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 Uma (pequena) história das Cruzadas do Oriente:
Nota:Paralelamente às Cruzadas do Oriente, realizaram-se expedições, chamadas Cruzadas do Ocidente,
para  expulsar os muçulmanos da Península Ibérica e do sul da Itália.

Relativa tolerância: É poucas vezes anotado que, antes das invasões muçulmanas, o Cristianismo estava presente nas zonas envolvendo as futuras cruzadas, apesar das perseguições a que estava sujeito. No Egipto, a título de exemplo, existia (e ainda existe) uma grande comunidade de cristãos Coptas que espalhava a sua fé pela Etiópia e outras partes de África, tendo o Cristianismo sido introduzido no Egipto no primeiro século dC. por S. Marcos.
Após as conquistas islâmicas, estes núcleos de cristãos eram geralmente bem tolerados desde que não desafiassem ou provocassem os dominadores e lhes pagassem o tributo «de protecção» referido no Alcorão, e frequentemente ajudaram os seus «protectores» muçulmanos a rechaçar ataques vindos de outros povos.

Os cristãos de todos os cantos do mundo faziam peregrinações à «Terra Santa» onde já viviam cristãos e judeus, e enquanto Jerusalém esteve nas mãos dos árabes muçulmanos estes não lhes puseram entraves, sendo bem recebidos particularmente pelos negociantes locais, mas quando os turcos seljúcidas, nomadas que também eram muçulmanos (sunitas) conquistaram em 1071 Jerusalém,  tornou-se muito perigosa a visita a esses lugares por estranhos ou por não muçulmanos.

Para expulsar os muçulmanos desses lugares foi anunciado um movimento militar pelo Papa Urbano II no Concílio de Clermonte, a 27 de Novembro de 1095, numa altura em que o cavaleiro era uma figura de prestígio investido sob compromissos de honra e responsabilidade na defesa de interesses específicos, e que se desenrolou ao longo dos séculos XI e XIII.

Fizeram-se 8 Cruzadas de certa envergadura e outras de pouca importância, como a cruzada de Pedro o Eremita, as duas «Cruzadas das Crianças» e a fatídica cruzada de 1109, entre elas.


Esboço dos trajectos das 4 primeiras cruzadas


A (pré-primeira) cruzada «dos Mendigos, do Povo, dos Lavradores e, pejorativamente, dos «Labregos», está associada ao monge carismático Pedro o Eremita de Amiens. O seu grito de guerra era «É o desejo de Deus». Os grupos seguidores de Pedro reuniram-se em Colónia em Abril de 1906 (diz-se que eram uns 100000 homens) e Pedro, chefiando um desses grupos, atravessou a Hungria onde os seus «cruzados» cometeram desacatos e saques, provocando uma enérgica retaliação dos Húngaros que mataram muitos deles. Alcançando Constantinopla, em 1 de Agosto de 1096, saquearam os arredores e depois avançaram para território turco. Com falta de mantimentos, Pedro regressou com um punhado de companheiros a Constantinopla, pedindo auxílio ao imperador Alexius.  Em território Turco o resto do seu bando ficou sob o comando de Gautier Sans-Avoir (Gautier Sem-Vintém, ou Walter Pennyless em inglês, um nobre sem terras), que foi atacado pelos Turcos, perto de Nicaeia em Outubro de 1096, e sofreu pesada derrota. Em 1097, o que restava desse estranho exército juntou-se aos cruzados da primeira cruzada. A partir daqui a sua figura apagou-se e depois de ter participado, contrariado, no cerco e na difícil conquista de Antioquia, regressou à sua condição de monge, fundando o mosteiro de Neufmoutier. É atribuída a Pedro a seguinte frase: «O cristão sabe que a morte é uma mera figura que esconde a radiosa fase de Deus». Por qualquer razão, esta cruzada não é considerada a primeira cruzada.
A primeira Cruzada
também chamada, «dos nobres ou, dos barões»(1096 - 1099): Os cruzados vindos de diferentes zonas (França, Flandres, Itália), em que o líder principal era Godefroi de Bouillon (Godofredo de Bulhões), convergiram para Constantinopla e dali seguiram para as zonas a disputar na Síria e Palestina, tomando Jerusalém em 15 de Julho de 1099, que culminou num deplorável banho de sangue dos seus defensores e população. Esta cruzada permitiu a criação de 4 «reinos latinos ou reinos Francos» (Edessa, Antioquia, Tripoli, e Jerusalém) na zona costeira, do Mar Morto no Sul, à Pequena Arménia no Norte, a que os muçulmanos chamavam os Estados Francos, e que iria facilitar a entrada de reforços e mantimentos a serem trazidos por mar. Satisfeitos com os resultados, os cruzados regressaram às origens deixando atrás umas poucas centenas de guerreiros, ficando Godofredo de Bouillon como governador de Jerusalém, e «Defensor do Santo Sepulcro».

O sucesso desta cruzada foi, até certo ponto, facilitado pela falta de coesão entre os árabes, que viviam num constante estado de disputas religiosas e políticas entre si, mas que acabaram por conjugar os seus esforço no combate aos cruzados e, sob a liderança de Imad Zengi, recapturaram a cidade de Edessa em 1144, a que se seguiram conquistas de outros territórios que tinham perdido. Esta cruzada contribuiu para dar coragem (militar) ao ocidente, talvez excessiva, mostrou que os muçulmanos não eram um povo atrasado, como se pensava na Europa, e que eram capazes de ser tão humanos ou desumanos, e tão magnânimos ou traiçoeiros como o eram os cristãos da época.
A desastrosa cruzada de 1101. Embalados pelo sucesso da primeira cruzada organizaram outra em 1101, dividida em três colunas que se dirigiram à Palestina mas, surpreendidos pelo turcos quando atravessavam a Anatólia, foram aniquilados. Como consequência deste desaire só 4 décadas depois se organizou nova cruzada.
A segunda cruzada (1147- 1149). Foi a resposta Papal a esta onda de azares e nela participaram o rei de França, Luís VII e Conraddo III imperador do Império Romano-Germânico. Foi um fracasso porque havia um mau entender entre eles e, sem justificação táctica para tal, em vez de atacarem Nur al-Din, o sultão do Egipto filho e sucessor de Zengi, tentaram capturar Damasco e não o conseguindo, após um cerco de apenas uma semana, desalentados regressaram à Europa dando azo a que os muçulmanos começassem a atacar o sul do reino de Jerusalém que, por sua vez, começou a intrometer-se na vida do Egipto. Nur al-Din encarregou Saladino, um cavaleiro curdo, de pôr cobro a esta ameaça, mas Saladino e o rei de Jerusalém entraram num acordo de tréguas. Entretanto Nur-al-Din faleceu, o seu filho e sucessor morreu misteriosamente envenenado, e Saladino tornou-se o sultão do Egipto. As tréguas acordadas eram frequentemente quebradas por Reinaldo de Châtillón, um pirata cristão que assaltava os barcos de peregrinos que iam a Meca e caravanas e que, ao atacar uma caravana da irmã de Saladino, reacendeu o rastilho da guerra.
Saladino a 4 de Julho de 1187, derrotou completamente uma força combinada de cruzados, templários e hospitalários, matou Reinaldo e, prosseguindo nas suas conquistas recaptura Jerusalém em Outubro de 1187.
A terceira cruzada, a cruzada dos reis (1189-1192): Convocada pelo Papa Gregório VIII, para se recuperar Jerusalém. Participaram nela Ricardo (mais tarde cognominado Coração de Leão), rei de Inglaterra, Filipe Augusto II, rei de França e o Imperador Frederico I (Barba-Roxa), da Germânia, Alemanha, que morreu afogado acometido por uma congestão ao banhar-se, no rio Selef perto da Síria. Como resultado o seu exército desmembrou-se e foram poucos os que prosseguiram para a Palestina. Foi um rude golpe porque Frederico II era um grande estratega e ficaram sem parte do exército. Ricardo e Filipe II conquistaram juntos Messina e Chipre em 1190 e Acre em 1191.
Aqui desentenderam-se querendo um e outro hastear a sua bandeira na torre mais alta do castelo. Ricardo pisa a bandeira de Filipe II e põe a sua na torre. Ofendido, Filipe
parte de regresso a casa, tanto mais que chegam rumores de problemas na sua pátria, levando com ele quase todo o seu exército. Chegado a França conspira com o infante João «Sem terra», irmão de Ricardo, para que este ocupasse o trono de Inglaterra. (Foi em acre que Ricardo ganhou o cognome de Coração de Leão devido a ter morto inúmeros inimigos, mas existem outras lendas à volta deste cognome).
Ricardo, com o comando do que sobrara do exército, e apesar de estar em inferioridade numérica, vence Saladino em Arsuf (1191) e em outra escaramuças em 1192. Sentindo que não estava suficientemente forte para conquistar Jerusalém, e estando ansioso para regressar a Inglaterra devido às notícias da conspiração do irmão contra ele, negociou tréguas com Saladino que, face às derrotas que sofrera sentia-se inseguro. Nestas tréguas ficou acordado que Jerusalém continuaria nas mãos de Saladino, mas este reconhecia aos cristãos o domínio da faixa costeira na Síria e permitia a entrada de peregrinos cristãos, não armados, em Jerusalém. Saladino morreu em 1193 e  Ricardo, regressado a Inglaterra depois de uma atribulada viagem de regresso em que foi aprisionado por um seu inimigo, o duque Leopoldo de Áustria, morreu em 1199 atingido por uma seta durante um assalto a um castelo na Lombardia. Diz-se que Saladino e Ricardo se respeitavam mutuamente, chegando a trocar presentes.
A quarta cruzada (1202-1204).
Não contente com a situação dormente obtida com as tréguas negociadas por Ricardo, o Papa Inocêncio III em 1199 prega uma cruzada contra o Egipto por ser considerado um alvo estratégico e militarmente debilitado. Chegados a Veneza e não tendo dinheiro suficiente para pagar o frete do transporte dos cruzados, estes associaram-se  a uma intriga engendrada por venezianos e pelo bizantino Alejo IV, pretendente ao trono de Constantinopla e, com a promessa de um pagamento de vulto, combinaram assaltar esta cidade. Antes, a pedido dos venezianos, atacaram os húngaros de Zara pelo que foram excomungados pelo Papa, e dali partiram para Bizâncio onde, em 1203, instalaram Alejo IV. Este é deposto pelos seus súbditos e substituído por Alejo V. Como represália, os cruzados atacam e conquistam Constantinopla em 12 de Abril de 1204, nas mãos de cristãos da igreja do oriente, saqueiam-na, matam milhares de cristãos, violam mulheres, e destroem inúmeros edifícios e a própria basílica de Santa Sofia, pelo que são mais uma vez excomungados.
Foi um feito vergonhoso que, inclusivamente, agravou a situação precária do que restava dos estados francos na palestina por os ter privado do auxílio militar de que tanto careciam, e aprofundou a inimizade que já existia entre a igreja de Roma e a Bizantina (ortodoxa) e que ainda hoje existe, como resultado dessa traição.
As 2 cruzadas das crianças (1212), foram constituídas por adolescentes desarmados pensando-se, incrivelmente que, com a graça de Deus e a pureza e inocência das crianças, se podia alcançar o que não fora possível fazê-lo pela voz das armas. Terminaram em desastre antes de atingirem o seu destino: muitas crianças morreram de doença e fome, ou afogadas em naufrágios pois eram transportadas em barcos a «cair de podre», e o resto vendidas como escravas pelo próprios transportadores. Teria havido um só punhado de sobrevivente destas 2 fatídicas Cruzadas, que conseguiram fugir e regressar a casa. Nalgumas narrações diz-se mesmo que só houve um sobrevivente.
Foram umas cruzadas que dificilmente se entende como foi possível organizá-las. A Igreja manifestou-se contra elas, é certo, mas devia ter imposto a sua autoridade para as impedir, nem que tivesse de recorrer à sua arma favorita, a ameaça de excomungar os seus mentores.
A quinta cruzada (1218-1221), foi organizada pelo papa Inocêncio III, com a intenção de conquistar o Egipto. Sob o comando de Jean de Brienne capturaram Damieta, num dos ramos do Nilo, após 15 meses de cerco. Dos 70000 habitantes só escaparam 3000. Incapazes de tomar Cairo, desistiram, perdendo os ganhos iniciais.
A sexta cruzada (1228-1229). O Papa ordenou ao imperador germânico Frederico II para organizar uma cruzada. Este concordou mas como nunca mais se decidia a fazê-la, o Papa excomungou-o. Frederico II era um homem culto conhecedor da mentalidade árabe. Em 1228, sem conhecimento do Papa, Frederico II parte para Jerusalém e, através de um acordo com os árabes, recupera Jerusalém, Belém e Nazaré. O Papa não gostou desta decisão, e não só renovou a excomunhão como decretou uma cruzada contra as possessões de Frederico II na Itália.
Desentendimentos posteriores levaram à captura final de Jerusalém pelos muçulmanos em 1244.
A sétima cruzada (1270), foi organizada pelo rei de França, Luiz IX. Ao tentar tomar Cairo depois de assegurar o controlo de Damieta, foi derrotado e aprisionado em Masura, com todo o seu exército. É libertado depois de pagar pesado resgate e de assinar um acordo de devolução de Damieta e de tréguas «a vigorar por 10 anos», regressando a França.
A oitava cruzada (1270), mais uma vez foi organizada por Luiz IX, desta vez contra Tunes. Parte a 2 de Julho de 1270 mas, já em terras de Tunes, morre vitimado por doença, assim como grande parte do seu exército. Em Novembro do mesmo ano Afonso de Poitiers embarca o seu exército rumo à Síria. Pelo caminho a frota francesa é destruída por uma tempestade.

Com este desastre chega-se ao fim da trágica epopeia das cruzadas, apesar dos apelos do Papa para novas cruzadas, e com a tomada de S. João de Acre pelos Mamelucos em 28/05/1291, os cruzados foram completamente expulsos das zonas em disputa refugiando-se, com os Templários e os Hospitalares, nas ilhas de Chipre e rodes, até à sua rendição aos turcos em 1522.

O conflito ideológico entre cristãos e muçulmano continuou após estas Cruzadas, com contornos diferentes sendo de anotar a conquista de Constantinopla pelos Otomanos em 1453, a concorrência portuguesa nas áreas comercial e religiosa árabe e, na Europa, a travagem ao avanço Turco com as vitórias cristãs de Viena (1529) e de Leprano (1571). Como consequência dos conflitos que grassam no Líbano (entre os numerosos Cristãos e os maioritários Muçulmanos), no Kosovo, Iraque, Afeganistão e Palestina, os muçulmanos teimam em chamar Cruzados aos Americanos e seus aliados, a clamarem pela Guerra Santa (al-Jihad) contra os infiéis, e a chamarem «bruxa dos cruzados» à Secretária de Estado norte-americana, Condolezza Rice. Mas as querelas político-religiosas modernas com os muçulmanos não são só de origem cristã. De assinalar temos, no continente indiano, o barril de pólvora que se chama Caxemira, opondo indianos hindus a paquistaneses muçulmanos.

Condolezza Rice, «a Bruxa»As Cruzadas foram um capítulo negro na história da Europa na medida em que a verdadeira fé se misturou com negócios pouco limpos, orgias, saques, massacres  (Alguns dos primeiros cruzados antes de deixarem a Europa voltaram-se contra os Judeus, «os inimigos de Cristo», na Alemanha, e foram-nos matando cidade após cidade), traições e pilhagens (saque da cristã Constantinopla em 12/04/1204), e variadíssimas acções deploráveis, como a supressão de «heresias» cristãs, sobretudo as dos valdenses e albigenses. Altura houve, após as cruzadas que os pais amedrontavam os filhos ameaçando-os com um «Vêem aí os cruzados!»

Godofroi de Bouillon com o êxito da 1ª Cruzada, é o herói do lado Cristão e Saladino, com as suas grandes vitórias entre 1174 e 1178 e recaptura de Jerusalém, o herói do lado Muçulmano.

Os cristãos só alcançaram um sucesso militar duradouro na Europa, e zonas do Mar Mediterrâneo, por cujos portos (especialmente Génova e Veneza) se iniciou um florescente comércio de têxteis, artigos de arte, artefactos, especiarias, produtos e maquinaria agrícolas, e a disseminação de estilos da vida «mourisca», por vezes faustosos e lascivos, que eram desconhecidos na Europa, mas posteriormente ganharam um domínio quase total  do continente Americano, sul de África e Oceânia, graças aos esforços, e grandes sacrifícios, dos seus missionários, mas na América do Sul há países em que o Islão e/ou o Hinduismo têm boa representação:
a) Guiana - 37% Hindú, 9% Muçulmana, 11% Católica, 31% Protestante
b) Suriname - 26% Hindú, 19% Muçulmana, 27% Católica, 18% Protestante
c) Trinidade e Tobaco - 24% Hindú, 32% Católica, 28% Protestante


À esquerda, uma heroína das cruzados, Florine of Burgundy, foi morta combatendo árabes.
 Capa do livro «Ilustrações das Cruzadas» de Gustave Doré.
À direita, um cristão matando um Judeu, e cruzados massacrando
muçulmanos após a conquista de Jerusalém, segundo um livro escolar islâmico.


Tornou-se moda os historiadores recentes apresentarem os actos ignóbeis cometidos por muitos cruzados, fanáticos religiosos ou criminosos vulgares, como sendo um procedimento típico, e de atirar as culpas para a Igreja.

A verdade é que não só muitos dos cruzados se portaram correctamente (dentro do contexto de uma guerra renhida travada corpo a corpo em que se matava ou se era morto, num tempo em que era normal ser-se bárbaro, e em que a candura, num homem, era tida como sinal de fraqueza ou cobardia), como entraram nela primariamente para responder ao apelo dos seus irmãos cristãos do Oriente dominados pelo colonizador árabe sob a bandeira de uma outra religião, assim como é verdade que a Igreja frequentemente apelou aos Cruzados para que se comportassem o mais humanamente possível, e condenou os excessos cometidos, como foi o caso do Papa Inocente III ao excomungar a 4ª Cruzada.

Em resumo, as Cruzadas não foram, em geral, um movimento de colonialismo, nem de evangelização ou conversão, mas uma reacção desastrada de defesa das terras cristãs conquistadas pelos árabes e, entre elas, Jerusalém, o berço do Cristianismo. O que se passou foi que houve oportunistas e mentes perversas que as usaram para outros fins.

Foi um fenómeno histórico com interpretações divergentes em muitos aspectos, quanto às verdadeiras causas, o que se fez, e as consequências das cruzadas
 


Princípio do fim de um sonho...
Parte de um quadro de Gustave Doré
do livro, Ilustrações das Cruzadas

 

Inúmeros cruzados, depois de viajarem muitos milhares de quilómetro por terra e mar, sendo constantemente atacados ao longo desses trajectos, alguns deles levando a acompanhá-los os seus familiares, perderam a vida com doenças, esfomeados ou sedentos (há relatos de terem comido cavalos mortos e moribundos e de canibalismo, ao terem de comer árabes tombados em combate, para sobreviverem), em batalha, e nas masmorras muçulmanas.

Para além da motivação religiosa que levou muitos a alistarem-se é também apontado que a Europa nessa altura estava relativamente sobrepovoada e atravessava uma crise económica e de falta de produtos alimentares devido a pobres colheitas, grassava um grande descontentamento entre os camponeses devido à opressão de senhores feudais sem escrúpulos, e havia muitos filhos de nobres sem herança. Pobres, camponeses e desamparados nobres viram nas cruzadas uma possibilidade de iniciarem uma nova vida e de adquirirem um pedaço de terra.


Sem dúvida, as cruzadas tiveram um impacto muito grande, e positivo, na vida académica, social, económica, e religiosa da Europa. Entre os benefícios podemos frisar
 o renascimento do Mediterrâneo como via marítima. Um dos malefícios (sobretudo pelo ataque a Constantinopla) foi o de aumentar irremediavelmente o fosso entre a Igreja Católica de Roma e a Igreja Ortodoxa, mas cristã, do Oriente.

As cruzadas vistas pelos árabes: De acordo com livros de história de origem islâmica os árabes invadiram a Palestina e o Egipto para libertar esses povos do jugo de Roma e do império Bizantino, e teriam sido recebidos por eles com grande júbilo. Também consideram que as cruzadas foram feitas pelos infiéis para se apoderarem das riquezas dos países muçulmanos, sob um falso pretexto religioso, e que os cruzados só cometeram barbaridades, pilhagem, e massacres de homens, mulheres e as crianças indefesas de judeus, cristãos oponentes e muçulmanos.

Assim é narrada a captura de Jerusalém pelos cruzados:

«As bestas derrubaram as muralhas de Jerusalém e por elas entraram. Com as garras das suas patas  e com os dentes vampíricos arrancaram pedaços de carne e esmagaram ossos. Gerou-se um pandemónio em que os habitantes e os peregrinos que lá estavam foram todos liquidados... a sagrada Mesquita Al-Aqsa foi profanada por cavaleiros e guerreiros, matando todos os que lá se tinham refugiado, e o templo foi destruído pelas mãos dos Francos que vieram a Jerusalém sedentos de sangue e de destruição, jurando que não deixariam traços do Islão e de muçulmanos ...
durante todo o dia e noite a matança indiscriminada não parou. Os cruzados representaram o cúmulo do fanatismo religioso e da violência».


Cruzados e Muçulmanos em combate, num templo
Fonte: Mankind's search for God, The Watch Tower

E assim narram a recaptura de Jerusalém pelos muçulmanos:
 «... mas o mundo Islâmico reagiu ao assalto feito à sua cultura, história e fé. Saladino preparou-se para os enfrentar, e logo as cabeças do inimigos voaram dos seus corpos, os corpos caíram dos cavalos que, testemunhando a terrível derrota do seu exército demoníaco, os espezinharam e os afundaram nas areias, e muitos corpos foram comidos pelas aves de rapina. Depressa as
espadas gloriosas e vitoriosas Islâmicas empurraram-nos para fora, e as terras Islâmicas foram purificadas daquele lixo imundo».

Jerusalém continua hoje a ser um pomo de discórdia entre a Palestina Árabe (muçulmanos) e Israel (Judeus). É considerada uma Cidade Santa porque:
Para os Cristãos, é a cidade do Santo Sepulcro, onde Jesus foi crucificado (Paixão de Cristo).
Para os Judeus, é a cidade chave da sua civilização, a cidade do rei David onde se construiu o Templo para guardar a Arca da Aliança e o Menorah, e onde agora se encontram as ruínas desse Templo (Muro das lamentações).
Para os muçulmanos, é a cidade onde está a
Cúpula do Rochedo ou Zimbório da Rocha, mandada construir pelo califa omíada 'Abd al-Malik em 691, protegendo a Rocha que Maomé pisou quando ascendeu ao céu no cavalo alado Buraq (episódio narrado na página do Islão).

Os portugueses devem aos cruzados o nascimento de Portugal, atendendo a que o «pai» de Portugal, o Conde D. Henrique, era um cruzado borgonhês, e a ajuda que deram em várias batalhas, sobretudo na tomada de Lisboa em 1147 que, por eles. também foi saqueada.


A tomada de Lisboa aos mouros, em 1147. Desenho de Roque Gameiro
Os cruzados foram essenciais no assalto à cidade, e a sua frota contribuiu para o cerco de Lisboa.
«Eram numerosos e bem treinados e tinham armas próprias para atacar as muralhas como torres de madeira,
escadas, minas, catapultas e arietes».  De: História de Portugal, Fátima Lopes e António Marques

 Livros consultados, entre outros:
1- Cruzades through Arabe eyes - Amim Maalouf (As cruzadas vistas por olhos árabes)
2 -Chronicles of the cruzades - Jean de Joinville (Crónica das cruzadas)
3- The Oxford illlustraded History of the Cruzades  - Jonathan Riley - Smith (A história ilustrada das cruzadas, de Oxford)
4- The new concise history of the cruzades - Thomas Madden ( A nova história condensada das cruzadas)
5- As cruzadas - Enciclopédia católica
6- História Geral - A. Souto Maior
7- Ilustrações das Cruzadas - Gustave Doré
 

Os gritos da Reforma que geraram o Protestantismo

As três principais correntes da Reforma (Luterana, Calvinista e Anglicana geraram dezenas de milhar de «seitas» protestantes como a Baptista, a Metodista ... !

Quais as diferenças entre protestantismo e catolicismo? É difícil enumerá-las devido às variadas linhas de pensamento de cada corrente religiosa. Geralmente os protestantes:
1- Evitam orar a santos, ou a terem ícones religiosos nas igrejas, para além do Crucifixo.
2- Cristo é o fulcro da sua adoração. Para outros, Deus (Pai) é o centro da adoração.
3- A maioria repudia o culto à Virgem Maria (Marianismo)
4- Têm diferente ritual para o baptismo, quando o implementam e, geralmente, não praticam o acto de confissão. Em muitas igrejas as músicas litúrgicas clássicas são substituídas por cantos de sabor mais popular.
5- Na maioria dos casos, os «pastores» (padres) protestantes podem casar.
6- Os crentes habituais dão, mensalmente, um contributo monetário.
7- Têm diferentes interpretações de certos conceitos teológicos, como alma, inferno, pecado, etc.
8- Não reconhecem o Papa e o Vaticano como autoridades eclesiásticas.

A igreja Católica dá grande realce ao Papado (No concílio do Vaticano Primeiro (1869-1870) estabeleceu-se que o Papa era infalível quando definia fé e moral), aos sacramentos, à interferência do clero na vida espiritual dos crentes, e ao uso controlado das Escrituras,  enquanto que para a igreja Protestante a relação entre o indivíduo e Deus é obtida sem a intervenção de clérigos ou do Papa, e o fundamento da pregação deve basear-se no ensino da Bíblia.

Na Irlanda do Norte os protestantes e os Católicos nunca se entenderam e andaram em pé de guerra até recentemente, quando foi estabelecido um precário cessar-fogo, mas todos os anos há contestações graves (por vezes acabando em mortes) quando os protestantes da Ordem de Orange pretendem atravessar Garvaghy Road, rua católica da cidade de Portadown.
Esta ordem foi criada em 1795 e o seu nome deriva de William de Orange, rei protestante da Inglaterra, que em 1 de Julho de 1690 (ver nota) venceu a Batalha do rio Boyne, contra as tropas de Jacob II, o Católico, rei da Irlanda. Os orangistas defendem a união da Irlanda do Norte com a Coroa Britânica,  enquanto que os Católicos aspiram à sua independência.
Nota: A batalha de Boyne deu-se a 1 de Julho de 1690 mas é comemorada a 12 de Julho, porque se perderam 11 dias com a mudança do calendário Juliano para o Gregoriano em 1752.

 

Os precursores.

Queimando ossadas de WycliffeQuando se fala de protestantismo um nome que vem de imediato à memória é o de Lutero, caindo no esquecimento as outras personagens que o antecederam.

A Reforma começou, pode dizer-se, com homens como John Wycliffe (1330?- 1384) um sacerdote católico e professor de teologia em Oxford. Alegando que a Igreja não ensinava a Bíblia como devia ser, facto agravado por a Bíblia Vulgata estar escrita em latim, traduziu-a para inglês e espalhou-a pela Inglaterra. A Igreja não gostou de tal rebeldia, admoestou Wycliffe mas, por razões desconhecidas, deixou que ele morresse de causas naturais, e não estorricado no espeto. No entanto as suas Bíblias acabaram numa fogueira, e 44 anos depois da sua morte o seu corpo foi exumado e os restos mortais queimados em público!


Os intermédios

A seguir a ele vieram outros reformadores que foram presos e mortos. De entre dezenas deles podemos referir John Huss (1369?- 1415), excomungado em 1410 e queimado no pelourinho 5 anos depois, e Girolano Savonarola (1452-1498), excomungado em 1497 e enforcado um ano depois.

No início do século XVI a Igreja de Roma era um enorme estado com interesses em todo o mundo Cristão, possuidora de grandes propriedades e outros bens, mas minada por alguma corrupção, amoralidade e imoralidade, havendo sacerdotes e Papas com concubinas e filhos ilegítimos, e favorecendo os seus protegidos. «As capelas e as igrejas estavam repletas de gravuras em que os santos se pareciam mais com Deuses Gregos do que seria de esperar, e onde se discutia mais a arte, a música e o teatro do que assuntos religiosos»

As críticas à igreja prosseguiam, e neste período temos a salientar a voz de homens como Gerard Gerardzoom, ou Desiderius Erasmus como era usualmente chamado, (Roterdão,1469 - 1536) e o famoso Maquiavel (Florença, 1469 - 1527).
Como o dinheiro que entrava nos cofres da igreja começou a não ser suficiente para sustentar o luxo a que a Igreja estava habituada, o Papa encarregou um frade, John Tetzel, de vender indulgências que garantiam o perdão de pecados e um encurtamento na estadia no Purgatório.

O nascimento do Protestantismo

Na sua origem «Protestante" significava «testemunha de...» e não «protestando contra ...» e reflectia a ideia de alguém que «dava testemunho público de...».

Lutero
Lutero (1483 - 1546), um monge, irritado com as indulgências e o estado geral da igreja, em 31 de Outubro de 1517 escreveu em Latim as suas «95 teses» a que chamou Disputa Para Esclarecer o Poder das Indulgências, e pregou-as na porta da igreja do castelo de Wittenberg, Saxónia, na Alemanha. Ajudado pela recente descoberta da imprensa as suas ideias espalharam-se e rapidamente atingiram Roma. Perseguido pela igreja, excomungado em 1521, queimou em público a bula Papal e refugiou-se em Wartburg, onde traduziu para alemão as Escrituras Gregas e Hebraicas, criando a Bíblia de Lutero que teve um grande sucesso.

Em 1530, na Dieta de Augsburgo os luteranos apresentaram a Confissão de Augsburg, produzido por Philipp Melanchthon, rejeitado pela Igreja de Roma, em que expunham os seus pontos fundamentais. Eram eles:

1- Solo Christus. Cristo é o único mediador entre Deus e o Homem, e o Papa não é o representante de Cristo na Terra
2- Sola fide. A salvação é apenas obtida através da fé, e não por absolvição sacerdotal ou por obras de penitência.
3- Sola gratia. O perdão é concedido apenas por graça de Deus e não por sacerdotes ou Papas.
4- Sola scriptura. Os assuntos doutrinais devem encontrar base só nas Escrituras e não em Papas ou concílios de igreja.
5- Soli deo gloria. Tudo para glória de Deus.

No entanto, aceitavam a Trindade Divina, o conceito de alma imortal, a existência do inferno, os rituais do baptismo, as festas e feriados religiosos, e pediam a abolição do celibato eclesiástico, os votos monásticos e a confissão obrigatória.

Lutero casou-se em 1525 com Catarina von Bora, uma ex-freira que se evadira de um convento cisterciense e tiveram 6 filhos, declarando que se casara por três razões: para agradar a seu pai, por despeito contra o Papa e o Diabo e para selar seu testemunho antes do martírio.

Zwingli
Ulrich Zwingli (1481-1531), um sacerdote católico, foi o reformador em Zurique, Suiça. Zwingli era menos conservador que Lutero pretendendo a remoção de todos os vestígios da Igreja Romana como imagens, crucifixos, a batina, a música litúrgica, e fazia uma interpretação mais alegórica da Comunhão. As suas pregações desencadearam uma guerra civil entre suíços católicos e suíços convertidos ao protestantismo, tendo Zwingl sido morto na batalha de Kappel em 1531. Alcançada a paz concedeu-se a cada distrito do país o direito de escolher a sua forma de religião.

Com a quebra da autoridade centralizadora da Igreja Romana, começaram a aparecer muitos reformadores, cada um com as suas ideias (fixas) e interpretações Bíblicas e assim, logo à nascença, o protestantismo desintegrou-se em dezenas de seitas como a dos Anabatistas, os Menonitas, os Huteritas, etc, criando atritos sérios entre elas.

Jean Chauvin, ou John Calvin, ou João Calvino, um tirano teocrata
Calvin (1509-1564), como é mais conhecido, foi um francês que, tendo adoptado os ideais protestantes, teve de fugir de França indo refugiar-se em Basiléia, Suiça, prosseguindo a doutrina de Zwingli. Posteriormente moveu-se para Genebra e fundou a corrente religiosa conhecida por Calvinismo, em que estabelecia que «os cristãos devem levar uma vida santa e virtuosa, abstendo-se não somente do pecado, mas também do prazer e da frivolidade» e, «Dispensava um tratamento duro aos que divergiam dele em teologia, o caso mais famoso sendo a queima do espanhol Miguel Servet».

A Reforma na Inglaterra. Recusa de divórcio cria a Igreja da Inglaterra, ou Igreja Anglicana.

O Calvinismo em curto tempo espalhou-se à França, aos Países-Baixos, à Escócia, sob a batuta do ex-sacerdote católico John Knox e infiltrou-se na Inglaterra. Aqui, William Tyndale começou a traduzir a Bíblia para inglês mas, perseguido, fugiu para Antuérpia onde foi (à traição) capturado, estrangulado no pelourinho e o seu corpo queimado. Miles Coverdale terminou a tradução bíblica iniciada por Tyndale em 1535.

Na Inglaterra, a rotura oficial com o catolicismo iniciou-se com Henrique VIII que proclamou o Acto de Supremacia, em 1534, nomeando-se chefe da Igreja da Inglaterra, ou Igreja Anglicana. Esta sua decisão foi ditada pela recusa de Roma em lhe conceder um divórcio, pouco ou nada tendo a ver com motivos religiosos, tanto mais que se sabe que ele não abandonou, em privado, as suas convicções de católico, quando lhe convinha.
Nota: Henrique VIII teve 6 esposas, o seu primeiro casamento foi anulado contra a vontade do Papa e outro acabou em divórcio, tendo mandado decapitar duas das suas mulheres.

Foi com Elisabeth I (1558-1603) que a rotura se confirmou, quando esta aboliu a obediência ao Papa,o celibato clerical, a confissão e outras práticas católicas, mantendo no entanto uma estrutura eclesiástica na nova igreja, com arcebispos e bispos, bem como as ordens de freiras e monges.

No seio dos protestantes ingleses também surgiram dissidentes, alguns achando que Elizabeth I não tinha introduzido suficientes reformas. Na Inglaterra fundaram a Sociedade de Amigos (Quakers) sob George Fox (1624-1691) e os Metodistas sob John Wesley (1703-1791), tendo muitos deles fugido para os Países-Baixos e América do Norte onde criaram as suas igrejas Congregacional, Baptista, Mormons, etc.

A Guerra dos Trinta Anos

A reforma protestante, sobretudo a provocada pelo Calvinismo foi a causa da Guerra dos Trinta Anos que se desenrolou entre 1618 e 1648. Começando na Alemanha espalhou-se a quase toda a Europa, podendo ser dividida em 4 períodos:
1- Período Palatino-Boêmio (1618 -1624)
2- Período Dinamarquês (1624 - 1629)
3- Período Sueco (1630- 1635)
4- Período Francês (1635 -1648)
Foi uma guerra terrível em que se cometeram atrocidades abomináveis quer por protestantes, quer por católicos.

Acabou com a assinatura do Tratado de Vestefália em 24 de Outubro de 1648 que ratificou o Tratado de Augsburgo de 25 de Setembro de 1555, garantindo aos cidadãos protestantes e católicos a liberdade de culto, independentemente da ideologia religiosa dos respectivos soberanos.  A Alemanha foi o país mais adversamente afectado pela guerra e a França aquela que mais beneficiou. Como resultado material da guerra houve alguma alteração nas fronteiras, e a formação das repúblicas da Holanda e da Suiça.

Há muitas fontes históricas sobre esta guerra, por exemplo, http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_dos_Trinta_Anos

 
Nota: Os dois nomes chave do aparecimento do protestantismo - um movimento purificador - estão longe de serem o de dois «santos» que a maioria das pessoas, ludibriadas por uma conspiração histórica que só diz as meias verdades de conveniência, pensam que eles são.
Calvin foi um teocrata déspota e cruel capaz de trair os seus próprios correligionários, e Lutero foi um racista que nos seus sermões se referia aos judeus como «arrogantes, de coração de ferro e teimosos como o demónio» e em panfletos publicados em 1542 (Sobre os Judeus e Suas Mentiras) e em 1543 (
Sobre o Nome Inefável), escreveu « ... aprendi que esse povo miserável e amaldiçoado não desiste de atrair a eles, até nós, os cristãos. Escrevo este livro para ser incluído entre aqueles que se opõem a essas venenosas actividades e para nos precavermos contra elas...». Nesses panfletos Lutero defendia «que se destruísse as Sinagogas e as casas dos judeus, que se os abrigasse em estaleiros, que se os obrigasse a trabalho duro, que se lhes roubasse o seu ouro e os seus livros e que se lhes proibisse o ensino pelos seus rabinos». Chegou também a preconizar a deportação de Judeus. Há quem diga que Lutero foi o precursor do nazismo, embora esses escritos se enquadrem no contexto histórico do Anti-Semitismo, na altura muito corrente.

A igreja Cristã nos últimos  séculos

Encontramos no seu seio muito misticismo, superstições, e igrejas com interpretações bíblicas muito próprias, ou que querem implementar cegamente as palavras atribuídas a Jesus, antes de se elevar aos céus e dadas aos apóstolos, segundo Marcos16:15:

«Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura.
Quem crer e for baptizado, será salvo, mas quem não crer será condenado.
Os sinais que acompanharão os que crerem são estes: em meu nome expulsarão demónios, falarão línguas novas, pegarão serpentes e, se beberem veneno, não lhes fará mal, imporão as mãos sobre os enfermos, e estes recobrarão a saúde», em vez de dar mais crédito à versão mais plausível em Mateus 27: 20 em que apenas lhes diz:
«... ide, pois, fazei discípulos meus todos os povos, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo...».

NOTA IMPORTANTE:
Todas
as Bíblias têm uma nota de rodapé no fim deste Evangelho indicando que «Os manuscritos mais antigos e fiéis não têm os versículos a partir de Marcos 16:9, inclusive», o que significa que não se deve aceitar, aqueles perigosos «sinais que acompanharão os que crerem», em Marcos 16:15.

Em África, e na Ásia, há seitas cristãs que incluem nos seus rituais uma dança com cobras venenosas, não sendo raro que o sacerdote, que o faz, seja picado e morra, apesar destes sacerdotes estarem altamente treinados no manejo de cobras venenosas, e de se saber que antes da exibição tomam, às escondidas, uma mezinha para os proteger do veneno e que, previamente, é retirado às cobras a maior porção de veneno possível e que as cobras antes de serem manuseadas, são postas no chão num estado de meia letargia, e são maltratadas com bastões até ficarem cansadas. O espectáculo geralmente acaba com o sacerdote metendo a cabeça da extenuada e amedrontada cobra na boca e, raramente, com uma dentada mata-a.
 


Placar numa igreja Evangélica, em Tomar



Há anúncios como este, por todo o lado,
o que quer dizer que clientes não faltam.

 

A Santíssima Trindade
(Museu do Vaticano)

 
O « Mistério da Santíssima Trindade» é o dogma que provavelmente mais controvérsias tem criado, mesmo no seio da cristandade porque, numa religião monoteísta, «o conceito de um Deus divisível em 3 entidades distintas, Pai, Filho (Jesus Cristo) e Espírito Santo, e continuar a ser um só, é um mistério que não pode ser resolvido por raciocínio humano».
Por exemplo, as Testemunhas de Jeová contestam-no.

Na página sobre o Islão é referido a romaria Axura em que Xiitas se flagelam até sangrarem, para se purificarem e prestarem homenagem ao seu mártir Husayn.

Também,

«Pela Páscoa, em muitas culturas (católicas), desde o Brasil até às Filipinas, ainda subsistem rituais populares de penitência, como procissões em que se carregam enormes imagens de Cristo com a cruz, coberto das chagas da flagelação, e de Maria, na sua dor de mãe diante do sofrimento do Filho. Com grande esforço, geralmente descalças, as pessoas percorrem trajectos íngremes, durante longas horas, de noite ou de madrugada; às vezes, escondidas sob capuzes ou se flagelando, para pagar os pecados individuais, participando das dores do Redentor.

Nas Filipinas, os fiéis chegam ao extremo de ficar pregados na cruz, durante algum tempo, diante dos olhares comovidos ou de espanto dos participantes e dos turistas.» Texto e foto: www.pime.org.br


Filipino a ser voluntariamente flagelado, e outro amarrado a uma cruz,
havendo penitentes que chegam a ser  pregados à cruz.

O Cristianismo foi a religião que mais seitas criou ao longo dos tempos e está, actualmente, muito fragmentado com dezenas de milhar de «Cristianismos» que se criticam mutuamente e, no passado, foi fonte de enormes abusos como a injustificada caça às «bruxas e feiticeiros», a Inquisição, as guerras intersectarias sobretudo provocadas pela reforma protestante (incluindo a Guerra dos 30 Anos referida mais acima) e que de parte a parte levou a excessos bárbaros indescritíveis, em que os acusados eram geralmente torturados, queimados vivos, estrangulados, afogados, degolados, apedrejados, ou esfolados e esquartejados, criando incontáveis mártires.

Durante a expansão além mar cometeram-se muitos crimes como os dos Espanhóis nas Américas, em que inteiras civilizações nativas foram eliminadas, o conluio no negócio da escravatura, os trabalhos forçados, etc, mas a Igreja Católica (e a Protestante) também deu a muitos povos uma cultura avançada, como escolas, hospitais, e a noção da necessidade de um comportamento mais humano e tolerante nas suas sociedades.

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Act.1004082140