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Breve história de Jesus e do Cristianismo e ... do Código da Vinci

O Cristianismo é um novo capítulo acrescentado ao Judaísmo, tendo por passado comum o histórico judaico relatado no Antigo Testamento e sumariamente descrito noutra página.

Um Deus implacável?
É inquestionável que o Antigo Testamento nos dá uma imagem pouco amigável de um Deus que disse que « Meu espírito não ficará para sempre no homem, porque ele é apenas carne. Não viverá mais do que 120 anos» (Gen. 6:3) e que, por ter visto que « ... todos os projectos de seus (dos homens) corações tendiam para o mal» (Gen 6:6...), decide-se por um dilúvio em que « Vou exterminar da face da terra o homem que criei e com eles os animais, os répteis e até as aves do céu, pois estou arrependido de tê-los feito» (Gen 6:7). E o que dizer das ordens de carnificina dadas aos Israelitas durante o assalto destes à Terra Prometida, (Ver página sobre judaísmo) ou da sentença divina «Quem derramar o sangue de um homem, por mãos de homem terá o seu sangue derramado...» (Gen. 9:6)?
Nota 1: Diferentes Bíblias podem usar diferentes expressões para as aqui referidas, que foram tiradas da Bíblia Católica da Editora Vozes, 44ª edição de 1982.
 


O Pecado original: Adão, Eva, o Diabo disfarçado
de serpente, a Maça e a fatídica Árvore.
Fresco autoria de Raphael (1483-1620), Vaticano

Nota 2: Gen. 6:6 afirma que o homem não viverá mais do 120 anos. Já em Salmos 90:10 pode ler-se: "Setenta anos é a duração de nossa vida; oitenta, se for vigorosa". No entanto muitas personagens bíblicas teriam vivido centenas de anos  (Gen. 5:5: Adão viveu 930 anos, em Gen. 9:28: Noé tinha 950 quando morreu, em Gen. 25:7: Abraão tinha 175 anos quando morreu, etc), e nos dias de hoje há muita gente, saudável ou doente, que ultrapassa os 80 anos, e uns quantos que rompem pelos 100 anos!

O que dizer de um muito zangado Deus que (Jeremias 15:3) promete"... Visitá-los-ei com 4 esquadrões: a espada para matar, os cães para dilacerar, as aves do céu e os animais selvagens para devorar e destruir ..." e faz semelhante convite (Apocalipse 19:17), "às aves que voam pelo alto do céu [...] Vinde e reuni-vos para o grande festim de Deus, para comerdes a carne [...] dos pequenos e dos grandes".

O Antigo Testamento, morreu de velho?

Por isso, várias igrejas cristãs introduzem ciclos de estudo da Bíblia com um mínimo possível de alusão ao Antigo Testamento, pondo uma quase total ênfase na vida de Jesus, ou que têm mini-Bíblias para uso em catequeses, em que as questões mais controversas foram eliminados ou tratadas convenientemente. O Antigo Testamento, (assim como o livro do Apocalipse, citado mais abaixo) deve de ser encarado como «um livro de seu tempo, escrito a partir de seu tempo e para o seu tempo, e não propriamente para as gerações futuras».

Nestas circunstâncias geralmente os pontos (ligeiramente) mais frisados do Antigo Testamento são:
1- A criação do mundo e do homem em 6 dias, e o descanso de Deus ao 7º dia. Adão feito de barro, à imagem de Deus, e Eva feita de uma costela de Adão.
2- O pecado original, envolvendo Adão, Eva, a Serpente e a árvore da Sabedoria do Bem e do Mal. O drama de Abel e Caim.
3- Noé, a Arca e o Dilúvio Universal. (Gen. 7:17...)
4- A Torre de Babel, para explicar a existência das várias línguas (Gen. 11:9)
5- Abraão, o Egipto, Moisés, o êxodo com os 40 anos no deserto, as Tábuas dos 10 Mandamentos.
6- Entrada na Terra Prometida e sua conquista. A diáspora.
7- As profecias que justificam ser Jesus o Messias esperado pelos Judeus.

A Bíblia, como foi compilada, e as suas incongruências.

Por muito estranho que pareça não se sabe com rigor a data em que a Bíblia foi oficializada com a composição que tem hoje através da selecção dos textos (cânone) que a compõem, devendo ter sido no fim do século II, princípios do século III que se estabeleceu o cânone dos textos hebraicos (Antigo Testamento) e fins do século IV que se fez o mesmo para os livros do Novo Testamento, havendo muita discordância acerca da ordem e composição da Bíblia entre os vários ramos Cristãos, sendo algumas dessas discordâncias de natureza doutrinal, o que é grave.

Contudo encontram-se as seguintes referências como possíveis datas para o estabelecimento do cânone:

Estudiosos modernos acreditam que o Torah, inicialmente escrito em hebraico e aramaico, foi composto por 4 ou 5 escritores entre 1000 a 400 a.C. baseados em velhas tradições, e que o Novo Testamento foi composto por um grande número de escritores entre 60 e 110 d.C. A Lei Hebraica (Torah) foi traduzida para Grego (Septuaginta), depois para Latim Antigo MSS, já com parte do Novo Testamento e depois foi actualizada por Jerome (342-420) sob ordens do Papa Damasus em 382 dando, mais muito mais tarde, a Vulgata. Dados estes que com certa dificuldade são reconciliáveis com estes:

1- No ano de 367, o bispo de Alexandria, Athanasius,  propõe 27 livros para o Novo Testamento.
2- No Concílio de Cartago em 387 houve uma tentativa de estabelecer um cânone para o Novo Testamento.
3- Em 405 o cânone foi sancionado pelo Papa Inocêncio I.
4- Em 1562, no Concílio de Trente (que tinha sido iniciado muitos anos antes) o cânone é, mais uma vez, sancionado, e é proibida a tradução da Bíblia para línguas nacionais.

O Primeiro Concílio de Niceia em 325, ao tempo do imperador romano Constantino I, é muitas vezes apontado como tendo criado a Bíblia (Dan Brown no Código da Vinci - assunto discutido mais abaixo - fala da Bíblia de Constantino). Isso não é verdade pois nesse concílio debateram-se problemas que perturbavam a uniformidade de opinião da irmandade cristã e entre eles um de enorme importância, «Lidou com questões levantadas pela opinião Ariana da natureza de Jesus Cristo - Se era Deus, homem ou alguma mistura. Acabou por decidir contra a opinião dos arianos, em favor da trindade». Outros problemas debatidos foram a data para a celebração da Páscoa, o cisma de Milécio, o baptismo de heréticos e o estatuto dos prisioneiros na perseguição de Licínio. Nesse Concílio criaram-se as bases fundamentais para o aparecimento posterior de uma Bíblia.

Não é possível ignorar, entre tantos outros cristãos, o nome de Ireneu de Lyon (Irenaeus) que, cerca de 180, foi o primeiro Padre da Igreja a listar os Quatro Evangelhos Canónicos como sendo inspirados, em oposição ao gnóstico Marcião que defendia que o Evangelho de Lucas era o único evangelho aceitável. A Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa consideram Ireneu um santo, venerando-o a 28 de Junho.

A difícil atribuição do status canónico a certas escrituras religiosas, no Novo Testamento, atendeu aos critérios:

1- Serem o mais possível contemporâneas com os factos que descrevem, ou muito antigas, e o seu estilo de escrita bater certo com a época provável da sua escrita e com o carácter atribuído ao seu autor.
2- Terem sido preferivelmente escritos pelos apóstolos ou pelos seus discípulos.
3- Terem a mais generalizada aceitação pelas várias igrejas cristãs, e serem doutrinariamente ortodoxos.

Nota:
A Bíblia era reproduzida à mão, por vezes nem todos os livros sagrados eram nela incluídos, e  os textos frequentemente eram adulterados, pelo que existiam várias versões da Bíblia e foi só com a invenção da imprensa que ela começou a ser produzida de uma maneira uniforme.
«Em 1455 aparece, em Mogúncia, o primeiro livro que alguma vez foi impresso no mundo: uma Bíblia em Latim, publicada em duas colunas de 42 linhas cada, sai da Oficina do Livro, uma sociedade fundada por dois sócios, Johannes Gensfleisch, conhecido por Gutenberg, e Johann Fust». (De uma enciclopédia)
No entanto,
a Bíblia Romana (Católica) com 73 livros, tem 7 livros a mais que a Protestante, considerados por estes apócrifos ou seja, não genuínos ou espúrios: Tobias, Judite, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, Macabeus I, e Macabeus II.

A primeira tentativa de tradução da Bíblia em Portugal começou com D. Diniz (1279 - 1325) que, a partir da Vulgata Latina de Jerónimo, traduziu os 20 primeiros capítulos, mas os mais antigos registos de trechos soltos da Bíblia em português datam de 1495. A Bíblia já está traduzida em cerca de 1800 línguas.
 

João Ferreira de Almeida (1628-1691) foi uma importante personalidade do protestantismo português. Nasceu na cidade de Torres de Tavares, em Portugal e traduziu a Bíblia para o português, começando essa tarefa com 16 anos de idade e executando-a até o fim de sua vida. Traduziu o Novo Testamento completamente e conseguiu traduzir o Velho Testamento até Ezequiel. A tradução foi completada por seu amigo, Jacob op den Akker.

Aceitou a fé de linha protestante aos 14 anos e a partir daí pregou em vários idiomas, entre eles o holandês, espanhol, português e italiano. Foi pastor da igreja reformada holandesa em Java, na actual Indonésia, mas também pregou em Goa. A sua tradução da Bíblia, em suas diversas versões (sendo as mais comuns a "Almeida Revista e Corrigida" e a "Almeida Revista e Actualizada"), é a mais utilizada pelos evangélicos lusófonos.
Ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Ferreira_de_Almeida

João Ferreira de Almeida ao fazer esta tradução, a partir das línguas originais, sobretudo o hebraico, tomou uma ousada decisão ao contrariar o Vaticano (Concílio de Trento) que proibiu a adaptação das Escrituras Sagradas ás línguas nacionais e impondo o uso da versão latina.

A primeira Bíblia Portuguesa foi impressa em 1748 (?) ou 1753 (?). Duas Bíblias populares em Portugal foram a do padre António Pereira de Figueiredo (1790), e a do padre Matos Soares (1930), traduzidas da Vulgata.

Tanto em Portugal como no Brasil apareceram novas Bíblias em língua portuguesa, já traduzidas de textos mais originais, hebreus, aramaicos e gregos.

Os quatro evangelhos.

Basicamente através dos seus quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João, dos quais os três primeiros são ditos sinópticos, isto é, têm o mesmo ponto de vista ou "ópsis"), o Novo Testamento  relata a vida de Jesus, homem filho de Deus, e Deus, que veio à terra para anunciar uma nova vivência em comunhão com Deus, apagar (com o seu martírio físico) os pecados humanos cometidos até então, reconciliando Deus com os homens, e declarar que através dele a humanidade se pode salvar do inferno.

"Enquanto que os evangelhos sinópticos apresentam Jesus como uma personagem humana destacando-se dos comuns pelas suas acções milagrosas, já o Evangelho de João descreve um Jesus como um Messias com um carácter divino, que traz a redenção absoluta ao mundo".
http://pt.wikipedia.org/wiki/Evangelhos_sin%C3%B3pticos)

Assim como o Tora tem o Talmude como complemento, e o Alcorão tem o Suna, também estes 4 evangelhos foram complementados com as epístolas de S. Paulo e de outros escritos, e decisões de concílios e do Papa.

Depois de uma leitura atenta do Novo Testamento subsistem muitas dúvidas: não se sabe ao certo quando e onde nasceu Jesus, como e onde passou a maior parte da sua vida, qual foi o dia de sua execução, como foi a sua vida familiar e privada, e debate-se vivamente o significado teológico da sua morte.

A descrição da sua vida tem contradições e erros, porque os evangelhos foram escritos décadas após a sua morte e por quem tinha um conhecimento limitado da natureza, e do que se passava noutras partes do mundo.

Os Evangelhos Apócrifas, que incluem os Gnósticos

Apócrifo vem do grego apókryphos (latim apocryphu) significando oculto e relativamente aos escritos religiosos de várias índoles, refere-se aos: « Escritos de assunto sagrado sem autenticidade comprovada e que, como tal, não foram incluídos pela Igreja no cânon das Escrituras (Bíblia)». Entre os evangelhos apócrifas situam-se os evangelhos gnósticos.

Ao tempo do chamado «cristianismo primitivo» ou seja, antes das tentativas de consolidação de um cristianismo controlado por uma entidade mais ou menos centralizada, o que só ocorreu após o início da «legalização» do cristianismo por Constantino, surgiram dezenas de documentos reflectindo várias correntes de pensamento relativamente à natureza de Deus em geral e de Jesus em particular, posteriormente considerados apócrifas (não válidos) pela Igreja, incluindo os Evangelhos Gnósticos como o Evangelho de Tomás (ou S. Tomé ou ainda de Dídino), o de Madalena, o de Judas Iscariotes, o de Filipe, e assim por diante, devido aos inúmeros grupos dispersos de cristãos que interpretavam à sua maneira as várias narrativas confusas, e com muitas lacunas, sobre a vida de Jesus.
Grande parte destes escritos foram fruto de um chamado «cristianismo gnóstico» (não confundir gnóstico com agnóstico), de natureza algo mística.
Nota: Constantino tolerou o cristianismo a partir de 306, deu o primeiro passo para a sua oficialização em 325, mas só com Teodósio em 380 é que se tornou religião do Estado, (tendo os cristãos passado por um mau bocado entre 361 e 363, sob Juliano), e o imperador romano reclama que recebeu o seu poder governativo de Deus. A diversidade e proliferação de evangelhos nos tempos idos não é para admirar, se tivermos em conta os milhares de ramos protestantes que existem hoje, cada um com os seus próprios «evangelhos».

O gnosticismo é «um sistema filosófico e teológico cujos sectários pretendiam ter um conhecimento completo e transcendente da natureza e dos atributos de Deus», e  que se pode dizer é o aposto de agnosticismo que é « uma doutrina que declara ser o espírito humano incompetente para conhecer o absoluto e, no contexto religioso, incompetente para conhecer os atributos de Deus, se houver Deus». Quando incorporado no cristianismo (uma estranha mistura!), o gnosticismo, como seria de esperar, entrava em forte colisão com as linhas doutrinais mais ortodoxas.

Por exemplo, muitos dos «cristãos gnósticos» não concordavam com a descrição dada no Antigo Testamento que reflectia um Deus sanguinário e vingativo, afirmando que Deus é uma entidade transcendente que não criou o homem nem a Terra, e outros argumentavam que
Jesus Cristo não tinha forma nem corpo definido, sendo um ser espiritual que se adaptava à percepção humana podendo aparecer sob qualquer aspecto como o de um homem, ou de uma mulher ou de uma criança, e não aceitavam a dupla natureza de Cristo (ser Deus e humano ao mesmo tempo), etc. Para eles, era-se divino quando se estava em contacto com Deus e só neste aspecto consideravam Jesus divino, mas diziam que qualquer pessoa através «da faísca ou centelha divina» que existe dentro dele podia alcançar Deus e assim tornar-se divino, sendo mais fácil atingir esse golo se seguisse o «mestre» Jesus.

O exemplar encontrado do Evangelho de Judas Iscariotes (13 papiros) escrito em alfabeto copta, está confirmado ser um documento muito antigo, escrito entre os séculos II e IV, logo muito posterior à morte de Judas e aos evangelhos da Bíblia, sendo uma provável tradução  de manuscritos gregos, mas a tal autenticidade não significa que o que narra seja  verdadeiro. Foi descoberto nos anos 70 perto de Minya, Egipto, depois foi guardado numa caixa de um Banco após infrutíferas tentativas de venda, e só passadas duas décadas surgiu um comprador que o fez reaparecer para ser estudado.
O texto desse evangelho
afirma que Judas não entregou Jesus por trinta moedas, mas obedeceu a uma ordem sua feita durante uma conversa privada com o «mestre», para que ele  o denunciasse aos Romanos, mas não faz menção da crucificação ou da ressurreição de Jesus. Segundo este evangelho, dias antes de sua morte, Jesus ter-se-ia dirigido a Judas e ter-lhe-ia afirmado:

"Tu tens  uma tarefa a cumprir: vais-me denunciar de modo a que possa sacrificar este meu corpo que encarcera o meu espírito e assim o possa libertar". Em seguida advertiu-o sobre as consequências desta missão sagrada: "Cairás em desgraça por gerações, mas um dia estarás acima disso". Todas as páginas se referem aos dias finais de Cristo e falam em especial de uma das passagens mais conhecidas da Bíblia, quando Judas entrega Jesus a seus perseguidores, no Monte das Oliveiras.
O manuscrito afirma ainda que Judas era o seu discípulo favorito e o único conhecedor de sua verdadeira identidade. Judas não se enforcou como conta o Novo Testamento. Um dos trechos dá conta de que ele se retirou para o deserto, em reflexão, ciente do perdão de Jesus pela falsa traição e do cumprimento da missão que teria libertado o espírito divino de Cristo de seu corpo humano.

Adaptado de http://www.diariodepenapolis.com.br/site/1604/cid01.php.

Em 375, Epiphanus, Bispo de Salamis, condenou o evangelho de Judas e há referências que Ireneu já por volta de 180 conhecia este evangelho e que o tinha repudiado, assim como a outros, considerando-os «história fictícia». Ireneu teria escolhido, de entre cerca de 30 evangelhos que circulavam pelas igrejas primitivas, os 4 que se encontram na Bíblia.
Nota:
  Deve ser-se prudente na  avaliação do contributo que os evangelhos apócrifas podem dar para um melhor entendimento do cristianismo, nem os considerando A NOVA E TODA A VERDADE nem que são INTEIRAMENTE FALSOS, e não esquecer que estes "Evangelhos Gnósticos" frequentemente entravam em forte conflito entre si.

Foi Paulo de Tarso, conhecido por S. Paulo e considerado por muitos o verdadeiro fundador do Cristianismo, um gnóstico?
 
«Em 1992, após estudar as epístolas de Paulo e compará-las com o gnosticismo e a Igreja primitiva, Pagels escreveu o livro The Gnostic Paul - Gnostic exegesis of the Pauline letters (sem tradução para o português). O livro expõe a teoria de que Paulo de Tarso era um gnóstico cuja influência na direcção da Igreja cristã primitiva foi grande e o suficiente para a criação de adições forjadas, como as das epístolas pastorais (como Timóteo e Tito) para fazer parecer que Paulo defendia suas interpretações ao invés do gnosticismo.» ... http://pt.wikipedia.org/wiki/Elaine_Pagels

A ambiguidade da Bíblia:
A prova indesmentível que a Bíblia é ambígua está nos milhares de «igrejas» que dela se criaram, por ela estar escrita de modo a proporcionar diferentes interpretações do seu contudo.
Cada uma destas «igrejas», baseando-se na própria Bíblia, «prova» que a sua interpretação é a correcta, e que as outras estão erradas.
Nota: Há seitas, como a dos Mormons, que clamam que a sua «Igreja de Jesus dos Santos dos Últimos Dias» (Jesus Christ Latter-day Saints Church) foi iniciada por intervenção divina quando o seu fundador, o «apóstolo» Joseph Smith em 1820 foi visitado por um anjo de Deus.

Quanto a erros temos, por exemplo:

a) Em Marcos 4:30 (Numa Bíblia Católica) tem-se «... o grão de mostarda ...é a menor das sementes.... a mostardeira é a maior das hortaliças e pode torna-se numa árvore». Numa Bíblia Protestante pode ler-se: «A mostarda é a menor das sementes, no entanto, quando plantada, cresce e torna-se na maior das plantas dum jardim com ramos tão grandes que os pássaros podem empoleirar-se neles ou abrigar-se na sua sombra».
Ora o grão da mostarda não é a menor das sementes, e a mostardeira nem é a maior das «hortaliças» nem, muito menos, atinge o tamanho de uma árvore, mesmo nos tempos Bíblicos.


Planta da mostarda e semente. A flor tem 4 pétalas
formando uma cruz (flor crucífera). Tem muitas variedades.
Foto: www.biology.clc.uc.edu

b) Que o morcego é uma ave. (Levítico 11: 19)
c) Que há insectos alados com 4 patas. (Levítico 11:23)
d) Entre os animais «que se movem arrastando-se pelo chão» está a doninha, o camaleão e outros, que não se movem assim. (Levítico 11: 29)

As contradições, são inúmeras e, a mero título de exemplo, apenas se citam:

a) Como já foi anotado, Deus disse que «o homem não viverá mais do que 120 anos» (Génese 6: 3), mas em Salmos 90:10 pode ler-se: "Setenta anos é a duração de nossa vida; oitenta, se for vigorosa ...".

b) Quando Jesus envia os seus apóstolos em viagem de conversões, em Mateus 10:10 « ... ide, não levai nada ... nem calçado nem bastão...», mas em Marcos 6:10, « ide ... calçados de sandália ... não levar nada mais do que um bastão...»

c) Números 23:19 diz que «Deus não se arrepende», mas em vários capítulos da Bíblia arrepende-se, como se pode ler por exemplo em Êxodo 32:14 «O Senhor desistiu (arrependeu-se) do mal que havia ameaçado fazer ao seu povo» ou em Génese 6:6 onde se tem «Então o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem na terra e ficou com o coração magoado», ou em 1Reis 11:9, em que «o Senhor se irritou com Salomão» depois de lhe ter dado «um coração tão sábio e prudente como não houve nenhum outro ... e tanta riqueza e glória...», que utilizou mal, e lhe disse «vou arrancar de ti o reino para entregá-lo a um dos teus servos...».
Nota: «Salomão amou muitas mulheres estrangeiras ...  teve 700 esposas de categoria e 300 concubinas... construiu templos pagãos para as suas mulheres ...» (1Reis 3:12...14 ; 11:1 ; 11:3 ; 11:7).
Foi ao tempo de Salomão que se construíram os majestosos Templo de Jerusalém e o palácio de Salomão, se reuniu uma enorme frota de navios mercantes e de guerra e montou-se um poderoso exército com 1400 carros e 12000cavalos. É aqui que surge a visita da rainha de Sabá atraída pela fama de Salomão e que depois de verificar que ele a merecia lhe deu «quatro mil quilos de ouro e uma enorme quantidade de perfumes e pedras preciosas» (1Reis 10: 10). Os críticos ingleses chamam a Salomão  «a wise fool», isto é, um sábio tolo.

d) O nascimento de Jesus aparece narrado de duas maneiras totalmente diferentes em Mateus 2:1 a 11, e em Lucas 2: 8 a 16, como é descrito um pouco mais abaixo.

e) Depois da traição de Judas, lê-se em Mateus 27:10 «... Judas com remorsos ...devolveu as 30 moedas aos sacerdotes do Templo e enforcou-se... os sacerdotes com o dinheiro compraram o campo do Oleiro para cemitério dos peregrinos». Em Actos 1:18 lê-se: «... com o salário do seu crime (as 30 moedas) Judas comprou um campo. Depois caindo para a frente (num precipício segundo elucida a Enciclopédia das Dificuldades Bíblicas) arrebentou ao meio e todas as suas vísceras se derramaram».

f) Em João 13:36 Jesus diz a Pedro « ...antes que o galo cante, me negarás três vezes», mas em Marcos 14: 66...68 narra-se que o galo cantou logo a seguir à primeira nega de Pedro e assim o fez a cada uma das outra duas negas, acabando por cantar três vezes. Os teólogos cristãos dizem que aqui não há contradição já que Pedro negou Jesus sempre antes do galo cantar ou de repetir o canto. Mais uma ambiguidade Bíblica.

g) Em Mateus 27:38 lê-se «... com ele (Jesus) foram crucificados dois ladrões ... o povo que passava insultava Jesus. Do mesmo modo os 2 ladrões que com ele tinham sido crucificados também o insultaram». Em Lucas 23:32 lê-se: « ... com ele (Jesus) foram crucificados dois ladrões ... o povo que passava insultava Jesus ... um dos criminosos também o insultou, mas o outro repreendeu o companheiro dizendo: nós fomos justamente punidos, mas este homem (Jesus) nada fez de errado»  e, depois, disse: «Jesus, lembra-te de mim quando estiveres no céu»

h)Jesus crucificado morreu às 3 da tarde (Marcos 15:33) de uma sexta feira (Marcos 15:42) e ao alvorecer do domingo seguinte (Marcos 16:1,2) tinha ressuscitado ou seja, estão envolvidos no máximo 48 horas e duas noites, mas em Mateus 12:40 lê-se «... o Filho do homem (Jesus) estará três dias e três noites no seio da terra»
Nota: Dizem os teólogos cristãos que cada meio dia conta como um dia, daí a ressurreição ter-se dado «3 dias depois» (sexta + sábado+ domingo), uma justificação muito anémica, continuando por explicar o problema das 3 noites que só foram duas, embora os judeus tivessem um amaneira um pouco estranha de dizer o que era noite e o que era dia.  Na página sobre o Islão refere-se que os muçulmanos, baseados no Corão, dizem que Jesus nem foi crucificado nem morreu.

i) A morte e a ressurreição de Jesus são pedras fundamentais do cristianismo. Era de esperar que estes acontecimentos aparecessem narrados na Bíblia com grande rigor e precisão. Para além dos erros relatados nas alíneas f), g), e h) há discordâncias entre os evangelhos quanto ao número de anjos que apareceram no domingo de manhã no seu túmulo vazio e o que sucede a seguir:
Em Mateus 28:1, há um terramoto, um anjo desce do céu e rola, do exterior, a pedra do sepulcro vazio. Mais tarde Jesus aparece e fala primeiro a Maria Madalena e a «outra» Maria, antes de se encontrar com os discípulos.
Em Marcos 16:1, a pedra é encontrada removida e dentro de sepulcro vazio está, «sentado à direita um jovem vestido de roupas brancas» que era um anjo. Mais tarde Jesus aparece (apenas) a Maria Madalena, depois à tarde a dois discípulos e mais tarde aos outros 11 apóstolos (Judas tinha morrido)
Em Lucas  24: 1, a pedra é encontrada removida e o sepulcro vazio, e só depois desta constatação é que surgem «2 homens vestidos de vestes resplandecentes» que eram anjos. Jesus não aparece a qualquer mulher, fazendo-o primeiro a dois discípulos e depois aos restantes 11 apóstolos.
Em João 20:1, a pedra está removida, o sepulcro vazio e só muito depois surgem 2 anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde estivera o corpo de Jesus, que mais tarde aparece a Maria Madalena e depois aos discípulos.

Coisas um tanto ou quanto estranhas, também as há. Entre inúmeras delas:

a) Em Marcos 11:12, «a maldição da figueira» lê-se: «...e Jesus vendo de longe uma frondosa figueira, aconchegou-se para ver se encontrava nela alguma coisa. Mas ao chegar, nada encontrou a não ser folhas, pois não era tempo de figos. E falou para a figueira: Nunca jamais alguém coma fruto de ti!», e em Marcos 11:20 lê-se: «Passando na manhã seguinte, viram a figueira seca desde as raízes. Lembrando-se do que se passara, Pedro disse a Jesus: Olha mestre, como secou a figueira que amaldiçoaste! Jesus respondeu: ... quem disser a este monte para sair e ir deitar-se ao mar e não duvidar em seu coração mas acreditar que vai acontecer o que diz, acontecerá, e ... tudo que pedirdes ao rezar, crede que recebereis e vos será dado»
 
Como aceitar uma praga contra uma figueira, tanto mais que não era tempo de ela ter figos, e será que o resultado de uma oração está garantido, como é assegurado naquele versículo? Será possível que Jesus, alguém que caminha sobre as águas, multiplica pães e peixes, transforma água em vinho, cura leprosos, cegos, paralíticos, surdos-mudos, ressuscita mortos, expulsa espíritos demoníacos ( Marcos 5:8...), prevê a destruição do Tempo de Jerusalém, a traição de Judas e que Pedro o negará três vezes, desconhecesse que a figueira não tinha frutos e fizesse, e dissesse, tais coisas? Será possível estabelecer uma relação entre esta maldição e o narrado em Lucas 13: 6 na «parábola da figueira», tão diferente?
b) «Quando uma mulher conceber e der à luz um menino, ficará impura durante sete dias ... e mais trinta e três dias em casa purificando-se do sangue ... e o menino ao oitavo dia será circuncidado... mas ... se der à luz uma menina fica impura por duas semanas ... e mais sessenta e seis dias em casa purificando o sangue ... não podendo tocar nada de santo, nem entrar no santuário ... findo este período deverá entregar no templo um cordeiro de um ano e um pombinho ou uma rola (ou dois pombinhos ou duas rolas se não tiver o cordeiro) para serem sacrificados ... e o sacerdote fará por ela a expiação, e será purificada» (Levítico 12:2...8)
c) «O leproso andará com as vestes rasgadas, os cabelos soltos e a barba coberta gritando: Impuro! Impuro! Habitará a sós e terá a sua morada fora do acampamento» (Levíticos 13: 45). Nota: Esta conduta desumana, era provavelmente para evitar o contágio de uma doença «em que uma pessoa morre aos pedaços e cheira mal» e para a qual não havia cura. Até ao aparecimento recente dos sanatórios de recolhimento e tratamento, os leprosos eram miseravelmente desprezados e evitados pela sociedade.
d) «... aquele que se divorciar de sua mulher - excepto em caso de prostituição - a induz ao adultério, e aquele que casar com ela, comete adultério» (Mateus 5: 32). Nota: Neste contexto bíblico «prostituição» tanto se refere «à mais velha profissão do mundo» no sentido vulgar da palavra, como a relações íntimas ilícitas sobretudo se incestuosas. Noutro contexto bíblico, pode significar pecado de uma maneira geral, adoração de deuses pagãos, etc.


Um caso de falta de bom senso?

Os clérigos têm de compreender que uma pessoa de espírito aberto pode aceitar factos sobrenaturais, que não podem ser provados ou refutados pela razão ou ciência, como sejam os milagres atribuídos a Jesus, ou a descida do Espírito Santo sob a forma de pomba, no baptismo de Jesus por S. João, mas dificilmente aceita supostas palavras, ou acções de índole natural de um Deus que contrariam a razão, o bom senso, a ética, ou a sensibilidade humana.

Manter que «a  Bíblia não tem erros, por ser a palavra de Deus», é uma atitude incompreensível que prejudica seriamente a ideologia cristã e, se dita por quem não pertence à liderança da Igreja, só denota falta de conhecimento da Bíblia, ou melhor dito, das Bíblias, porque há muitas versões deste livro, que não usam as mesmas frases, ou as mesmas palavras, para descreverem os mesmos acontecimentos, e nem todas elas têm o mesmo conteúdo, embora no prefácio todas elas garantam ser a tradução correcta e fiel das mesmas fontes originais. Atente-se na descrição da primeira das Bem-Aventuranças (Mateus 5:3):
a) Segundo uma Bíblia: «Felizes os que têm espírito de pobre, porque deles é o reino dos céus»
b) Segundo outra Bíblia: Felizes os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus»
Ora, «pobre de espírito» não é o mesmo que «espírito de pobre»!

É mais apropriado aceitar que a Bíblia é um livro «baseado na palavra de Deus», cujo conteúdo foi mantido por tradição oral e passado à escrita muito depois da realização dos factos narrados e, como tal, com fortes probabilidades de ter incorrecções. O essencial é extrair-se dela a «mensagem espiritual» e não focar demasiadamente a atenção em detalhes físicos, havendo já livros cristãos que seguem este ponto de vista.

Numa Bíblia pode ler-se: « Muitos crentes consideram ser a Bíblia uma narração sagrada e literalmente verdadeira, enquanto que outros tratam-na com grande respeito mas acreditam que foi escrita por pessoas ao longo de muito tempo e, sendo complexa, tem frequentes contradições».
Se um Cristão aceitar esta segunda alternativa, então poderá responder com mais maturidade às críticas destrutivas e de má fé, e não deixará que os deslizes bíblicos abalem a sua fé.

O fantasmagórico Livro das Revelações ou, O Apocalipse:

As revelações do Apocalipse chegaram ao seu autor como uma série de visões bizarras, tendo grande analogia com as visões experimentadas por Daniel e Zacarias e relatadas no Antigo Testamento.

«Ao tempo da sua escrita os cristãos entendiam a mensagem alegórica, mas actualmente tal não é possível porque, culturalmente, perdeu-se a noção do significado original e do seu simbolismo. Esforços para a sua recuperação levaram a divergências de interpretações, consideradas como não tendo relação com as intenções do seu escritor» (De: Encarta).

Nota:
A Revelação foi um dos livros que mais dificilmente conseguiu entrar na lista das escrituras a fazerem parte do cânone cristão.

 
Tem a forma de uma carta escrita às sete Igrejas localizadas na Ásia (Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia, Laodicéia), sendo a parte final da Bíblia. É um livro muito controverso, atribuído tradicionalmente a S. João Evangelista, exilado em Patmos, numa época conturbada do Cristianismo caracterizada pelo desespero, confusão e dúvidas, face às terríveis perseguições a que os Cristãos estavam sujeitos, debaixo do divinizado imperador Domiciano. Perguntavam: Como é possível que Jesus permita tal coisa?

Descreve um hipotético Fim dos Tempos que se julgava próximo atendendo às atribulações porque os cristãos passavam nessa altura. No versículo 1:3 pode ler-se «Feliz aquele que lê e os que ouvem as palavras desta profecia e os que observam as coisas nelas escritas, pois o tempo está próximo». Um «próximo» já há distância de 2000 anos.

Hoje em dia, um crente culto pensa mais correctamente que
«O Apocalipse é uma revelação feita por Deus a um visionário ... o Apocalipse é um livro de seu tempo, escrito a partir de seu tempo e para o seu tempo, e não propriamente para as gerações futuras ... expondo o drama da luta incessante de Satanás contra Deus e o seu povo. No século III surgiram dúvidas quanto à origem apostólica e canonicidade do livro devido ao uso que dele fizeram as heresias do montanismo e milenarismo...». (Bíblia Católica, Editora Vozes), ou seja, «não se trata de profecias que anunciassem todos os tempos históricos de um remoto passado até ao fim do mundo, como é costume ler-se em certas hermenêuticas de seitas cristãs como seja os Adventistas, Testemunhas de Jeová, fundamentalistas Baptistas, etc.» ( Hist. F. Felix Lopes)

Acaba nos versículos 21 e 22 com uma visão de um novo Paraíso e de uma nova Terra recriada de um mundo apodrecido pelo pecado dos homens. Através de episódios fantasmagóricos de um terror estranho, descreve a luta final entre o Bem e o Mal e procurava, quando foi escrito, restaurar uma fé vacilante, e dar a certeza que o Bem, na figura de Jesus, no fim vencerá o Mal Satânico, e que todos aqueles que seguem os conselhos de Jesus nada têm a temer com a morte.
Para ajudar quem queira aventurar-se a lê-lo na íntegra, aqui se referenciam alguns dos vários «actores» que nele intervêm, por ordem dos versículos:

- introdução e visão inicial (Vers. 1)
- cartas às 7 igrejas (Vers. 2-3)
- visão do trono divino, do cordeiro (Jesus, que se deixou sacrificar) e do livro dos sete selos (Vers. 4-5)
- os 4 cavaleiros e os sete selos (Vers. 6:1, 7, 8:5), que trazem conquista, guerra, fome e morte,
- os sete anjos com as sete trombetas (Vers. 8:6, 10:1, 11, 11:19), em que cada trombeta anuncia um julgamento de Deus.
- a mulher dando à luz (Vers. 12) representa o povo de Deus e o nascimento do Messias Salvador.
- o dragão ( Vers. 12, 20) tem 7 cabeças e 10 cornos. É Satanás que, através do império Romano, se vinga em Jesus, em Maria, na Igreja e nos cristãos por ter sido expulso do céu.
- as duas bestas (Vers. 13) simbolizam os poderes anti-Deus.
- os 144 000 das tribos de Israel (Vers. 14) com a marca que os salvará, e o julgamento.
- os sete anjos com as sete pragas em taças ( Vers. 15 ... 16), baseadas em sete das pragas do Exodo.
- o julgamento da Babilónia e a prostituta (Vers. 17:1, 19:10) simboliza a cidade de Roma, mas cada época tem a sua própria «Babilónia».
- a esposa (Vers. 19) é o oposto da prostituta, representando a Igreja de Cristo.
- o cavaleiro do cavalo branco (Vers. 19:11, 21) é Jesus ( Messias-Juíz). O milénio e o julgamento (Vers. 20)
- a nova era (Vers. 21:1, 22;15)
- epílogo (Vers. 22:6...21)

Notar a insistência no número sete (7 igrejas, 7 selos, 7 anjos, 7 trombetas, 7 cabeças, 7 pragas em 7 taças). Para quem quiser ficar com uma ideia rudimentar do «fim do mundo», basta ler os curtos versículos 20 a 22. Do 21:8 fica a saber-se que «Os cobardes (cães, em algumas Bíblias), os infiéis, os vilões, os assassinos, os sexualmente imorais, aqueles que praticam magia, os idólatras e os mentirosos, irão para o tanque ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte.

O nascimento de Jesus, segundo os evangelhos

A tradição popular, baseada em escritos apócrifos, dizem que no tempo do rei Herodes «Três Reis Magos (Melchior, que era um ancião, Gaspar, um jovem branco, e Baltazar, um homem de raça negra e barba) viram uma estrela que os guiou até Belém onde encontraram o Menino Jesus na manjedoura de um estábulo, ladeado pela família, por um boi e por um jumento (burro)», e é assim que muitos dos Presépios de Natal representam este dia, mas na Bíblia há duas versões muito diferentes:

1) Mateus 2: 1 a 11: « ... uns magos chegaram do Oriente a Jerusalém ... partiram para Belém e seguiram a estrela que ia à frente deles até parar sobre o lugar onde estava o menino... entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe ... adoraram-no e ofereceram presentes...». Isto é, não diz que são três reis, nem fala em manjedoura, ou em burro, ou em boi.
2) Lucas 2: 8 a 16: «... uns pastores no campo velando à noite ... apareceu-lhes um anjo a comunicar o nascimento ... foram para Belém ... e encontraram  Maria, José e o menino deitado numa manjedoura...), não havendo portanto referência a reis magos (ou sábios como aparece em algumas Bíblias) ou a animais.

Jesus Cristo teria nascido entre 7 e 4 a.C. em Belém ou em Nazaré, durante o reinado de Herodes, O Grande, da Judeia. Admite-se mais que nasceu em Belém, nascido da Virgem Maria, que o concebeu por graça do Espírito Santo e não por uma relação carnal. Foi circuncidado aos 8 dias de idade tendo a sua família, de seguida, ido refugiar-se em Nazaré, daí Jesus ser conhecido por Jesus de Nazaré e Jesus Nazareno.


Circuncisão de Jesus - Duas gravuras
De  um postal religioso, autor desconhecido.

Dois dos evangelhos atribuem-lhe uma linhagem vinda da casa real de David, mas seguindo árvores genealógicas conflituosas.

A vida activa de Jesus

Depois do seu aparecimento, súbito, com uma visita a Jerusalém quando tinha 12 anos onde dialogou com os «doutores» religiosos do Templo, Jesus desaparece das páginas dos evangelhos (aparentemente teria exercido a profissão de carpinteiro, como seu pai José, enquanto que outras fontes sugerem que teria andado pela Índia ou pela China), para reaparecer entre 28 e 30 d.C., com cerca de 30 anos de idade, altura em que é baptizado, no rio Jordão, por seu primo S. João Batista.

Nota: S. João Baptista foi morto por ter denunciado o casamento de Herodes Antipas  (filho de Herodes, o Grande) com a cunhada Herodíades, ou Herodias, mulher de seu irmão Filipe, o que era considerado ilegal e incestuoso. Salomé (uma jovem muito formosa e sensual, filha de Herodias e sobrinha de Herodes), depois de uma dança que muito entusiasmou o seu tio, instigada pela mãe pediu como recompensa a cabeça de João Baptista, que já estava preso. Degolado, a sua cabeça foi entregue a Salomé e, por esta, à mãe.


Salomé e a cabeça de S. João Baptista. Quatro interpretações: Sucessivamente: de Pierre Bonnaud,
de Gustave Doré (parte) de Gustave Moreau (parte), e um cartaz da Ópera «Salomé» de Strauss.

Jesus com o seu sacerdócio de 2 ou 3 anos, com milagres e mensagens prometendo a vida eterna após a morte, a igualdade entre as pessoas, a felicidade e mais humanismo no mundo de então, entusiasmou os pobres e os marginalizados, e provocou a inveja dos escribas, dos fariseus, e da alta hierarquia religiosa judaica, pelos alertas dados ao povo de ter, «Muito cuidado com o fermento dos fariseus e saduceus» (Mateus 16: 6), e interpelações como: « Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas ... ai de vós, guias cegos ... serpentes, raça de víboras, como escapareis ao castigo do inferno? (Mateus, 23...).
E não só. O seu descontentamento é tipificado com o episódio da expulsão de comerciantes e cambistas que negociavam no Templo de Jerusalém, bradando: « A minha casa é uma casa de oração mas vós fizestes dela um covil de ladrões». (Lucas 19:46)..

Teve muitos seguidores e muitos dissabores, o que o levou a censurar as cidades onde tinha feito mais milagres e que eram aquelas com menos convertidos à sua palavra: « Ai de ti Corozaim, ai de ti, Betsaida... e tu, Cafarnaum ... até o inferno serás precipitada» (Mateus, 11: 21 - 23)

Espoletou a ira dos governantes romanos, embora nunca tenha dado conselhos revolucionários, ou se tenha envolvido em actos que pudessem ser considerados de rebeldia contra o colonizador romano, tentando, pelo contrário, encontrar uma coexistência pacífica como mostra o seu parecer de «Dar a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César». Esta ira, teria sido instigada pelo alto clero judeu com a falsa acusação de Jesus estar a planear um levantamento popular violento para expulsar os romanos, e ser eleito rei, no sentido convencional da palavra.

A morte de Jesus

Traído por Judas, um dos seus apóstolos, foi preso, julgado por Pôncio Pilatos, condenado à morte «por se levantar contra Roma ao anunciar um novo reino para o qual arregimentava muitos adeptos entre o povo», e executado por crucificação, num local chamado Gólgota ou «Lugar da Caveira».
No topo da cruz em que Jesus expirou, estava um letreiro indicando o motivo da sua condenação: «Este é Jesus, o rei dos Judeus». Nota: Há quem diga que Judas não existiu, e que é uma figura posteriormente criada pelos cristãos, simbolizando os judeus que traíram Jesus. Note-se que «Judas» soa quase a «Judeia e a judeu».
 
A crucificação teria sucedido, em 30 ou 33 d.C, numa quinta-feira, ou numa sexta-feira, durante a festa do «Passover» (Páscoa judaica), podendo ler-se num livro: « A 7 de Abril do ano 30, Jesus foi crucificado em Jerusalém».

No momento de expirar murmurou «Eloi, Eloi, lemá sabachthani» - Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?
Uma frase que ainda hoje ecoa sem se saber como deve ser interpretada.

Segundo a mesma fonte, morto numa sexta-feira, ao princípio da tarde de domingo 9 de Abril, de manhãzinha, o Gólgota foi cenário do maior milagre da história: a ressurreição de Jesus Cristo». Depois de algum tempo, Jesus reapareceu aos seus (os evangelhos contradizem-se, a quem, como, e quando apareceu) e subiu aos céus, estando aguardada por muitos cristãos a sua segunda vinda.

O túmulo de Jesus?

Segundo a Bíblia, Jesus (corpo e espírito) ressuscitou. Esta afirmação é considerada um dos pilares sagrados do cristianismo. Há no entanto outras versões como, por exemplo:
a) Judas (ou outro) teria sido sacrificado em vez de Jesus que teria entrado na clandestinidade ou teria emigrado da Palestina, provavelmente para a Índia, ou ainda que Jesus teria sobrevivido à crucificação e teria ido para a índia, onde pregou e morreu em Cachemira.
Ver http://www.jahmusic.com.br/rascultura/18032006cashmir.htm
b) O corpo de Jesus teria sido secretamente retirado do seu túmulo inicial, pelos seus discípulos, e enterrado noutro túmulo, eventualmente descoberto em Talpiot, subúrbio de Jerusalém, em 1980.
Ver http://ciberia.aeiou.pt/?st=6437er

O imbróglio do Código da Vinci.
Nota: A  referência  ao número de uma página do Código da Vinci, tem a ver com a segunda edição portuguesa do livro.

O Código da Vinci, provavelmente o maior bestseller de 2003/2004, e os seus predecessores O Segredo dos Templários de Lynn Picknett e Clive Prince, e O Sangue de Cristo e o Santo Graal, de Henry Lincoln, Michael Baigent e Richard Leigh têm provocado fortes críticas negativas por parte dos meios académicos e grandes aplausos em algumas camadas populares.

Muitos leitores cristãos são seduzidos pelo enredo deste romance, sem questionar a sua objectividade histórica e, cientes dos arrepiantes atropelos cometidos pela Igreja nos tempos antigos, (A Inquisição, a intransigente militância quando se pretendeu traduzir a Bíblia do Latim para outras línguas, a perseguição a homens da ciência como Galileu Galilei por defender o heliocentrismo, assim como a retenção na biblioteca do Vaticano de documentos secretos, etc) podem ser levados a duvidarem da sua fé, e os leitores incautos não cristãos podem ficar convencidos que o livro relata uma verdade bem documentada e irrefutável.

No livro, Brown amalgama factos mais ou menos conhecidos do cristianismo com outros mais obscuros, e mistura-os com dicas cifradas deixadas por um dos assassinados (grão-mestre do Priorado) e uma alegada descodificação de segredos escondidos em pinturas feitas por Leonardo da Vinci, como na Madona (Madonna) dos Rochedos (qual o significado do fundo montanhoso?), na Mona Lisa (qual o significado da assimetria das linhas de horizonte à esquerda e à direita e do seu estranho sorriso?) e muito em particular na Última Ceia de Jesus
 


Madona dos Rochedos e Mona LisaDa Vinci por vezes concebia com uma interpretação que não era aceite pelos clientes os trabalhos que lhe eram requisitados, sendo um dos casos o da Madona dos Rochedos, de que teve de fazer duas versões por a primeira ter sido recusada.

Na gravura ao lado temos sucessivamente: A Virgem dos Rochedos (Galeria Nacional de Londres), a Madona dos Rochedos (no Louvre) e a Mona Lisa (La Joconde, ou A Gioconda). Ler no livro, a páginas 170 cap. 3, como Brown descreve erradamente as características «ameaçadoras» da Madona dos Rochedos. A Virgem dos Rochedos (Londres) é a segunda versão da Madona dos Rochedos (Louvre).

Para Brown as pinturas de Da Vinci e alguns escritos religiosos corroborariam que Jesus não era divino, que se teria casado com Maria Madalena de quem teria deixado uma descendência que sobreviveu até aos dias correntes (entroncando na dinastia Merovíngia, de que um dos reis foi Dagoberto II assassinado com uma punhalada num olho enquanto dormia), e que ela não só não foi uma prostituta como tinha sangue real, e é o famoso Cálice Sagrado ou o Santo Graal (O Sagrado Feminino), isto é, « Quando a lenda do Graal fala do cálice que conteve o sangue de Cristo, está na realidade a falar de Maria Madalena, o útero feminino que conteve a linhagem real de Jesus.» (Pág. 299, cap. 58). Por conseguinte, a procura do Santo Graal resume-se à procura das relíquias (ossadas) de Madalena com as quais estariam enterrados alguns documentos comprometedores.

O Código da Vinci é um livro com mérito didáctico na medida em que suscitou um debate cultural a nível internacional, mas não passa de um romance policial servindo de invólucro a uma fértil ficção religiosa, envolvendo uns quantos assassinatos durante a caça à «Chave de Abóbada», que revelaria o segredo do Santo Graal ao mesmo tempo que vai desvendando alguns aspectos de organizações como o Vaticano, a Opus Dei e o Priorado de Sião. Com uma certa mestria Brown parece atirar as culpas dos desacatos que se vão desenrolando para o Opus Dei (e um pouco para o Vaticano) mas quase ao fim do seu livro (Sobretudo no Cap. 103, pág.506) revela que não é bem assim.

Para Brown, «A demanda do Santo Graal é literalmente uma demanda para ajoelhar diante dos ossos de Maria Madalena [...] aos pés da ostracizada», e dá a entender que as relíquias estariam em França num átrio do Louvre, no recinto albergando a Pirâmide Invertida.
Ver site oficial de Dan Brown:  www.danbrown.com

1- Segundo Brown, os Templários, ou Cavaleiros do Templo, foram uma organização criada ao tempo das Cruzadas do Oriente pelo Priorado de Sião, não para ajudarem na protecção de Jerusalém e de outros lugares sagrados ou dos seus peregrinos, mas para procurarem certos documentos que sabiam existir e que contradiziam o cristianismo estabelecido.

Da leitura do livro pode concluir-se que os Templários seriam elementos de uma seita na medida em que iam contra as ideias ortodoxas cristãs. Assim como o Priorado do Sião, adoravam  Maria Madalena e outro deus pagão (
Baphomet) e praticavam o Hiero Gamos (rituais sexuais), que Brown justifica serem sublimes (Cap.74 ; Pág. 370 a 373): «... o orgasmo como oração ... um brevíssimo vácuo mental durante a qual era possível vislumbrar Deus ... o rito Hieros Gamos não é uma perversão, é uma cerimónia profundamente sacrossanta [...] o sexo é natural ... um caminho para a realização espiritual... e no entanto, as religiões modernas declaram-no vergonhoso e ensinam-nos a temer o nosso desejo sexual como a mão do diabo».

Sabe-se que os Templários andaram pelas Terras Santas, onde combateram, e muitos deles regressaram com grandes riquezas. Sabe-se que por toda a Europa tinham inúmeras propriedades, que construíram muitas igrejas e castelos e que se tornaram numa espécie de Banco emprestando dinheiro, inclusivamente a reis.  Para além de um enorme poder político eram imensamente ricos e esta riqueza suscitou dúvidas quanto à sua origem sendo a pedra mestra da suspeita que eles teriam encontrado algo de muito valioso nas Terras Santas, que incomodava a Igreja desde há muito e o rei Filipe IV de França, a certa altura:

«De certa forma, a ascensão meteórica dos Templários levou à sua própria queda. Segundo alguns, um pouco das razões de sua queda foram causadas pelo facto de Filipe IV, o Belo, ter tentado entrar para a ordem templária, mas ter sido recusado. Além disso, num levante de seus súbditos, o rei francês foi obrigado a refugiar-se dentro de uma fortaleza templária até que a situação fosse controlada. O sentimento de impotência diante da ordem templária, aliado à dificuldade financeira pela qual os cofres do reino se encontravam, além da ambição por documentos contendo informações sobre tecnologia naval (que seria posteriormente usada por Colombo, Pedro Álvares Cabral e Vasco da Gama) motivou a ideia de destruição dos templários e apoderamento de seus vastos recursos. Assim, com medo do estado dentro do seu próprio estado, o rei Filipe IV, com apoio do Papa Clemente V, que devia favores ao rei e foi eleito Papa em razão da pressão das tropas francesas, planejou a destruição da Ordem do Templo.

Em todo o território francês, os cavaleiros do Templo foram presos simultaneamente a 13 de Outubro de 1307, uma sexta-feira. Submetidos a tortura, a maioria admitiu práticas consideradas hereges, como adorar um ídolo chamado Baphomet, homossexualidade ou cuspir na cruz. O Papa aprovou a sua extinção no Concílio de Viena de 1311-1312, tendo a maioria dos cavaleiros da ordem sido executada na fogueira, incluindo o seu grão-mestre Jacques de Molay em 1314. O julgamento dos templário arrastou-se por anos e embora muitos de seus membros tenham sido condenados e queimados, a ordem em si não foi considerada culpada. Todavia, as máculas decorrentes das diversas acusações impediram a sua continuidade.
Nota: O Papa não era a favor de uma purga tão violenta e tentou salvar alguns dos Templários mas foi forçado por Filipe IV a mudar de ideias. Alguns livros induzem que o Papa acatava ordens de Filipe IV enquanto que outros livros dizem o inverso!

O rei Filipe tentou tomar posse dos tesouros dos templários, no entanto quando seus homens chegaram ao porto, a frota templária já havia partido misteriosamente com todos os tesouros, e jamais foi encontrada. Os possíveis destinos dessa frota seriam Portugal, onde os templários seriam protegidos; Inglaterra, onde se poderiam refugiar por algum tempo, e Escócia onde também se poderiam refugiar com bastante segurança.

 [...] Os Templários já tinham entrado em Portugal no tempo de D. Teresa, que lhes doou a povoação minhota de Fonte Arcada, em 1127. Um ano depois, a viúva do conde D. Henrique entregou-lhes o Castelo de Soure sob compromisso de colaborarem na conquista de terras aos mouros. Em 1145 receberam o Castelo de Longroiva e dois anos decorridos ajudaram D. Afonso Henriques na conquista de Santarém e ficaram responsáveis pelo território entre o Mondego e o Tejo, a montante de Santarém. Os Templários Portugueses a partir de 1160 ficaram sediados na cidade de Tomar, onde continuou a situar-se a sua ordem sucessora, a Ordem de Cristo. [...]  Gualdim Pais um grão-mestre dos Templários em Portugal, reconstruiu  o Castelo de Almourol na Praia do Ribatejo, uma freguesia do concelho de V. N. da Barquinha»

Ver texto completo em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ordem_dos_Templ%C3%A1rios

2- Brown acusa a Igreja de ser machista, de a todo o custo querer suprimir o contributo do factor humano feminino no cristianismo e consequentemente enlamear o nome de Maria Madalena. Brown parece esquecer-se que há inúmeras mulheres santificadas e beatificadas, que há instituições religiosas de grande envergadura geridas inteiramente por mulheres, que há um fortíssimo culto à Virgem Maria apoiado pelo Vaticano, que Maria Madalena não é vilipendiada na Bíblia sendo pelo contrário enaltecida como «arrependida», que ela aparece como figura importante aos pés da cruz de Jesus, e que um dos evangelhos canónicos afirma que foi a ela que Jesus apareceu em primeiro lugar após a sua ressurreição.

Com as suas teorias, ao fazer a apologia do Sagrado Feminino (na pessoa de Maria Madalena), ele está a substituir um pseudo-machismo por um feminismo fanático, não explicando como é que, para o Priorado, sendo Jesus uma figura fulcral no mundo de Madalena, acaba por não passar de um profeta mortal e quase que votado ao esquecimento (só se preocupando o Priorado com a defesa da sua descendência), e como é que Madalena que era uma simples mortal e, segundo ele, esposa e discípula de Jesus, se tornou deusa.

No cap. 55, pág. 283, pode ler-se « ... Constantino encomendou e financiou uma nova Bíblia, que omitia os evangelhos que falavam das características humanas de Cristo e dava destaque aos que faziam dele um deus. Os evangelhos mais antigos foram banidos, arrebanhados e queimados [...] mas alguns sobreviveram como os Manuscritos do Mar Morto (Qumran) e os Manuscritos  Coptas de Nag Hammadi... ».

Brown sugere que a divindade de Jesus era essencial para a sobrevivência do cristianismo (Pág. 282). É uma afirmação falsa. Basta lembrar que no Islão, Maomé é apresentado, de uma maneira imperativa, como sendo um profeta não divino, ou seja, a sua divindade não foi necessária para que o Islão se expandisse do modo que o fez.
Sabe-se que o imperador romano Constantino era um sanguinário oportunista e que legitimou o cristianismo mais para manter a paz no seu império do que por fé, mas Brown acaba por admitir no seu livro que pela época desse tirano havia duas correntes de pensamento expressas em evangelhos, uma a favor da divindade de Jesus e outra contra. Para Brown, estes últimos são a bandeira da verdade.

«
Para a redactora do jornal americano "Our Sunday Visitor" e autora do livro "Descodificando Da Vinci", Amy Welborn" o problema é muito simples: os evangelhos canónicos são prioritários, cronologicamente, em relação aos apócrifos", ao contrário do que Brown afirma no seu livro. Estudos bíblicos, não deixam margens para dúvidas sobre a datação dos "apócrifos", sobretudo os de origem gnóstica, nascidos depois do ano 150 e após a redacção dos Evangelhos Canónicos, que decorreu entre os anos 70-100»

(Parte - 5 apóstolos - de A Última Ceia, por Leonardo da Vinci)
3- No cap. 58, pág. 292, Brown afirma que a pessoa sentada à direita de Cristo não é o apóstolo João mas uma mulher, concluindo que era  Maria Madalena. Se assim é, então
temos uma  Maria Madalena  fisicamente muito afastada de seu esposo Jesus e quase em cima do apóstolo Judas Iscariotes o que não parece ser uma atitude muito ética ou carinhosa para uma esposa que, de acordo com o Evangelho (apócrifa) de Filipe, Jesus amava mais do que a qualquer outro discípulo e que a «beijava frequentemente na boca», contradizendo o Evangelho (apócrifa) de Judas segundo o qual Judas era o seu discípulo preferido a ponto deste ter forjado com ele uma falsa traição.

Brown não menciona que na arte sacra o apóstolo João aparece frequentemente como tendo uma cara afeminada por ter sido o mais jovem dos apóstolos, assim como a existência de esboços deste trabalho, feitos pelo próprio Da Vinci, onde não aparece qualquer rosto nitidamente feminino, e que Da Vinci aparentemente referenciou as figuras do mural, pintadas em grupos de três (Há quem diga que simbolicamente cada grupo representa uma das 4 estações do ano, veneradas no culto do Sol), como sendo, da esquerda para a direita: Bartolomeu, Tiago o Menor e André; Judas Iscariotes (mais à frente), Pedro e João; Cristo ao centro; Tomé, Tiago o Maior, e Filipe; Mateus, Judas Tadeu e Simão o Zelote.

Brown chama a atenção para a mão ameaçadora, «como se fosse uma faca», junto ao pescoço da suposta Maria Madalena, assim como a existência de uma mão «sem dono» empunhando uma adaga.
Pedro é apresentado na Bíblia como sendo um homem facilmente irascível (Pedro cortou a orelha a um dos soldados que prenderam Jesus) daí a sua mão, segundo Brown, simbolicamente ameaçadora.
A resolução da gravura de parte da Última Ceia apresentada mais acima não o permite ver, mas ampliando o original salta à vista que a mão com a adaga (que seria uma faca de cortar comida, e como tal não tem qualquer significado tenebroso) pertence ao apostolo Pedro, só que acabou um pouco mal representada com as sucessivas restaurações, em que pedaços da pintura escamaram e saltaram da parede, sendo alguns deles perdidos para sempre.

Para Brown, o afastamento entre Jesus e Maria Madalena representa um V, símbolo do Sagrado Feminino e que o conjunto de Jesus, Madalena e o V formam um M, podendo significar Maria Madalena ou Matrimónio. Se a figura é Maria Madalena, então um dos apóstolos faltou à ceia!

Brown diz que a Ceia é um fresco, mas está enganado pois trata-se de uma pintura usando a técnica mista de têmpera e óleo sobre uma base de gesso seco (logo não é um fresco) sobreposta ao reboco da parede, e diz que Da Vinci raramente faz «borrada» no seu trabalho mas na Última Ceia, fez uma enorme borrada ao optar por essa técnica em que era inexperiente.
 
Da Vinci pintou a Ceia com as dimensões de  4,6 x 8,8 metros (não é um quadro transportável) numa parede do refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie, perto de Milão, trabalho que o ocupou cerca de 2 a 4 anos até 1498 e que começou a deteriorar-se passados pouco tempo, chegando a um estado lastimoso em que dificilmente se reconheciam os apóstolos e Jesus. Posteriormente foi aberta uma porta por baixo da pintura que a arruinou um pouco mais, e em 1943 durante a Grande Guerra uma bomba atingiu o mosteiro e por pouco não destruiu a pintura.
Durante 5 séculos foram feitas várias restaurações desastradas e desastrosas (as principais em 1726, 1770, 1906, 1947) que aumentaram as falhas na pintura, alteraram a cor dos elementos constituintes e o aspecto das personagens. A última restauração, mais tecnicamente perfeita, começou em 1979 e terminou em 1999.

Segundo Brown, Da Vinci foi  Grão Mestre do Priorado De Sião (não há qualquer prova histórica de tal) logo, seria veladamente contra a Igreja Católica e assim a Última Ceia teria que reflectir, ainda que sub-repticiamente, a sua posição.
Há especulação quanto à maneira exaltada como Da Vinci apresenta os apóstolos, mas ele quis retratar a reacção (argumentativa e incrédula) dos apóstolos quando Jesus anunciou que um dos presentes o ia entregar aos romanos: «Em verdade, em verdade vos digo: um de vós há de me entregar» (João 13:21). Um pouco depois Jesus dirá a Judas Iscariotes, o homem que geria os dinheiros dos apóstolos (João 13:29) quando este se levanta para sorrateiramente o ir denunciar: «O que tens a fazer, fazei-o depressa» (João 13:27).
Nota: Como já se anotou, cada Bíblia usa as suas próprias palavras. Em algumas delas em vez de «me entregar» está «me trair». O «me entregar» e «fazei o que tens a fazer» é explorado pelos apologistas do Evangelho de Judas como provas que Judas não o traiu mas apenas cumpriu um compromisso.

A Última Ceia foi pintada quase 1500 anos depois da morte de Jesus, e Leonardo não tinha qualquer referência gráfica de confiança sobre o que se teria passado. Apenas podia seguir as narrações dos evangelhos apostólicos e apócrifas, pelo que teve de imaginar muita coisa. Na restaurada Última Ceia, não aparece o halo sobre Jesus como era de esperar (podia ter existido na pintura original, e há reproduções em que aparece), nem o Sagrado Cálice, o que é interpretado como significando que Leonardo Da Vinci não reconhecia a divindade de Jesus.

Outro ponto de interrogação paira sobre a razão porque é que existe um nó numa das pontas da toalha. Como em Italiano «nó» é «vincoli» parecendo-se com Vinci, nome porque ele era conhecido, (Leonardo nasceu em Anchiano, perto de Vinci, Itália, em 1452) há sugestões que foi uma maneira simbólica de assinar a pintura.

Da Vinci foi um génio excêntrico, tendo sido anonimamente acusado de ser homossexual e por isso viu-se a braços com a justiça, que não conseguiu provar a acusação, embora existam desenhos dele mostrando jovens nus e confidências que parecem corroborar essa inclinação.

Brown e a casa editora Random House, foram processados por Michael Baigent and Richard Leigh, autores do livro O Sangue de Cristo e o Santo Graal (1982), que acusaram Brown de plágio, mas o juiz inglês Peter Smith rejeitou a acusação, absolvendo Brown, o que estava antecipado pois os advogados consideram que «o copyright de um livro protege a maneira (as palavras) como uma ideia é expressa e não a ideia em si ( ... the copyright law protects the expression of an idea rather than the idea itself ...) e de acordo com o advogado de  defesa, embora os incidentes do Código da Vinci, tenham sido descritos antes, «ninguém os juntou, desenvolveu e exprimiu do modo que Brown o fez». Curiosamente, o juiz ao lavrar a sentença incluiu nesta letras à toa que, segundo ele, constituem um código contendo uma mensagem secreta... que os jornais até fazem concursos para ser decifrada!
 

Para uma descrição dos prováveis "erros" de Brown neste livro, ver série em:
www.thedavincicodedemolished.com/The-Da-Vinci-Code-1.html

Para outras opiniões a favor e contra o livro, clique nesta linha.
 
O Priorado de Sião. É a Opus Dei uma «seita» do Vaticano?

No início do seu livro, pág. 11, Brown afirma:

«O Priorado de Sião é uma sociedade secreta europeia fundada em 1099, é uma organização real. Em 1975, a Bibliothèque National de Paris descobriu um conjunto de pergaminhos, conhecidos como Les Dossiers Secrets, que identificam numerosos membros do Priorado de Sião, incluindo Sir Isaac Newton, Botticelli, Victor Hugo e Leonardo da Vinci».
Segundo Brown, o Priorado foi fundado em 1099, mas segundo a lista dos Dossiers Secrets (Código da Vinci, página 389), o primeiro grão-mestre foi Jean de Gisors, de 1188 a 1220, ou seja, estiveram 1188 - 1099 = 89 anos sem grão-mestre?

Quanto à Opus Dei, Brown assegura-nos nessa mesma página: «A prelatura do Vaticano conhecida como Opus Dei é uma seita católica profundamente devota que tem sido objecto de controvérsias recentes devido a acusações de lavagem ao cérebro, coerção e práticas perigosas conhecidas como mortificação corporal...»
O que dizem outras fontes de informação?

 

O texto que se segue é uma adaptação de um artigo de http://pt.wikipedia.org/wiki/Priorado_de_Si%C3%A3o

O Priorado de Sião foi declarado legalmente uma associação francesa a 20 de Julho de 1956. O pedido de autorização de constituição foi efectuado a 7 de Maio de 1956, na Sub-Prefeitura de Polícia de Saint-Julien-en-Genevois (Alta Sabóia), mediante uma carta assinada pelos quatro fundadores: Pierre Plantard, André Bonhomme, Jean Deleaval e Armand Defago. O texto de constituição, conforme consta no Journal Officiel, número 167, segundo Pierre Jarnac, é o seguinte:

A constituição de uma ordem católica, destinada a restituir numa forma moderna, conservando o seu carácter tradicionalista, o antigo cavaleiro, que foi, pela sua acção, a promotora de um ideal altamente moralizante e elemento de um melhoramento constante das regras de vida da personalidade humana.

O Mito

De acordo com Pierre Plantard (fundador principal, falecido em 2000, do moderno Priorado de Sião) e hipotético descendente da linhagem de Jesus Cristo, o (antigo) Priorado de Sião teria sido uma sociedade secreta fundada em 1099 que jurara proteger um segredo acerca do Santo Graal. Esta sociedade teria contado entre os seus membros com um grande número de personagens da História mais ou menos ligadas ao ocultismo e às artes e ciências, incluindo Nicolas Flamel, Leonardo da Vinci, Isaac Newton, Claude Debussy, Botticelli, Victor Hugo, Charles Nodier, Jean Cocteau, etc. Segundo Plantard, o Priorado era a organização que agira nos bastidores por detrás de outras organizações como os Templários, os Rosa-cruzes e os franco-maçons.

De acordo com Lincoln, Baigent e Leigh, o Santo Graal seria o "sangue real" de Cristo (os autores sugerem como hipótese que a palavra "graal" seja lida como "sangreal"), ou seja, a linhagem dos seus hipotéticos descendentes. Nas temáticas do Priorado, maioritariamente compostas por Plantard e Chérisey durante os anos sessenta e setenta, encontram-se também envolvidos outros temas e personagens históricos como a Alquimia, o padre Bérenger Saunière (é curioso que Brown usou este nome para uma das suas personagens chave e atribuiu-lhe a chefia do Priorado De Sião) e a lenda do tesouro de Rennes-le-Château, o pintor Nicolas Poussin, o cruzado Godofredo de Bulhão, o Papa João XXIII e outros.
No que diz respeito ao padre Bérenger Saunière e à lenda do tesouro de Rennes-le-Château, Plantard e Chérisey inspiraram-se na versão romanceada da vida do padre que fora criada por Noël Corbu a partir de 1953, ano em que este inaugurou o Hôtel de la Tour em Rennes-le-Château, no edifício que Saunière chamara de Villa Béthanie.

Chérisey iria compor, nos anos sessenta, dois famosos "pergaminhos" codificados. Estes pergaminhos serviriam, juntamente com uma resenha de documentos forjados (que inclui os famosos Dossiês Secretos) depositada na Biblioteca Nacional de Paris entre 1964 e 1977, para tentar legitimar Plantard como descendente merovíngio e herdeiro do trono de França.

Juntamente com Plantard, Chérisey inspirara-se na lenda criada por Noël Corbu de que Saunière descobrira um tesouro com a ajuda de pergaminhos codificados que teriam sido encontrados na igreja de Santa Maria Madalena em Rennes-le-Château, no final do século XIX.

O mistério de Rennes-le-Château, publicitado inicialmente por Noël Corbu como um fabuloso tesouro para permitir a rentabilização turística do seu Hôtel de la Tour, passaria assim, sob a égide de Plantard e Chérisey, para uma nova fase na qual o carácter monetário de um hipotético tesouro seria desprezado e o carácter secretivo dos pergaminhos codificados surgiria como o verdadeiro mistério a descobrir. Plantard e Chérisey, com a ajuda de Gérard de Sède (durante um tempo, os três foram sócios na partilha dos lucros das vendas dos livros deste último), tudo fariam para adulterar a verdade histórica acerca da vida do padre Saunière, de forma a transformá-lo num ocultista e num esoterista, por outras palavras, numa pessoa influente nas sociedades secretas e no ocultismo francês, chegando a ser inventada uma fantasiosa viagem de Saunière a Paris, na qual o padre teria levado os ditos pergaminhos codificados para serem interpretados pelo erudito Emile Hoffet.

A revisão do mito

Em 1989,  Pierre Plantard, desgastado pela progressiva divulgação em França da natureza fraudulenta da sua criação, decidiu negar a teoria de que o Priorado de Sião dataria de 1099 e teria sido fundado por Godofredo de Bulhão, mudando a data de fundação para o dia 17 de Janeiro de 1681. Segundo esta nova versão de Plantard, o Priorado teria sido criado nesta data, em Rennes-le-Château, por Jean-Timoleon Negri d'Ables.

A confissão da fraude

Pierre Plantard confessou perante a Justiça Francesa em 1993 (mais concretamente, ao juíz Thierry-Jean Pierre, no âmbito do processo Roger-Patrice Pelat) ter criado esta sociedade com o objectivo de o legitimar como tendo direito ao trono de França - caso a monarquia fosse restabelecida - como descendente Merovíngio.

A exportação da fraude

Em 1982, Lincoln, Baigent e Leigh, aproveitando a sugestão de Plantard e Chérisey de que os Merovíngios descenderiam da Casa de David, fariam com a sua obra O Sangue de Cristo e o Santo Graal, a sugestão hipotética de que estes monarcas descenderiam de Jesus Cristo. Ao saber desta hipótese, Plantard rejeitou-a publicamente várias vezes na imprensa francesa, afirmando que os anglo-saxónicos se estavam a aproveitar das suas teorias.

Numerosos autores acrescentaram detalhes a este mito moderno, mesmo após a revisão do mito em 1989 e a confissão de Plantard em 1993, criando um entrecruzamento sem fim de teorias e contra-teorias. Umberto Eco, na sua novela de 1988 o Pêndulo de Foucault, satirizou o sistema de associação sem provas que constitui o fundamento da pretensa sociedade secreta, e de modo geral, a forma de fazer pseudo-história que pode ser encontrada em tantas obras que se inspiraram na fraude do Priorado e nas teorias de Lincoln, Baigent e Leigh.

O Priorado e os Templário

Segundo Plantard, os Cavaleiros Templários e o Priorado de Sião seriam duas facetas de uma mesma organização: a primeira pública e a última secreta. Plantard afirmava que a Igreja Católica tinha traído os Merovíngios ao legitimar a dinastia carolíngia. Segundo Plantard, o Priorado teria como missão proteger os descendentes da dinastia merovíngia, organizando-se contra a Igreja Católica: «… os descendentes merovíngios estiveram sempre na base de todas as heresias, desde o arianismo, passando pelos cátaros e pelos templários até à franco-maçonaria.
Com o nascimento do protestantismo, Mazarin em Julho de 1659 fez destruir o seu [dos descendentes merovíngios] castelo de Barberie que datava do século XII (Nièvre, França). Esta casa não tem gerado através dos séculos senão agitadores secretos contra a Igreja…».

Segundo Plantard, em 1188 o Priorado de Sião ter-se-ia separado dos Templários, passando a operar às escondidas (Plantard chamou a esta separação "corte do olmo"), tornando-se uma "sociedade secreta" da elite, enquanto os Templários foram violentamente atacados pelo rei francês Filipe IV, o Belo e pelo Papa Clemente V. Em 13 de Outubro de 1307, Filipe IV ordenou a prisão de todos os Cavaleiros Templários.

Este evento deu origem à superstição do azar nas sextas-feiras 13. Uma lenda diz que na noite anterior à detenção, um número desconhecido de Cavaleiros teria partido de França com dezoito navios carregados com o lendário tesouro da Ordem. Uma parte desses navios teria aportado na Escócia e os Templários ter-se-iam fundido noutros movimentos, fazendo sobreviver as suas ideias heréticas ao longo dos séculos seguintes sob a capa dos ritos maçónicos.
Recomenda-se uma visita ao site http://bmotta.planetaclix.pt/rennes_intro.html?prieure.html

Quanto à Opus Dei:

Breve apresentação: A Opus Dei é uma organização católica, reconhecida pelo Vaticano, que foi fundada, em Madrid, Espanha, a 2/10/1928 (um pouco antes da subida ao poder de Franco) pelo Beato Josemaría Escrivã de Balaguer (1902 - 1975), que alargou em 14/2/1930 a sua actividade às mulheres e, em 14/2/1943 criou a Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz, destinada aos sacerdotes. Em 1975 Josemaría morre, sendo substituído por Mons. Álvaro del Portilho e, por morte deste em 1994, sucede-lhe Mons. Javier Echevarría.

A missão da Opus Dei é, oficialmente,  contribuir para a missão evangelizadora da Igreja. Basicamente os seus membros estão divididos em numerários, agregados e supranumerários. Estes, geralmente casados, constituem a grande maioria (c. 70%); os outros são celibatários, mais disponíveis para as actividades formativas e apostólicas, especialmente os numerários. Havia cerca de 80000 pessoas na organização, espalhados pelo mundo, incluindo Portugal, entre os quais 1600 sacerdotes.

A Opus Dei conta ainda com os cooperadores (pessoas católicas ou não) que colaboram de algum modo nos apostolados ou actividades sociais das mais variadas vertentes promovidas pelos seus membros em estabelecimentos de ensino (do básico ao universitário) e outros, ajuda a países subdesenvolvidos, etc. Os membros da Opus Dei não perdem o estatuto religioso, civil ou profissional que têm na sociedade, fora da Opus Dei.

Para mais detalhes, visitar:
1- Site oficial: www.opusdei.org
2- Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Opus_Dei
3- Entre outros menos favoráveis ao Opus Dei: www.geocities.com/CapitolHill/Senate/4801/OpusDei.html

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