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A Escola  - Página 1 de 3

De Portugal ao Japão, da África do Sul aos Estados Unidos da América, de facto, em todo o nosso mundo «civilizado», o ensino académico está em crise.
Em Portugal, o problema não está nos professores, como é frequentemente apontado por entidades governamentais e pela sociedade em geral.

 

Salvo casos raros de honesta incompatibilidade na trilogia criança-escola-curso,
o insucesso escolar deve-se, maioritariamente, e por esta ordem:

1º) À indisciplina dos alunos, dentro e fora das aulas.
2º) À vida social e lúdica dos alunos, demasiada activa e, praticamente, sem supervisão parental.
3º) À complexidade e carga horária do currículo académico.
4º) O Sr. Ministro de Educação esquece-se que os pais, mesmo que o queiram, dificilmente podem apoiar os estudos caseiros dos filhos não só porque têm que fazer uma enorme ginástica gerindo o tempo, conciliando o próprio horário de trabalho com o levar e ir buscar os filhos à escola, como não têm, geralmente, os conhecimentos teóricos exigidos na escola. Quantos pais podem explicar a um filho, os detalhes da teoria do Big Bang, ou a divisão celular, ou a derivação de funções complexas, ou as inúmeras definições estéreis dadas, na escola, da gramática portuguesa? Pode esperar-se que um pai tenha suficiente genica e vontade de ajudar um filho nos TPCs) depois de um dia de trabalho e de uma, geralmente longa e irritante, viagem de regresso a casa?
5º) O Sr. Ministro da Educação também se esquece que um aluno tem várias disciplinas com que deve lidar simultaneamente, e não uma só e, portanto, que o tempo caseiro para estudar (no caso de um aluno estudioso), não é elástico.

É frequentemente apontado como factor de insucesso escolar as aulas terem «muitos alunos». O número de alunos é pouco relevante, desde que na mesma sala de aulas não se misturem vários anos escolares, ou o ensino de matérias diferentes, desde que os alunos se comportem como indivíduos civilizados, desde que o professor se faça ouvir em condições e o quadro esteja bem visível, já que o professor nas aulas teóricas fala para a turma como um todo, e não para um aluno em particular (nas aulas de cunho prá
tico é outra história!),salvo para lhe tirar uma dúvida ou o interrogar.
Antes da Revolução dos Cravos muitas das turmas nas escolas chegavam a ter 50 ou 60 alunos (na universidade 200!) e estes aprendiam.
O aproveitamento académico depende, da atenção posta pelo aluno nas aulas, e dele estudar afincadamente em casa. No estado caótico em que se desenrolam as aulas, devido ao comportamento estudantil, é lógico que o tamanho do insucesso é proporcional, exponencialmente, ao número de alunos, mas este problema tem de ser resolvido, não necessariamente por redução do número de alunos, mas por os meter na ordem e restituir à escola a dignidade e autoridade que deve ter.

Grande parte dos alunos não gosta de ler material académico, é muito lento a ler ou não sabe ler correctamente, e não entende o que lê.

Assim se não estiver atento nas aulas ao que o professor diz, não é de esperar que aprenda por leitura dos livros. É fundamental que seja estabelecida uma disciplina bastante rígida nas aulas para que os alunos não se distraiam nem perturbem os colegas, e é fundamental que o professor siga o livro na aula, através da sua leitura ocasional.

Outro factor apontado no insucesso escolar é a falta de «formação contínua» dos professores. Em qualquer profissão há necessidade desta formação que deve partir, voluntariamente, do próprio profissional afim de se manter actualizado. No caso dos professores do ensino básico e secundário, ela só é verdadeiramente necessária se houver uma introdução de matéria completamente nova, ou profundamente evoluída, relativamente aos conhecimentos do próprio docente.

Tendo em atenção que, inquestionavelmente, a escola genérica (que não ensina uma profissão específica) não prepara um aluno para entrar no mercado de trabalho mas apenas lhe dá uma balofa formação teórica, culminada com notas e certificados no fim do ano escolar, em termos reais o que se pretende é que o aluno vá passando. Assim, o que o professor necessita é saber gerir o seu ensino, espartilhado por uma beligerante convivência professor-aluno e cabulice estudantil, de modo a transmitir aos alunos a estratégia necessária para "fazerem" os exames de modo a obterem esse certificado.

Um professor, infelizmente, não tem tempo para ir além do lixo teórico que é obrigado a despejar nos alunos. Pretender que ele expanda os conhecimentos úteis de um aluno, ou a sua criatividade, é uma utopia pura e simplesmente impraticável.

A existir essa «formação contínua», ela deve ser adquirida fora do horário normal lectivo a fim de não prejudicar os alunos, com as contínuas faltas dos professores (que em vez de estarem na escola a ensinar estão algures a aprender outra coisa, e que geralmente acabam emigrando para campos para os quais não tinham sido inicialmente contratados), ou com uso de professores substitutos para colmatar essas faltas. Alguns professores usam esta formação contínua não para melhorar o seu desempenho na posição original que ocupavam na escola, mas como um trampolim para emigrarem para uma posição mais elevada na sua profissão, com uma maior compensação salarial.

A instrução primária é, do caminho académico que um estudante percorre até à universidade, o degrau mais critico e útil,  pois é aqui que ele não só aprende  a ler, a escrever, a contar, e outros assuntos básicos, como também é iniciada na arte de se integrar num grupo, e é aqui que se procuram ou detectar anomalias ou, pelo contrário, qualquer inclinação artística e cultural da criança.
É sobretudo a este nível que  o governo e a sociedade civil devem dar o seu melhor na educação geral (académica e cívica) da criança.

«» Na escola primária os professores têm de  lidar, por imposição das leis, impotentes, impávidos e serenos, com algumas crianças que são uns verdadeiros diabretes e/ou malcriadas e que muitas vezes não se apercebem que a casa dos pais é um mundo gerido por certas liberdades que não podem ser, geralmente, as mesmas do espaço escola.

«» Têm que ter o dom mágico de penetrar, academicamente,  nas verdes mentes das crianças, o que é difícil.

«» Têm de fazer milagres, apoiados (?!) em livros escolares muitas vezes inadaptados à idade dos alunos. Também são, por exemplo, obrigados a ensinar às crianças coisas como a escrever um Q grande assim:

É certo que existe esta fonte, mas faz sentido ensiná-la como se ela fosse a mais normal na escrita corrente? Onde é que se viu, na vida quotidiana,  na vida real, (comércio, indústria, científico, técnico, social), ou até nos próprios livros escolares, em geral, um Q grande, assim? 

Do 5º ao 12º, o conteúdo curricular  tem uma carga horária pesada, desdobra-se em demasiadas disciplinas, é complexo, extenso, e de pouco uso prático. É  uma educação bonita por fora e vazia por dentro, "de fachada", como a definiu um dirigente  estudantil

Quem, a título de exemplo, se der ao cuidado de passar os olhos pelos livros de Biologia e de Ciências da Terra e da Vida, pensa que está a ler um tratado de Medicina, os manuais de Física dão-nos a impressão que estamos a leccionar cientistas, os manuais de Filosofia são uma colectânea de ideias que não ajudam ninguém a "filosofar" sobre os valores da vida. Tal como é dada, é uma disciplina tão inútil que, em boa verdade, devia de ser tirada do curricular e integrada em Psicologia e História Universal. O ensino do Português é estéril, com uma  ênfase exagerada numa gramática pesadíssima (os alunos aprenderiam muitíssimo mais se substituíssem os livros por um bom jornal).

Quanto ao Inglês, aprendido à base de aplicação gramatical, depois de andarem anos a fio às cabeçadas com ele, os alunos não dão uma para a caixa numa tentativa de conversa normal e, na História, relatam-se acontecimentos deixando geralmente de fora factores sócio-culturais causativos, e as consequências dos mesmos nesses campos.

No caso da matemática, esta só pode ser conquistada com trabalho árduo e sistemático (um aluno do secundário precisa estudá-la umas 2 horas, em casa, diariamente), com lápis e papel, estudando-se a teoria e depois fazendo-se muitos, mas muitos, exercícios tipo contas, e do tipo que envolvam uma boa dose de raciocínio. O insucesso nesta disciplina tem mais a ver com a falta de estudo, ou de um estudo em casa bem orientado que tem de incluir revisões do que está para trás, do que com o grau de dificuldade da matéria, tem a ver com o facto de os alunos muitas vezes não compreenderem (falha em português!) o que se lhes pede, e por não serem capazes de estabelecer um plano de resolução para um problema, se este não for de chapão.

Quantos alunos do 12º ano sabem resolver este simples problema (nível do 8º): Um computador é vendido a 1200 Euros incluindo  IVA a 19%. Tendo o IVA subido para 21%, qual deverá ser o seu novo preço? Aqueles que se aventurarem a resolvê-lo, quase de certeza que irão, erradamente, acrescentar 2% aos 1200 Euros! 

Não sabem trabalhar com radicais, não conseguem fazer contas muito simples de cabeça, não sabem simplificar fracções ou «pôr em evidência» factores comuns, e têm uma grande dificuldade em resolver problemas envolvendo apenas letras. Pergunte-se a um aluno do 9º ano, digamos, o que é «n a dividir por n».
Para muito deles o zero é um ser misterioso, sendo raros os alunos, mesmo no secundário, que sabem o que é 3 vezes zero, ou, zero a dividir por 3, ou 3 a dividir por zero, ou 3 elevado a zero, por exemplo. Muitos deles confundem «o quadrado de um número» com o «dobro desse número» e a «raiz quadrada» com «metade».

80% dos alunos não completam um estudo a nível universitário, e quase metade da população estudantil  abandona a escola antes de atingir o 12º ano.
Estes "fugitivos", cheios de  teorias, acabam sem ferramentas de sobrevivência num novo rumo de vida que tomem, e muitos deles, graças ao abusivo uso de calculadoras, nem sequer sabem a tabuada.

O curricular segue, anualmente, modas caprichosas: Por exemplo, na cadeira de matemática do 12º ano (curso geral), está na moda o estudo de Probabilidades no qual se perde quase um período embora, ao contrário da crença do Ministério de Educação e de alguns professores, se comprove que não é coisa que expanda ou consolide de uma maneira duradoura a lógica no aluno. Se se perguntar a um bom aluno nesta disciplina, depois de ter perdido um período a estudá-la, para calcular mentalmente quanto é 12 vezes 11, ele é incapaz de estabelecer um algoritmo (muito simples) que lhe permita fazer tal cálculo.  A maioria dos alunos, mesmo finalistas do 12º ano, não sabe fazer uma multiplicação ou uma divisão à mão, nem sequer sabe multiplicar ou dividir, mentalmente, um número por potêncais de 10. Com toda a probabilidade ele nem é capaz de dizer quanto é 9 vezes 8, sem o auxílio duma calculadora.... gráfica.

Dos estudantes que acabem como gestores de empresas, aqueles que terão mais sucesso serão os que fizerem uso de uma boa dose de bom senso comum, de intuição, de uma ponderada ausência de medo ao risco, e não os que seguirem, exclusivamente, as leis matemáticas da Probabilidade as quais, sem dúvida, têm alguma aplicação específica prática como, por exemplo, nas seguradoras, ou nos casinos, para os  mentores desses antros, poderem melhor viciar o jogo logo à partida, de mistura com outros métodos de batota menos matemáticos!

Encontre-se um estudante que acabou de fazer o exame do 12º ano (curso geral), que saiba o que significa afirmações como "com uma margem de erro de..." e "com um nível de confiança de...", nas sondagens apresentadas nos média.

É um desperdício o tempo exagerado atribuído ao seu estudo neste curso (que nem sequer ajuda  na universidade já que aqui é estudada sobre outro ângulo), e é lamentável  a insistência com que aparece nos testes ao longo do ano, penalizando os alunos fracos nesta matéria. Não seria mais útil aligeirar o estudo de probabilidades e optar por algo como o adoptado no curso da MACS (matemática aplicada à ciência social, embora esta precise de revisão sobretudo com a exagerada importância dada ao estudo dos grafos), ou será que o M.E está mais interessado em tentar aprofundar os conhecimentos (ilusórios) sobre «a sorte» de se ganhar nos «jogos de azar» dos casinos, e nas lotarias?

Não significa isto que a estatística nos mereça grande credibilidade!

Basta notar que os resultados dos estudos estatísticos feitos por diferentes fontes como o governo, o INE e os sindicatos sobre, por exemplo, o desemprego nunca são coincidentes, já que cada um "puxa a brasa à sua sardinha".

Também se verifica que há anos escolares em que se insiste em certas matérias  que depois são votadas ao total esquecimento (por exemplo, no 9º ano faz-se um estudo apurado de «ângulos ao centro e inscritos» que, depois, nunca mais é retomado), e a estranha situação de, por exemplo, na cadeira de física aplicarem métodos  matemáticos que não são, antecipadamente, contemplados na cadeira de matemática, ou seja, põe-se a carroça à frente dos bois, embora seja certo que os rudimentos da trigonometria possam ser ensinados em qualquer outra cadeira, se necessário, sem que o seja inicialmente feito na matemática.
 

A nível de Universidade e Institutos Politécnicos, é incrível o lixo académico com que se entulham os alunos em certas disciplinas, perdendo-se  imenso tempo com detalhes teóricos  que em nada contribuem para a formação de bons profissionais, e há demasiados cursos que atiram para a rua "doutores" que depois não encontram acolhimento no mercado de trabalho.

Manuais únicos, a preço de custo, ou condicionalmente gratuitos?

A diversidade de livros escolares, com alguns deles  parecendo-se  mais com magazines caros, sobretudo os de línguas nos anos mais baixos, e que também pecam pelo seu conteúdo demasiado frívolo. Não é com estas fantasias que se atrai o aluno ao livro e ao estudo!
Há livros adoptados, sabe-se lá com que critérios, e que  muitas vezes não são seguidos pelos professores. Bem defunto está o bom tempo em que o professor entrava na sala e dizia: "Abram o livro na página...". Actualmente, muitos dos alunos nunca chegam a abrir os seus belos livros, e nem sequer sabem estudar por eles.
São livros impressos em papel bom de mais e lustroso que dificulta a sua leitura devido ao brilho e  com muitas fotos coloridas irrelevantes que aumentam o número de páginas e o seu preço. Há muitos livros de  autores diferentes, por disciplina, que obrigam a impressões de tiragens limitadas, que os encarece.

Os grandes avanços científicos feitos nos últimos 10 anos, pouco têm a ver com o que, de facto, se necessita ensinar ao nível escolar pré-universitário e, por conseguinte, é injustificável a mudança frequente de manuais. O que o M.E. deve fazer é «ACERTAR» na escolha do que é essencial ensinar neste nível escolar, deixando de seguir utopias.

Estudar é uma necessidade, não é um luxo. Façam-se manuais, tipo sebenta, em papel "de jornal" com o mínimo de fotos e gráficos coloridos, como livro único básico por disciplina, embora as escolas mantivessem o direito de recomendar leituras suplementares ou, melhor, de gratuitamente distribuírem extra informação.
O governo devia abrir concurso público para apresentação de exemplares de manuais modulares, e destes seriam seleccionados, por comissão incluindo membros do governo, professores e profissionais do mercado de trabalho, os mais adequados.

Na sua forma final seriam  vendidos a "preço de custo", ou distribuídos gratuitamente sob condição de não serem maltratados para que pudessem ser reciclados para outros estudantes, senão o aluno terá de pagar os manuais que danifique. (Há países que optaram por esta solução, como a República da África do Sul)

Claro está que esta é uma solução que não agrada às empresas editoras de manuais escolares.

Fichas formativas, calculadoras, sites na Internet.

Antes dos testes os professores devem dar fichas formativas, com resoluções. É errado dar fichas sem a sua correcção, porque um aluno muitas vezes desanima ao não saber resolver uma questão ou, poderá ser levado a tirar conclusões falsas se, por acaso, chegar a um resultado certo seguindo um cálculo errado. Se tiverem a resolução talvez, pelo menos, as leiam  e fixem alguma coisa.

Os professores devem dar a correcção dos testes feitos e, nestes,  não devem fazer perguntas  mais difíceis do que os presentes nas fichas formativas, porque num teste, ou exame, o aluno está nervoso e pensa mal. A escola é uma forja de ensino, não é um tribunal de conhecimento. O próprio teste deve contribuir para esse ensino, identificando pontos fracos, não devendo ser um instrumento de punição. 

A utilidade da Internet na formação do aluno depende do uso que o aluno faz dessa ferramenta. A  maioria dos estudantes acede à Internet, não para se cultivar, mas para "sacar" música, ir a sites eticamente duvidosos, a salas de chat, e assim por diante.

As fichas formativas nos sites das escolas públicas devem de ser de livre acesso a qualquer "visitante" e não só aos seus alunos ou professores "registados", como se a escola fosse regida por rituais massónicos.

A calculadora é uma máquina de lavar o cérebro, e o seu uso abusivo, já na escola primária, é um erro crasso.
Não deve ser aplicada em geral na matemática, mas apenas em outras disciplinas como geografia, física ou química, para facilitar cálculos.
Com a sua introdução na escola só lucram os seus vendedores e o governo com os impostos gerados à volta da sua venda, e os estudantes que nelas têm cábulas e jogos.
O mais interessante é que, sendo obrigatório o uso de calculadoras gráficas no secundário, há universidades, e institutos, em que está proibido o uso de qualquer tipo de calculadora !!!

Para cálculos algébricos normais, o saber usar a calculadora nada tem a ver com aprender "novas tecnologias". Qualquer indivíduo, por muito "burro" que seja, aprende facilmente em casa a usar uma calculadora para depois ficar... mais burro a fazer contas!

É também  lamentável a quase total ausência de "sebentas" bem elaboradas pelos docentes das várias cadeiras. A este nível de ensino, não se pode ensinar recomendando aos alunos uma lista de (caros) livros, em que de cada livro o aluno só tirará proveito de algumas páginas. Igualmente é intolerável a falta de estandardização do conteúdo de disciplinas que são comuns  a várias universidades e politécnicos. 

As degradantes praxes

As vergonhosas praxes académicas, como as conhecemos, devem ser proibidas, e substituídas por  eventos desportivos e culturais e os caloiros devem ser lembrados que entram nesse novo mundo para concluírem um curso superior, que muito dinheiro custa ao contribuinte, no mais curto prazo de tempo.

« De pequenino se torce o pepino »

Sentencia o ditado, por isso é já no infantário que se deve introduzir as crianças a regras de comportamento responsáveis em que as traquinices próprias destes verdes anos devem ser toleradas com benevolência (algumas delas até têm piada e alegram os adultos), mas as malcriadices pesadas devem ser punidas, de modo apropriado à idade dos prevaricadores. 

O  vandalismo na escola, e as agressões físicas e verbais a professores (e entre alunos) tem vindo a aumentar de ano para ano. Este clima não permite manter-se um ar de sossego e de respeito nas aulas, e com alunos não atentos às lições, a conversarem entre si, e a pensarem em namoros, as aulas não podem ser produtivas.

O professor não consegue controlar delicadamente a situação e se o tentar fazer com uma palavra mais azeda, corre o risco de ser insultado e de ter um processo disciplinar instaurado pelos papás e mamãs, que então correm à escola  tartamudeando palavras como «direitos das crianças», «trauma psicológico»,  embora estes mesmos papás e mamãs não tenham por hábito ir às reuniões escolares gerais, convocadas de tempos a tempos. A escola não pode ser um clube social radical, em que as maiores tropelias passam impunes e perturbam o seu funcionamento eficaz, prejudicando os alunos melhor comportados e estudiosos, e fazendo tábua rasa da dignidade do professor.

Os alunos sistematicamente mal comportados devem de ser  transferidos para estabelecimentos específicos que lhes possam dar todo o apoio correctivo. Nos EUA, fazem-se testes científicos aos indivíduos com graves problemas de comportamento social, tentando-se  descobrir se estes  são fruto de uma má educação parental ou se há uma causa genética ou traumática.
Compete ao governo criar centros de triagem  que possam recuperar académica e civicamente estes "delinquentes". O governo não pode delegar a resolução destes problemas à impotente escola, ou à custa da qualidade de vida dos docentes quer como pessoas, quer como professores.

É preciso disciplinar  e responsabilizar não só os alunos pelos seus desacatos  mas os seus pais. É em casa que começa a educação dos filhos, no sentido de eles compreenderem que há o mundo da crianças e o dos adultos, que se complementam dentro de regras de respeito mútuo, mas o aluno tem de aceitar que não pode tratar o professor como se fosse um seu colega, ou da maneira livre como poderá estar permitido a actuar em casa.

A escola, do infantário à universidade, não pode ser vista pelos pais, como sendo uma baby-sitter que olha e apaparica os meninos durante umas horas  e, pelos alunos, como sendo uma instituição de convívio e lazer onde facilmente se arranjam namoros, amigos da farra, onde se é iniciado nos vícios de fumar, de beber, de drogas, de vida sexual irresponsável, e onde se exagera o conceito de uma liberdade individual que atropela as liberdades e direitos de terceiros.

Se o governo ignorar as suas obrigações de, pelo menos, não autorizar desrespeitos dentro do recinto escolar, parte destas crianças depois de adultos irão comportar-se com a convicção que podem viver segundo os seus caprichos, e tornar-se-ão criminosos que, se por acaso forem apanhados e incriminados depois dos muitos danos  que possam ter causado na sociedade, do roubo à violação, ao assassínio, acabam numa prisão (que os sociólogos insistem dever ser um hotel 5 estrelas!) sustentada pela mesma sociedade que viciosamente maltratam e, ao saírem dela, regressarão à mesma vida de crime, mas agora mais espertos e astutos.
 

Circula muito dinheiro nas mãos das crianças, que, entre outras coisas, serve para comprar tabaco, bebidas, gulodices, charros e outra droga suave, e dá-lhes a ideia que o dinheiro não custa a ganhar.

Muitos adolescentes gastam mensalmente em gulodices, e divertimentos, mais do que se lhes pede em  propinas na universidade, e que recusam pagar! 

Há um excesso de liberdade dado pelos pais e há uma cultura familiar de andar sempre na rua, nos restaurantes, nas compras e a ir ali e acolá, nos feriados e nos fins de semana.

 
As crianças têm uma vida social de tal modo rica e consumidora de tempo que acabam muito ocupadas a  namorar (namorar passou a ser uma obrigação), a mandar mensagens nos telemóveis (há crianças que têm mais do que um telemóvel), em idas a discotecas, a cafés e bares, a festas de amigos, a planearem  viagens de grupo ao estrangeiro, ou de fim do ano lectivo ou de "finalistas", sem paz de espírito, de tempo, ou de vontade, para estudarem.
Testes com questões de escolha múltipla ...
Aqui está o Cian, disfarçado de Abrunhosa, que aproveita para dizer o que pensa destas perguntas de  escolha múltipla: "Tresandam", porque nessas perguntas, se damos a resposta certa temos uma certa pontuação, se não respondermos temos zero e se respondermos mal temos pontuação negativa.
Porque tiram pontos? É que há  no governo gente, com certeza com um espírito maquiavélico, que parte do princípio que se erramos é porque escolhemos a resposta ao calhas, e temos de ser penalizados pela batota, não lhes entrando pela cabeça a hipótese  de que o erro possa ter sido genuíno. Eles justificam-se alegando que foi através de cálculo apropriado que chegaram à escala de pontuação atribuída a este tipo de perguntas,  mas mesmo assim, moralmente falando, é um autêntico roubo. Ou acertamos e temos uma merecida pontuação, ou falhamos e temos zero. Eu acho é que aqueles senhores do governo estudaram tanto  Cálculo de  Probabilidades que acabaram... com toda a probabilidade... com um esgotamento cerebral e agora não conseguem raciocinar lá muito bem, e nós é que pagamos as favas!

Os exames e testes não são jogos em que nós ganhamos ou perdemos uns pontos, e por vezes gastamos muito tempo a fazer a análise de todas as respostas alternativas, já que aqueles sádicos normalmente põem mais do que uma resposta que parece válida e muitas vezes temos que  fazer cálculos elaborados que roubam tempo e nos poderão conduzir a uma conclusão falsa.  Falando com toda a franqueza, considero inadmissível e imoral fazerem-se perguntas complicadas e depois classificarem-nas como se fossemos uns trafulhas, se errarmos! 
Façam pura e simplesmente as perguntas e não nos "ofereçam" respostas envenenadas!

Não seria bom que os nossos professores deixassem de ser medricas e protestassem, tomando em consideração o que penso?".

Nota: O Webmaster concorda a mais de 100% com o Cian: Questões de escolha múltipla, em matemática, classificadas como o são? É inadmissível, e imoral.Tresandam!
Nota: Desde 2006 já há exames em que  as respostas erradas não são penalizadas com valores negativos. Levou tempo aos sábios do M.E. repararem numa imoralidade a que o Webmaster se refere desde 1999!

Em resumo:

a) Há que educar seriamente as crianças, como filhos e como alunos.
b) É preciso dar estabilidade e respeito à carreira docente.
c) É preciso devolver à escola o seu significado: O de ser um centro de ensino, e não apenas um centro de divertimento.
d) Há que fazer uma revisão profunda ao curricular académico, aligeirando-o  e tornando-o mais útil. 
e) Há que olhar para o problema dos manuais escolares: há muitos, e muito caros. (Livro único?)
f) Há que rever o uso abusivo de calculadoras.
g) Há que rever a carga horária. Os  alunos saindo tarde das aulas,  não têm oportunidade de estudar, tendo de satisfazer a sua vida social e seduzidos, em casa, pelos jogos de computadores e TV.
h) Os teste não devem de ser criados para premiar os  bons alunos e punir os maus, mas sim para servirem de  barómetro do progresso e das dificuldades no ensino, não devendo serem uma surpresa no que diz respeito ao estilo e dificuldade das perguntas feitas. A classificação de "um a cinco" é um disparate, devendo de ser substituído consistentemente pela bitola de "um a vinte", ou de "um a cem", ou de "um a duzentos".

Os testes devem de seguir um padrão semelhante aos exames nacionais emitidos pelo M.E. e devem ser equacionados de modo a avaliarem se os estudantes têm um conhecimento geral da matéria, e não para se saber se conseguem resolver um problema específico, muito difícil.
i) Há que controlar o vício dos alunos por telemóveis, namoricos, Internet e jogos nos computadores.
j) Quanto à educação sexual na escola, ver este tópico no menu da página de arranque (Home).

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