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O Homem, esse desconhecido, entre o Bem e o Mal.

«Sabe o Homem de hoje a anatomia do seu corpo, a constituição do seu sangue, a configuração das suas células ... No entanto, continua a perguntar a si mesmo:
Quem sou? Donde vim? Para onde vou?
O Homem sabe a melhor maneira de conservar a saúde e a vida, mas ignora a significação e o destino da própria vida. Sabe tudo a respeito do seu corpo, mas ignora tudo acerca da sua alma»
Autor desconhecido

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«Deus é espírito» (João 3:24). Os anjos são espíritos, e o Céu é um mundo espiritual tão incomparável ao mundo terreno, que é impossível descrevê-lo. Que necessidade teve Deus de criar um ser de carne e osso (o homem) em que  todos os projectos de seus corações tendem para o mal? (Gen 6:6...).
Que necessidade teve Deus de criar a Terra e nela desterrar esse homem tão imperfeito que não foi capaz de resistir à sua primeira tentação, a de não comer uma simples maçã?

Como conciliar a realidade de um Deus bondoso, omnipotente e omnisciente, que criou tudo à sua vontade, com a criação de um Satanás constantemente tentando empurrar o homem para o flamejante e eterno abismo do Inferno, sabendo esse Satanás que está destinado, por Deus, a ser derrotado no Dia do Juízo Final (Apocalipse), independentemente do número de pecadores que consiga recrutar, e que os homens que o repudiaram ficarão iguais aos anjos (Lucas 20:36)?
Que necessidade tem Deus de mais anjos, e porque usar um tão complexo e turbulento processo (o trajecto do homem na terra, entre o nascer e o morrer) para criar esses extras anjos?

 
Ser, ou não ser, racional

Muitos anos atrás, o reino animal era dividido em dois ramos: o racional e o irracional, em que no racional apenas encaixava o homem, e só este era considerado capaz de fazer coisas como ferramentas, ou de mostrar sentimentos como sorrir, afeição, amor, tristeza, etc.

Esta ideia, nas civilizações influenciadas pelas religiões Abraãmicas resulta da conjugação de duas afirmações Bíblicas:
1- Os animais e o homem (Adão) não foram feitos no mesmo dia.
2- Adão foi feito «à imagem de Deus» e com o poder de domínio sobre os animais.

Daqui a conclusão, apressada, que o Homem transcenderia o reino animal apesar das semelhanças morfológicas serem tão grandes e evidentes, que levou muito ser humano a alimentar-se no passado, e no presente, do seu semelhante como se este não passasse de um porco ou de uma vaca. Nota: O canibalismo foi, e é, praticado no seio de todas as culturas religiosas.


Canibalismo. Gravura por Theodore de Bry - De um postal


Esta ideia de total superioridade está comprovada ser errada. Basicamente, só há quatro predicados que distinguem o «Homem animal» do «animal animal»:

1) O Homem tem o dom de auto-sugestão e uma inteligência com maior capacidade de raciocínio em cadeia e de aprendizagem que, além de dar soluções, científicas e humanísticas, de sobrevivência, de exploração fora das fronteiras terrestres, e de integração social, leva-o a querer saber quem é no contexto do universo e, quando não encontra resposta na sua mente racional para este infeliz dilema, que aos outros animais não parece apoquentar, ele vai procurá-la num obscuro canto da sua razão a que chama espírito, e que aparece sob a forma de uma religião, inspirada por um Deus que toma o lugar de um juiz que dita as regras, e avalia o resultado da viciosa batalha que o senhor do Bem e o senhor do Mal travam pela posse do homem.
 


O Homem, o Bem e o Mal
Foto: www.univ-ab.pt/disciplinas/dch/ha/images


2) O homem tem um bom conjunto de cordas vocais que, associado à sua inteligência, lhe dá a capacidade de inventar palavras e sons que lhe permitem com precisão exprimir as suas necessidades físicas e espirituais mas, em tudo o mais, o homem é fisicamente um animal muito fraco:
Naturalmente, não vê de noite como a coruja, não voa como a águia, não nada como o golfinho, não corre como a chita, não se orienta como a tartaruga (nem tem a sua longevidade), não cheira como o urso, não comunica a quilómetros como as baleias, não reconstrói um braço perdido como o polvo...

3) O carácter humano é imprevisível nas suas reacções, indo do mais bondoso ao mais maquiavélico.

4) O homem tem o poder de destruir o mundo.

 
Intolerância religiosa

Nos livros sagrados, e apologéticos, encontra-se uma tendência para enaltecer o poder e as boas qualidades do Deus que apresentam como sendo o verdadeiro, e os seus seguidores consideram falsos, hereges ou blasfémias os relatos históricos, ou inclinações religiosas, que contestam parte dessas propriedades ou apresentam um «outro lado da moeda».

Tais reacções negativas, de líderes religiosos, sucederam no seio de todas as religiões. Ao tempo dos Romanos, o cristianismo era referido pelo historiador Tácito, como «superstição abominável dos cristãos, que provém dum tal Cristo» e, por Plínio, «uma superstição contagiosa ...».
Os Judeus, descrentes de Jesus, acusaram-no de blasfémia, de ser inculto, filho ilegítimo, um possesso do demónio, um glutão e beberrão.
(Mateus- 11:18, entre outros)
Os Judeus ortodoxos e os Cabalistas (seita mística judaica) não morriam de amores uns pelos outros.
O Protestantismo foi considerado uma heresia pelos Católicos, desencadeando ódios mortais de parte a parte.

Mais recentemente (www.vatican.va/roman_curia/) : «A Congregação para a Doutrina da Fé, depois de um estudo cuidadoso, julgou que o livro Jesus Symbol of God (Maryknoll: Orbis Books, 1999) do Padre Roger Haight S.J., contém graves erros doutrinais em relação a algumas verdades de fé fundamentais. Por conseguinte, foi tomada a decisão ... (segue-se uma análise dos «erros») ... é proibido ao Autor o ensinamento da teologia católica enquanto as suas posições não forem rectificadas, de forma a estarem em plena conformidade com a doutrina da Igreja. O Sumo Pontífice João Paulo II, na Audiência concedida ao abaixo assinado Cardeal Prefeito, aprovou a presente Notificação, decidida na Sessão Ordinária desta Congregação, e ordenou a sua publicação. Roma, da Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 13 de Dezembro de 2004, Memória de Santa Luzia, Virgem e Mártir.
JOSEPH Card. RATZINGER
Prefeito

No Islão, várias seitas foram consideradas heréticas, e tivemos o recente caso de Salman Rushdie que chegou a estar, por muitos anos, com a cabeça a prémio de milhões de dólares, por decisão do Ayatollah Khomeini, por ter publicado o livro «Versos Satânicos» considerado blasfémia para com o Islão.

A Igreja Católica Romana encontra-se empenhada numa difícil tentativa de conciliar dogmas ancestrais com a realidade de um mundo em constante mudança, em recuperar uma imagem sadia, tendo pedido perdão a quem ofendeu e perseguiu no passado, e num notável esforço ecuménico de diálogo, não só no mar cristão, mas com o Islão, com o Budismo, e com outras correntes religiosas. No entanto, um acordo dogmático maioritário entre Judaísmo, Cristianismo e Islão, em que os respectivos seguidores apelidam os outros de «infiéis» é impossível, porque...

Se Abraão une o Judaísmo o Cristianismo e o Islão, Maomé, Jesus, e a Santíssima Trindade
são obstáculos intransponíveis, ignorando outras (enormes) diferenças doutrinais:

A divindade de Jesus, o seu nascimento por mãe virgem sem pai biológico, os milagres, as alterações que motivou na «lei antiga», a sua ressurreição, a ascensão aos céus, são pedras fundamentais e inalienáveis do cristianismo clássico. (Para as Testemunhas de Jeová, credo de linhas cristãs, Jesus não é Deus, mas um profeta).

A Santíssima Trindade, o dogma cristão de um Deus único tripartido em Pai, Filho (Jesus) e Espírito Santo é, para judeus e muçulmanos, uma heresia e blasfémia.

Maomé afirmou (Alcorão, Surata 5:70): «São infiéis os que dizem que Cristo, filho de Maria, é Deus, porque Cristo apenas disse aos filhos de Israel para adorarem o Deus único que era seu Deus. São infiéis os que dizem que Deus é uma trindade. Cristo, filho de Maria, é apenas um apóstolo entre muitos apóstolos que vieram antes de mim».

Para o muçulmano, Jesus não morreu na cruz. Na Surata 4:156 do Alcorão tem-se:
«... e porque eles negaram e disseram más coisas sobre Maria, e por dizerem que mataram Cristo, Jesus, filho de Maria, que era um apóstolo de Deus, mas eles não o mataram nem o crucificaram, embora tal parecesse ter acontecido ... porque, de certeza, eles não o mataram ... mas foi elevado (aos céus) por Deus para perto de si...».
Nota: Talvez por influência do Alcorão, apareceram teorias que quem morreu na cruz teria sido um seguidor de Cristo, parecido com ele, ou até Judas o traidor que se teria arrependido, ou que Cristo teria sido retirado da cruz ainda com vida e tratado, e depois teria ido para a Índia, onde se tornou um asceta muito respeitado, e lá morreu.

Para o Islão, Maomé é o último e o maior dos profetas, cronologicamente seguindo-se a Jesus, que é considerado, portanto, o penúltimo profeta, e não um Deus. Os muçulmanos consideram o Islão uma correcção às deturpações feitas pelos judeus e cristãos, das mensagens divinas comunicadas a vários patriarcas e profetas.

O Islão seria a revelação final, através do Alcorão, de Deus ao homem, o capítulo final, sem nada mais a acrescentar, e não perdoa aos Judeus o desprezo que deram a Jesus e aos Cristãos, a deificação de Jesus.

Para o Judaísmo, Jesus simplesmente não existiu como figura histórica ou, quando muito, teria sido um místico com um intenso fervor religioso e, neste caso, questionam se foi Jesus que disse que era Deus ou se foram os Cristãos que lhe puseram na boca tal afirmação. Os Judeus continuam à espera da vinda do Messias que recriará o Estado de Israel. Evidentemente, consideram Maomé um falso profeta.
Nota:  No Talmude é referida a execução do pregador Jesus, filho de Pandira, mas não é reconhecida uma relação entre este Jesus, e o Jesus dos Evangelhos.

Para o Cristianismo, Jesus foi o Messias Prometido, sendo uma das três manifestações de Deus, e foi o último dos profetas, que alertou para «a vinda de falsos profetas», em que está incluído Maomé.

Nota: Segundo a Bíblia, um dos discípulos de Jesus perguntou-lhe como se distinguiriam os falsos profetas. Jesus respondeu (Mateus 7:15...) «... vêm a vós disfarçados com peles de ovelhas mas por dentro são lobos vorazes. Por seus frutos os conhecereis... não pode a árvore má dar bons frutos...». Muitos cristãos identificam Maomé com esta «árvore má», por introduzir uma religião falsa, e atendem à sua chamada à «guerra santa», ao status de submissão dado ás mulheres, e ao comportamento polígamo de Maomé que, inclusive, manteve 9 esposas simultaneamente e teve relações íntimas com uma delas (Aisha) quando ela tinha apenas 9 anos de idade.


Parte de um controverso fresco que se encontra na Igreja de S. Petrónio, Bolonha,
mostrando Maomé no inferno a ser atormentado por demónios, de autoria de Giovanni di Pietro Fallopi
 (Giovanni da Modena), 1415.     Notar o nome do profeta islâmico explicitado na pintura.
Foto:http://www.artnet.com/Magazine/

Após a morte de Jesus apareceram vários «profetas e Messias» nas sociedades judaicas, cristãs e islâmicas, mas acabaram mal, geralmente executados, internados em asilos mentais, ou suicidaram-se, por vezes num pacto de suicídio comunal abrangendo os seus seguidores.

O Antigo Testamento (cristão) é quase uma cópia a papel químico do Tora (judaico), enquanto que o Corão (Islão) é uma ligeiríssima adaptação, divergindo em vários pontos que reflectem a interpretação dada por Maomé a certos factos. (Estudar página seguinte).

Por exemplo,
Maomé contornou o dilema Cristão e Judaico de como foi possível criar multidões a partir de um só par, Adão e Eva, de uma maneira airosa. No Alcorão, Surata 4, lê-se: «Deus criou homens (no plural) e, deles, as suas companheiras, e depois dispersou-os aos pares em multidões», mas há um ligeiro problema quanto à maneira como os homens foram criados. Umas Suratas referem-se a tin, pó de terra ou barro, outras a nutfah, sémen, outras a nafs que tem mais de 100 significados como célula, gota (muitas vezes subentendida ser de sangue), essência, mas na Surata 21: 30 diz: «...a Terra e os Céus eram uma única massa. Depois de separados, Deus fez cada uma das criaturas que vivem na Terra (incluindo o homem), da água».
Fica-se sem saber se o homem foi feito de terra, de um ser unicelular, de uma gota (de sangue?), de água...

Segundo a crença Behaísta (um ramo islâmico xiita, surgido em 1844), « ... Deus revelou-se aos humanos por meio de mensageiros como Abraão, Moisés, Krishna, Zoroastro, Buda, Jesus, Maomé, Bab, e outros, ...todas as grandes religiões do mundo são de origem divina, e seus princípios básicos estão em  harmonia, diferindo apenas nos aspectos não essenciais de suas doutrinas...»

Tudo o que se pode esperar é que os crentes destas três religiões mantenham um convívio pacífico através do respeito mútuo, ponderando no pensamento expresso pelos behaístas, compenetrando-se que nenhuma das religiões actuais é de origem virgem mas uma nova interpretação de religiões mais anciãs, de mistura com mitos e rituais que foram incorporando à medida que penetravam em território «pagão e infiel».

É preciso compreender que, excluindo religiões satânicas e aquelas que chamam por sacrifícios de animais ou que instigam à violência e ao racismo, quase todas as religiões têm por finalidade «civilizar» o homem tornando-o mais humanista. O que há de maléfico numa religião não é o conjunto dos seus dogmas, mas os homens que a lideram.

A motivação da Guerra Santa distingue os verdadeiros dos falsos crentes.

No judaísmo: Ultrapassada a dificuldade em se compreender como Deus pode ter dado aos israelitas a «Terra Prometida onde corria o mel e o leite» que já era habitada e como lhes exigia que a tomassem de um modo brutalmente bárbaro, nota-se que, a partir dessa conquista feita, os israelitas não tiveram ambições territoriais, já que no Tora não há instruções para tal.
Judeus que iniciassem uma guerra santa ofensiva, sem provocação, ou expansionista, estariam a ir contra a doutrina judaica, e seriam por tanto falsos Judeus.
Nota: As terras da Palestina que Israel, de momento, controla foram conquistadas após Israel ser sido ameaçado em 1948 pelos árabes. Essas terras têm interesse estratégico militar e por isso estão temporariamente sob seu domínio, mas Israel iniciou a sua devolução e está preparada para as entregar por completo se tiver a garantia de não ser atacado. Note-se que organizações como o Hamas, com as suas razões que considera legítimas, está empenhado em não permitir a criação de Israel como um estado soberano.

No cristianismo: Nas ocasiões em que Jesus exortou os seus discípulos a espalharem a sua fé, fê-lo de modo a implicar que fossem pacíficos, e assim sucedeu no primeiro século. Só após a Igreja ser reconhecida como religião de pleno direito é que os seus líderes se apoiaram na força para a impor e se embrenharam numa expansão territorial, atitudes que deixaram de existir nos tempos que correm. Os prevaricadores do passado foram falsos cristãos, porque foram contra o estabelecido por Jesus.

No Islão: O Islão nasceu do sangue dos seus próprios fundadores (quase todos assassinados em lutas de poder) e crentes e, depois, do sangue dos inúmeros povos conquistados graças à sua ambição territorial. Ao fazê-lo estavam a cumprir o mandamento do Alcorão da Jihad, ou guerra santa, estando pois a ser verdadeiros maometanos.

A coexistência entre as várias religiões (e entre respectivas «seitas») nunca foi pacífica, tendo gerado inúmeras e terríveis guerras que se arrastam até aos dias de hoje (Palestina, Kosovo, Bósnia, Irlanda, Chipre, Filipinas, Indonésia, Sudão, etc.), guerras que são frequentemente exportadas por imigrantes aos países de acolhimento onde eles vão procurar a liberdade de expressão de pensamento e religiosa, a paz, o abrigo, e o ganha pão, recusados no país de origem.

As implacáveis leis «de ferro e fogo»
1- As leis indicadas no Tora evoluíram para um novo judaísmo com regras sociais de acordo com um pensar humanístico «normal», tendo sido uma transformação cultural colectiva, natural e silenciosa.

2- No cristianismo as regras do Antigo Testamento foram substituídas pelos ensinamentos mais macios do Novo Testamento, embora houvesse um longo período de fanatismo religioso em que a Igreja de Roma «punha e dispunha» da vida das nações e dos seus cidadãos, com resultados desastrosos em todos os aspectos.

3- No Islão, a interpretação à letra das leis do Alcorão ainda não foi abandonada por muitos muçulmanos.

Entre muitos casos:

 

Leis Islâmicas (Xaria), vigentes nalguns meios, sobretudo rurais.

Leis no Antigo Testamento
Adultério: Possível pena de morte Pena de morte - Levítico 20:10
Homossexualidade: Possível pena de morte Pena de morte - Levítico 20:13
Mulher menstruada: Considerada impura, e afastada de convívio Considerada impura, e afastada de convívio - Levítico 15: 19
Mulher solteira promíscua: Possível pena de morte Pena de morte - Deuteronómio 22: 20-21
Bestialidade: Possível pena de morte Pena de morte - Levítico 20: 15-16
Violação de mulher casada ou comprometida: Possível pena de morte Pena de morte - Deuteronómio 22: 25-26
Filho que agride e insulta pais: Possível pena de morte Pena de morte - Levítico 20: 9


Act. 1004082147

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