas, em minucioso detalhe, nas escrituras sagradas judaicas e que no seu conjunto, dizemos simploriamente, definem «o judaísmo». Como parcial alternativa podemos consultar o Antigo Testamento, da Bíblia Cristã.


Jerusalém. Terra Santa islâmica desde quando?
Jerusalém aparece no Antigo Testamento sob cerca de 70 nomes diferentes, (Entre eles, Shalem, ou Salem, Jébus, Sião) e em documentos babilónicos muito antigos sob a forma de «Urusalim» nome que os hebreus pronunciavam «Yeruchalaim». Sabe-se que em 1370 a.C. teve  Abdi-Heba por rei, um vassalo do faraó Amnenófis IV.

A etimologia do nome é incerta, mas parece que é um nome teofórico que significa «fundação de Salém». Em Ugarit (séc XIV - XIII a.C) Salém é um Deus, identificado com Vénus. Cidade do Santuário/Templo ou Cidade Santa ('îr haqqodê) é um dos títulos mais característicos de Jerusalém no Antigo Testamento. A tradição islâmica fez desse título o nome habitual da cidade, primeiro sob as formas beyt el-maqdis ou beyt el-muqaddas e depois sob a forma mais curta el-Quds. (Enciclopédia Verbo)

O conflito actual, na Palestina, é (para além de irreconciliáveis diferenças religiosas) o resultado de:

1- Os judeus reclamarem que a Palestina foi uma dádiva de Deus aos seus antepassados.
2- Os árabes argumentarem que os Judeus não têm direitos sobre a Palestina já que há mais de mil anos que a perderam (como nação) quando foram desbaratados pelos romanos, mas os judeus respondem que, apesar da forçada diáspora, continuaram a existir muitos núcleos judaicos espalhados por toda aquela zona e pelos países vizinhos.
3 - A promessa feita pela Inglaterra de dar os mesmos pedaços de terra (Palestina) a árabes e a judeus para aí estabelecerem os seus estados independentes, como recompensa da ajuda que receberam de uns e outros durante a Grande Guerra.

Jerusalém, a cidade onde as três religiões se encontram enraizadas é a disputa mais difícil de resolver. Do ponto de vista puramente religioso tem-se:
Antes dos hebreus, Jerusalém não era considerada uma cidade santa num sentido generalizado à área circunvizinha como o é hoje, e só entrou no circuito islâmico em 638 quando o califa Omar, depois da morte de Maomé, a tirou do controlo do Império Bizantino, tendo sido entre 688 e 691 que se construiu a Cúpula do Rochedo e a mesquita el-Aqsa no sítio onde se erguera o Templo (Judaico) de Jerusalém em ruínas desde os anos 70, recinto esse que se passou a chamar Haram ech-Cherife (o Nobre Recinto Sagrado).

Não aparece explicitada no Alcorão o nome de Jerusalém como cidade santa islâmica, e associá-la à menção da «mesquita longínqua» (como o fazem os teólogos islâmicos) num dos versículos, só pode significar que esse versículo foi inserido após a morte de Maomé porque não existiu qualquer mesquita ou templo islâmico nessa localidade durante a vida do profeta, e tal inserção teria sido feito para «roubar» aos judeus a exclusividade da cidade como fulcro de um culto. Maomé sabia da  importância de Jerusalém para os judeus e cristãos, daí o episódio do seu milagroso voou nocturno no burro Buraque ao trono divino, em que faz escala em Jerusalém (Ver página sobre Islão), mas mesmo aqui fala-se de uma rocha (agora protegida pela Cúpula do Rochedo) e não de uma mesquita. Jerusalém tornou-se mais tarde a terceira cidade santa do Islão, emparceirada com Meca e Medina.

Os muçulmanos permitiam a peregrinação de judeus e cristãos às ruínas do templo, até à tomada de Jerusalém em 1071, pelos turcos seljúcidas sunitas (um dos ramos do Islão oponente dos xiitas), que começaram a pôr grandes entraves à mesma, e começaram a atacar o Império Bizantino, de ideologia cristã. Como resposta surgem as Cruzadas tendo os cruzados conquistado Jerusalém em 1099 para a perderem definitivamente para os árabes, comandados por Saladino, em 1187. Em 1517os turcos otomanos (também islamizados) tomam a cidade
Em 1917, durante a Primeira Grande Guerra, os ingleses expulsam os turcos e ocupam-na, controlando-a até 1948, período durante o qual começa um regresso massivo de Judeus à Palestina (sobretudo espoletado pelas perseguições nazistas), o que descontenta os árabes e inicia um conflito armado entre árabes e judeus, manchado por actos de puro terrorismo. Tendo-se tornado impossível internacionalizar a cidade esta foi dividida em duas zonas, uma controlada por Israel e outra pela Jordânia até 1967, altura em que Israel a reunificou após vencer a Guerra dos Seis Dias.


Capas de dois livros: O da esquerda, com os símbolos, populares, do Judaísmo (Estrela de David, que a lenda diz representar o escudo protector de David), do Islão (Crescente e Estrela), e o Cristão (Cruz). Os protestantes também usam frequentemente o peixe, como seu símbolo.
No livro da direita, aparece um
Menorah, um candelabro de 7 braços, de velas de cera, ou de lâmpadas eléctricas imitando velas. O Menorah, é o mais antigo dos símbolos Judaicos, representando a nação de Israel e, segundo a lenda, lembra os sete arbustos que Moisés viu arder. É limpo todos os dias  sendo aceso nas sinagogas ao Sábado. Miniaturas são por vezes usadas como amuletos.

No Primeiro e no Segundo Templo de Jerusalém, o Menorah tinha 7 braços, construído de acordo com as escrituras, sendo as velas na realidade pequenas lamparinas queimando óleo. Depois da destruição dos Templos e tendo os Romanos levado o enorme Menorah existente no Templo, para Roma, os Judeus evitaram por bastante tempo copiar o candelabro original, e usavam um com 6 braços. Actualmente fazem-se versões do Menorah tendo desde 3 a 12 braços.

Menorah do Templo(Gravura mostrando Romanos levando o enorme Menorah do Templo de Jerusalém. Relevo no Arco de Titus, Roma.  Foto: www.isurvived.org)

O Menorah de 9 braços é usado na cerimónia de Chanukah, que comemora a vitória dos Judeus sobre os Gregos, e o milagre de uma única dose de óleo encontrada, à altura, no Templo para iluminar o Menorah, e que só devia durar um dia, ter durado 9. Nesta cerimónia acende-se a vela na estrema direita do Menorah, cujo braço está muitas vezes montado mais distanciado dos outros 8, e depois acende-se, para a esquerda, um braço por dia, durante os 8 dias (feriados) seguintes.

 


(Foto mostrando um judeu, rezando na muralha que resta do devastado Templo de Jerusalém
Foto: www.loretonh.nsw.edu.au )

«O muro ocidental, conhecido como Muro das Lamentações, é o lugar mais sagrado e venerado pelo povo judeu por tratar-se da única relíquia do último templo.
O Muro Ocidental é uma pequena parte da muralha que Herodes construiu no ano 20 a.C., em redor do segundo Grande Templo.

No ano 70, quando da destruição da cidade por Tito, este deixou de pé esta parte da muralha com seus enormes blocos de pedra, a fim de mostrar, às gerações futuras, a grandeza dos soldados romanos que foram capazes de destruir o resto da edificação. Durante o período romano não era permitida, aos judeus, a entrada em Jerusalém.
Entretanto, durante o período bizantino, lhes foi permitido entrar, uma vez por ano, no aniversário da destruição, quando lamentavam a dispersão de seu povo e choravam sobre as ruínas do Templo. Daí o nome: Muro das Lamentações.

O costume de orar junto ao Muro continuou durante o decorrer dos séculos. Entre 1948 e 1967 o acesso ao Muro foi novamente proibido aos judeus, já que ele se encontrava na parte controlada pelo Jordão da cidade dividida. Depois da Guerra dos Seis Dias, o Muro das Lamentações converteu-se em um lugar de jubilo nacional e de culto religioso»
... http://israel.chai.tripod.com/id6.html

 

O massacre dos «Marranos».

Os dois irmãos Judeus a serem queimados« ... Contam os testemunhos que tudo terá começado na Baixa, no dia 19 de Abril de 1506, um domingo, na Igreja de São Domingos, quando alguém gritou ter visto o rosto do Cristo crucificado iluminar-se inexplicavelmente no altar. Em redor, gente que rezava pelo fim da seca prolongada que grassava pelo país clamou que era milagre. Entre eles, um judeu convertido à força terá tentado explicar que a luz que emanava do crucifixo era apenas um reflexo de um raio de sol que entrava por uma fresta. Terão sido as suas últimas palavras. Arrastado para a rua, o marrano e um irmão seu foram espancados até à morte. Os seus corpos mutilados foram arrastados para o Rossio e queimados em frente dos Estaus – onde décadas depois foi instalada a Inquisição. Eles eram apenas os primeiros de entre mais de 4 mil mortos – anussim, judeus portugueses, homens, mulheres e crianças, assassinados em três dias sangrentos.
Incitada por frades dominicanos, a multidão que entretanto se aglomerara decide partir em direcção da Judiaria, gritando “morte aos judeus” e “morram os hereges”. As incompreensíveis cenas de violência que se deram a seguir fazem parte de um pedaço da história de Portugal que a História resolveu esquecer...»
Parte de texto e imagem (reduzida): http://ruadajudiaria.com/index.php?p=498

Nota:  O número certo de vítimas deste massacre não é conhecido pois ao tempo (reinado de D. Manuel I) não havia estatísticas populacionais, mas tudo leva a crer que milhares de judeus não só foram barbaramente assassinados como foram roubados dos seus bens.  O rei D. Manuel I ordenou um inquérito ao massacre, e 45 culpados, incluindo os frades que incitaram o povo à matança, foram executados e as suas propriedades confiscadas, e foi concedida aos «marranos» uma certa liberdade religiosa por um período de  20 anos.
No século XVI começou a emergência de uma espécie de «capitalismo» em Portugal sendo os judeus não só a classe mais rica mas também a mais cientifica e culturalmente avançada, o que despertou a cobiça e inveja por parte dos não judeus que se aproveitaram dos mais falsos pretextos para dar vazão à sua inveja materialista e ao seu ódio racista e religioso contra os judeus.

Num livro de história pode ler-se:  A 17 de Abril de 1506 descobriu-se que alguns marranos tinham em sua posse carne de aves, e outras, preparadas à maneira judaica (Kosher, ou cosher) assim como pão não fermentado (pão ázimo) e ervas amargas cumprindo os preceitos da  «Páscoa judaica», a celebrar à noite nesse dia. Alguns deles foram presos mas, por razões desconhecidas, foram libertados no dia seguinte, o que teria enfurecido o povo e alguns frades, levando à deplorável reacção a 19 desse mês, após o incidente do «milagre» do crucifixo. Para saber mais acerca de comida «kosher» (judaica) clique nesta linha.

Segundo um dicionário, «Marrano é um nome injurioso e sarcástico aplicado aos Judeus e Mouros, segundo uns, pela repugnância que eles mostravam pela carne de porco («marram» ou «marrão»), segundo outros pela sua conversão aparente ou pouco sincera e portanto não genuína, impura, no sentido dado aos termos «marram» ou «marrão» no Cancioneiro de Resende (I,228-229; II,179):  «São marram os que marram / nossa fé mui infieis / bathisados...»
De Castela passou à Catalunha e a Portugal. Começou a estender-se à Europa nos fins do séc. XIII, e no séc. XVI o insulto clássico, em boca italiana contra o odiado espanhol, vinha a ser o epíteto de marrano. Para os italianos, a Espanha estava contaminada pelo «marranismo...».

A maioria dos «marranos» eram judeus (refugiados na Europa) que em Portugal e Espanha tinham sido convertidos à força ao cristianismo (para poderem permanecer no território) sendo também conhecidos por «novos cristãos». Além de terem de frequentar as igrejas cristãs e cumprir os seus rituais, também tinham de comer carne de porco, etc.

Um pouco de história das alheiras

Apetitosas alheiras, graças as Judeus!« A arte de fazer alheiras foi inventada pelos judeus como artimanha para escaparem às malhas da Inquisição. Como a sua religião os impedia de comer carne de porco, eram facilmente identificáveis pelos seus perseguidores pelo facto de não fazerem nem fumarem os habituais enchidos de porco.
Assim, substituíram a carne de porco por uma imensa variedade de carnes, que incluíam vitela, coelho, peru, pato, galinha e por vezes perdiz, envolvidos por uma massa de pão que lhes conferia consistência.
A receita acabaria por se popularizar entre os cristãos, mas estes juntavam-lhe a omnipresente carne de porco. Hoje, as mais afamadas são as de Mirandela, mas por toda a Beira Alta e Trás-os-Montes se fazem alheiras artesanais de excelente qualidade. Geralmente são fritas em azeite e servidas com legumes cozidos... Mas também podem ser estufadas, depois de envolvidas em couve lombarda»
... Imagem e parte de texto: www.bragancanet.pt/brunhoso/alheiras.htm
 

O Sionismo

É um movimento político e religioso judaico, iniciado no século XX, que defende a legalidade da existência de um estado israelita independente, na Palestina.

A 14 de Maio de 1948 Ben-Gurion declarou ao mundo a criação do Estado de Israel, com a oposições de árabes e de muçulmanos, oposição que se arrasta até aos dias de hoje, tendo cada beligerante a sua particular interpretação desse diferendo. Até meados de 2008, Israel já se envolveu em 7 guerras com os seus vizinhos.

As duas faces da moeda palestiniana
Duas visões do mesmo problema: À esquerda, os árabes muçulmanos vêm uma martirizada Palestina
islâmica (rapariga crucificada) a ser massacrada pelos E.U.A. (cristão) e por Israel (Judeu).
À direita, os judeus vêm os árabes a quererem destruir Israel.
Cartoons:
www.sefarad.org/desinfo/arrow.jpg e http://kahane.org/images/cartoons/cartns.htm


Nota: Na Bíblia o povo judaico aparece como «Hebreus», «israelitas» e «judeus». Tudo tem a ver com a sua posição ao longo da história. De uma maneira simplicista tem-se: Hebreus: Da partida do Eufrates à entrada no Egipto. Israelitas: Da saída do Egipto ao exílio na Babilónia. Judeus: a partir desta altura. Hoje em dia os três termos são considerados equivalentes, mas está mais popularizado o de «judeus». O termo Israelita deriva de Israel, um dos descendentes de Abraão, que inicialmente se chamou Jacó. Israel teve 12 filhos varões, que se tornaram os fundadores das 12 tribos da nação Israelita. Um destes filhos era Judá, de onde derivam termos como Judá (reino), Judeia e judeu.

Os judeus foram separados e exterminados aos milhões e os seus bens confiscados mas conseguiram sobreviver, o que é um caso único na história de um povo com raízes tão antigas, sendo ainda mais espantoso que essa sobrevivência ao longo de milhares de anos não se ficou a dever a poderio militar ou cultura científica ou artística, mas a um espírito indomável alicerçado na religião e alimentado por uma fé inabalável em dias melhores.

Act. 0711090940
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