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  Crescente e estrela, símbolo do Islão, presente em muitas bandeiras.

Breve história de Maomé (Muhammad-ibn-Abdalag-ibn Motalib), e do Islão

 

 ISLÃO, «A Submissão a Alá»

«Em nome de Alá, Misericordioso, sempre Clemente »

Um árabe não é necessariamente um muçulmano, e só dez por cento dos muçulmanos são árabes. A maior parte do antigo mundo tribal árabe só foi convertido à Lei Islâmica (Islão) a partir dos anos que se seguiram a 622 d.C. por Maomé, e seus sucessores. Árabes e judeus são semitas (descendentes de Sem, filho de Noé).

A Arábia pré-maometana

Tanto do ponto de vista religioso como político a península Arábica era um mosaico de culturas inimigas, ou meio amigas, consoante as necessidades dum volátil momento. É a maior península na terra, cobrindo uma vastíssima área, apresentando uma geomorfologia variada, desde desértica, com alguns oásis pelo meio, a prados cultiváveis. A sua população podia grosseiramente ser dividida em dois grupos: os do norte, ou Nizaritas e os do Sul, ou Iemenitas, estando fragmentada em clãs, cada um sob a liderança de um chaick ou sayid, tendo os povos do sul uma cultura um pouco mais avançada (aqui nasceu o lendário reino de Sabá), que os do norte.
Nos oásis e cidades, a população levava uma vida sedentária e, onde possível, dedicava-se à agricultura (particularmente tâmaras e cereais), ao artesanato e ao comércio. Fora deste meio eram nómadas criando camelos, ovelhas e cabras.


Sudão (2005)   Foto: www.wwwalk.org

Basicamente, havia os árabes beduínos que viviam no deserto e os árabes que povoavam mais as áreas costeiras, como os Quraixita ou Koraischita, onde estabeleceram entrepostos comerciais em pontos estratégicos das rotas comerciais.

Nos anos 70 d.C. quando se deu a destruição de Jerusalém, os judeus começaram a emigrar para estas zonas, sendo no entanto por volta do século V e VI que houve uma grande emigração cristã e judaica para a península como fuga às guerras entre os impérios Sassânida e Bizantino.

O oásis de Meca era já uma importante encruzilhada das rotas comerciais com os países vizinhos (Mesopotânia, Síria, Palestina, Egipto e Etiópia) com quem acabariam por se envolver em guerras. Convivendo com estes povos nativos, encontravam-se núcleos de cristãos e judeus, com um número razoável destes em Meca, Medina, Khaibar e Najrân. Estas zonas eram, com frequência, atravessadas por caravanas de mercadores judeus e cristãos. Em algumas destas zonas existiam fortes judaicos como o de Khaibar de onde viria, como despojo de guerra, uma judia viúva tornada escrava e que depois seria a nona mulher de Maomé. (Episódio relatado mais abaixo).

Moral, e socialmente, os árabes regiam-se pela «lei da selva», em que o mais forte impunha à espadeirada os seus desejos, fossem eles quais fossem. Este estilo de vida foi mais tarde chamado pelos muçulmanos de Jâhiliya, significando selvajaria.

O nascimento e a infância atribulada de Maomé

Maomé, nasceu por volta de 570 d.C. em Meca ou Makkah, na Arábia Saudita. O seu pai, Abd-Allah, ou Abdullah, tinha entretanto falecido e, ao nascer, Maomé foi entregue aos cuidados de uma ama beduína para o amamentar como era costume dos árabes à altura. Aos 5 anos foi acometido de crises epilépticas, tendo sido devolvido aos cuidados de sua mãe Amina, que morreu um ano depois. Pela Sira (biografia do profeta), sabe-se que ficou ao cuidado do seu avô, Abdul Muttalib, e depois da do seu tio Abu-Talib Com.
Nota: Maomé, em português, aparece referido de várias maneiras (Maomé, Maomet, Muhammad, Mohammad, Mafamede e Mafoma) e há disputas sobre a melhor escolha.

Cameleiro aos 15 anos. O seu primeiro casamento

Aos 15 anos tornou-se cameleiro (condutor de camelos integrados em caravanas) e aos 25, com essa profissão, entrou ao serviço de uma viúva rica (que sobrevivera a dois prévios casamentos), Khadija, ou Khadijah, de 40 anos, baseada em Meca, com quem casou cerca de um ano depois. Tiveram 2 filhos que morreram muito novos e 4 filhas. Destas há a salientar Fátima, que alguns islamitas afirmam ser a Nossa Senhora de Fátima aparecida em Portugal a 13 de Maio de 1917 (primeira aparição), aos 3 pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta.

Khadija morreu em Dezembro de 619, isto é, cerca de dois ou três anos antes da Hégira, quando Maomé rondava os 50 anos.


A Caaba (ou Ka'aba ou Qa'ba), albergando a Pedra Negra (ou «Hadschar al Aswad», ou Yamin Allah significando «a mão direita de Deus») e estatuetas de Jesus e da Virgem Maria. A Estrela, o Crescente Lunar, a mão de Fátima.

Maomé cresceu numa sociedade árabe politeísta e violenta. Os árabes tinham um Alá supremo (Alá = Deus) e, abaixo dele, dezenas de outros «Alás», particularmente adorados por certa tribo, e representados na Caaba, em Meca, por uma estatueta, pedra, pedaço de árvore, etc, de que tinham pequenas duplicações que carregavam como amuletos. Alguns deuses eram comuns como a deusa al-Ozzâ (a estrela da manhã, ou Vénus), a deusa Hubal (a Lua) que aparece com outros nomes, que permanecem como símbolos do Islão, e a Pedra Negra. No Alcorão há passagens referindo-se à lua, como na surata 74:32 onde se tem «Estou a falar a verdade, juro pela lua...».

De acordo com historiadores islâmicos na Caaba também estavam representados Jesus e a Virgem Maria.
(
al-Azraqi 111, cf. p. 76 , e The Life of Muhammad, Ibn Ishaq's Sirat Rasulallah), página 552)

Os islamitas acreditam que a Caaba, um edifício de blocos de pedra e que atinge uma altura de cerca de 15 metros, foi construída originalmente por Adão, destruída pelo Dilúvio e reconstruída pelo profeta Abraão, estando directamente debaixo do «trono de Deus», e que Meca é o «umbigo do mundo». A Caaba só tem uma porta de entrada e é, por dentro, um amplo recinto medindo cerca de 13 por 9 metros.


Por ordem: A Pedra Negra com bacia protectora, a Caaba, como era no século VIII, e como é agora à noite,
capa do livro «O Islão» de Dominique Sourdel, e a porta de entrada folheada a ouro, parcialmente coberta a partir
do topo por um magnífico tapete.  www.islamicsupport.net

Já antes de Maomé, todos os anos, os árabes iam em peregrinação a Meca, entravam na praça central (Masjid), rodavam em torno da Caaba, rezando aos seus ídolos e iam tocar e beijar a Pedra Negra que se supõe ser um meteorito (os árabes nunca permitiram a sua análise) e que com o tempo começou a rachar e a desintegrar-se, tendo de ser protegida por uma bacia como mostra a imagem.

Pedras contra o diaboDepois deslocam-se a Mina, a uns quilómetros de Meca, onde repousam por um dia e depois partem para o planalto de Arafat. Daqui regressam a Mina para o festival Rhummy, que consiste em atirar 7 pedras a cada um dos 3 obeliscos representando Satanás. Comemoram o apedrejamento de Satanás por Abraão, por aquele o querer impedir de obedecer a Deus no episódio da imolação do filho. Ver página de imagens.

 Diabo apedrejado - Foto: www.bible.ca

Actualmente, a peregrinação, ou Hajj, a Meca mantém-se, os muçulmanos dão 7 voltas à Caaba (´0mra) e continuam a venerar a Pedra Negra que, segundo a tradição islâmica, foi dada a Abraão pelo arcanjo Gabriel. A adoração desta pedra, os símbolos do Crescente e da Estrela, assim como o amuleto representando a mão de Fátima (filha de Maomé), que dá "boa sorte", e que ainda hoje se verifica, são paradoxos já que os muçulmanos estão proibidos de venerar ou adorar objectos, imagens ou estatuetas.

Encontro com judaísmo e cristianismo

Durante as suas viagens de caravaneiro teve inúmeros contactos com judeus, cristãos e persas, o que lhe permitiu conhecer e comparar as respectivas crenças. Este ambiente promíscuo religioso do politeísmo árabe com o monoteísmo cristão e judaico e o facto de não ser bem aceite por certos núcleos árabes, mesmo sendo marido da respeitada Khadija, deve tê-lo impelido a procurar conforto na meditação espiritual.

Sabe-se que Maomé em Bostra, no Jordão, acolhia-se num mosteiro nestoriano (seita cristã) e que aí escutava os mistérios e cânones desta e doutras seitas cristãs. Nesta altura já existia na Arábia pelo menos uma tribo árabe, a Hanifita, que adorava um só Deus, provavelmente influenciada pelo contacto com os vários núcleos de judeus e cristãos, e que um primo de Khadija, Waraqah, era cristão.

Maomé era analfabeto (mas inteligente e culto, sendo conhecido na sua juventude por El-Amin, o sabedor), e como tal tinha de decorar toda a informação colhida que estava certamente adulterada por interpretações sectárias e falhas de memória.
Daí que o Alcorão, o livro sagrado do Islão descrito mais abaixo, não tem um «Antigo Testamento» separado, cópia do Tora (ou Torah) Judaico como é o caso cristão, mas faz-lhe alusões geralmente de uma maneira livre e não fiel, como é o caso de Maomé afirmar que «Deus nunca fala directamente aos homens», enquanto que na Bíblia e no Tora, há várias referências a esse contacto directo, como na admoestação dada a Eva e Adão (chamados mulher e homem por Deus. Bíblia Génese 3:16 ...), às duas vezes que Deus falou com Salomão, que não era um profeta (Bíblia 1Reis), ou à sua voz dirigida a um público em geral, por altura do baptismo de Jesus (Bíblia S. Marcos 1:11), e a contradizer o Novo Testamento ao afirmar que Jesus não é Deus mas apenas um profeta, não foi crucificado nem ressuscitou.

A visita do arcanjo Gabriel e a revelação divina.

Maomé, em 610, na gruta de Gar Hira onde costumava ir meditar, teve uma visão do anjo S. Gabriel que o incumbiu de transmitir e de «recitar» a Lei Divina de Allah, ou Alá, o Deus único e indivisível. (Alá, significa Deus em árabe, não sendo, um nome pessoal como o é Jesus).

Nota: Para o historiador Henrique Van Loon, no seu livro A História da Humanidade, «Maomé foi um caravaneiro... que estava em constante contacto com mercadores judeus e cristãos... Ele parecia ser um epiléptico sofrendo de ataques de inconsciência com sonhos estranhos nos quais ouvia a voz do anjo Gabriel...».
Para outro historiador «Quando Maomé sentia que o Espírito lhe falava, ele entrava em transe, envolvia-se com o seu manto e parecia estar dominado por um ataque nervoso...»

Para os Islamitas, «Maomé recebeu a palavra de Deus através do anjo S. Gabriel, não estando nem em transe, nem inconsciente. Qualquer similaridades entre as leis no Alcorão e do Tora (Judaico) advém do facto de virem do mesmo Deus, não sendo o Islão nem um ramo do Judaísmo nem do Cristianismo».

Os primeiros convertidos.

Assim como Alá não é um nome próprio mas uma palavra designando abstractamente Deus, Islão não é um nome de uma religião derivado de uma personalidade, sendo antes uma palavra-frase, significando ser necessário obedecer-se (submeter-se) a Deus. No ocidente o Islão é por vezes referido como Maometismo, designação do desagrado dos islamitas.
Por volta de 612, Maomé começou a recitar as mensagens «escritas e gravadas no seu coração e mente»  no seu núcleo familiar e de amigos chegados que, ou as decoravam ou escreviam no que tivessem à mão. A sua mulher Khadija foi a primeira pessoa convertida, seguida de Ali (seu primo em primeiro grau e filho de Abu-Talib Com), depois converteu-se o adoptado e ex-escravo Zayd e, finalmente, o velho companheiro e amigo conselheiro, Abu-Bakr.

A perseguição inicial, a tentativa de negociação, e um milagre de Alá.

Considerado um louco na sua comunidade, foi perseguido por elementos da sua tribo Quraixita ou Koraischita que temiam que as suas novas doutrinas sociais e religiosas (contra os outros deuses subalternos de Alá) pusessem em perigo os seus negócios e prestígio tribal. Perseguidos e maltratados durante 4 anos muitos dos seus seguidores refugiaram-se na cristã Abissínia (Etiópia dos dias de hoje), onde começaram a espalhar a sua fé.
Os seus inimigos em Meca tentaram negociar um compromisso com Maomé, após um dos seus homens fortes, Omar, se ter convertido ao Islão, mas Maomé recusou-se o que os levou a elaborarem um documento pelo qual Maomé e seus seguidores seriam marginalizados, ficando a ser proibido todo o tipo de coabitação ou de negócio com «aquele grupo de loucos».
Depois de assinado pelos interessados, o documento foi guardado no templo sagrado, Caaba, e o grupo de Maomé durante os três anos seguintes teve de viver nos arredores de Meca, só podendo entrar na cidade por altura das peregrinações.
Entretanto alguns dos seus amigos indo à Caaba verificaram que formigas tinham comido todo o documento excepto um pedaço com a frase «Em teu nome, Alá». Considerado um milagre, foi levantado o embargo contra Maomé e o seu grupo, mas continuaram a não ser bem-vindos na sociedade e as suas pregações não tiveram sucesso.

A fuga de Maomé para Medina, chamada Hijrah ou Hégira. A matança dos judeus.

Avisado que o iam matar numa certa noite, fugiu para Yathrib ou Medina em 24 de Setembro 622 (a 12 do mês de Rabî), um oásis a uns 350 Km a norte de Meca, que transformou numa cidade estado, e onde já tinha um grupo de protectores e seguidores. Há relatos que Maomé tinha também estabelecido contratos de cooperação e não agressão com os núcleos judaicos da zona, sendo provável que os judeus não se tenham apercebido quem era Maomé e quais as suas verdadeiras intenções, tendo-o tomado por um místico que iria seguir a lei Mosaica (Conjunto de leis e ensinamentos dados a Moisés por Deus), ou que não iria interferir com eles.

Nota:  O calendário Islâmico, ou calendário Hijri, definido na Surata 9: 36-37 do Alcorão, tem 12 meses mas, baseando o mês no movimento de translação da lua de 29,53 dias. Tem 12 x 29,53 = 354,36 dias, ou seja, é mais curto que o calendário solar Gregoriano dos Cristãos, e, para muitos outros fins que não o religioso, os muçulmanos usam paralelamente o Gregoriano.
Foi introduzido pela primeira vez no ano 638 ou 639 d.C pelo califa, 'Umar ibn al-Khattab e começou não a 24 de Setembro mas a 16 de Julho de 622 do calendário cristão, sendo essa data o primeiro dia do ano lunar. Quando se datam acontecimentos de acordo com o calendário islâmico, usa-se normalmente a abreviatura (no Ocidente) D.H. ou «Depois da Hégira», mas aparece também como A.H que é derivado do latim «Anno Hegirae». Os 12 meses chamam-se: Muharram ; Safar ; Rabiul-Awwal ; Jumadi-ul-Awwal ; Jumadi-uthani ; Rajab ; Sha'ban ; Ramadan ; Shawwal ; Dhil-Q'ada ; Dhil-Hijja. O primeiro dia de cada mês não é certo pois depende da visão do quarto crescente que marca o nascimento da lua nova, podendo variar de mais de 24 horas de sítio para sítio, e o primeiro mês, relativamente ao calendário Gregoriano também pode variar, devido à diferença de duração do ano lunar e do ano solar.


Uma vez em Medina, Maomé reuniu as várias tribos árabes lá vivendo, converteu-as ao Islão, passa a chefe teocrático, reuniu um exército e começou a combater os «infiéis» de Meca e outros recalcitrantes, sobretudo judeus.
Em Medina e arredores viviam 3 grandes núcleos de judeus. Convidados a converterem-se, os que o não fizeram e não fugiram a tempo «sofreram um castigo exemplar». Maomé começou por derrotar os clãs de Banu Qaynuquat e de Nadir. De seguida atacou e venceu o terceiro clã, o de Banu Quarayzah: 600 a 900 homens foram executados, trespassados pelas espadas, as mulheres e crianças, tornaram-se seus escravos ou foram vendidos como tal, e os seus bens usados para financiar o esforço de guerra contra Meca.
Para romper de vez com o Judaísmo decidiu apagar com os vestígios do culto mosaico (judaico-cristão) decretando que todos passariam a rezar voltados para Meca e não para Jerusalém, e associou o Islão directamente a Abraão que, por ter vivido antes da revelação da Lei Mosaica a Moisés, não era nem judeu nem cristão.

A primeira batalha.

A sua primeira batalha contra Meca, foi a de Badr  (Badre), no ano 2 da Hégira, provocada por ele ter previamente atacado e pilhado uma caravana que vinha da Síria rumo a Meca, durante o período sagrado do mês de Rajab. Foi uma batalha sem vencedores e onde Maomé foi ferido chegando a ter sido dado como morto. Os islamitas encararam a indecisão do resultado como uma vitória e um sinal de que Alá estava do lado deles.
A esta refrega seguiram-se várias outras, com vitórias e derrotas. Se ganhavam, isso significava que Alá os protegia, se perdiam, então estava Alá a testar a solidez da fé dos seus guerreiros. Uma refrega famosa foi a «guerra do fosso». Sabendo que ia ser atacado por Meca, com a ajuda de um persa especialista no assunto cavou um fosso protegendo Medina. Os seus inimigos não conseguindo ultrapassar o fosso desistiram de o atacar.
 
A «traição» da tomada de Meca.

Em 628, os Quraixitas, verificando que não podiam facilmente vencer Maomé aceitaram tréguas por 10 anos (Tratado de Al-Hudaybiyah), durante as quais não haveria hostilidades e Maomé seria autorizado, ao fim desses anos, a entrar em Meca. No entanto, dois anos depois, em Janeiro de 630 (8 AH), Maomé violou esse tratado de paz, entrou em Meca e dominou facilmente a pequena resistência que encontrou.
Indo à Caaba destruiu os ídolos existentes, e impôs a sua fé ao grito de «Allah akbar» (Alá é o maior), poupando unicamente a Pedra Negra, que era um símbolo de união das tribos árabes. Há contradições quanto ao destino que Maomé deu às representações de Jesus e de Virgem Maria, dizendo uns que foram retiradas da Caaba, e outros, que não.

Jesus e o «Apocalipse» islâmico.

Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus e outros, são aceites no Islão como profetas (mensageiros de Deus para revelar mandamentos sagrados), e a Virgem Maria é respeitada como mãe de Jesus, mas sem um status como o encontrado no culto do Marianismo cristão.
Os judeus e os cristãos são frequentemente referidos no Alcorão como Povo do Livro e Povo das Escrituras, geralmente para os atrair ao Islão e lembrar-lhes os desacatos religiosos que cometeram como a idolatria, perseguição e deificação de Jesus, etc.
Por muito surpreendente que possa parecer, Jesus, como profeta, é mais respeitado entre a comunidade islâmica do que o é por grande parte dos cristãos. Os muçulmanos não toleram irreverências contra Jesus do tipo que é feito e aceite no mundo cristão. Jesus é uma figura chave no conceito do Dia do Juízo Final islâmico.

Como o Apocalipse cristão, o «Apocalipse» islâmico é extremamente alegórico e confuso, sendo muito difícil estabelecer uma cronologia de acontecimentos que façam sentido.

Deduz-se vagamente que «Jesus regressará à terra em Damasco, que ele matará o Anti-Cristo e o respectivo séquito de 70000 judeus do Irão, matará os porcos e partirá a cruz» significando que destruirá o falso cristianismo e «aclamará o Islão como sendo a religião verdadeira, que o número de homens na terra diminuirá e o das mulheres aumentará até atingir uma proporção de 1 homem para 50 mulheres, que Roma (significando Europa) será conquistada, que a situação sobre a terra nesse período será turbulenta alternando entre hecatombes naturais (O Sol dobrar-se-á -S.81:1, o Sol e a Lua irão colidir -S.75:9, as estrelas vão cair do céu - S.81:2, as montanhas explodirão -S.81:3, o céu rasga-se em dois -S.55:37, guerras e delícias paradisíacas, que haverá uma ressurreição dos mortos , incluindo das meninas bebés enterradas vivas à nascença - S.81:8.9, e selecção dos justos ...». www.islaam.com/Article.aspx?id=450
Nota: Há uma aparente «obsessão» poligâmica no Islão ( 4 esposas e concubinas permitidas) com esta menção das 50 mulheres por cada homem, atendendo a que existe um muito contestado hadit afirmando que, no paraíso, cada homem muçulmano terá  72 (ou 70 noutras versões) «horis», ou imaculadas donzelas à sua disposição! Ver página de imagens.  O Alcorão apenas afirma que há donzelas (horis) e pajens no Paraíso para servirem os Justos em tudo aquilo que eles quiserem. Não cita 72 horis para cada homem.

Maomé, às bases e inspiração que foi buscar ao Judaísmo (e algumas ao Cristianismo), juntou regras sociais específicas ao bom funcionamento e à modernização do mundo árabe, suprimindo alguns costumes bárbaros como o aceitado assassínio de bebés meninas à nascença e, tanto quanto possível, instituiu uma sociedade mais justa e humana.

Como nasceu o Alcorão. As quatro fontes da lei. A xaria.
 


Duas versões modernas do Alcorão, em inglês.
As frases e palavras usadas nas mesmas suratas são frequentemente muito diferentes de versão para versão, ou devido às dificuldades na tradução do arábico, ou para suavizar certas afirmações mais ásperas.

As 4 «fontes da lei» ou «oçul al - fiqh» (lei Islâmica, civil e religiosa = shariah ou xaria) no Islão são:

1 - Alcorão ou Corão  (A lei) - a fonte fundamental, aceite por todos os muçulmanos. O Alcorão, é um livro com revelações e regras que pretendem mostrar ao muçulmano a ashshari'ah ou «o caminho da sua salvação». Maomé, não sabendo escrever, recitava as mensagens recebidas do anjo Gabriel a seus amigos que, ou as decoravam, ou tomavam notas.
Foram depois coleccionadas e escritas em arábico, no Alcorão de que chegaram a circular entre 7 a 4 versões diferentes. Destas, as 4 principais eram as de Damasco, de al-Kufa, de Baçora, e de Homç.

O terceiro sucessor de Maomé, o Califa Othman decidiu por volta de 650 instruir uma comissão de três entendidos para que estes produzissem um Alcorão único. Na sua compilação final (na realidade pré-final pois este Alcorão teve de ser corrigido posteriormente ao dar-se por falta de um versículo), sob a direcção de Zaid bin Thâib, não houve consenso, tanto mais que a insuficiência da escrita árabe à altura (não existiam os sinais para as vogais breves e os sinais diacríticos) deixava em aberto algumas dúvidas de interpretação de certas palavras. Os islamitas tentaram queimar todas as outras versões existentes mas houve locais onde alguns muçulmanos as esconderam e, enquanto puderam, usavam-nas como guia. Tem 114 suratas ou suras (capítulos) com mais de 2200 versículos.

A maioria dos islamitas não conhece o historial do Alcorão e acredita que ele nasceu de um original que foi redigido sob controlo directo de Maomé, sem erros, omissões ou adições, mas há seitas que acusam outras de terem inserido texto que não veio da boca do Profeta ou de terem suprimido secções. Por exemplo, há referências que Maomé mandava apedrejar as mulheres adúlteras, mas segundo o Alcorão de Othman estas devem ser castigadas com 100 chicotadas (Surata 24:2).

Literariamente o Alcorão é um livro mal estruturado: «As suratas estão dispostas sem qualquer ordem, apenas segundo a sua extensão; as mais longas encontram-se próximos do princípio e as mais curtas, do fim. São metidas a esmo Suratas de Meca (anteriores) e de Medina (posteriores). Repete-se a mesma coisa nas diferentes suratas.
Os brados e a glorificação da grandeza e do poderio de Alá alternam com preceitos, interdições e ameaças (de Jinns, ou duendes, e de Jahannam, inferno) na vida futura para todos os insubmissos. No Alcorão não há sequer marcas duma redacção literária como acontece com os Evangelhos cristãos; trata-se de textos rudes e mal acabados»
(História das Religiões, Serguei Tokarev)

«Seguir os tópicos no Alcorão é difícil. O assunto tratado dentro de um capítulo e até dentro de um versículo muda para diferente assunto sem transição, havendo uma falta de cronologia de acontecimentos ou de ideias. Maomé frequentemente recita não na primeira pessoa mas no plural, tipo - Nós criámos o mundo... - o que pode ser confuso...» (Um estudo do Alcorão, M. J. Fisher)

2 - Suna (Conduta, modo de agir) - livro relacionado com lendas, e com os «hadith», ou hadit, que são os dizeres que remontam ao profeta ou aos seus companheiros. A primeira biografia de Maomé, das que se conservaram, foi colectada por Homain Ibn Ishak, de Medina, no século VIII. Os hadits foram coligidos no século IX por teólogos muçulmanos como Muslim, Bocari e outros, após um extenuante escrutínio de milhares deles, tentando aproveitar aqueles com maior probabilidade de serem verdadeiros, tendo havido fortes divergências de opinião. Alguns dos hadits relativos à mulher muçulmana são de um teor desagradável, e muitos islamistas consideram que são invenções de inimigos de Maomé.
O direito canónico (fiqh) baseia-se muito no Suna. Os sunitas assim se chamam por seguirem o Suna.
Nota: Encontram-se frequentes referências a um livro (Tahrir al-Wasilah) que teria sido escrito pelo líder xiita iraniano Hayatollah Khomeim (1900- 1989), e fundador da República Islâmica do Irão depois da deposição do Shah da Pérsia em 1979  que, baseando-se nos hadits, daria muito estranhos conselhos aos muçulmanos.

3 - Qiyas (Novas leis criadas por analogia com outras)

4 - Ijma (Consenso geral ) - ou seja, é preferível as leis serem geradas por um «bom senso colectivo»

Os casamentos:

A poligamia era permitida antes do Islão, e continua a sê-lo. Com respeito ao casamento, encontramos no Alcorão conflitos entre 2 suratas:
A surata  4: 3 recomenda: « ... então casa-te ...  com duas, três ou quatro mulheres, mesmo que sejam tuas serventes ou cativas, mas se vires que não podes tratar todas elas de igual maneira, então casa-te com uma só...». Do «mas se» deduz-se que há casos em que é possível um muçulmano tratar várias mulheres equitativamente, contudo na surata  4: 129 tem-se: «Por muito que tentes, nunca será possível tratares todas as esposas por igual ...».

O que se sabe sobre a vida de Maomé é através de relatos conservados por tradição oral e postos em escrito 50 a 200 anos após a sua morte. Maomé deve ter tido mais de 11mulheres e a ordem dos casamentos não é consensual, sobretudo a partir do nono, nem se sabe ao certo se determinada mulher foi ou não sua esposa, ou apenas uma concubina.

No meio desta imprecisão diz-se que quando Maomé morreu, com cerca de 62 anos, deixou um harém de  «9 ou 10 mulheres, 2 concubinas e várias escravas», tendo a maioria dos seus casamentos sido feita com viúvas pela necessidade de criar alianças políticas ou de as amparar. Maomé aconselhava que os homens também se casassem com raparigas órfãs, viúvas, ou com mulheres que tivessem dificuldades económicas, a fim de as protegerem da miséria.

Maomé não se teria divorciado de umas mulheres para se casar com outras, tendo assim mais de 4 esposas simultaneamente, para as não deixar destituídas, atendendo a que a nenhum homem era permitido casar com uma sua ex-mulher ou viúva. (Surata 33:53).


As leis islâmicas do casamento (Surata 4) melhoraram muito a condição social da mulher relativamente à época pré-Maomé, e indicam como processar casamentos, divórcios, adultério, rebeldia da mulher, interacção conjugal (geralmente pedindo que se trate respeitosamente e com afecto as esposas), heranças e os casos de casamento ilegais.
Embora o marido se possa divorciar sumariamente das esposas, ele está obrigado a fazê-lo com justiça, e a não deixá-las destituídas ou desprotegidas. Pelo Alcorão, um muçulmano além das 4 esposas, pode ter escravas e concubinas, escolhidas de entre essas escravas.

Além dos casamentos a longo prazo há outra forma de casamento sumário:
O mutah, ou contrato de casamento especial, com dote, entre um homem e uma mulher por um período limitado de tempo, o que permitia aos homens terem esposas temporárias, muitas delas adolescentes, e facilmente divorciarem-se delas.

O Islão aceita a escravatura, desde que os escravos sejam bem tratados, não sendo permitido um muçulmano escravizar outro muçulmano. As esposas vivem num regime de separação de bens, mas têm o direito de conservar o seu dote mesmo em caso de divórcio.

Um casamento pedófilo e incestuoso?

No mesmo ano em que morreu a sua primeira mulher Khadija, Maomé comprometeu-se em casamento com Ayesha (ou Aisha ou A'ixa), filha do seu grande amigo Abu Bakr, tendo ela 6 anos, e «consumou fisicamente» o casamento quando ela tinha 9 anos. Como Abu Bakr e Maomé se tinham comprometido a considerarem-se irmãos então, por um costume do Islão, Aisha era «sobrinha» de Maomé, e daí alguns islamitas considerarem este casamento incestuoso.

Nesse intervalo de espera de 3 anos, Maomé casou-se com Sawda Bint Zam'a.
Nota: Vindo em defesa de Maomé, há islamitas que dizem que Aisha era mais velha do que os reportados 9 anos quando consumou o casamento, devendo ter uns «dezasseis anos», refutando outros historiadores islâmicos que se basearam na Sira e em vários hadits, contendo confidências da própria Aisha, em que ela diz que quando Maomé a escolheu para futura esposa, sem que ela entendesse muito bem o que se estava a passar, e com ela casou, ela ainda «brincava com bonecas». Ora ao tempo de Maomé estavam proibidos o uso de qualquer representação de seres humanos ou de animais  (para evitar idolatria iconográfica) incluindo bonecas. Só as crianças muito novas podiam brincar com bonecas, desde que o não fizessem em público.
Em algumas tabelas de origem islâmica, com a lista das esposas de Maomé, ela aparece como tendo 16 ou 17 anos quando se casou. Trata-se de um esforço de defesa não necessário porque ...

O Alcorão legaliza o casamento de um homem com esposa ainda criança, como se deduz da surata 65:4, segundo a qual um muçulmano deve esperar três meses antes de se divorciar não só de uma esposa adulta a quem faltou a menstruação, como de uma esposa «que ainda não é menstruada», para se certificar que não está grávida. A ser o caso, o Alcorão recomenda que o divórcio não vá avante e que se procure uma reconciliação.

Nota: Como relatado mais à frente, Aisha, depois de enviuvar, e Fátima (filha de Maomé por Khadija), devido às suas rivalidades iriam iniciar um sangrento cisma no Islão (dicotomia Sunita - Xiita) que nunca mais foi sarado.

Outro casamento incestuoso?

O seu sétimo casamento, controverso por ser considerado incestuoso por alguns islamitas, foi com Zainab, divorciada do seu filho adoptivo Zayd.
Maomé começou por casar a viúva Zaynab Bint Jash, contra vontade dela, com o seu filho adoptivo Zayd, mas o casamento deu para o torto desde cedo e acabou em divórcio, e então Maomé casou com «a muito formosa» Zainab, havendo relatos que o filho se divorciou por notar o interesse de Maomé nela.

Na surata 4:23 tem-se que é proibido, entre outros casos, um muçulmano casar-se com as viúvas dos próprios (consanguíneos) filhos, mas os islamitas argumentam que Zayd era um filho adoptivo e não consanguíneo, e Zaynab era divorciada e não viúva, logo não se tratou de um incesto. Por outro lado na surata 33:37,38 (que os críticos dizem quer Maomé inseriu propositadamente para se defender) lê-se que Alá decidiu que «... nós demos-ta (refere-se a Zaynab) em casamento de modo a não ser pecado para um crente casar com as (ex) esposas de filhos adoptivos...».

Um casamento, cor de sangue?

Na batalha de Khaibar travada contra os judeus, os vitoriosos guerreiros de Maomé fizeram reféns. Entre estes estava uma senhora judia, Safiyya Bint Huyay. Maomé escolheu-a como despojo de guerra, fazendo-a sua escrava e depois, esposa (décima esposa), apesar de nessa batalha lhe ter executado o pai, o irmão e o marido.

Enquanto que os detractores de Maomé o retratam como um homem lascivo sedento de mulheres novas  (há um seu hadith que, aparentemente, o confirma), os islamitas refutam este aspecto de luxúria e apresentam-no como um homem comedido e um marido exemplar, lembrando que ele esteve casado com Khadija durante 25 anos até ao falecimento dela, sem que tenha tido uma outra esposa ao mesmo tempo.

Muitos xiitas (um dos vários ramos encontrados entre islamitas, nascido com o quarto califa Ali, genro de Maomé, casado com Fátima) dizem que a sira (biografia de Maomé) e a suna (seus dizeres e comentários ) contêm lendas e mentiras sobre a vida de Maomé, inventadas por cristãos e judeus, ou por muçulmanos sob a «perversa influência desses  infiéis», para denegrirem o Islão e Maomé.

A surata 4:24, proíbe um muçulmano de casar-se com uma mulher ainda casada, a menos que ela seja uma escrava, despojo de uma guerra.

A mulher muçulmana e a mulher ocidental no Islão.
 

À esquerda, um cartoon comparando a liberdade concedida à mulher ocidental com a da mulher muçulmana (neste cartoon foi removido o nome de uma cantora).

À direita, um poster de um site islâmico afirmando que «A mulher islâmica é a mais livre (de todas), à superfície da Terra»

Uma leitura atenta do Alcorão leva a concluir que Alá criou a mulher para procriar, para servir o homem e para lhe dar prazer, apesar de ser igual aos homens aos olhos de Alá, mas: (surata 4: 34) «Os homens são o suporte das mulheres porque lhes deu algo mais do que a elas...», (surata 2: 228), «A mulher tem direitos como o homem mas os homens têm mais privilégios...»,(surata 2:223) «As mulheres são campos de cultivo para o homem usar quando o desejar, mas planear o futuro..».

A surata 2:282 especifica que perante a justiça, em casos de bens imobiliários, são precisos dois homens ou um homem e duas mulheres, isto é, o testemunho de uma mulher vale metade do de um homem. Por outras palavras, para se substituir o testemunho de um homem, são precisas duas mulheres «para no caso de uma delas se esquecer dos factos, a outra a fazer lembrar». Ela é considerada juridicamente incapaz de assinar um contrato matrimonial, tendo o mesmo de ser selado pelo seu tutor matrimonial e, em caso de herança, ela tem direito a uma menor parcela, relativamente aos herdeiros varões.

O Islão controla o estilo de vida das mulheres frequentemente impondo regras que não estão enunciadas no Alcorão do modo que alguns islamitas pretendem implementá-las, como o uso de burkas, o não se vestirem à moda de homem e não usarem roupas espampanantes que atraiam olhares de inveja ou de lascívia, ou que de algum modo revelem os contornos do corpo. Muitas destas regras têm a ver com hadits atribuídos a Maomé, ou com conselhos ou com «fatwas» (decisões) de líderes religiosos, mas neste caso há uma tendência para um islamita seguir a fatwa emitida por um responsável da sua tradição religiosa, ou seja, uma fatwa sunita pode não ser acatada por um xiita e vice versa.

Na surata 24:30, 31, o Alcorão manda: «Diz às mulheres crentes que não fixem os olhos nas pessoas, que cubram as suas partes privadas ... que não mostrem a sua beleza... que tapem o peito com um véu e não mostrem os seus ornamentos excepto aos maridos... (há mais excepções) ...e que não devem fazer ruído com os pés quando se movem ...»


Foto: Mãe, filha adolescente e bebé, muçulmanos - Afeganistão
Sobrepostas: fotos de duas adolescentes, com véu.
de: www.paginas.terra.com.br

Nota: Nem toda a comunidade muçulmana feminina se veste com a burka (burqa ou burqua) usando, frequentemente, vestuário mais ligeiro, ou mesmo do «tipo ocidental».
Os muçulmanos justificam tais leis dizendo «que elas enaltecem a modéstia inerente à mulher muçulmana que pretende ser admirada pelo seu carácter e não por uma possível beleza física ou aspecto sensual»

As moças muçulmanas a partir do momento em que têm a primeira menstruação, ou menarca, devem usar um lenço sobre a cabeça, só podendo mostrar em público a cara e as mãos, sobretudo na presença de homens e, em localidades mais remotas, deixam de frequentar a escola.

O que se segue é uma cópia de parte de um site islâmico   (http://www.w3.org/1999/xhtml)

«
Hoje em dia em algumas sociedades, particularmente no Ocidente, uma mulher pode andar seminua em público, nadar só com a parte de baixo do biquini, comandar bares e clubes, fumar, beber, dançar em discotecas e ter relações sexuais com qualquer um que ela tenha vontade.
Ela pode até servir ao namorado dela como uma prostituta gratuita, e pode ser livre para assassinar o bebé dela se ela engravidar. Ela pode também competir no mundo dos negócios usando o corpo dela para promover produtos comerciais.

No final do dia ela será tida como uma mulher verdadeiramente "livre"!

No Islão, no entanto, a libertação das mulheres é muito mais séria, nobre e dignificada que apenas o fogo de palha que é feito em sociedades chamadas permissivas onde as mulheres são tratadas como não mais que um objecto sexual. Hoje em dia no Ocidente é muito fácil condenar leis Islâmicas que protegem a pureza de propósito e a mistura de sexos em todos os níveis da sociedade.
Olhe para a chamativa capa de qualquer revista ou para anúncios de TV ou jornais; você descobrirá que a maioria desses anúncios tem mulheres pouco vestidas em poses provocantes para atrair a atenção dos homens. Isso prova que a sociedade Ocidental considera a mulher somente como um símbolo sexual.

A libertação das mulheres no Islão é muito superior à libertação ocidental, pois permite às mulheres viverem com respeito, dignidade e igualdade na sociedade.
Igualdade não significa se parecer ou comportar como homens ou dançar para seus ritmos carnais; isso seria um ato de inferioridade em face à feminilidade de uma mulher.
Uma mulher verdadeiramente livre sempre se veste com decência e modéstia. Uma verdadeira mulher nunca degradará o corpo dela nem venderá sua dignidade pela maior oferta. Nenhuma mulher é verdadeiramente livre se ela ainda for escrava de sua consciência caprichosa, luxo corporal ou infidelidade.

No entanto, no Islão as mulheres, quaisquer que sejam seus papéis como mães, esposas, irmãs ou filhas, comandam respeito e têm um papel construtivo na sociedade. O próprio Hijab confere uma aura de liberdade feminina, facilitando a movimentação delas e protegendo-as da provocação e ganância indesejáveis dos lobos humanos. Remover o Hijab faz você
(a muher) vulnerável à luxúria dos homens ...

... O status da esposa no Islão é tão respeitável que ela não é obrigada a fazer qualquer serviço de casa a menos que ela faça isso por vontade própria e com afeição; mas se o marido dela a forçar a fazer qualquer trabalho, ele terá que responder a Allah (SWT) por sua conduta. Também, ela não é obrigada a sustentar e manter a casa do seu marido. O trabalho dela deve sempre ser em conformidade com as Leis da Sharia. Ao contrário do mundo ocidental, a esposa Muçulmana é uma rainha na casa de seu marido. A primeira coisa que um marido faz por sua esposa é fornecer uma empregada e uma cozinheira de acordo com sua capacidade financeira, e quando ela se torna uma mãe, ela recebe o maior respeito de seu marido...

COMO AS MULHERES DEVEM OBSERVAR O HIJAB CORRECTAMENTE?

... Hijab tecnicamente significa cobertura. O Islão deseja a preservação da tranquilidade social e a paz familiar. E ele pede para elas baixarem seus olhares e guardar sua modéstia em sua iteração com os homens que elas não tenham parentesco ...

Basicamente, a vestimenta das mulheres deve cobrir o corpo inteiro excepto a face e as mãos (palmas e dedos). O cabelo não deve ser exposto, porque o Islão considera-o metade da beleza total das mulheres. O Hijab pode ser de qualquer forma e cor, uma única peça como o Chador, ou um conjunto de três peças, desde que não seja apertado ao corpo e não atraia a atenção das pessoas ... »


MGF

É vulgar em meios rurais africanos de inclinação islâmica, praticar-se a mutilação genital feminina (MGF), com excisão do clítoris a jovens (Não confundir com circuncisão masculina em que apenas o prepúcio, isto é, a ponta da pele que cobre a glande do pénis, é removido, operação explicada noutro tópico), e a infibulação, também chamada circuncisão faraónica.
A excisão tem por fim eliminar, ou drasticamente reduzir, a excitação, e a infibulação é feita para se evitar  «tentações diabólicas». A infibulação não só é praticada em virgens, que são «reabertas» antes do casamento mas, por vezes, a mulheres casadas depois do parto quando o marido «não deseja conhecer» essa esposa por longo período, ou se ausenta para outras paragens, usando a infibulação como um cinto de castidade.

O preceito religioso da circuncisão masculina é cumprido, em princípio, ao sétimo dia ou entre os 7 e os 10 anos, enquanto que os judeus o fazem quando a criança tem  8 dias.

«No Quénia (um país com uma forte implantação do Islão) a excisão que consiste na remoção do clítoris e até dos lábios superiores do órgão genital feminino, continua a ser uma prática tradicional nas aldeias, isto é, nalgumas tribos como os Nandi, Kisii, Meru, Massai e Somali.
Linah  ... (entre outros artifícios, evitou a excisão através da protecção da Igreja local) ...  disse que quando ela ingressou na escola secundária de Marakwet ,era a única jovem que não tinha os seus órgãos genitais mutilados. Mas ao contrário do esperado ela é que era a moça vaiada por todos, pelo facto de não ter sido mutilada. Todos diziam que ela jamais se iria casar e que jamais poderia ter filhos...
» Um relato da ministra queniana, Linah Jebii Kilimo


A agonia de uma menina a sofrer uma MGF (Foto:www.midle-east-info.org)

A segunda foto mostra o resultado de uma infibulação e, a terceira, um cartaz da Unesco.
A= Cicatriz da remoção total do clítoris
B= Lábios menores  (no interior) total ou parcialmente removidos, e os grandes lábios exteriores parcialmente lacerados e cosidos juntos, ou mantidos juntos até colarem com a ajuda de espinhos, como se fossem agrafos.
C= Única abertura deixada, do tamanho de um grão de milho, para escoamento da urina e sangue menstrual. Leva 15 a 40 dolorosos dias a sarar.

«A MGF, Mutilação Genital Feminina, tem uma incidência de 95% na Somália (um país muçulmano) e é feita em meninas entre as idades de 4 e 11, mas pode variar, desde a nascença à primeira gravidez. Esta prática está profundamente embrenhada na cultura de muitos povos, que acreditam que tal prática «purifica» as raparigas. Em certas comunidades uma rapariga não pode casar-se se não tiver sido submetida a essa mutilação». UNICEF

Também consideradas inaceitáveis para a mentalidade ocidental, que na opinião de muitos islamitas é «uma sociedade imoral, decadente e satânica» são as penas passíveis de serem implementadas pela Xaria (Lei social islâmica extremista), para adultério, relações íntimas «não naturais», agressão da mulher ao marido, e que podem na prática ir até à morte.
Há teólogos Islamistas que garantem que as muçulmanas adúlteras não são executadas porque, «de acordo com o Alcorão, (Surata 24 :2), tal ofensa é punida com 100 chicotadas, aplicadas aos dois amantes», com testemunhas muçulmanas a verificarem a aplicação do castigo, apesar de estar mais que comprovado que têm havido adúlteras executadas por apedrejamento ou por outro processo, não só por «justiça popular», como por sentença de tribunais sob controlo do governo.
Nota: Antes de serem apedrejadas, as mulheres  são enterradas frequentemente até ao pescoço incluindo os braços, enquanto que os homens, sentenciados a igual pena, são enterrados até à cintura, com as mãos atadas atrás das costas. Segundo a tradição popular, se um condenado, assim manietado, conseguir libertar-se e fugir, então é perdoado... mas quem o consegue fazer?
Um artigo do Código Penal da República Islâmica do irão estabelece que «As pedras usadas para apedrejamento não devem ser nem muito grandes, de modo a que causem a morte à primeira ou à segunda pedrada, nem muito pequenas»


Um marido para acusar a mulher de adultério precisa ter uma só testemunha, e o Alcorão (Surata 24: 4) estabelece que «Aquele que acusar uma mulher de adultério e não apresentar 4 testemunhas para o comprovar, deve ser castigado com 80 chicotadas e não podem ser testemunhas de qualquer outro acto».

Nota: Diz -se que este requisito foi decidido por Maomé para proteger a sua esposa Aisha, que foi acusada de adultério.

De acordo com a surata 24:2, uma mulher provada ser adúltera só pode tornar a casar-se com um homem acusado do mesmo crime ou com um não muçulmano.

As Suratas 4: 15-16, indicam que, similarmente à situação de adultério, é necessário o testemunho de 4 pessoas para se acusarem mulheres de praticarem «actos não naturais» (lésbicas, bestialidade), e que o castigo a dar-lhes é « mantê-las em casa até à morte, ou até que Deus lhes dê outro destino», subentendendo-se que votadas ao ostracismo, e que no caso de homossexuais masculinos, «se eles não se arrependerem então ambos devem ser punidos», sendo conhecidos casos de milhares de homossexuais executados no mundo Islâmico.

 
Uma das muitas execuções, em público, num campo de futebol.


Mulher a ser executada em Cabul
Regime
Taliban - Afeganistão.
www.geocities.com/martinkramerorg

Debaixo do regime islâmicoTaliban, mulheres houve que tiveram os dedos decepados, pelo «crime»  de pintarem as unhas, e homens apedrejados por cortarem a barba.
Nota: Os Taliban são uma seita xiita.


À direita, execuções recentes de uma mulher
adúltera e de dois «gays», no Irão
Foto:www.roozon.line.com
 

 
A morte de Maomé
Uns teólogos islâmicos asseguram que ele não morreu, tendo sido elevado ao céu na forma humana por Alá (como Jesus) e o seu corpo não está no seu túmulo em Medina, enquanto que outros afirmam que morreu fisicamente, e que o corpo está nesse túmulo (que, inicialmente, estava na casa da sua viúva Aisha), mas que o seu espírito se elevou ao céu.
Historicamente, Maomé morreu em Medina em 8/06/632, no regaço de Aisha, a sua esposa preferida, à altura com 18 anos, após uma prolongada e não especificada doença.
Nota: Existe uma justificação quanto à possível morte de Maomé. Diz-se que após a batalha de Khaibar, e tendo os muçulmanos tratado bem os derrotados judeus, uma mulher de nome Zaynab Bint Harth enviou ao profeta uma perna grelhada de carneiro, «como gratidão e por saber que o profeta gostava dessa iguaria», mas tinha-lhe adicionado veneno. Um companheiro do profeta abocanhou um pedaço mas Maomé depois de trincar o seu quinhão detectou que tinha veneno, cuspi-o fora, e avisou o amigo para não comer a carne, mas foi tarde demais pois ele acabou por morrer. Maomé adoeceu pouco depois e foi como consequência deste lento envenenamento que ele morreu. Por coincidência, tanto a quinta como a sétima esposa de Maomé também se chamavam Zaynab.

O seu desaparecimento espoletou uma sangrenta luta pela sucessão que degenerou em ferozes lutas fratricidas, assassinatos e cismas.

Logo de início houve uma grande rivalidade entre dois grupos:
1- O que era liderado pela filha Fátima, que iria gerar o Xiísmo, e que queria uma sucessão consanguínea a Maomé. O líder sucessor (imame) só podia ser Ali Talib, marido de Fátima, sogro e primo de Maomé, já que Fátima como mulher, não podia aspirar à posição.
2 - O da viúva Aísha, inimiga declarada de Fátima, e que iria gerar a linha Sunita, que apoiava a escolha de um líder (califa) por escolha electiva, escolha a fazer-se entre candidatos mais chegados teologicamente a Maomé, e que seriam:
a) Abu-Bakr (ou Abu-Bekr), sogro (pai de Aisha), e um dos primeiros convertidos.
b) Omar (ou Umar) ibn al-Khattab, conselheiro de Maomé e um dos primeiros convertidos.
c) Othman (ou Uthman, ou Otman, ou Osman, ou Otmã) ibn 'Affan, outro genro de Maomé, mas não consanguíneo como o era Ali Talib.

Este grupo, acusado pelos Xiitas de causar ferimentos graves a Fátima, que estava grávida, durante um assalto à sua casa (entalando-a entre uma porta arrombada e a parede) de que resultou Fátima ter abortado e morrer algum tempo depois, acabou por tomar o controlo da situação e os seus 3 pretendentes foram os três primeiros califas, tendo os dois últimos sido assassinados.

Basra: A batalha do Jamal, ou do camelo

Num grande confronto opondo Aisha a Ali Talib, marido de Fátima, travado em Basra em 656 após o assassínio do terceiro califa Othaman, ou Uthman, e chamada a «batalha do Jamal, ou do camelo» por Aisha ter participado nela montada num camelo (que foi morto na refrega), o grupo de Aisha foi derrotado e ela foi temporariamente aprisionada, não sem que antes os seus guerreiros tivessem «ocupado e saqueado Basra, espalhando o terror na cidade, e matassem 600 muçulmanos por suspeita de serem oponentes». Nesta batalha pereceram cerca de 10000 civis e combatentes, «o campo de batalha estava cheio de mortos e de corpos mutilados», e foi considerada a primeira grande batalha entre muçulmanos. Após este desastre militar, Aisha retirou-se para Medina e não mais se envolveu em política.

Ali Talib, assumiu assim o poder em 656, como quarto califa, e primeiro imame Xiita, mas teve de combater Mu'awiyya, governador da Síria, que o não considerava um herdeiro legítimo. Fez um acordo com este e seus seguidores caridjitas, descontentes, com esta «fraqueza», tornaram-se seus inimigos e mataram-no, apunhalando-o com um sabre envenenado.
Com o assassínio de Ali reacendeu-se o problema da sucessão. Para os Xiitas o sucessor devia ser Husan (ou Hasan ou Hasã), o filho primogénito de Ali e de Fátima, mas ele renunciou e foi assassinado.
Segue-se um período de grande instabilidade, e Husayn (ou Hussein), o segundo filho de Ali aparece como pretendente ao califado, desafiando o «ilegítimo» califa  (ramo omíada de Mu'awiyya) entretanto no poder.
 
Os Xiitas têm o seu principal mártir em al-Husayn.

À frente de poucas dezenas de seguidores e familiares, num combate em Karbala, Iraque, a 10 do mês de Muharram do ano 61 da Hégira (10 de Outubro de 680) al-Husayn foi trucidado pelos 4000 guerreiros de Yasid, o califa omíada no poder, baseado na Síria, e as mulheres e crianças que escaparam à morte foram aprisionadas. Depois de mortos e espezinhados pelos cavalos, Husayn e partidários mais chegados, têm as cabeças decepadas, espetadas em lanças, e levadas em triunfo numa longa caminhada até Damasco, sob os olhares das prisioneiras, onde ficam expostas em público, durante 3 dias. Após este macabro espectáculo os sobreviventes regressam a Karbala para enterrarem as vítimas do massacre.

 .   
Pode ver-se que o Islão nasceu num trilho de assassinatos. A gravura da direita mostra os corpo cravejados de setas, de Husayn e companheiros de armas, e com as cabeças decepadas.
http://webpages.ull.es/.

Todos os anos, os Xiitas fazem uma romaria ao túmulo de Husayn, em Karbala, no dia a que chamam de 'Axura, ou Ashura, significando o décimo dia desse mês, e é comum verem-se Xiitas flagelando-se, até sangrarem, em sinal de pesar pelo massacre de Husayn (ou Hussein) e assassinatos dos filhos, e penitência.
 


Adultos, bebés, e crianças comemorando o Ashura     Foto: http://baham-maan-alquds,tripod.com

Nota: Esta comemoração é feita não só em Karbala, mas em vários países do mundo islâmico, e estava proibida no Iraque, ao tempo de Saddam Hussein. Frequentemente há atentados bombistas nestas procissões causando elevado número de casualidades. e tal não sucede apenas no conturbado Iraque.
Atente-se nesta notícia de 09/02/2006 da AFP: «Paquistão: oito mortos numa procissão xiita, na cidade de Hangu, durante a celebração do Ashura, o feriado mais importante dos xiitas. Num gesto de retaliação, os xiitas começaram a incendiar lojas e entraram em confrontos com a polícia»

No Sunismo o líder religioso (califa) é encontrado por eleição (viciada dizem os Xiitas), enquanto que para estes o líder (imame) deve ser encontrado entre os familiares de Maomé. Por isso mesmo os Xiitas nem reconhecem os três primeiros califas, nem os que sucederam a Ali, que apelidam de «usurpadores». Nota: Numa das páginas seguintes ver lista divergente dos califas sunitas e xiitas.

Nota: Imame (ou imã, ou ímam. O plural aparece escrito como imames, imãs, ímams) e deriva do árabe imam, significando professor, ou doutor em teologia islâmica, algo como um «sacerdote muçulmano», embora os islamitas assegurem que não têm «padres», mas tenham seminários onde este alto clero é educado. O termo califa (do árabe khalifa, sucessor) era mais associado a um chefe ou soberano dos muçulmanos nos campos político e religioso, uma espécie de «rei e Papa». São termos com uma certa promiscuidade na sua definição assim como a de xeque (cheikh) , aitolá (ayatollah), marja, mufti, ulemá, mullah, e tantos outros numa hierarquia visível islâmica que os islamitas dizem não existir. Por vezes os sunitas para a mesma categoria religiosa usam designação diferente da dos xiitas. Não confundir com iman, ou imaan, que em árabe significa fé, ou com íman que, em português, é um magnete natural, ou substância magnetizada. (É difícil escrever correctamente em português a designação destas hierarquias que resultam do aportuguesamentos de termos árabes, ingleses, ou brasileiros)
 

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