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A expansão territorial sob a bandeira do Islão, e da língua árabe
, (muitos dos povos dominados não falavam árabe) deu-se a um grande ritmo após a morte de Maomé, mais pela fraqueza desses povos do que pelo poderio militar inicial dos árabes, embora estes fossem em grande número e combatessem com enorme tenacidade, acicatados por um forte fervor religioso e pensamento nos saques. O Islão foi facilmente aceite pelos árabes e por outros povos, por ser uma religião ritualmente simples, com obrigações razoavelmente fáceis de cumprir e sem dogmas complicados como no cristianismo, tendo dado aos povos dominados uma sensação de pertencerem a uma grande família, e prometia ao combatente tombado em batalha contra o infiel uma subida imediata ao delicioso e voluptuoso paraíso dos céus.


O império muçulmano, ao tempo do expansionismo até 750.


As barreiras ao avanço árabe ao tempo da dinastia dos Omíadas (661-750) foram:
- Na Europa Ocidental, o reino Franco, correspondendo mais ou menos à França actual, e uma faixa do norte da Espanha actual (Astúrias...).
- Na Europa Oriental, estava o Império Bizantino (capital era a cristã, ortodoxa, Constantinopla) e Lombardia, incorporando partes da Itália moderna, algumas ilhas mediterrânicas, e depois espraiando-se pela actual Áustria ... Grécia ... Balcãs ... Anatólia.
- Na Ásia Oriental a Índia e a China dos Tang.
- Na Ásia Central as zonas do mar Cáspio até à Mongólia
- Em África, a «África Negra».
 

O império árabe podia ser dividido em quatro zonas:
- Al-Andalus (Península Ibérica) e o Magrebe, na ponta ocidental/norte de África.
- do Egipto à Síria
- Iraque, zona abrangendo as áreas banhadas pelos rios Tigre e Eufrates (Mesopotânia, etc)
- Irão (Pérsia) e Ásia Central.


Principais dinastias Muçulmanas (661 - 1517)
Baseado em «O Mundo árabe de Maomé ao Império Otomano» R. D.

 
A dinastia omíada
(uma família cujo nome vem de Umayya, um seu antepassado) foi iniciada por Mu'awiyya, depois do assassinato de 'Ali, marido de Fátima, e controlou estas quatro zonas de 661 a 750, altura em que toda a família foi aniquilada (apenas um seu representante escapou e, à força, criou a dinastia omíada de Espanha) e, como consequência, cada uma das zonas passou a ser dominada por diferentes dinastias e por povos de outras etnias como a dos Turcos Otomanos (muçulmanos), como aparece na tabela acima. Esta dinastia é também conhecida por Califado de Damasco, por Mu'awiyya ter transferida para esta cidade a capital que até então era Medina. Mu'awiyya também introduziu o califado dinástico, em que o poder passava de pai para filho. Assim, por sua morte sucedeu-lhe o filho e por morte deste, o neto.

Foi nesta dinastia que se iniciou a majestosa arquitectura muçulmana representada por grandes mesquitas como a de Damasco, Medina, Jerusalém ... mas foi um califado manchado por várias guerras civis e rebeliões (sobretudo dos Xiitas que consideravam os omíadas usurpadores por não pertencerem à linhagem de Maomé), até que foi destruído pelos abássidas (muçulmanos) em 750. Durante o espaço de tempo que decorreu entre Maomé, os 4 primeiro califas, e o fim da dinastia omíada o império muçulmano expandiu-se ao máximo.

Os abássidas: Sob Abu al-Abbas os abássidas assumem então a chefia de meio mundo árabe, deslocando a capital da Síria para Bagdade, no Iraque. Neste período o Islão conheceu a sua idade de ouro intelectual, comercial, técnica, e de desenvolvimento artesanal, com a incorporação das culturas indiana e grega e o fabrico de papel de alta qualidade a partir de segredos escamoteados aos chineses, obtidos após escaramuças com estes.
É durante esta dinastia que se faz o recrutamento intenso de mercenários turcos para a guarda do califa e do governador do palácio, e que iriam mais tarde ser fonte de grandes problemas. A era dos abássidas foi a era da «civilização clássica» islâmica, embora se notasse um escalamento na fragmentação territorial.
Este califado caiu em 945 às mãos de Ahmad, o Buyida, um xiita de origem persa, que se intitulava emir dos emires. A dinastia buyida foi derrubada em 1055 pelos turcos seljúcidas, sunitas.

O império seljúcida, por morte de Malik-Châh começou a desintegrar-se. De entre os líderes desses  destroços há a salientar Çalah-ad-Dîn, conhecido como Saladino (de origem curda), fundador da dinastia ayyubida no Egipto, e que se iria tornar num dos maiores heróis islâmicos por se ter apoderado de Jerusalém (1187) e pela oposição renhida que fez contra os cruzados (Ver Cruzadas na página sobre cristianismo). O último reduto seljúcida foi lentamente esmagado por invasões mongóis dos «sultões de Rume» a partir de 1209.

Os mongois, maioritariamente budistas, mas havendo entre eles cristãos nestorianos e, mais tarde, muçulmanos, em 1257 apoderaram-se de Bagdade. O seu chefe, Hulago, ou Hulagu, (budista), manda massacrar o califa e toda a sua família e de seguida toma Alepo e Damasco ficando com o controlo das zonas do Iraque, do Irão e da Ásia central, mas antes do fim do século XVI este império desmoronou-se.
Nota: Entre 1250 e 1517 houve o reino dos «reis-escravos» no Egipto. Os importantes papeis desempenhados pelos impérios ou califados, Omíada, Abássida, de Córdova, Fatimita e Egípcia, Seljúcida, Mongol, do Magrebe, Sefévida e Otomano, por exemplo, na história do civilização islâmica excede em muito o fim desta página, pelo que deve ser encontrada em livros de história).

Mouros e sarracenos

Aos árabes muçulmanos  que invadiram a Península Ibérica, em 711, (sob o comando de Tarik b. Ziyâd, ou Tarique, que foi um escravo libertado que demonstrou ter dotes militares, e que actuou às ordens do governador da Berbéria, Musa b. Noçair), pelo «monte» de Gibraltar, e que começaram por vencer os Visigodos (parcialmente cristianizados) na batalha de Guadalete, chamaram-se vulgarmente, «Mouros», «Sarracenos», «infiéis», ou «maometanos».
Nota: O termo mouro deriva do facto de grande parte dos invasores terem vindo da Mauritânia, enquanto que o termo sarraceno tem raiz no Latim, no Grego, e no próprio Árabe, significando oriental.
Tarik chamou a esse monte rochoso o Monte de Tarik, Jabal Târiq ou  Gibel-al-Tarik, que degenerou em Gibraltar, e que hoje é uma colónia Britânica e, no futuro será, muito provavelmente, um foco de atrito entre a Espanha e Inglaterra. A zona sul da Espanha é um dos pontos de entrada de avalanches de emigrantes ilegais vindos do norte de África, a velha Magreb, e muitos deles morrem em naufrágios das pequenas embarcações com que tentam atravessar o Mediterrâneo.



   Gravura mostrando Charles Martel (Carlos Martelo) combatendo um «mouro».

Avançando pela península, os mouros foram empurrando os oponentes para o norte até que foram vencidos pelos Visigodos na batalha de Covadonga, formando-se nessa zona o reino cristão das Astúrias com a capital em Oviedo, sob Pelágio. Prosseguindo para a França de hoje, venceram o Duque da Aquitânia em Bordéus (Bordeaux), e só foram parados, definitivamente, em 732 na batalha de Tours e Poitiers, por Charles Martel, chefe do Francos.

O território peninsular sob domínio muçulmano passou a ser conhecido por Al-Andaluz e mais tarde iria albergar o importante califado de Córdova. A primeira grande escaramuça de D. Afonso Henriques contra os mouros foi a batalha de Ourique, que venceu, e na conquista de Lisboa foi auxiliado pelos Cruzados em rota para as «terras santas».

Com D. Afonso III conquistando Faro e Silves em 1249, os mouros foram totalmente expulsos de Portugal, e o rei passou a ser conhecido por «Rei de Portugal e do Algarve». A esta zona sul da península os árabes chamavam Al Garb, significando o «ocidente do Andaluz», nome que degenerou em Algarve.
Nota: As conquistas iniciais dos cristãos no norte da Espanha permitiram a criação de uma série de reinos ao longo de todo o norte da Península Ibérica : Leão e Castela com capital em Leão (antiga Astúrias) e que incluía o Condado da Galiza, Navarra, Aragão, e Catalunha (que se separou de Aragão) com sede em Barcelona.
D. Afonso VI, rei de Castela, por questões de defesa territorial, fundou o Condado Portucalense entre os rios Minho e Mondego, no sul do seu reino, na zona do Condado da Galiza. Portucalense vem de Portucale, (portus, ou porto, + Cale), um porto na foz do rio Douro correspondendo à parte ribeirinha da actual Vila Nova de Gaia. De Portucale formou-se mais tarde o nome de Portugal. D Afonso Vi encarregou o conde D. Henrique, pai de D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, da defesa desse Condado. (Para mais detalhes, consultar um livro de história de Portugal)

Os mouros mantiveram-se em território que hoje é Portugal por cerca de 550 anos. No que diz respeito às conquistas territoriais feitas aos mouros nesta zona, tem-se:

Resumo das conquistas principais

Reis

Santarém e Lisboa em 1147, Sintra, Almada, Palmela, Alcácer do Sal, Évora, Beja, Leiria D. Afonso Henriques  (1128 - 1185)
Silves, Alvor e Albufeira D. Sancho I (1185 - 1211)
Alcácer do Sal  (reconquista) D. Afonso II (1211 - 1223)
Elvas, Moura, Serpa, Aljustrel, Aiamonte, Tavira e Cacela (Algarve), Jerumenha D. Sancho II (1223 - 1248)
 Faro, Silves  em 1249 ... Conquista definitiva de todo o Algarve D. Afonso III (1248 - 1279)
 
O califado omíada de Córdova

Em Espanha os espaços conquistados, mais ou menos coesos, desintegraram-se em províncias autónomas com a vitória dos abássidas sobre os omíadas em 750.
Abd-ar-Rahmân I, o último sobrevivente omíada fugindo ao massacre da sua família na Ásia pelos abássidas, refugiou-se na Península Ibérica e, com a ajuda de berberes e árabes sírios, apoderou-se em 756 de Córdova, iniciou a dinastia omíada de Espanha (Emirato de Córdova), que se tornou no maior centro de ciência e arte na Europa Medieval, e reunificou a maior parte da Andaluzia, ou o Al-Andalus dos árabes.
Por altura do seu descendente Abd-ar-Rahamân III, em 929, o emirato tornou-se um califado. Em 1030 este califado enfraquecido fragmentou-se em principados tornando mais fácil a reconquista da península pelos reis cristãos de Castela. Apesar da ajuda vinda das dinastias islâmicas marroquinas e almorádivas, com a tomada de Granada em 1492, o último reduto mouro, acabou uma saga islâmica que durara 800 anos.

Expulsos da Europa

Escorraçados pelos franceses, espanhóis e portugueses, e temporariamente parados no oriente pelos defensores do  Império Bizantino e pelos Mongóis, nos séculos seguintes os muçulmanos voltaram-se para outras zonas da Ásia e África, acabando por dominar toda a área do norte de África até ao paralelo que passa a sul da Nigéria e da Etiópia e descendo ao longo da costa oriental de África e parte de Moçambique, onde têm hoje um grande predomínio religioso  e, em muitos casos, estabeleceram Estados Islâmicos, geralmente não democráticos.
Os árabes, à altura dos Descobrimentos Portugueses dedicavam-se com grande intensidade ao comércio da escravatura de todos os povos que tinham conquistado e, particularmente, de negros. A Ilha de Moçambique, foi um importante centro de comércio em geral, e agiu como um entreposto de escravatura. (Ver tópico sobre Maputo).
Têm alguma implantação no sul de África, na Europa Ocidental, Rússia, China e Noroeste da Ásia, tendo alcançado a Sibéria. No sudoeste de Ásia tiveram uma penetração menos marcada devido à presença de outras religiões concorrentes como o Budismo, o Hinduísmo, o Confucionismo e religiões tribais, com algumas notáveis excepções como nas Filipinas que, sendo uma nação 84% católica, mesmo assim tem uma comunidade islâmica, pequena, mas fortemente militante, ou a Indonésia que, com 181 milhões de habitantes, é considerada a maior nação Islâmica (87% muçulmana, 9,6 % cristã). O Paquistão tem 116 milhões de habitantes, sendo quase que totalmente Islâmico. A capital do Paquistão chama-se Islamabad.

Império muçulmano?

Fala-se de Império islâmico e de Império Árabe, mas este império nunca se apresentou como uma nação coesa sob um líder centralizado, nem sequer foi uma confederação pacífica de estados, mas antes uma mescla de pequenos reinos ou califados que não se entendiam entre si, senão quando necessário como força colectiva de expansão do Islão, ou na luta contra «infiéis» e os Cruzados. Este feroz desentendimento não era só de natureza política mas também religiosa, devido aos inúmeros sabores de Islão que foram aparecendo.

É sobretudo entre os século XVI  e XVIII que começou o grande desmoronar do sonho de Maomé de um mundo unido pelo Islão, minado não só pelos desentendimentos entre califados, mas também pelas investidas militares, comerciais, e missionárias, da Europa na Ásia e África. Com o advento do colonialismo europeu e com as duas Guerras Mundiais esse mosaico de estados feudais, desintegrou-se totalmente e deu origem ao «nacionalismo árabe pontual» com criação das nações muçulmanas (árabes e não árabes) modernas.

Árabes e a captura de escravos. «Há mouro na costa!»

Quando se fala em escravatura pensa-se na escravatura praticada pelos «brancos». Em boa verdade, a escravatura praticada pelos próprios africanos negros em África, e pelos muçulmanos em todo o seu domínio, precedeu-a de vários séculos e ultrapassou-a em muito e, infelizmente, continua a existir.


Gravuras sucessivamente mostrando árabes entrando numa aldeia depois de matarem os defensores negros,
o embarque de escravos capturados, e um mercado de venda dos mesmos. (De um museu no Quénia)
 

Muçulmanos capturando mulheres na EuropaOs muçulmanos não só se moveram bem sobre a terra. Tinham excelentes embarcações com as quais percorreriam os mares em aventuras de pirataria, de expansão territorial ou comercial, ou aquisição de escravos.

Em Portugal nasceu um ditado popular «Há mouro na costa», devido às incursões de piratas mouros vindos do norte de África, um dito que nos tempos correntes é empregado quando se suspeita que há algo de estranho seja no que for.

Estima-se (Historiador Robert Davis em Christian Slaves, Muslim Masters - White Slavery ) que os piratas islâmicos do Norte de África capturaram centenas de milhar de europeus desde as costas da Sicília à Itália, Espanha, Portugal, França, Inglaterra, Irlanda, etc, que eram depois resgatados (ou vendidos) a bom dinheiro ou usados como escravos nas galeras ou como trabalhadores em terra, enquanto que outros foram transformados em eunucos, e muitas mulheres e crianças acabaram em haréns de muçulmanos.

Para extra informação clique em ESCRAVATURA

O mundo ocidental deve muito aos muçulmanos

Foram uma importante fonte do Renascimento europeu. Devem-se aos árabes várias invenções práticas, estudos científicos incluindo o médico, a matemática avançada, a astronomia, física e  química, o uso da bússola, a introdução de estilos inovativos de arquitectura e de arte requintada na pintura, estatuetas, azulejaria, tapeçaria e objectos, trabalhos minuciosos na literatura e história, a substituição das letras com valor numérico (numeração romana) pelos 10 algarismos «hindus» ou indianos, que acabou por ser conhecida, erradamente, por numeração árabe, etc. (Aos árabes deve-se o modo como esses 10 algarismos foram aplicados na «ciência dos números»). Os árabes tiveram o condão de absorverem e de explorarem ao máximo o que de melhor encontraram nas diversas terras conquistadas.
Nota: Na numeração romana não existe o zero como algarismo e número isolado. Os hindus primeiro inventaram os algarismos de 1 a 9, e só mais tarde o símbolo para o zero, o que permitiu a realização de cálculos difíceis de serem feitos  sem ele, com a adopção do sistema decimal de escrita e de cálculo.

Em Portugal

Os muçulmanos desenvolveram as indústrias do álcool, mercúrio, ácido sulfúrico, pólvora, fogo de artifício, fabrico de armas «brancas» e de fogo, introduziram produtos à base de couro e de outras peles, os tapetes de Arraiolos, etc. Na agricultura Introduziram como meios de rega, a nora, a picota, o açude, a azenha, o alcatruz, o moinho de vento, e plantas como a laranjeira, o limoeiro, o pessegueiro, a amoreira, a cana do açúcar, a amendoeira, a figueira, a alface, o espargo, a alcachofra, o arroz, o algodão, a oliveira, etc, e flores como as rosas, as camélias e os jasmins. No português apareceram termos de medida como a arroba, o almude, o alqueire, o arrátel, e nomes de terras como Algarve, Alcântara, Almada, Albufeira, Alcácer do Sal, etc.

Houve períodos de tréguas em que se estabeleciam acordos comerciais e de convívio, por vezes quebrados pelas «razias» de parte a parte, em que numa investida de surpresa, terras eram pilhadas e pessoas raptadas e usadas como reféns a resgatar por bom dinheiro ou reduzidas à escravatura.

Chamavam-se «mocárabes» aos cristãos ibéricos convertidos ao islamismo, durante o domínio muçulmano, e que se foram gradualmente arabizando. Geralmente retornavam ao cristianismo, após a reconquista cristã, mantendo no entanto, vários aspectos da cultura árabe. Na língua portuguesa há cerca de 600 palavras de origem árabe, incluindo as que começam por "al".
 


O Islão continua a ser  a religião de mais rápida expansão e, a não ser que surja algo imprevisível, admite-se que, dentro de 50 anos, seja a religião com mais adeptos, mas há árabes professando todas as correntes religiosas, incluindo o cristianismo. Cerca de 90% dos muçulmanos são Sunitas, mas há nações em que o Xiísmo é quase totalmente prevalente, como no Irão, ou maioritário como no Iraque.

Esta expansão é devida não só a um maior índice de natalidade entre muçulmanos do que entre cristãos, mas também ao facto do Alcorão ser o livro por onde uma criança muçulmana aprende a ler, e este ensino se prolongar praticamente ao longo de toda a sua vida, ao contrário do que sucede no mundo cristão onde se nota um fugir cada vez maior da criança e do cidadão adulto da arena da religião.


Meninos muçulmanos com os seus primeiros livros de leitura escolar: o Alcorão
Foto de origem a ser identificada

Esta opção islâmica de educação evidentemente transforma a criança num adulto fervorosamente crente e temente de Alá e, deste modo, os seus filhos automaticamente irão abraçar o Islão. Do ponto de vista doutrinário, o Islão é uma religião simples:

As obrigações dos muçulmanos, ou os Cinco Pilares do Islão:

1- Inequivocamente aceitar a transcendência e unicidade de Deus, ou Profissão de Fé (Chahada ou Shahada): “Existe um único Deus e Maomé é seu profeta”. Surata 23:116, 117
2- Oração ritual (Salat), em princípio 5 vezes por dia, voltados para Meca.
3- Jejum (Çaum ou Saum) durante o mês do Ramadão. Começa com a chegada da lua nova e deve ser observado do nascer ao pôr do Sol. Durante o dia está proibido, o consumo de qualquer alimento sólido ou líquido, fumar, ou actividade sexual.
4- Esmola legal (zakât), geralmente entregue numa mesquita.
5- Peregrinação a Meca (Haj ou Hajj). Todo o muçulmano deve fazê-la uma vez na vida se estiver em estado, físico e material, de a fazer.

As seis Crenças do Islão:

1- Só há um único Deus: Alá (Surata 23: 116, 117)
2- Há anjos (Surata 2:177) seres sem vontade própria criados da luz por Deus e seus servos, há santos (islamitas que já morreram e levaram uma vida ascética ou que contribuíram muito para o Islão, e há Jinns (Surata 2: 34 ; 7:179, etc), que não são anjos nem homens mas estranhos seres criados de fogo sem fumo, com vontade própria e de temperamento instável, que tanto lhes dá para serem bons como maus. Os islamitas  não rezam a imagens ou ícones. A veneração e oração aos santos é feita nos seus túmulos.

Os Jinns (Surata 15:25...) consideram-se superiores ao homem por terem sido feitos do fogo intenso enquanto que o homem foi feito, em uma das várias versões do Alcorão, de «barro fermentado, seco e duro», não se sabendo ao certo que necessidade teve Alá de os criar. Um deles, Iblis, rebelou-se contra Deus por não querer prestar homenagem a Adão e, como tal, foi expulso do Paraíso e enviado para a terra juntamente com Adão e Eva, e a sua função é, com consentimento de Alá, levar o homem por maus caminhos.
Iblis é uma figura confusa que não se percebe bem se é apenas um diabinho ou se é Shaitan, ou Al-Shaitan (Satanás) e que no fim dos tempos, será lançado no Jahannam (Inferno).
Os islamitas acreditam que dois seres espirituais o acompanham ao longo da vida: um anjo (bom) anotando no Livro da Vida tudo de bom que faz, e um mau jinn anotando tudo que faz de mau. É por leitura deste livro que Alá o irá julgar no Dia do Juízo Final.

3- O Alcorão foi revelado por Deus
4 - Deus falou aos homens através de profetas:
Adão ... Noé ... Abraão ... Moisés ... Jesus, e o último, e o maior, Maomé. (Surata 4:136; 33:40)
5- Alá é omnisciente e omnipotente, e Alá «predestinou» a vida das pessoas mas estas têm liberdade (?!) para escolher as suas acções que, por Alá, serão avaliadas. (Surata 9:51). Algumas seitas não interpretam esta Surata como predestinação em sentido estrito, mas significando que Alá sabe o que qualquer muçulmano irá fazer até morrer.
6- Há uma outra vida depois da morte terrena, depois da ressurreição dos mortos (Yaum-al-Hashr) e de um julgamento no Dia de Juízo Final, implicando a ideia de existência de paraíso e de inferno. (Surata 15:35.36), em que Jesus é uma figura intervencionista chave.
Nota: No Alcorão (Surata 11:106 ...108) está especificado que o Paraíso e inferno não são reinos eternos (como sucede no cristianismo), mas que durarão apenas enquanto existir céu e terra. É uma asserção confusa que o Webmaster está a tentar desvendar.
Nota:
A predestinação é um conceito infeliz (existente também no cristianismo) que a mente humana não consegue digerir. Se significa que uma pessoa nasce com o seu destino marcado por Deus para ser bom ou para ser mau, como pode a sociedade, ou Deus, culpabilizar a maldade de alguém se ele é impotente para fugir de um caminho a que está acorrentado por Deus? Se significa que Deus sabe o comportamento futuro de uma pessoa, que é livre para o forjar, porque permite que ele se desvie do bom caminho? Afinal, Deus está, ou não, interessado em que «os seus filhos» sejam boas pessoas?

A ética pode resumir-se a: Ser justo, pagar o bem com o bem e o mal com o mal, ser generoso, ajudar os pobres, os órfãos, as viúvas, os destituídos, pagar Zakat e, de uma maneira geral, acatar o faz-se e o não se faz do Alcorão no que respeita a relações com terceiros.

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